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Mostrando postagens de 2014

¿Qué pasa, Vargas Llosa? ( I )

Por Lau Siqueira



Esperar um voo em qualquer aeroporto não é tarefa divertida. As vitrines são as mesmas. As poucas livrarias exibem biografias e autoajuda. O ambiente é frio. Semana passada, em Guarulhos, entretanto, estanquei meu olhar num livro de Mario Vargas Lhosa. Admiro o peruano, autor de “A guerra do fim do mundo”. Então resolvi comprar “A civilização do espetáculo – Uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura”. O tema não é novidade. Edgar Morin e, muito especialmente Guy Debord já abordaram o assunto. Um tema, aliás, bem instigante e capaz de suscitar muitas reflexões. Os males da espetacularização midiática são por demais conhecidos. A notícia de fácil consumo substituiu o jornalismo crítico, reflexito, investigativo e isso tem um efeito devastador na cultura. É mais um fruto da globalização.

Uma frase na quarta capa do livro, todavia, é uma provocação: “A cultura, no sentido tradicionalmente dado a este vocábulo, está prestes a desaparecer”. Ele se refere à banalizaçã…

DE QUEM É A CULPA?

Por Lau Siqueira


A notícia sobre o assassinato do ator e diretor de teatro Marcos Pinto veio na última terça-feira, em pleno Café em Verso e Prosa. A atriz e amiga Suzy Lopes revelou o triste fato. Pessoa muito querida no meio artístico e um dos profissionais mais dedicados e competentes que já conheci. Marquinhos não deixava espaço para falhas. Suas produções eram muito bem cuidadas. Gostava de ver a forma como se comportava. Era exigente e focado. Fora do trabalho, uma pessoa muito descontraída e carinhosa. A notícia da sua morte chegou fervendo nos meios culturais. A dor se mistura com a revolta. Basicamente nem é revolta contra o assassino. Um pobre diabo que se perdeu do destino. A revolta é contra a banalização da vida que a homofobia revela mesmo nas piadas consideradas “inocentes” e que de inocentes não tem nada.

Nossa sociedade homofóbica, machista e racista contabiliza mortes e mais mortes. Todavia parece que, finalmente, começa a acordar e criminalizar atitudes e ações discri…

PERSPECTIVAS CULTURAIS PARA 2015

Lau Siqueira
A Paraíba é, reconhecidamente, um dos estados que mais produz  arte e cultura no país. Uma terra de artistas imensos e intelectuais brilhantes. Vale citar Pedro Américo, Augusto dos Anjos, Paulo Pontes, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Celso Furtado, Sivuca, Jackson do Pandeiro, apenas como exemplo. Mas, não é só isso. Temos o quinto teatro mais antigo do Brasil. Teatros históricos espalhados pelo interior. Abrigamos o segundo maior centro cultural do mundo - o Espaço Cultural José Lins do Rego. O artesanato paraibano está entre os mais criativos do país. Basta lembrar as rendeiras do Cariri e Mestras como Zefinha, em Pitimbú. Além de abrigarmos sítios arqueológicos e uma história que passa pelo Cangaço e  pela Coluna Prestes. Enfim, a Paraíba possui lastro para desenvolver sua economia a partir do seu patrimônio histórico e das diversas vertentes da sua cultura.

Nossa capital já teve diferentes nomes em diferentes épocas e é a terceira cidade mais antiga do Bras…

A tristeza como espetáculo midiático

Por Lau Siqueira


Depois que uma adolescente foi assassinada por outro adolescente numa sala de aula da Escola Violeta Formiga em Mandacaru, começou um atabalhoado debate popular sobre a segurança na escola, a redução da maioridade penal (mais uma vez sob os mantos da emoção), os culpados subjetivos, a fatalidade do ocorrido, as coincidências históricas, etc.. Até que a mídia abandone de vez a notícia e que a dor e a indignação permaneçam apenas com a família da vítima. O certo é que em breve seremos afogados por  nova tragédia pautada nas redações. Afinal, a "sociedade do espetáculo" vive disso. É assim que tem sido dia após dia. Pensamos muito pouco sobre as causas e dimensionamos exageradamente as consequências de fatos como este.  Situações semelhantes se diluem no cotidiano e a verdade é  que o machismo mata. Seja na idade adulta, seja na juventude ou mesmo na infância. Todo mundo sabe disso. Todavia, nem todo ato de violência contra a mulher vira notícia. Nem todo crime p…

