<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483</id><updated>2009-11-11T17:54:02.746-03:00</updated><title type='text'>PELE SEM PELE</title><subtitle type='html'>“É inútil para mim conhecer algo que não posso transformar.” 
(Paul Valéry)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-849124071862558133</id><published>2009-10-25T11:05:00.002-03:00</published><updated>2009-10-26T11:27:49.054-03:00</updated><title type='text'>O lirismo futurista na música de Flávia Muniz</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona sempre a capacidade de renovação da Música Popular Brasileira. Do universo pop às tradições da Bossa, do Metal ao Baião. Isso quando o olhar se torna mais amplo sobre conceitos de MPB. Não poderia ser diferente uma vez que as novas gerações, desde o Tropicalismo, permanecem cruzando a ponte da tradição aos chamados tempos modernos. Existem artistas que, historicamente, guardam singularidades que nos fazem tecer um olhar mais atento às suas obras e trajetórias. &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt; é uma dessas artistas. Leva ao palco as palavras mais exatas para o contexto de uma música que evoca, de certa forma, o que brotou no Lira Paulistana e outros palcos vanguardistas. Até mesmo no Tropicalismo, com um acentuado olhar sobre a figura do poeta Torquato Neto. Logicamente, o que vivemos agora é exatamente a configuração de todas essas teias em outro contexto histórico da MPB. Penso que Flávia expressa bem essas transcendências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, num primeiro momento, concluir que a palavra é o fator de determinação na música de Flávia Muniz. É exatamente a palavra e os rigores da poesia que determinam a musicalidade de uma artista inquieta, insubmissa frente ao que está esteticamente posto. Estamos diante de uma criadora absolutamente atenta às perspectivas da música mundial que respira fora das engrenagens sufocantes da cultura de massas. Assim, dentro da cena musical brasileira deste início de milênio, &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt; experimenta o transbordamento através da vertigem de beber em todas as fontes, parindo um som que não guarda segredos de si, pois fornece, integralmente, os mesmos elementos de sedução em cada nota, em cada palavra cantada. Ouvi-la instiga profundamente toda mente afeita aos manjares estéticos de qualquer espécie ou estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda não sabe, Flávia não é estreante. Ela vem de um contexto. Tive a oportunidade de conhecê-la como vocalista da ótima banda carioca, &lt;a href="http://www.luisamandouumbeijo.com/"&gt;Luisa Mandou Um Beijo&lt;/a&gt;. Cujo trabalho, aliás, guarda o respeito de músicos e pensadores bastante expressivos, da MPB. Bons músicos. Bom repertório. Letras instigantes. Na verdade a banda é uma provocação à vanguarda. É como se algo fosse brotar exatamente duma transversalidade provocativa entre o clichê e a experimentação. Entrementes é inegável, também, que &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz &lt;/a&gt;começa a destacar-se enquanto criadora, na cena musical do Rio de Janeiro e do Brasil. Principalmente por uma inegável personalidade artística que a conduz a um tipo de composição musical que não se rende aos apelos fáceis e, ao mesmo tempo, fecha as portas ao hermetismo estéril. Ela é construtora de um estilo que bebe nas melhores fontes da canção popular brasileira, sem negar a embriaguês necessária das vanguardas, sem abrir mão da possibilidade de construção de um lirismo absoluto e íntimo. Flávia parte de uma construção absolutamente pessoal para empreender uma leitura musical aberta às melhores influências do planeta. Ela habita uma certa plenitude quanto ao conceito de Obra Aberta, de Umberto Eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitora atenta, dos livros e do mundo, Flávia representa divinamente, em suas composições, o elo entre o poema e a música. Algo que se completa com uma performance de palco que, sem pirotecnias cênicas, guarda um grau elevado de elaboração. Uma elaboração que vem do instinto da artista, logicamente, mas também da sua formação acadêmica na área da Música Popular Brasileira. Ou seja: a artista construiu uma identidade tal que é praticamente impossível que seu trabalho solo não alcance, também, o respeito que &lt;a href="http://luizamandouumbeijo.com/"&gt;Luisa Mandou um Beijo&lt;/a&gt; ganhou e, talvez, até mesmo ampliando espaços na visibilidade musical brasileira. A tecnologia, neste caso, favorece a arte. Pela internet é possível ver seus clips em qualquer lugar do mundo. Certamente que a agradável experiência de ouvir essa cantora carioca se espalhará como o vento, pelos mais distantes rincões. Principalmente, despertará a atenção dos que pensam a MPB com um olhar mais contemporâneo, de Cartola à Itamar Assunção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas as ocorrências que nos fazem pensar a musicalidade absolutamente poética de &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz.&lt;/a&gt; Suas composições são suaves provocações aos sentidos. É uma música que chega como um alerta, seja ecológico, seja existencial, seja estético. Estamos diante de uma artista que, mais do que tudo, experimenta vestir-se inteiramente com a mesma identidade artística, com a mesma personalidade de encarar o palco como espaço de permanentes experimentações. Especialmente dentro de uma linguagem que é, também, teatral. Muito ainda haverá de se comentar e escrever sobre o trabalho de &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt;, mas neste momento são as impressões que trazemos aos que buscam informações acerca desta cantora que encanta pelas suas interpretações de extrema singularidade e pelo seu inegável talento como compositora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-849124071862558133?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/849124071862558133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=849124071862558133' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/849124071862558133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/849124071862558133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/um-certo-lirismo-futurista-na-musica-de.html' title='O lirismo futurista na música de Flávia Muniz'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7086797337634815172</id><published>2009-10-17T20:48:00.004-03:00</published><updated>2009-10-22T23:54:43.283-03:00</updated><title type='text'>As oligarquias decadentes e seus ódios repugnantes</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Impressionante o artigo "A cidade de todos" publicado pelo colunista social Abelardo Jurema Filho, no Jornal Correio da Paraíba. Desta vez Abelardo extrapolou ao ocupar a coluna "Opinião" para demonstrar sua repulsa ao belíssimo monumento dedicado ao romance A Pedra do Reino. Uma justa homenagem da Prefeitura ao escritor paraibano Ariano Suassuna, nascido exatamente no Palácio da Redenção. A obra é assinada pelo consagrado artista plástico Miguel dos Santos e está instalada na Lagoa do Parque Solon de Lucena, num cenário de paraíso. O artigo é lamentável sob vários aspectos. Principalmente porque não se trata de uma crítica estética, mesmo que  inocentemente fundamentada. O texto limita-se a demonstrar o ódio familiar que alimenta o “coronelismo fashion” que ainda domina alguns dos setores privilegiados da sociedade paraibana. Um ódio que se esparrama pelos becos. Por motivos não menos lamentáveis, o conservador Ariano não pronuncia o nome da capital da Paraíba. Parece que nem o tempo está sendo capaz de banir tamanha estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inquestionável o valor da obra de Miguel dos Santos. Inquestionável o resgate de Ariano Suassuna para a cultura paraibana. Mas, o ódio oligarca que perdura por esses tempos modernos é um atentado ao bom senso. Afinal, com tanta violência permeando nossos dias, a cultura de paz precisa ser lembrada. Especialmente pelos formadores de opinião. Lamentável que pessoas públicas continuem disseminando um ódio histórico que em nada envolve a memória do povo. Um ódio que semeou através dos tempos uma única coisa: o atraso político e econômico do Estado. Não que seja preciso negar os episódios que culminaram com o assassinato de João Pessoa e levaram à morte uma das mais instigantes personagens da história do Estado, Anayde Beiriz. Certamente um nome que ainda perturba o sentimento medieval disfarçado em “mágoas de família” e que de tão enraizado, ainda perturba corações e mentes. O mais grave de tudo é que, mais uma vez, sobrou para uma obra de arte. Um totem que foi postado exatamente no chamado Cartão Postal da cidade com o objetivo de resgatar uma história que vem sendo, através dos tempos, sumariamente suprimida pelos interesses mesquinhos de uma elite que não se sustenta em idéias e princípios, mas em interesses muito particulares e ódios incendiários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incapaz de dimensionar a importância da obra exatamente pelos motivos acima expostos, Abelardo demonstra a sua incapacidade enquanto homem de imprensa ao se referir ao trabalho de Miguel dos Santos (artista que orgulha o povo pessoense), como “algo de gosto duvidoso”. Por que não explicita seu gosto? Seria digno entrarmos aqui num debate estético. Afinal, a arte existe exatamente para despertar o sentimento crítico e lúdico do povo. Uma arte que não provoca, não merece espaço na história. Por isso a obra de Miguel dos Santos em homenagem ao escritor paraibano (nascido numa capital que ainda não se chamava João Pessoa) ganha cotidianamente um fôlego novo para que uma nova ordem social e política seja estabelecida. Um tempo em que o ódio familiar não seja determinante no comportamento político de segmentos parasitários do poder. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Resgatar a cidadania paraibana de um dos escritores de maior consagração no Brasil e no exterior deveria ser algo inquestionável, uma vez que não raras vezes se diz que o povo paraibano ainda tem problemas de auto-estima. Por outro lado, apesar de ter retomado uma certa relação de amor com a Paraíba, Ariano ainda precisa se livrar de um acúmulo de ranços que já não nos dizem nada. Não há mais espaço para um ódio tão violento ainda expressado publicamente desta maneira. Os tempos são outros. A população é outra. A cidade é outra. Não importa o nome. Não sou favorável à mudança do nome. Mas, não sou favorável também que se jogue na lata de lixo da história, 424 anos de história, somente para acariciar a vaidade e a soberba de uma elite que, não raras vezes, nos envergonha por suas atitudes. Esse ódio atrapalha a Paraíba. E como atrapalha! Principalmente porque se reproduz nas micro-oligarquias que dominam politicamente o Estado. Um poder pouco democrático que a cada eleição coleciona cadáveres por sucumbir no jogo das idéias e do interesse público. O povo é apenas um detalhe para esses senhores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O texto do colunista social Abelardo Jurema é um tipo de pistolagem como os que ainda violentam a vida na Paraíba. São vertentes do mesmo ódio. Uma violência verbal que se justifica no injustificável. Como difundir uma Cultura de Paz fechando os olhos para tamanha ignorância histórica? Uma ignorância de lado a lado que não leva em conta o quanto é vergonhoso constatarmos tão solenemente que ainda precisamos desmontar a lógica vingativa do poder oligarca. A lógica das poderosas famílias que sustentam ainda hoje as enormes diferenças sociais que fazem da vida nesta bela cidade, não raras vezes, um abismo onde até mesmo o silêncio faz eco. O povo paraibano é infinitamente superior às suas elites e saberá dizer não ao descalabro de termos ainda os interesses e as vaidades familiares, tão simbolicamente ficadas na expressão de quem deveria, sem nada de novo para dizer, por uma questão de bom senso, calar-se diante da grandiosidade da história e de um povo enriquecido pela sua cultura e pela generosidade geográfica do seu território. Os tempos são outros, senhores! Que esse ódio oligarca não embarque um futuro que as novas gerações precisam construir. O Haiti, não é aqui. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7086797337634815172?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7086797337634815172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7086797337634815172' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7086797337634815172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7086797337634815172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/as-oligarquias-decadentes-e-seus-odios.html' title='As oligarquias decadentes e seus ódios repugnantes'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8235936342728207440</id><published>2009-10-10T16:05:00.002-03:00</published><updated>2009-10-10T16:16:34.700-03:00</updated><title type='text'>Economia criativa e o futuro das cidades</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes precisamos dizer o óbvio. Então, vamos lá: somente a inteligência poderá nos salvar da miséria. Pronto, está dito. E sigamos em frente: toda transformação política e social se dá, de forma majoritária, na estrutura dos sistemas econômicos. Sem mexer na ordem econômica, nada muda. Começo assim esta reflexão também por um motivo óbvio. O debate cultural brasileiro, a partir da gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, vem sendo instigado pelas potencialidades da economia da cultura em nosso país. Um setor que já ocupa 8% do Produto Interno Bruto Mundial. No Brasil, a cultura sozinha gera 5% dos postos de trabalho e paga salários acima da média nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidado para facilitar uma mesa sobre cultura e economia criativa na II Conferência Municipal de Cultura comecei a pensar sobre este conceito tão novo. Lembrei logo de Monteiro Lobato que, em termos de criatividade empreendedora, foi um mestre. Na década de trinta eram poucas as livrarias brasileiras. No entanto, o escritor não se rendeu diante do desejo de ver sua obra distribuída pelo Brasil. Então, conseguiu o endereço de mais de duas mil casas comerciais. Eram mercearias, farmácias, armazéns e outros estabelecimentos. Escreveu uma carta circular com a seguinte pergunta: “Você quer vender também uma coisa chamada livro?” E assim começou a distribuir sues livros para todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, as grandes redes de supermercado e as bancas de jornais que também vendem livros, não estão fazendo outra coisa se não seguir os passos de Lobato. Essa questão me veio na memória logo após o convite da Fundação Cultural de João Pessoa, por uma questão muito simples: como reagir diante de dificuldades tão imensas? Não se trata apenas de expor um novo conceito de economia, mas de recolher idéias que sejam absolutamente transformadoras. Como provocar, também, um debate que não esteja somente guardado em propostas para uma conferência estadual e outra nacional? Na verdade, interessa que a Conferência Municipal de Cultura não apenas envie propostas. Sobretudo é preciso sacudir a roseira e propor a permanência do debate local acerca das questões que envolvem direta e indiretamente os interesses de artistas, produtores e demais profissionais da área da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de pesquisar o conceito, percebi que a provocação era bem maior. Os artistas, setor majoritário nessas conferências, estariam sendo provocados para uma ação transformadora da ordem econômica. Principalmente pela certeza que não são apenas os artistas que estão sendo provocados, mas setores ligados à cultura e até então excluídos do debate econômico. (Como se aos artistas apenas interessassem as questões estéticas.) Parti para uma breve pesquisa e descobri outras obviedades. A proposta é muito mais ampla e o interesse não é nenhum pouco corporativo. Os incautos que se liguem. O país busca alternativas para a superação dos seus problemas neste início de milênio. É preciso abandonar o lugar comum da competição predatória marcada pela antropofagia capitalista. Desenvolvimento não pode ser sinônimo de destruição. Ou seja: se trata de algo que pode e precisa dialogar com idéias já estabelecidas de desenvolvimento sustentável e economia solidária, por exemplo. Esta pode ser uma das linhas do debate.  A economia da cultura, portanto, passa a ser um dos principais vetores de uma transgressão da lógica do capitalismo mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à Economia Criativa propriamente dita, os conceitos abundam. Dizem que tudo nasceu na Austrália no final dos anos 90 e se desenvolveu de forma mais elaborada na Inglaterra do primeiro ministro Tony Blair. É algo que se refere ao conhecimento e à produção intelectual de um modo geral. Compreendi melhor quando li o que escreveu o editor chefe do Business Week, Stephen B. Shepard: &lt;em&gt;“Assim como a moeda de troca das empresas do Século XX eram os seus produtos físicos, a moeda das corporações do Século XXI serão as idéias. A Economia Industrial está rapidamente dando lugar à Economia da Criatividade. Vantagens competitivas desfrutadas por grandes empresas no passado são agora totalmente disponíveis para novas empresas em formação, graças à enorme disponibilidade de capital e ao poder da Internet. Com a globalização ainda num estágio recente, a Internet promete afetar as corporações muito mais nos próximos 20 anos do que foi possível fazê-lo nos últimos 5 anos. Nós não esperamos nada menos do que uma transformação radical dessas organizações num cenário em que a economia global privilegiará a criatividade, a inovação e a velocidade.”&lt;/em&gt; Também um professor norte-americano chamado Richard Florida, da Universidade de Carnegie Mellon, chamou a atenção. Ele  adota o conceito da “Economia Criativa”, abordando questões educacionais e sócio-culturais. Mr. Florida desenvolve um conceito bastante amplo de Economia Criativa. Algo que envolve todos os profissionais e setores que oferecem serviços baseados no conhecimento. É isso ou deve ser isso que deve nortear o debate na Conferência e fora dela. Na verdade, a economia da cultura começa a ficar robusta diante do fantasma da globalização. Aqui no Brasil já é 5% do PIB. Um índice alto, mas que ao mesmo tempo nos revela uma coisa também óbvia: onde está esse dinheiro? Por que pensar a cultura somente a partir dos índices de governos? Qual o papel das políticas de cultura na transformação social? Estamos diante de um grande desafio, na verdade. Não há receita de bolo. Estamos apenas preparando a massa. Em última análise, voltamos a perceber o quanto Monteiro Lobato era mesmo um visionário. Também neste período ele escreveu o livro O Presidente Negro, prevendo que numa disputa entre um homem branco e uma mulher branca, um negro seria presidente dos Estados Unidos. No mesmo romance, ele já previa a transmissão de dados. Portanto, sigamos em frente! Quem sabe não descobrimos mais coisas relendo “As Reinações de Narizinho”?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8235936342728207440?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8235936342728207440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8235936342728207440' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8235936342728207440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8235936342728207440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/economia-criativa-e-o-futuro-das.html' title='Economia criativa e o futuro das cidades'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8257380906499578802</id><published>2009-09-26T09:56:00.003-03:00</published><updated>2009-09-27T15:25:54.904-03:00</updated><title type='text'>A poesia como ponto de partida.