A LITERATURA COMO DIREITO SOCIAL E HUMANO

Por Lau Siqueira



Ontem a Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba - SECULT, através da Fundação Espaço Cultural- FUNESC, lançou uma consulta pública sobre o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas durante a solenidade de abertura da quinta edição da Feira Literária de Boqueirão – V FLIBO, no Cariri paraibano. Uma proposta que vinha sendo discutida e construída pelos movimentos sociais e por instituições como o Curso de Biblioteconomia e a Associação dos Bibliotecários, desde 2007. Na verdade tudo começou numa reunião do Fórum Pessoense de Literatura realizada no Casarão 34 onde estavam presentes escritores, livreiros e bibliotecárias como a saudosa professora Jemima Marques de Oliveira.

De lá para cá aconteceram várias reuniões em períodos ora mais longos ora mais curtos. O fato é que uma proposta foi construída coletivamente e recuperada este ano pela coordenação do Sistema Estadual de Bibliotecas e pela direção da Biblioteca Juarez Gama Batista, sediada no Espaço…

AS LIÇÕES DE JOÃO BALULA

Por Lau Siqueira



Quem conviveu minimamente com João Balula (João Silva de Carvalho Filho) militante de tantas causas sociais e culturais, guarda memórias de muito afeto. Não há quem possa falar do Carnaval Tradição de João Pessoa, da Federação Paraibana de Teatro Amador, do Movimento Negro, do Candomblé, da Lei Viva Cultura e de tanto legado coletivo sem que o nome de João Balula seja lembrado. Era o Príncipe Negro, elegante, inteligente e sincero que habitou o popular bairro da Torre e acampou por muito tempo no, infelizmente extinto, Teatro Cilaio Ribeiro. Em 2008, Balula refez suas rotas e foi morar com os Orixás. Faleceu precocemente, aos 48 anos. Mas deixou um legado que não pode ser esquecido.
Não há no estado da Paraíba quem possa discutir o teatro amador, por exemplo, sem que o nome de João Balula seja lembrado. Era o articulador de tudo que pudesse dizer respeito às movimentações nesta área. Seja no bairro Valentina de Figueiredo, seja no Alto Sertão, em Sousa ou Nazarezinho, e…

Cultura da Casa Grande à Senzala

Por Lau Siqueira

Não é fácil trabalhar com cultura em lugar nenhum do planeta. Principalmente fora das grandes engrenagens comerciais, onde a cultura vira um produto descartável e onde raramente a arte se faz presente. Não é fácil trabalhar com cultura em Cachoeira dos Índios, no Alto Sertão da Paraíba e nem em Herval do Sul, cidadezinha perdida no extremo pampa do Rio Grande do Sul. Os desafios são idênticos e as demandas se aproximam. No entanto foi nessas dificuldades e sem qualquer resquício de política pública rondando pelos corredores palacianos que um estado pobre como a Paraíba produziu suas maiores referências culturais. Nomes que cruzaram muitas fronteiras.
Não são poucos os paraibanos de projeção nas artes e na intelectualidade brasileira. Podemos citar os grandes mestres como Augusto dos Anjos, Pedro Américo, Maestro José Siqueira, José Lins do Rego, Sivuca, Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Cassiano, Herbert Viana, Chico Cesar e muitos outros que se destacaram …

O DAY AFTER DAS ELEIÇÕES 2014

Por Lau Siqueira


Participação popular  ainda é um aprendizado para a sociedade brasileira. Alguns setores até preferem que isso nem exista.  Mas, podemos dizer que a jovem e frágil democracia brasileira não é mais revelada pela dita liberdade de imprensa. A maioria dos jornais já não pratica o velho e bom jornalismo. São órgãos a serviço de interesses políticos ou econômicos, apenas. O que mede o grau de convivência democrática da sociedade brasileira hoje e, certamente da sociedade mundial, são as redes sociais. É o lugar onde cada cidadão e cidadã expressa livremente sua indignação, seus desejos, mas também seus preconceitos. O amor e o ódio transbordam em um português nem sempre muito polido.
Nessas últimas eleições as redes sociais foram o principal instrumento de expressão de grande parte da população. As preferências e as formas de repúdio aos seus contrários estiveram pipocando até o desaguadouro das urnas. Não que isso não esteja no cotidiano dos usuários da rede. Todavia, inega…

A MÚSICA DA PARAÍBA NA WOMEX

Por Lau Siqueira

Que a Paraíba sempre foi um celeiro de grandes artistas e intelectuais, ninguém duvida. De Pedro Américo ao jovem Thiago Verde. Passando por Jackson do Pandeiro, Sivuca, José Lins do Rego, Augusto dos Anjos, Alexandre Filho, Miguel dos Santos e tantos outros em diferentes épocas e estilos. Na música, principalmente, sempre fomos soberanos. São inúmeros cantores, cantoras, bandas, compositores de incontestável qualidade. Alguns já reconhecidos pela mídia e pela crítica e outros ainda não.

A Primeira Coletânea do projeto Music From Paraíba foi lançada no ano passado na WOMEX, a maior feira de música do mundo. Além da capa primorosa feita pelo artista visual sertanejo Shiko, mostrou ao mundo o trabalho de vinte artistas selecionados pelas vias de um edital público. Lá estão Sandra Belê, Seu Pereira e Coletivo 401, Beto Brito, Os Gonzagas e outros artistas. Este ano foram setenta e um artistas selecionados para a segunda edição. São quatro discos num encarte com dimensão de…

ENTRE A DEMOCRACIA E O VOTO

Por Lau Siqueira


O poeta Mário Quintana tinha uma frase interessante sobre a democracia. Para ele “democracia é dar a todos o mesmo ponto de partida. A chegada depende de cada um.” Em Porto Alegre vi Mário em passeatas do Sindicato dos Jornalistas do RS por ocasião do fechamento do Jornal Correio do Povo. A redação inteira estava demitida. Inclusive o poeta. Certamente Mário nunca foi um militante. Em alguns momentos se posicionava de forma bastante conservadora. No entanto esta frase é tão emblemática quanto outra da sua campanha para a Academia Brasileira de Letras, quando disse: “a ABL é um tipo de associação recreativa e funerária.” Certamente com isso o poeta perdeu os votos que não teria.

O fato é que o voto livre e direto é uma conquista e um direito. A luta pelas Diretas Já foi uma das principais lutas do povo brasileiro. No entanto entre o voto e a democracia existe um hiato. Nossa democracia ainda é frágil. Ainda não temos o mesmo “ponto de partida” para todos. Estamos alavanc…

CRIANÇAS NO ESPAÇO CULTURAL DA PARAÍBA

Por Lau Siqueira


Sempre que vejo o Espaço Cultural da Paraíba cheio de crianças sinto uma emoção imensa. As políticas de cultura, historicamente, deram pouca ou nenhuma atenção às crianças. Outro dia li um comentário do meu amigo Petrônio Souto, jornalista respeitado, sobre a indústria fonográfica: “enchem nossas crianças de besteirol e depois querem resolver a com a redução da maioridade penal.” A cultura oferecida para as crianças durante décadas foi a cultura do consumo. A violência impera nas programações da TV. A erotização da infância tomou proporções assustadoras a partir de apresentadores como Xuxa e  Gugu.
Mesmo os movimentos sociais da cultura quando fazem suas reivindicações, geralmente, não ultrapassam o nó do próprio umbigo. Cada qual que se limite às suas reivindicações corporativas. Pouco ou nada é pensado para as crianças na sociedade do espetáculo. Daí a recorrente presença de adolescentes bêbados ou drogados em shows que seriam para adultos. Falta nas políticas de cult…