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos tenho acompanhado razoavelmente o debate acerca da importância da poesia, enquanto gênero literário. Em 2005 recebi uma provocação do Festival Recifense de Literatura. Fui “intimado” pelo poeta Pedro Américo, para falar sobre poesia e mercado. Na época, um período bastante atribulado da minha vida profissional, somente pude dar atenção ao assunto uns cinco dias antes da palestra. Fiquei um tanto atônito porque não existiam referências, praticamente. Encontrei apenas um texto de Geir Campos, de décadas e décadas passadas. Pois não é que em “Carta aos Livreiros”, o poeta relatava exatamente o mesmo drama vivido pelos poetas do século XXI, em relação mercado editorial? Acabei escrevendo um texto para orientar a minha palestra, que acabei publicando na revista Discutindo Literatura e em alguns &lt;a href="http://www.unigranrio.br/unidades_acad/ihm/graduacao/letras/revista/numero14/textolau.html"&gt;sites&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe aí uma questão que tem me instigado bastante. Apesar de ser um gênero considerado não comercial, os fatos nos mostram que a poesia é um dos gêneros mais lidos. Do ponto de vista do mercado editorial, os poetas desafiam os best Sellers através do tempo. Por exemplo, ninguém lembra quem eram os Best Sellers da época em que Baudelaire circulava pelas ruas de Paris. No entanto, o poeta francês continua vendendo nas livrarias do mundo inteiro. A coleção “Melhores Poemas”, da Global Editora, apresenta índices invejáveis de vendas. Somente o poeta Mário Quintana vendeu bem mais de 100 mil exemplares. Na margem do mercado, os cordelistas da Paraíba, num dos últimos festejos juninos da capital, chegaram a vender 800 exemplares em único final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recente pesquisa, já citada por mim no blog Pele Sem Pele algumas vezes, “Retratos da leitura no Brasil”, editada pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, traz dados atualíssimos (de 2007) e impressionantes. A pesquisa foi coordenada por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP e editada também sob sua orientação, com textos de dez especialistas. Entre eles, nomes de conhecidos como Moacir Sclyar. Esta pesquisa aponta a poesia entre os cinco gêneros preferidos dos leitores. Considerando-se entre esses gêneros o romance, os livros didáticos, os livros religiosos e a literatura infantil. Também segundo a pesquisa, seis poetas aparecem entre os 25 autores brasileiros mais lidos no país. Vinícius de Morais é o quinto autor na preferência dos brasileiros, somente para se ter uma idéia de uma lista que traz nomes como Monteiro Lobato (o primeiro de todos), Machado de Assis, Ariano Suassuna, Paulo Coelho, Bispo Edir Macedo, Clarice Lispector, etc. Não contabilizo aí o paraibano Ariano Suassuna como poeta, apesar de escrever poemas e ter na sua obra, segundo ele próprio, uma forte vertente poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente entrevista ao programa Letra Lúdica, da TV UFPB, falei sobre o livro Retratos da Pesquisa. No entanto, notei que o editor do programa o poeta paraibano José Antônio Assunção, forçava a barra para que eu falasse mais e mais dos números impactantes da poesia na pesquisa. Então, desenvolvemos muito mais uma boa prosa sobre o tema que sobre os desvendamentos da pesquisa enquanto diagnóstico da leitura no país. Observamos, por exemplo, que o jovem é o grande leitor brasileiro. De um modo geral, observa-se também que há uma empatia da juventude para com a poesia. Basta ver o imenso sucesso editorial do Livro da Tribo entre os jovens brasileiros, publicado anualmente pela Editora da Tribo(SP). Poetas como Paulo Leminski, Alice Ruiz e até mesmo Augusto dos Anjos, aparecem nitidamente na preferência da juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde quero chegar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se algo podemos comemorar nos últimos anos é exatamente a multiplicação de certa “militância” favorável às políticas de leitura. Militância esta que tem sido encontrada tanto no setor público, quanto em iniciativas particulares. Podemos citar entre estas, a de um catador de papel em São Paulo que montou uma biblioteca com mais de 16 mil títulos, num prédio abandonado. Detalhe: os livros foram todos apanhados em lixos residenciais. O projeto Dulcinéia Catadora, também em São Paulo, trabalha oficinas de artes plásticas, leitura e edição, a partir da poesia, principalmente. São inúmeros os exemplos brasileiros que nos levam a acreditar que a poesia é um dos principais vetores para uma política nacional de incentivo à leitura. Uma ação transformadora que não deveria se limitar ao repasse de verbas, mas fundamentalmente, às possibilidades de articulação intersetorial e transversal, principalmente das áreas de educação e cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa, logicamente, uma ousada transgressão ao que existe hoje em termos de política educacional. Roland Barthes já dizia que a Literatura contém muitos saberes. No entanto, segundo Afrânio Coutinho no Livro Notas de Teoria Literária, “o ensino da Literatura deve emancipar-se da história e da filologia, campos verdadeiramente distintos (...)”. Ele diz também que, “a Literatura vem sendo ensinada por professores, na maioria de português, de mentalidade predominantemente filológica, a Literatura é tornada um subsídio da língua, confundindo-se análise gramatical com análise literária, análise sintática com análise estilística.” O que estamos propondo é uma inversão nessa lógica para que a Literatura desfrute de um espaço próprio, trabalhando muito mais intensamente o que realmente nos interessa: o prazer da leitura. O caráter estruturante das políticas de leitura, seguramente, elevará os níveis de ensino. Afinal, um bom leitor dificilmente será um mau aluno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que temos aqui uma série de vontades íntimas. A maior delas é nos transformarmos em um continente de leitores. Não tenho a menor dúvida que a poesia cumpre, nesse aspecto, um papel introdutório de toda uma política pública para o Livro e a leitura. A boa poesia seduz o leitor para qualquer gênero literário. É muito mais fácil, por exemplo, um leitor de poesia entender obras como Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, ou mesmo Ponto de Mutação, do Fritjot Capra. Pelo imenso grau de popularização da poesia, não estaríamos inventando a roda, mas fazendo-a andar mais rápido, como se diz por aí. Aliás, não podemos esquecer que a roda já está andando. Por exemplo, devemos reconhecer que há uma geração de professores nos cursos de Letras do país inteiro, trabalhando a literatura contemporânea em sala de aula (não apenas poesia). Ainda que predomine o conservadorismo acadêmico. Recentemente ouvi de um amigo que um professor iria fazer sua tese de doutorado sobre a sua poesia e foi desaconselhado por ser o meu amigo, um poeta desconhecido. Portanto, há muito que se avançar ainda em termos de “mudança de hábito”. Mas, as cartas estão na mesa e, não se enganem os incautos, o jogo já começou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8257380906499578802?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8257380906499578802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8257380906499578802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8257380906499578802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8257380906499578802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/poesia-como-ponto-de-partida.html' title='A poesia como ponto de partida.'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-1733996496275486030</id><published>2009-09-23T11:17:00.002-03:00</published><updated>2009-09-23T11:57:50.632-03:00</updated><title type='text'>Ponto de Cem Réis – apenas uma opinião.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Confesso que não me causam perplexidade alguma as reações acerca da restauração do Ponto de Cem Réis. A maioria, convenhamos, fruto de uma passionalidade tardia, ainda referente ao último pleito eleitoral. Mas, o despeito não merece contraponto. Deixemos de lado. Respeito, no entanto, algumas opiniões questionadoras do ponto de vista estético. Então me ponho a pensar: como seria uma simples e pura restauração daquele espaço nos moldes, digamos, da intervenção dos anos 70? O trânsito na Duque de Caxias seria reaberto? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fotografias históricas do Ponto de Cem Réis nos anos 30 e as fotos da grande reforma realizada nos anos 70 nos fazem crer que o que está posto para aquele ponto da cidade é exatamente a sua adequação às necessidades dos tempos. Afinal, não está em questão a imensa trasformação que se deu nos anos 70, em relação à origem da Praça Vidal de Negreiros, o popular Ponto de Cem Réis, datada de 1924. E isso não está em questão porque as necessidades urbanísticas da cidade do início do século XX realmente eram outras. Portanto enterramos aí o primeiro mito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fotografias antigas nos mostram que nos anos 30 o trânsito dos bondes era determinante quanto as necessidades funcionais do local. Já nos anos 70, eram os automóveis que davam as cartas às intervenções urbanas. Entretanto, em muito pouco tempo houve uma defasagem desse modelo. A prova disso foi o fechamento do viaduto Damásio Franca e a preservação daquele espaço para a circulação de pessoas. Tudo dentro de um ambiente da mais pura degradação, diga-se de passagem. Isso nos faz pensar no óbvio. (E como é imprescindível, tantas vezes, pensar no óbvio!) Logicamente que os saudosistas não reivindicam os bondes e o charme provinciano da velha Parahyba do Norte. Resta, portanto, essa realidade que se arrastou através dos anos no mais puro abandono. Abandono, logicamente, sustentado no silêncio de muitos dos que agora “protestam” contra a preservação transformada do Ponto de Cem Réis, sem levar em conta que nada mais havia do aspecto urbanístico da sua origem, datada de 1924. Sem levar em conta, inclusive, a sua total inadequação para aquela região da cidade no formato que estava posto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os novos tempos, todavia, nos fazem pensar uma cidade na sua integralidade. É certo que a memória deve ser preservada. Contudo, poucos ainda lembram e muitos sequer sabem que no lugar da Praça Vidal de Negreiros, popularmente conhecida como Ponto de Cem Réis, exatamente onde hoje existe o Parahyba Pálace, havia a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos que desapareceu na primeira intervenção. O que foi feito nos anos 70, pelo arquiteto Mário Di Láscio mostrou-se, com o tempo, de uma beleza inadequada ao uso do espaço. A alça do viaduto Damásio Franca, por exemplo, ligando a avenida Padre Meira à rua Duque de Caxias, tornou-se rapidamente inútil e seu fechamento foi inevitável. Para que se entenda o que é o Ponto de Cem Réis hoje, precisamos lembrar no que havia se transformado. No entanto, não se poderá pensar em preservação e revitalização do Centro Histórico da terceira cidade mais antiga do Brasil, sem que sejam criadas as condições necessárias para isso. Cabe ao poder público nas suas três esferas, por exemplo, criar os estímulos. À iniciativa privada cabe a visão de futuro, investindo nos locais onde as possibilidades de lucratividade já são evidentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por outro lado, devemos reconhecer que João Pessoa padeceu durante décadas da