O RENASCIMENTO DO CINE SÃO JOSÉ

Por Lau Siqueira

Semana passada o Cine São José, em Campina Grande, retomou seu tempo de glórias. Foi ampliado e modernizado. É verdade que ainda não chegaram os equipamentos e mobiliários. Entretanto, depois de 30 anos de abandono e algumas “ordens de serviço” não cumpridas, finalmente a população de Campina Grande viu uma luz no fim de tudo. A restauração do Cine São José foi uma decisão de governo. Mas, não apenas isso. É, também, fruto de uma luta. Uma batalha de muitos braços, mentes e corações. Não há qualquer heroísmo personalista nessa conquista coletiva. Foram muitos heróis e heroínas. O povo do audiovisual, teatro, música, cultura popular, dança, artes visuais,  hip-hop... Enfim, foi uma representação imensa que desbravou os escombros e desafiou o abandono. Agora o sentimento coletivo, finalmente, tomou posse do novo centro cultural da Borborema. Com um Conselho Consultivo eleito democraticamente, o Cine abre suas portas numa lógica mais acolhedora aos artistas e ao público.
F…

OS NÓS E OS LAÇOS DA LEITURA

Por Lau Siqueira




Cresce cada vez mais no Brasil e, consequentemente aqui na Paraíba, o número de militantes por uma política pública de leitura. Na verdade, uma política pública para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas. Uma luta mais do que justa, aliás. Precisamos eliminar o analfabetismo. Todavia, o que mais preocupa é o analfabetismo funcional que frequenta há muito até mesmo o chamado “ensino superior”.  Este se revela como consequência direta da carência de uma política pública voltada para a formação de leitores. Uma falha que começa no ensino fundamental e se estende pela vida do estudante. Apesar da urgência  na efetivação de um marco legal não é um problema que se resolva por decreto. O chamado “povo do livro”  no país inteiro convive com alguns conflitos que precisam ser superados. O principal deles é o corporativismo. O típico “farinha pouca meu pirão primeiro”.  Esse é o gargalo do momento, pois devemos considerar de forma igualitária todos os segmentos da cad…

A REVOLUÇÃO CULTURAL DA PERIFERIA

Por Lau Siqueira


A mídia globalizou-se. Chegou às comunas do mundo. Todavia, a intensidade da difusão continua privada. O eco maior é propriedade de poucos. Mesmo assim as periferias do mundo resistem. Se a mídia banalizou a cultura do povo, as ruas a consagraram. Existe uma pulsação imensa por fora das grandes cadeias midiáticas. Afinal, é cada vez mais fácil gravar um disco em qualquer lugar do país. Nem sempre com as melhores estruturas. Pouco importa, pois um ouvinte atento é capaz identificar os melhores  conteúdos.  “Da minha cabeça cuido eu”, já dizia um sábio andarilho dos anos 70. Difícil mesmo é fazer com que o trabalho  feito “na tóra”, como se diz, tenha repercussão até mesmo regional. As emissoras de rádio e TV, apesar de serem concessões públicas, funcionam na lógica do lucro fácil e da audiência conquistada a qualquer preço. Os que não podem pagar o jabá, os que estão fora das grandes máfias fonográficas.
Há resistência em qualquer periferia do mundo. Lugares onde a expr…

AS TRAMAS SONORAS DO SILÊNCIO

Por Lau Siqueira
A Paraíba construiu uma das mais ricas estradas musicais no país do samba e da bossa nova. São muitos os caminhos percorridos por gênios como Jackson do Pandeiro e Sivuca. Daqui saíram expoentes que se consagraram no mercado fonográfico em diversos gêneros. Zé e Elba Ramalho, Chico Cesar, Cassiano, Herbert Viana, entre tantos nomes que trafegam nas idas e vindas de um rebuliço cultural brasileiro que dialoga com o mundo.
Nos dias de hoje essa efervescência cresce em diversidade e qualidade. O Projeto Música da Paraíba traduz com plenitude essa nova onda criativa espalhada em todos os gêneros. É o RAP na idade do metal, o rock na pesquisa do coco de roda, o forró da rabeca ao tímpano. Um oceano de possibilidades rompendo as barreiras invisíveis da vida.  Transgressões inventivas e poéticas que fomentam uma cena local que se permite transbordar.
O segundo edital do projeto Música da Paraíba revela mais uma vez a força de um movimento musical independente que cada dia  mais…

O PARAÍSO EM BREJO DAS FREIRAS

Por Lau Siqueira


Um roteiro de turismo Paraíba afora está muito além de um litoral paradisíaco. O Sertão também conta com belezas escondidas e únicas. Lugares onde o Sol e a Lua dimensionam com nitidez os movimentos e as cores do dia e da noite. Nem mesmo o clima quente e seco diminui o encanto. Ao contrário, o clima é um dos mais fortes elementos na sedução sertaneja. Serras íngremes e vales imensos fazem parte de uma paisagem onde nascem e se espalham as cores do arrebol e do poente. Uma dessas preciosidades, certamente, pode ser encontrada na Estância Termal de Brejo das Freiras, no município de São João do Rio do Peixe, localizada há 478 quilômetros de João Pessoa. Uma distância que vale a pena ser percorrida até mesmo pelo que pode revelar no meio do caminho.  O Parque dos Dinossauros, por exemplo. Um equipamento totalmente revitalizado pelo Governo do Estado.

Às vezes comento com  amigos acerca do que perdem alguns nordestinos em relação à exploração turística e cultural da Paraí…

MEMÓRIAS DO CANGAÇO NA PARAÍBA

por Lau Siqueira


As histórias do Cangaço não são as mais elogiáveis. Mas, também não diferem de histórias recentes. O que está posto é uma sofisticação midiática separando o passado do futuro. Eram duros os tempos do Cangaço. Extorsão, violência, corrupção e conluios políticos. Mas, por acaso hoje é diferente? Mudaram os métodos, mas as práticas pouco foram alteradas.Há uma maquiagem modernizante encobrindo as fissuras do tempo. O fato é que, inegavelmente, o mito do Cangaço existe e bate com firmeza nas portas do futuro. São as memórias do medo e da sedução pulsando na identidade Nordestina. Herança de um tempo onde a valentia, o heroísmo popular e a indignação diante das injustiças era a moeda corrente. O Cangaço cumpre um papel fundamental na compreensão da história do povo nordestino. Apesar de tudo, as lutas sangrentas nas caatingas se mostram aos olhos do mundo moderno esbanjando altivez.

A herança de Lampião, Corisco e outros personagens é tão robusta que há um inegável receio - …

A FARSA DO FECHAMENTO DE ESCOLAS NA PARAÍBA

Por Lau Siqueira
Quando as intenções não são as melhores a primeira vítima é a verdade. Apesar da absoluta falta de fundamento, a falácia do fechamento de escolas permanece em alguns blogs. Imaginem o caos que seria o fechamento de trezentas e onze escolas na Paraíba.  Como seria possível fechar escolas e manter os alunos em sala de aula? A mentira é tão descarada que sequer em relação ao número de escolas esses inimigos da educação pública chegam a uma conclusão. São trezentas e onze, cento e sessenta e uma ou duzentas e cinquenta? Não é isso que importa aos que buscam apenas distorcer a realidade. Se dez escolas fossem fechadas, sem motivo algum, já teríamos um escândalo. Por que será que a Rede Globo perdeu essa pauta tão “grave”? O Ministério Público estaria literalmente desmoralizado enquanto instituição de defesa da sociedade se calasse diante de tamanho descalabro. Afinal de que serviria o MP se permanecesse alheio ao fechamento de escolas? Ou seja: estão zombando da capacidade …

A ESCOLA PÚBLICA MERECE RESPEITO

Por Lau Siqueira


A luta dos movimentos sociais por uma escola pública de qualidade vem de longe. Aconteceram e acontecem avanços que não podem ser desprezados. Mas, no geral, ainda permanece um escandaloso débito para com o povo brasileiro. A verdade é que um dos maiores estragos que a ditadura militar fez em nosso país foi exatamente na Educação. Os milicos tinham medo de uma sociedade pensante, alerta, consciente dos seus direitos. Isso, para eles, representava o risco do comunismo. Uma bobagem sem precedentes. Colocaram a Educação no pau-de-arara. Apostaram na falência da educação pública e no fortalecimento da rede privada. Depois dos milicos tivemos ainda Sarney, Collor, Itamar e FHC. Ou seja: a ditadura fez o sucessor, ancorada no “medo de ser feliz”. Na era Lula e depois, com Dilma, a Educação não deu o salto esperado. Aqui e ali presenciamos avanços pontuais. Mas não sentimos os efeitos de uma política nacional.
O fato é que não se pode sobrecarregar a rede pública. O atendiment…