ausência de espaços adequados para a realização de manifestações e eventos públicos. Cada grande comício era um transtorno. Os grandes shows, por sua vez, não poderiam ser realizados no lugar mais democrático da cidade por absoluta inadequação do espaço. A Festa das Neves degradava-se através dos tempos e causava horror aos habitantes do bairro do Roger, com seus parques monstruosos, seus bêbados mijões, ou mesmo as barracas dos ambulantes em completo desacordo com a arquitetura do belo Centro Histórico. Até mesmo para que a Festa das Neves sobreviva com suas tradições, o novo espaço deve ser celebrado. Um breve deslocamento deverá torná-la menos danosa aos moradores e comerciantes, especialmente da rua Visconde de Pelotas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A verdade é que a cidade ganhou o seu primeiro espaço livre para a realização de eventos culturais e manifestações populares. Finalmente temos um largo. Um espaço onde a democracia é a principal linguagem. Se está tudo maravilhoso? Logicamente que não. O prédio do INSS continua abandonado e, mais uma vez, invadido por famílias “sem casa”. O Parahyba Pálace, hoje alugado ao Governo do Estado, carece de pintura, pelo menos. A mesma coisa acontece com o Edifício Nações Unidas e outros prédios do entorno que, convenhamos estão mesmo pedindo providências dos seus proprietários. Outra intervenção no calçadão da Duque de Caxias, já foi anunciada pela Prefeitura. Logicamente que a iniciativa privada se sentirá estimulada a investir e em breve o visual da área será outro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No mais, não me consta que o Sol fosse mais brando em meio ao abandono ao qual estava submetida a Praça Vidal de Negreiros. A bela arquitetura local, apesar de abandonada,  foi valorizada com a nova intervenção. A sua revitalização é urgente. No entanto, se trata de uma área que precisará ser retomada pela população, com a convicção de estarmos em 2009 e não mais na década de 30, de frágil lembrança para tantos. Ou mesmo nos anos 70, quando a cidade também era outra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para finalizar, a estátua de Livardo Alves não representa outra coisa se não o respeito e, principalmente, a celebração da cultura e do povo paraibano. Livardo, compositor de alguns dos sucessos da música nordestina, era um dos símbolos do parlamento popular em que naturalmente se transformou o Ponto de Cem Réis em todas as suas fases e, certamente, nesta nova etapa da vida pessoense. Sua lembrança, em bronze, eterniza o romantismo de uma região da cidade que soube cumprir seus ciclos. Mas, que transformação radical não causa espantos? Muito especialmente nos espaços urbanos, onde tantas vezes a degradação gera apegos doentios. Na verdade, espaços abertos assustam quem teme a força de um povo que caminha para o futuro. Muita história ainda haverá de ser escrita pelo povo pessoense no novíssimo e belo Ponto de Cem Réis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Indicação de leitura: Percepção e memória da cidade: o Ponto de Cem Réis (1)Jovanka Baracuhy C. Scocuglia, Carolina Chaves e Juliane Lins - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp349.asp"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp349.asp&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-1733996496275486030?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/1733996496275486030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=1733996496275486030' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733996496275486030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733996496275486030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/ponto-de-cem-reis-apenas-uma-opiniao.html' title='Ponto de Cem Réis – apenas uma opinião.'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-5231473747207403036</id><published>2009-09-12T12:10:00.002-03:00</published><updated>2009-09-12T12:23:55.699-03:00</updated><title type='text'>O prazer da leitura e a coragem de mudar o mundo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não são raras as vezes que me pego pensando no que se deixa de fazer com a pálida alegação da falta de recursos financeiros. Algumas experiências colhidas ao longo da vida me provaram que para algumas das questões mais significativas para um ser humano e para a sociedade, não é preciso recurso algum. O que precisamos é de atitude. O principal recurso é a nossa vontade. Uma das experiências concretas que me faz pensar assim é a existência da Biblioteca Cactus. Uma instituição comunitária criada e mantida por duas mulheres, Nina e Edeusa, em Mandacaru, um dos mais tradicionais bairros populares de João Pessoa. Para montar o acervo, certamente, Nina e Edusa, contaram a com a responsabilidade social do maior sebo da América latina, o Sebo Cultural com sede na cidade. De lá para cá elas vem aumentando o acervo, articulando atividades que mantém viva uma das maiores e mais importantes Bibliotecas Comunitárias do Nordeste. Experiências assim abundam pelo Brasil, sem muita visibilidade, mas esbanjando coragem. Aqui e ali chegam histórias que impressionam e me fazem pensar nos oportunistas de carteirinha que mexem os quadris em suas articulações, atrás das “facilidades” dos recursos públicos para a execução de projetos culturais e educacionais de consistência duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei conhecimento de outra experiência que também me impressionou bastante. Um catador de papel, em São Paulo, conseguiu reunir mais de 16 mil títulos catados no lixo residencial da cidade. Ele montou uma biblioteca num prédio abandonado, onde atende milhares de adultos e jovens que, certamente, a partir da leitura vão traçando uma nova perspectiva e um novo horizonte para as suas vidas. Boas experiências abundam pelo país. Aqui em João Pessoa, os projetos Tome Poesia e Tome Prosa, coordenado pelo poeta Antônio Mariano, provoca a leitura de poemas e textos em prosa no bar Noites Cariocas. Já a atriz Suzy Lopes mantém o projeto Café em Verso e Prosa no Empório Café, um dos mais agradáveis bares da praia de Tambaú. Nara Limeira, mestre em literatura e mestre na vida, conduz o projeto Palavra Plantada no agradável Parque Arruda Câmara. Projeto semelhante é mantido pela poeta Idalina de Carvalho, em uma praça de Cataguases-MG. Em São Paulo, Andréa Schmitz mantém o blog “Nosso Clube de Leitura” e um grupo de leitura na região onde vive. Nestes dois primeiros parágrafos fiz questão de citar alguns projetos grandiosos que não dependem de recursos financeiros de qualquer ordem para uma existência de absoluta consistência e coerência. Então me pergunto: o que impede avançarmos ainda mais, sabendo como sabemos que a leitura gera cidadania?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um país com 16 milhões de analfabetos absolutos, ainda. Isso representa 9% da população. Brasileiros e brasileiras de até 15 anos ou mais que não conseguem sequer pegar um transporte público, sem ajuda de terceiros. Não quero ser catastrófico. É inegável que estamos avançando. Mas, tudo precisa ser pensado milimetricamente em termos de políticas públicas para, no mínimo, os próximos 20 anos. Não penso que possamos erigir políticas e comportamentos transformadores, em tempo mais curto. Se não pensarmos e não agirmos agora, nossos netos viverão a barbárie em toda a sua plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num olhar mais atento para os percursos da história, observamos que na última década do século XIX, enquanto o Brasil contava com 87% de analfabetos, a França tinha 90% do seu povo devidamente alfabetizado. A Inglaterra, em 1900, possuía 97% da sua população alfabetizada. Introduzo esses dados para que compreendamos melhor os aspectos culturais da leitura em nosso país. A nação que colonizou o Brasil, Portugal, possuía de 20 a 30% de alfabetizados neste mesmo período. Também os países que traçaram as linhas mais densas da imigração brasileira, como Espanha e Itália, contavam com 50% de analfabetos. Na formação desse quadro, lá pelo século XII, “para ser culto era preciso ter fé.” As universidades eram clérigas. O que acabou produzindo os mendigos mais eruditos da história da humanidade. Os que não se adaptavam à “carreira” religiosa e aos caminhos apontados pela Igreja acabavam perambulando pelas ruas. Como o poeta francês François Villon, considerado um dos precursores do romantismo, nascido em 1432 e sumariamente desaparecido em 1463.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro retratos da leitura no Brasil, organizado por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP, resulta de uma pesquisa que nos deixa bastante animados em relação ás políticas de leitura no Brasil. Nos últimos anos temos visto um significativo avanço em diversas regiões. Certamente que ainda temos um longo caminho a percorrer. Precisamos estrutura os avanços em dois dos principais pilares das políticas sociais: educação e cultura. O professor Galeno empreendeu uma experiência referencial em Ribeirão Preto, criando um sistema de bibliotecas públicas. Aqui em João Pessoa, o ano de 2010 vai ser marcado pela inauguração da sua primeira biblioteca pública municipal. Um feito extraordinário para uma cidade de 424 anos de existência. Antes arte do que tarde, já dizia Pedro Osmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa coordenada pelo professor Galeno nos revela alguns dados animadores e outros assustadores. Por exemplo, é animador o fato de ser Monteiro Lobato o autor mais lido pelos brasileiros. No entanto nos preocupa ser Paulo Coelho o segundo colocado. Isso revela que a leitura, no Brasil, é considerada como geradora de um tipo de status. Geralmente as pessoas procuram os títulos mais vendidos e não os melhores livros. Também é animadora a presença de seis poetas entre os 25 autores mais lidos. Mas, entristece sabermos que o Bispo Edir Macedo é mais lido que Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz e Clarice Lispector. É certo que estamos num bom caminho. No entanto surpreende-nos negativamente o fato de ainda contarmos com tantas vacilações em relação às políticas públicas para o livro e para a leitura. Ainda não se reconhece a importância estratégica dessa importante fonte de conhecimento que, na verdade, serve como suporte para qualquer política pública. A leitura possui importância estratégica para as políticas de desenvolvimento sustentável, por gerar uma melhor compreensão