UMA NOVA ORDEM FORA DA ORDEM

Por Lau Siqueira


Quando o show de Criolo foi anunciado na programação de reabertura do Espaço Cultural da Paraíba, não faltou quem desdenhasse. “Ninguém conhece”, diziam alguns. “Vai ser um fiasco”, diziam os mais exaltados. Mas, esses mesmos críticos, quando viram aquela multidão alegre, na maior paz, curtindo o show, se renderam. Compreenderam que existe uma nova ordem fora da ordem. Em 2006, quando a FUNJOPE  lançou em Mangabeira o projeto Estação Nordeste, também houve quem desdenhasse. Afinal, eram 6 bandas do próprio bairro. A crítica local, no entanto, reconheceu o sucesso do empreendimento devido à multidão que se aglomerava em frente ao Mercado de Mangabeira. No palco bandas do bairro, como Mobiê, Realidade Crua e uma multidão cantando as músicas do SDS.

É certo que não há reconhecimento dessa resistência permanente. Mas, ela existe. Não foi diferente a história de Augusto dos Anjos. Um poeta que desafiou as possibilidades. Primeiro da linguagem. Depois, da província. Ainda que…

ALGUMAS IDEIAS PARA AS BIBLIOTECAS

por Lau Siqueira

Algumas ideias para as bibliotecas
O fechamento da biblioteca Juarez Gama Batista durante a reforma do Espaço Cultural da Paraíba despertou atenção sobre a sua demanda real. A verdade é que até o momento apenas as pessoas que estudam para concursos públicos exigem, com muita propriedade e com todo direito, a reabertura da biblioteca. Mas, essas pessoas necessitam quase que exclusivamente do espaço físico da biblioteca. Seus temas de interesse não estão, necessariamente, disponíveis entre os mais de cem mil títulos do acervo. A maioria traz de casa os livros e apostilas que precisa para estudar. Não que essa não seja uma demanda legítima. Não se trata absolutamente disso. Não vamos aqui confundir as coisas. O fato é que esta não pode nem deve ser a sua única demanda e muito menos a maior prioridade.
Uma biblioteca pode e deve cumprir um papel determinante na formação cidadã. Precisa buscar os caminhos da sedução para que o futuro usuário não a frequente apenas devido às …

PARA QUE SERVEM AS BIBLIOTECAS?

Por Lau Siqueira


Apesar do crescimento das ações direcionadas ao livro, leitura e bibliotecas nos últimos anos, o Brasil ainda possui  um débito enorme na formação de leitores. O impacto pode ser observado na qualidade do ensino. Principalmente quanto ao “analfabetismo funcional” que frequenta algumas universidades e expõe a necessidade urgente de mais investimentos no setor. O fato é que não temos uma tradição de bibliotecas em nosso país. Tanto que João Pessoa, capital da Paraíba, ainda não possui uma biblioteca pública municipal. Pior que isso: não possui uma demanda. A população não pauta a necessidade desse equipamento. As bibliotecas deveriam ser o principal centro de formação cidadã. Mas, não é isso que se vê. Algumas situações, inclusive, revelam a gravidade do problema. A biblioteca de Malta, no Sertão da Paraíba, por exemplo, virou banheiro público. Outras tantas não passam de depósitos de livros. A mais importante Biblioteca da Paraíba, a Juarez Gama, se tornou um local espe…

O RETORNO TRIUNFAL DA SINFÔNICA

Por Lau Siqueira


O dia 17 de julho de 2014 marcou a história da Orquestra Sinfônica da Paraíba - OSPB. Uma história que começou em 1945 e soma muitas glórias.  Conta, também, com períodos difíceis. Esta é a trajetória de uma  orquestra que já foi considerada uma das melhores do país. Regida por maestros renomados como Eleazar de Carvalho e Isaac Karabichewsky. Tocou com solistas reconhecidos internacionalmente como Aldo Parisot. A OSPB estava parada há um ano e meio, após cumprir determinação do Ministério Público Estadual. O convênio mantido com a Universidade Federal da Paraíba era considerado ilegal.

Nesse hiato de tempo a OSPB realizou o primeiro concurso público da sua história para a contratação de músicos. O concerto do dia 17 marcou a estreia desses músicos. A maioria muito jovens.  Os contratados vieram compor o quadro com juntamente com os remanescentes. Verdadeiras revelações como o Spalla Thiago Formiga e outros muito experimentados. Músicos paraibanos, mineiros, chilenos, a…

O GUARDIÃO DA MEMÓRIA

por Lau Siqueira

Waldemar Bispo Duarte faleceu em 2004. Deixou um dos maiores acervos bibliográficos já vistos na Paraíba.  Entre 2006 e 2007 estive em sua residência, a convite da sua filha Teresa. Pude testemunhar, então, uma vida inteira dedicada aos livros. Na época, ocupava o cargo de diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE. Planejava criar a primeira biblioteca municipal da capital juntamente com o  então secretário de Educação, Walter Galvão.  Realizamos a catalogação dos livros, mas tanto eu quanto Galvão, deixamos os cargos que ocupávamos logo após. E o projeto da Biblioteca Pública Municipal Waldemar Duarte não prosperou. Percebi já naquela época o quanto a herança de Waldemar Duarte  é importante  para formação do povo paraibano.

Nascido no município paraibano de Uiraúna, no dia 23 de julho de 1923, Waldemar foi escritor e jornalista. Membro da Academia Paraibana de Letras e uma referência fundamental na preservação da memória histórica da Paraíba.  C…

O LEGADO DE JOSÉ SIQUEIRA

por  Lau Siqueira


Natural de Conceição, cidade do Vale do Piancó, o Maestro José Siqueira está na memória de poucos aqui na Paraíba. Nenhuma surpresa quanto a isto. Afinal, parece que nos dias de hoje a mídia ensina mais que a escola. A juventude está alheia a Pedro Américo, José Lins do Rego, Sivuca, Jackson do Pandeiro, mas conhece muito bem Aviões do forró e Garota Safada. Aqui e ali tentam amenizar o impacto dessa  avalanche midiática. Tentam até justificá-la. Mas, se trata de um talho profundo na diversidade cultural do planeta. A verdade é que estamos forjando o futuro na base do volúvel, da diluição dos valores históricos, culturais, artísticos. A banalidade vai tomando conta dos nossos dias e muitas vezes até nos sentimos impotentes diante dela. A indústria do entretenimento concentra e dilui a economia da cultura. Algo que já passa de 5% do Produto Interno Bruto Brasileiro fomentado, muitas vezes, por recurso público.

A ampla reforma do Espaço Cultural José Lins do Rego oferec…

A REABERTURA DO ESPAÇO CULTURAL

Por Lau Siqueira

No próximo dia 4 de julho o Espaço Cultural da Paraíba estará reabrindo suas portas. O maior espaço cultural do país e o segundo maior do mundo retoma o caminho das suas possibilidades. Recebeu o grande e necessário investimento na sua história de 32 anos. Nunca havia passado por uma reforma tão substancial. Também não soube preservar-se da ação predatória do tempo. Já começava a oferecer perigos reais. O comprometimento da rede elétrica, por exemplo, já poderia ter provocado uma tragédia. Intervir no Espaço Cultural foi, portanto, um ato de necessária ousadia do Governador Ricardo Coutinho.  Mas, o fato é que  a grande e necessária reforma é conceitual e não física.

Com urgência, por exemplo, devemos resgatar algumas das suas memórias e sepultar outras. Sobretudo, lá deve ser o espaço de todas as artes, todas as linguagens, todas as tribos. Um esteio de plena representação da diversidade cultural paraibana. Um ponto de convergência dos que fazem arte e produzem cultura…