da realidade. Por gerar cidadania. As tentativas na área algumas vezes são confundidas até mesmo por “certa qualidade de escritores”, como a possibilidade de editar livros sem acesso ao mercado editorial. O que é lamentável sob todos os pontos de vista. Porque, em geral, se trata de autores que não valem uma publicação. O que deve ficar claro é que as políticas de leitura devem ser voltadas ao leitor e não ao escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetindo aqui Roland Barthes, “a literatura possui muitos saberes”. Logicamente que os códigos da leitura não se referem apenas à literatura. Muito menos da boa literatura ou, ainda, aos livros apenas. Não nos referimos aqui aos suportes em um artigo que será publicado virtualmente, em um blog. A realidade é que o livro mais lido no Brasil continua sendo a Bíblia. Ainda bem! Se trata de uma obra de importância inquestionável até mesmo para os “ateus-espiritualistas”, como eu. Sua linguagem carregada de simbolismos é referencial, não tenhamos dúvida, enquanto caminho para uma leitura de qualidade. O que nos surpreende positivamente, também na pesquisa aqui mencionada, é o fato de algumas regiões apresentarem um índice de interesse pela poesia, superior ao interesse pelas leituras religiosas. Isso serve como alerta aos educadores. É fato que a Poesia é porta de entrada para o leitor lúdico e crítico. Não é de graça que se trata de um gênero que conta com a preferência da juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que enquanto temos pessoas empenhadas e, de certa forma, introduzindo o interesse pela leitura enquanto política pública estruturante - até mesmo de uma nova ordem econômica - temos professores como um rapaz chamado Túlio, aqui em João Pessoa. Um “educador” que se notabilizou tristemente por chamar Clarice de Chatice Lispector, no espaço sagrado de uma sala de aula. Isso em uma das mais caras e conhecidas escolas particulares de João Pessoa. Ou mesmo estudantes de Letras que “odeiam” literatura, sustentando esta estupidez, inclusive, em comunidades na rede de relacionamentos, Orkut. Isso nos mostra o quanto é revolucionário defender com veemência o contraponto, nas universidades, nas escolas, nas associações de bairro, nas ONGs, nas ruas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mais do que na hora da Escola Pública (também a escola privada, por que não?) assumir definitivamente o seu papel neste doce e transformador empreendimento. É preciso que se desenvolvam cada vez mais as práticas pedagógicas promotoras da leitura enquanto prazer e não enquanto obrigação de ofício. O papel da escola é fundamental nesse aspecto. Programar políticas de leitura é o que de mais pedagógico pode ser empreendido pelas gestões públicas comprometidas com a formação cidadã das comunidades. Um homem e uma mulher de boa leitura, certamente saberão os melhores caminhos para, tenham certeza, salvar o mundo de uma catástrofe social, econômica, bélica e, sobretudo, humana nas próximas décadas. Para isso não podemos depender dos governos. Estando ou não dentro deles. Como dizia Vandré, “quem sabe faz a hora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota 1 – A maioria dos dados aqui apresentados foram extraídos do livro Retratos da leitura no Brasil, publicado pelo Instituto Pró-Livro em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, sob a coordenação de Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura, primeiro coordenador do Plano Nacional do Livro e da Leitura entre outras coisas (o currículum do homem é enorme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota 2 – Registro aqui a minha solidariedade ao poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto que teve trechos  inteiros do seu livro, Longe daqui aqui mesmo, resultado da su tese de doutorado sobre Mário Quintana, usurpados por uma professora da Universidade de Caxias do Sul. Citar a fonte das nossas pesquisas corretamente é uma questão de honestidade intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-5231473747207403036?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/5231473747207403036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=5231473747207403036' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5231473747207403036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5231473747207403036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/o-prazer-da-leitura-e-coragem-de-mudar.html' title='O prazer da leitura e a coragem de mudar o mundo'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2417027203172650767</id><published>2009-09-05T08:28:00.004-03:00</published><updated>2009-09-05T10:43:22.203-03:00</updated><title type='text'>A antropofagia do próprio texto – voltando ao tema</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contraponto é sempre o melhor sumo do diálogo, no jogo asseado das idéias. Já escrevi para revistas de circulação nacional, sites, jornais e blogs. Aqui e ali lia alguém comentando a respeito. Na verdade, concordar ou não com algo escrito por outra pessoa pode ser considerado normal. Sempre considerei isso como alimento das minhas idéias. O que, convenhamos, não é muito normal é quando o autor do próprio texto acaba não concordando com o que escreveu e publicou. Não é esse exatamente o caso, mas pensei nisso quando recebi e-mail do escritor e professor Ítalo Moroconi acerca de um texto que divulguei no meu blog &lt;a href="http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/antropofagia-e-linguagem-poetica-no.html"&gt;Pele Sem Pele&lt;/a&gt; e distribuí para alguns e-mails da minha lista de endereços eletrônicos, recentemente. Na oportunidade me referi a professores que não apenas desconheciam, mas abominavam a literatura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade não era exatamente isso que o texto abordava. Esse elemento foi pinçado pelo escritor que contestou, afirmando que no Rio e São Paulo existem muitos professores atentos à produção contemporânea. Não duvido. Eu sei disso. Na verdade, este não é um privilégio do Rio e São Paulo que, convenhamos, nunca foi e agora mais do que nunca não é mais o centro nevrálgico do pensamento brasileiro. Existem professores em Minas (e eu citei Anelito de Oliveira), aqui na Paraíba (citei Amador ribeiro Neto), no interior de São Paulo, no Pará e em muitos outros lugares, atentos à produção contemporânea. Infelizmente, também, existem aqueles que simplesmente abominam qualquer movimento em direção à literatura contemporânea. Este é um fato inquestionável. Entrementes, não era este o foco do artigo. A menos que eu tenha perdido meu próprio foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abordava a produção contemporânea a partir da internet e seus veículos. Não citei, mas, por exemplo, muito me impressionou um poema de Luciana Marinho no meu Orkut. Por falar nisso, Luciana é professora do curso de Letras da Universo, em Recife. Uma universidade particular onde a literatura contemporânea também não é ignorada. Estarmos vivenciando uma relação midiática cujas reações são imediatas e o peso que isso tem na própria produção literária. Foi exatamente isto que aguçou meu pensamento. Para citar mais um exemplo, recentemente escrevi o prefácio do livro “Solacio”, da poeta Valéria Tarelho, de São José dos Campos-SP. O livro vai sair em edição nacional, pela editora Landy, dentro da coleção Alguidar, organizada pelo poeta Frederico Barbosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha reflexão partia de conversas com amigos na própria internet. Valéria, por exemplo, escreve poemas há sete anos apenas. É uma leitora voraz dos clássicos, uma pessoa culta, mas também é leitora da produção que circula na internet. Até mesmo a produção inédita como a sua. Será que isso não teve e não tem influência alguma na sua poesia? Duvido muito. Para os poetas que freqüentam o Orkut e o twitter, por exemplo, estes são também excelentes instrumentos para a veiculação de boa poesia e idéias sobre poesia. No meu Orkut, por exemplo, afloram textos de Helberto Helder, Nuno Júdice, Hopkins, João Cabral e outros poetas. Presentes deixados por amigos e amigas, cuja sensibilidade não foi suprimida pela tecnologia. São meus amigos de Orkut, nomes representativos da poesia brasileira contemporânea, como Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Cláudio Daniel, Frederico Barbosa, Antônio Mariano, Lucila Nogueira, a própria Valéria Tarelho e outros bons poetas da rede e da cama de palhas da realidade. Este artigo, bem como o anterior, tem como veículo o blog Pele Sem Pele e algumas colunas que possuo em sites, como El Theatro (&lt;a href="http://www.eltheatro.com/"&gt;http://www.eltheatro.com/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, creio que precisamos estar atentos ao que está em movimento. A internet, com certeza, revolucionou os métodos de divulgação da literatura contemporânea. E sem desconstruir o que os cordelistas já faziam há cem anos ou mais. Até mesmo as grandes editoras e as grandes redes de livrarias usam a web para a afirmação dos seus negócios e para a ampliação da sua lucratividade. Mas, não era exatamente a isto que eu me referia. Logicamente, sem a pretensão de esgotar o assunto num artigo de duas laudas e meia, no máximo três, um assunto de tamanha densidade e relevãncia, eu abordava a repercussão desse processo na própria linguagem poética do século XXI. Este é o fato central do meu raciocínio que, posso concordar, talvez não estivesse muito bem colocado. É certo que abomino a ignorância como método de estudo. O fato de alguém estudar Camões, por exemplo, não o impede de conhecer e admirar, por exemplo, as vanguardas que despontavam em regiões fora do eixo. Cito aqui a importância quase desconhecida do Rio Grande do Norte para a poesia de vanguarda brasileira, nos anos 60, 70 e mesmo nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a evolução da linguagem poética deve-se, muito especialmente, à capacidade de atenção dos pensadores desta produção aos menores movimentos da língua e seus afluentes na cadeia produtiva do conhecimento. Recentemente li uma reportagem sobre a influência do chamado “internetês” no ensino da língua portuguesa. Ou será que alguma espécie de germe erudito impede os professores de língua portuguesa do ensino fundamental, principalmente, de avaliar o fato de seus alunos passarem boa parte do dia no MSN, escrevendo coisas como vc tc de onde? (você tecla de onde?). É certo que as pesquisas ainda apontam opiniões desfavoráveis ao enriquecimento da língua com fatos desta natureza. No entanto, sinto uma vontade enorme de questionar as pesquisas (78% é o índice desfavorável) se não houver uma capitulação ao internetês. O que seria mais prejudicial ao estudo da língua portuguesa? O internetês ou a supressão do estudo do Latim nas escolas brasileiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que outras oportunidades deverão me remeter ao tema que, cá pra nós, muito me agrada pela sua capacidade de convulsionar o pensamento. Quando se trata de pesquisa da linguagem poética (ou de qualquer linguagem artística), não se pode suprimir absolutamente nada. Mesmo as questões ditas abomináveis. Neste tempo de velocidades no qual estamos mergulhados, muito especialmente as certezas são questionáveis. As verdades absolutas são atestados de incompetência teórica. Idéias calcadas em preconceito de qualquer espécie, penso eu, não combinam com o distanciamento histórico (e não estético) das idéias de Aristóteles, Longino e Horácio. Estamos praticamente concluindo a primeira década do século XXI. Posso estar enganado, mas tenho visto ainda uma preocupação despreocupada das universidades com o pensamento contemporâneo. Ou pelo menos, penso que a universidade continua com a velha mania de produzir para seus próprios ambientes. Não sei se isso é bom ou ruim, mas a produção do pensamento contemporâneo já não possui tanto assim o campus como limite geográfico da produção intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que me submetam a uma pregação metodológica, este texto - tanto quanto o anterior -não tem pretensões ensaísticas. Apenas levanto uma lebre sem pele sobre as agonias que perpassam um mundo que vive hoje outros dramas, outras inquisições. Uma delas é a abolição do pensamento enquanto vetor principal para o trem da história.&lt;a href="http://lau-siqueira.blogspot.com/2009_08_01_archive.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2417027203172650767?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2417027203172650767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2417027203172650767' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2417027203172650767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2417027203172650767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/antropofagia-do-proprio-texto-voltando.html' title='A antropofagia do próprio texto – voltando ao tema'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7926616439113992799</id><published>2009-09-02T01:09:00.001-03:00</published><updated>2009-09-02T06:45:48.878-03:00</updated><title type='text'>As teias geométricas de Dênis Cavalcanti</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Toda obra de arte traduz seu próprio tempo. No entanto não há, para a obra de arte, um tempo linear. Como diz o poeta Manuel de Barros no Livro das Ignorãnças, “Não sei mais calcular a cor das horas. As coisas me ampliaram para menos”. Assim, numa primeira leitura da obra do artista plástico paraibano Denis Cavalcanti já se revela a atitude racional, precisa, rigorosamente futurista, vocacionada às imensidões do acaso. O artista constrói uma equação devotada ao mergulho num rio de mutações cores e formas. Na imprevisibilidade de um salto seguro que se traduz na ambivalência e nas especificidades do fator humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista convulsiona e ambienta suas influências de modo a construir a singularidade de uma linguagem capaz de amparar a permanência do abstrato. Todavia, espelha-se na concretude de uma era de velocidades, onde a arte que se cumpre vai também compactuando com a mais densa sensibilidade. Mas, que outra função teria a arte que não a de aflorar as imensidões e cometer as incertezas que permitem o ato inventivo? A perenidade, portanto, risca seus mapas na íris de cada leitura, de cada olhar com suficiente alcance para os desenredos da imaginação. E assim Denis Cavalcanti vai tecendo suas evocações ao silêncio. Entrementes, o que se revela é a plenitude de um grito. Na verdade uma obra que nos traz ao mesmo tempo o posto e o seu oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de um artista cujas metáforas construídas nos remetem às emoções mais densas e ao mesmo tempo às premissas de uma ausência absoluta. Um vácuo onde a permissividade libertária une o veio criador aos relatos de uma reengenharia do tempo. Um lugar onde apenas o desconhecido é linear. Denis desobstrui as insígnias do que poderia enquadrá-lo, por exemplo, num neoplasticismo. Ele respira um hábito criador que se estende do clássico aos infinitos conduzidos pela experimentação permanente. Coisa que se reconhece no hálito de toda boa arte de vanguarda, num tempo que o próprio tempo determina.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto de apresentação do livro e site do artista plástico paraibano Dênis Cavalcanti.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7926616439113992799?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7926616439113992799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7926616439113992799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7926616439113992799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7926616439113992799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/as-teias-geometricas-de-denis.html' title='As teias geométricas de Dênis Cavalcanti'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8316530526153155637</id><published>2009-08-29T10:41:00.000-03:00</published><updated>2009-08-29T10:42:08.641-03:00</updated><title type='text'>Antropofagia e linguagem poética no século XXI</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; .&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia que vem sendo produzida nesses tempos de blogs, sites, orkut e twitter começa a revelar características muito particulares. A internet desencadeou um processo que ainda está em fase de assimilação pelos pensadores da história e da teoria literária do nosso tempo. A princípio, havia uma inexplicável desconfiança e um parcial desinteresse em relação a esses meios por parte significativa dos escritores. Muito especialmente pelos poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros momentos houve uma tentativa de desqualificar esta produção. Como se a facilidade de veiculação e a interatividade da internet somente permitisse a divulgação de poetas de águas rasas. Certamente que havia um fundo de verdade nisso todo. A internet servia e ainda serve para divulgar muita coisa de qualidade bastante duvidosa. Nos primórdios da rede, as desconfianças eram muitas e a mitificação da nova mídia nos remetia sempre às reflexões de Umberto Eco e seus apocalípticos e integrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pleno agosto de 2009, me pego pensando nisso em frente ao meu computador. Naturalmente, com uma necessidade enorme de compreender esse processo e refletir um pouco sobre a influência que essa verdadeira revolução nas mídias tradicionais possa ter provocado não apenas na forma de divulgação da poesia, mas também e principalmente nas perspectivas para a construção de uma nova linguagem para a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o virtual passou a se aproximar com maior intensidade do cotidiano, confundindo-se com ele exatamente através da escrita. Para Pierre Levy, “a tela informática é uma nova ‘máquina de ler’ o lugar onde uma reserva de informação possível vem se realizar por seleção, aqui e agora, para um leitor particular. Toda leitura em computador é uma edição, uma montagem singular.” Segundo o próprio Levy, seria um erro fatal considerar o computador apenas uma máquina de escrever e de ler. Existe toda uma cultura sendo formulada através dessa nova forma de conhecimento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade o que se pode perceber é que no meio de um lixo acumulado e natural, produzido por milhões de seres humanos sedentos de expressar publicamente suas angústias (e confundindo isso com poesia, tantas vezes) foi transbordando uma poesia de qualidade, densa, amparada no respeito às tradições, mas também sem medo de experimentar e não ser exatamente como o que já se dava por estabelecido na circunstância poética brasileira e pelo mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desmistificar esse rolo compressor inicial, eu pergunto: que mal faz um mau poeta ao escrever versos ruins? Ou que mal há, por exemplo, em publicá-los nos sites e nas ainda existentes listas de discussões sobre literatura e poesia? Certamente que nenhum. O bom leitor haverá de saber selecionar os bons textos. Há, com certeza, uma seleção natural e os poetas, sejam eles novos ou já reconhecidos, foram e continuam sendo naturalmente peneirados. Agora não mais pelos cânones e pela crítica fardada. Quem começa a dar as cartas é, também, esse mau poeta que, muitas vezes, acaba sendo um bom leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos observar com certa clareza que existe um fato novo na poesia contemporânea que precisa ser analisado com maior profundidade. Os poetas que foram surgindo, muito especialmente após o início do século XXI, são poetas que também são leitores da poesia que circula na rede. Isso gerou algo extraordinário, pois aniquilou as “verdades absolutas”. Ser louvado publicamente por A ou B possuía um valor inestimável que hoje já começa a gerar profundas dúvidas. Não que isso tenha aniquilado a crítica. Muito pelo contrário. Agora basta ter um blog para que o exercício da crítica possa receber as atenções devidas. Ou seja, em tempos de capitalismo selvagem, aumentou a concorrência e só se estabelece quem tem competência. Até mesmo a pseudo-crítica peçonhenta ganha a oportunidade de trocar de pele, de se renovar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas que nunca publicaram um livro impresso ou mesmo os que somente conseguiam publicar edições com distribuição regional, passaram a disputar palmo a palmo os espaços e as atenções dos críticos e leitores do país e do mundo. Uma disputa que os coloca em pé de igualdade com nomes que vinham sendo incensados de forma pouco justificada pela mídia burguesa. Tanta vez pagando caro para ter livros distribuídos nacionalmente (com pouca racionalidade)  pelas grandes redes de distribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora as coisas estão em maior ou menor escala, no mesmo ponto de partida. Passamos a perceber o surgimento de poetas que são, na verdade, leitores e leitoras da produção poética de ilustres desconhecidos que abundam na rede. Com alguma qualidade alguns, com muita qualidade uns poucos e uma grande maioria com pouca qualidade. Ainda valem, logicamente, as indicações dos grandes mestres. Essa nova lógica não exclui a tradição. No entanto, naturalmente, cada um de nós foi tecendo as próprias leituras e com elas infringindo todos os códigos do comodismo pálido de uma cultura acadêmica dominante. Tudo precisou ser novamente observado, analisado, pesquisado e, finalmente digerido por todos. É claro que isso não determina o fim da cultura acadêmica, mas certamente que a coloca na obrigatoriedade de refletir sobre ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensaio “Poesia nova – uma épica do instante”, em “O poeta e a consciência crítica” (Editora Perspectiva-SP, 2008), Affonso Ávila escreve um pouco sobre tudo isso. Segundo ele, “a situação atual da poesia no Brasil reflete, entre afirmações criadoras e perplexidades críticas, a mudança radical de concepção do fato poético que, nos últimos dez anos, se operou em nosso país. Essa transformação, intimamente vinculada à modificação mais abrangente das estruturas de conscientização de nosso povo, não se restringiu a um fenômeno de linguagem como parecerá à primeira vista. Suas implicações são mais profundas e traduzem simultaneamente, uma nova atitude do poeta diante da realidade que suscita o ato criando e a adequação do seu instrumento ao imperativo das modernas técnicas de comunicação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser uma das mais representativas expressões da arte de vanguarda no Brasil, Affonso Ávila nos remete a reflexões que certamente deverão retorcer os ferros da crítica tradicional, mesmo aquela que usa a internet não como um poderoso instrumento interativo, mas como mais um veículo para difusão de uma tendência da “política literária”. Todavia, lamentavelmente, abrindo mão de receber a imensa carga de informações da novíssima produção poética e crítica que aflora também a partir das universidades, embora extrapolando limites geográficos e metodológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova poesia, portanto, passou a contar não apenas com a sua  natural evolução a partir da perda total do controle das informações pelos “babalorixás”, mas também com a análise lúcida de pensadores e teóricos da poesia que, na verdade, sempre estiveram mergulhados para muito além do nosso tempo. Como Affonso Ávila, Amador Ribeiro Neto, Anelito de Oliveira e outros poucos que sabem que a poesia não sobreviveria se todos os olhares estivessem fixados no passado. Aqui na Paraíba, por exemplo, existem “doutores” que se negam a reconhecer inclusive a produção literária do século XX. Isso me faz ter dúvidas acerca do mau cheiro exalado pelos banheiros do CCHLA. Seriam necrotérios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, boa parte dos estudiosos da poesia não passa de funcionários públicos preguiçosos que não ousam sequer realizar uma única leitura conseqüente da evolução da linguagem poética. Para eles, a cena atual não existe. Triste dos que pensam assim. Morreram para um mundo que os torna naturalmente desnecessários. O que se conclui é que a nova poesia é leitora dela própria. Pratica naturalmente a antropofagia oswaldiana que designou os destinos de um modernismo que não estancou na semana de 22. A nova poesia foi beber nos mestres, certamente. Mas, não cometeu o suicídio de desconhecer o surgimento de novos horizontes a partir das janelas abertas pelo futurismo deflagrado no final do século XIX, pelas vanguardas. O caminho é continuar experimentando, arriscando, buscando compreender o presente. Traduzindo de forma mais apurada as idéias de José Paulo Paes: “somente não envelhece o que já nasceu velho.”&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8316530526153155637?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8316530526153155637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8316530526153155637' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8316530526153155637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8316530526153155637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/antropofagia-e-linguagem-poetica-no.html' title='Antropofagia e linguagem poética no século XXI'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-189582053276886095</id><published>2009-08-22T09:52:00.001-03:00</published><updated>2009-08-22T09:54:10.866-03:00</updated><title type='text'>O que é que o governador Maranhão tem contra a cultura?</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não foi nenhuma surpresa a saída do artista plástico Flávio Tavares da Subsecretaria de Cultura do Estado. Afinal, somente os acomodados não se incomodam com circunstâncias comprovadamente criadas por mera pirotecnia política. A insatisfação de Flávio no governo era de uma pulsação impressionante. Artista de amplo reconhecimento e cidadão exemplar, Flávio Tavares deve ter percebido que a mentalidade do governador em relação às políticas de cultura permanecia exatamente a mesma dos seus dois primeiros governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De perfil conservador, o arcaico José Maranhão já fez escolhas acertadas para dirigir a cultura do Estado. Não se pode negar. Isso no caso de Flávio e, anteriormente, do poeta Sérgio de Castro Pinto. Entretanto, também Sérgio percebeu que tinha um nome a zelar e que as políticas de cultura estavam desvinculadas das ações prioritárias do marqueteiro Zé, o proclamado mestre de obras. Entre Sérgio e Flávio, nos seus três períodos de governo, Maranhão encontrou o nome adequado para o seu nível de mentalidade. O também artista plástico Chico Pereira. Chico notabilizou-se por chamar os artistas de “mendigos” e por conduzir a consagrada inanição do Estado no setor. Foram anos de mediocridade, pedantismo e parcos investimentos. Mas, não há nome que represente melhor a relação do governador Maranhão com a cultura da Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da indicação de Flávio Tavares cheguei a ficar um tanto quanto esperançoso. Em primeiro lugar porque jamais torço contra. Segundo porque Flávio (assim como Sérgio) é, em todos os sentidos, um exemplo de dignidade e inteligência na terra de Augusto dos Anjos. Uma das melhores antenas da nossa raça. Pensei até que talvez as coisas tivessem mudado na cabeça dura do governador, nos últimos anos. Afinal, eu próprio em 2006 participei do guia eleitoral maranhista, através do meu partido, o PSB. Lembro que fomos convidados a participar. Predominava, naquele momento, o desejo de avançarmos dentro do governo do Estado em direção a construção de políticas públicas. Eram inegáveis os avanços na prefeitura. Fomos, então, “mostrar a cara” no guia. Entregamos nossa proposta ao então candidato que, assim, assumia um compromisso público que, certamente, agora vai para o tambor de lixo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro muito bem que levamos dois ônibus lotados de artistas plásticos, escritores, atores, músicos, produtores, segmentos como hip-hop, cultura popular e outros. Pensei que lá chegando encontraríamos os partidários do governador para juntos realizarmos a gravação. Ledo engano. Não havia uma única alma consagrada da espiral maranhista. Fomos nós e apenas nós, socialistas, que gravamos o programa eleitoral do então candidato José Maranhão. Ainda assim acreditei que a demonstração de força com aquela mobilização, sensibilizaria o nosso então candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da escolha de Flávio Tavares, cheguei até mesmo a pensar que tínhamos dobrado o conservadorismo do ex-senador. Cheguei a acreditar que Maranhão havia, finalmente, reconhecido que a cultura tem um papel estratégico, inclusive na economia e na construção de políticas transversais e intersetoriais. Afinal, um setor que movimenta 5% do Produto Interno Bruto brasileiro não pode passar despercebido num governo minimamente democrático e que tenha compromisso com o desenvolvimento integrado e sustentável. Em Toronto, no Canadá, as estratégicas econômicas se orientam a partir da política de cultura. Em Paris, a cultura é um dos pilares da economia. Até quando a terra de Ariano Suassuna suporta ser relegada ao estágio de colônia de Pernambuco? Para mudar a vida é preciso mudar de atitude, transformando a mentalidade imposta pelo neo-coronelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero aqui declarar nenhum arrependimento por ter participado e incentivado a participação de artistas e grupos de cultura na eleição de 2006. Afinal, as políticas de aliança são importantes estratégias para o avanço do campo democrático e popular. Não devem jamais ser confundidas com adesismo se conduzidas de forma madura e transparente. A participação política dos artistas e dos fazedores de cultura de um modo geral é uma questão de cidadania. Como dizia Gramsci, “viver é tomar partido”. No entanto, percebo agora o quanto o governador Maranhão exige-nos uma reação. Nem mesmo com o seu vice-governador, Luciano Cartaxo, sendo também um produtor cultural a visão maranhista para a cultura foi alterada. O mais interessante é que o abalo que qualquer governo teria com a saída de um quadro imprescindível como Flávio Tavares se dá exatamente no momento em que é anunciada a criação da Secretaria de Cultura. No entanto, para quê criar uma Secretaria de Cultura se o governo se empenha em consolidar uma “subpolítica” de cultura? O injustificável descaso do governador, certamente, tem sérias implicações no processo de desenvolvimento do Estado. Um bom mestre de obras deveria compreender que não é exatamente com marqueting de cimento e cal que se produz desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que não trago aqui um discurso de imparcialidade. Nunca fui imparcial. Não acredito em imparcialidade. Sempre tive lado. Afinal, somos produto das nossas escolhas. Pautei minha vida inteira na construção de ideais estéticos, do ponto de vista da arte e políticos, do ponto de vista humano. Também não quero dizer que o governador Cássio Cunha Lima tenha sido generoso com a cultura. Muito pelo contrário. Cássio praticamente desmoralizou o FENART, um dos mais importantes festivais de cultura do Nordeste. Maranhão ratificou essa desmoralização. Iguala-se a Cássio ao cancelar o FENART 2009 e anunciando o FENART para o ano eleitoral de 2010. (Isso se chama oportunismo patológico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todas as limitações impostas pelas regras do poder público, entre erros e acertos, o fato é que a Prefeitura Municipal de João Pessoa avançou na democratização das políticas da cultura a partir de 2005. Não quero dizer aqui que atingimos o Ponto G das nossas necessidades. O fato é que estabeleceu-se um processo de inclusão nunca antes vivenciado. Sobrou gás, inclusive, para uma relação de proximidade com o interior do Estado. Não foi por acaso que, em 2008, estivemos em Cajazeiras e Sousa, apresentando as ações da Fundação Cultural de João Pessoa, a convite do Fórum de Cultura do Alto Sertão. Também em Campina Grande, onde a política de cultura tem se resumido ao “Maior São João do Mundo”, participamos de debates com o segmento cultural. Logicamente que isso foi o reflexo de uma ação desenvolvida por um grupo de militantes e não por prestígio pessoal. Lembro que em Cajazeiras, os artistas destacavam duas políticas sólidas da Prefeitura de João Pessoa: o Empreender-JP e o Circuito Cultural das Praças. Em Sousa, no meio do debate um artista levantou e disse: “isso só vai acontecer por aqui quando Ricardo Coutinho for o governador.” E agora, José? O sonho está apenas começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é pagar para ver. Nossa esperança está no setorial de cultura do PT que, neste momento, passa a assumir a responsabilidade de abalar a mentalidade medieval de um governador que, provavelmente, acha que política de cultura se resume na liberação de recursos para os artistas. Não, governador! O objeto de uma política pública de cultura não é o artista, mas a memória (passada e futura) do povo. O grande desafio é conjugar tradição e modernidade, integrando a cultura nos processos de desenvolvimento. Mas, cá pra nós, precisamos definitivamente reconhecer que os artistas são os principais parceiros para a implementação de ações que visem edificar o espírito crítico e lúdico nas futuras gerações. Ou seja: o espírito transformador que haverá de melhorar a nossa sociedade. Acolher, incluir, criar, trabalhar, superar. Estes são alguns dos verbos que movimentam a cena e que do discurso maranhista parecem ter sido suprimidos. Na prática, sumariamente aniquilados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa esperança permanece intacta. Todavia, quando falo de esperança não falo de inércia. Falo de uma esperança que constrói e que busca estabelecer uma relação das três esferas da área pública (municípios, estados e união), com a sociedade civil e com a plenitude cidadã. É lógico que isso não é fácil. No entanto, como diz o poeta Chacal, “só o impossível acontece. O possível apenas se repete.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, destaco a elegância com a qual Flávio Tavares soube se retirar da cena, desligando sutilmente os aparelhos de uma agonia. Flávio deu para todos nós, um exemplo de dignidade e coerência. Que este ato cidadão do artista não passe impune pelo nosso aprendizado. Nem pela composição e pelas diretrizes dos próximos governos. O que nos preocupa é que não se trata de um governo novo, mas de um governo que já passou oito anos ignorando completamente os processos culturais na terra de Sivuca e Jackson do Pandeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-189582053276886095?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/189582053276886095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=189582053276886095' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/189582053276886095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/189582053276886095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/o-que-e-que-o-governador-maranhao.html' title='O que é que o governador Maranhão tem contra a cultura?'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7045835773747288952</id><published>2009-07-26T17:27:00.001-03:00</published><updated>2009-07-26T17:27:55.174-03:00</updated><title type='text'>Parrá – a elegância do ritmo.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boemia pessoense ainda preserva seus mais alinhados personagens. Principalmente no anonimato turbulento das ruas da Cidade Antiga. Na Ladeira da Borborema guardamos boas memórias do poeta Manuel Caixa D’água. Nos escambos temporais deste início de século, ainda há quem nos faça sonhar com a velha Parahyba do Norte - “morena brasileira”.  A eterna Cidade das Acácias. Um lugar onde os sagüis pululam pelos resquícios da Mata Atlântica e onde as prostitutas retomam o simbolismo histórico da luta pelo reconhecimento da profissão. Assim a cidade vai se organizando politicamente no movimento das águas e dos tempos. Convulsionando uma urbanidade que nasceu nas margens de um rio para desaguar nas memórias do futuro.&lt;br /&gt;Foi numa cidade assim, ali no Roger - mais exatamente na Rua Anísio Salatiel número 60 - que nasceu Severino Ramos de Oliveira. Isso foi no ano de 1938. Ainda na primeira infância o irmão lhe conferiu o apelido de Parrá, sem saber que estava realizando um batizado artístico. Nascia um personagem da cultura de uma cidade absorvida, naquele momento, pela era do rádio. Um tempo em que as ondas médias e as ondas curtas determinavam o todo poderoso veículo da comunicação popular. Um talho de modernidade no provincianismo de uma cidade que presenteou o Brasil e o mundo com personalidades importantes da cultura brasileira. Como o cidadão do mundo, Ariano Suassuna. Um litorâneo de alma sertaneja. Um homem que trafega sua existência nas raízes da expressividade cultural do povo nordestino. Tudo dentro de uma rotina de invenções. Numa plasticidade de cores e ritmos. Elementos para o cenário de uma vida dura que gerou a alma delicada dos seus artistas.&lt;br /&gt;Parrá representa o glamour e o estigma de uma geração que construiu os maiores referenciais da chamada Música Popular Brasileira. Na verdade, uma geração que abriu as comportas para o nascedouro da MPB enquanto conceito, dentro da universalidade natural da música de qualquer região do planeta. Um tempo de grandes ritmistas como Jackson do Pandeiro que esteve para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na mesma proporção que Parrá esteve para a época de ouro da Rádio Tabajara, aqui na Paraíba. Com absoluta convicção do seu destino, Parrá soube traçar (na base da “marmota”, tantas vezes) os seus próprios caminhos. Sempre com a simplicidade de um homem que fez da música a sua forma de transcendência no tempo. Preservando-se enquanto menino, em cada leitura do mundo que o cerca. Tudo isso compõe o inventário de uma vida que não guardou espaços para a tristeza, mesmo que estas tenham sido tantas e muitas vezes, tão profundas.&lt;br /&gt;Parrá está situado na história da música nordestina, entre os grandes nomes do seu tempo. É certo que não teve o seu trabalho reconhecido lá fora, principalmente no vigor da juventude. Até porque muito pouco saiu da Paraíba. Principalmente porque nunca saiu do Nordeste. Somente este detalhe apartou o cantor de um reconhecimento público muito semelhante aos artistas que foram consagrados nacionalmente pela mídia, abrindo os olhos do país para a efervescência cultural da Paraíba. Mesmo assim, Parrá influenciou e influencia as novas gerações de músicos paraibanos. Com sua elegância, com suas convicções estéticas, com suas marmotas, com sua alegria perene e sua dignidade. Ele faz parte de um grupo seleto que reúne nomes como Livardo Alves e outros que, mesmo sem sair da cidade, conseguiram uma consagração e um reconhecimento raro para os chamados “santos de casa”. Parrá não é e nunca foi santo. Todavia, está na área e “obra milagres” - como se costuma dizer por aqui - com a inventividade  da sua arte. Sua natureza é criativa e musical. Um artista que soube eternizar-se na memória da cidade. Seja pela sua simplicidade conjugada com sua irreverência, mas principalmente pelo seu inquestionável talento e pela organicidade da sua atividade intelectual.&lt;br /&gt;Logicamente que se torna um tanto quanto redundante ressaltar as influências jacksonianas. Aliás, essas influências do grande mestre de Alagoa Grande chegaram também para Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, Chico Cesar e até mesmo aos roqueiros conterrâneos do Rei do Ritmo da banda Jackson Envenenado, de Alagoa Grande. Mas, com Parrá, foi diferente. Não se trata apenas de uma influência. Trata-se da absorção geral de todos os mimos, trejeitos, manejos e traquejos de uma tradição rítmica bem nordestina e, sobretudo, genuinamente paraibana. Algo que esteve representado na existência artística de Jackson, mas que também está em Parrá, Biliu de Campina e outros artistas importantes desta terra de grandes artistas. Este é o diferencial que coloca o nome de Parrá sempre na vanguarda quando o assunto é Jackson do Pandeiro. E é exatamente isso que diferencia o nosso Severino Ramos de Oliveira. Não seria ele um cover do mestre. Falando assim, num tom bem nordestino, o morador da Rua Anísio Salatiel número 60, no Roger, seria a mais perfeita “parêa” musical e existencial do velho Jackson do Pandeiro.&lt;br /&gt;Na cena musical contemporânea do Estado, o cantor e compositor ainda resiste ao lado de grupos como Burro Morto, Chico Correa, Cabruêra, cantores como Escurinho, Erivan Araújo e Gláucia Lima que, com certeza, souberam e sabem beber na fonte inesgotável que é a musicalidade deste artista cujas levadas e cujo suingue transpiram no cotidiano da cidade, de onde ele sempre arrancou o barro, o fogo e a água, para esculpir canções que marcaram a história musical do Nordeste. A musicalidade de Parrá está muito mais viva que nunca!&lt;br /&gt;Em 2006, na festa de aniversário da cidade, a homenagem foi para Jackson do Pandeiro. As escolhas da Fundação Cultural de João Pessoa não poderiam ser mais exatas. A Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa, criada e regida pelo maestro argentino radicado na cidade, Gustavo de Paco, tocou 11 músicas de Jackson. Todas interpretadas de forma impecável pelo irreverente Parrá. Um show de competência e identidade cultural. Na verdade aquele show representou certo redimensionamento da relação entre a música erudita e a música popular. Naquele momento, Parrá se mostrava digno da consagração na memória do seu povo.  O público cantava entusiasmado os sucessos de Jackson, como se o show fosse com o próprio.  O Canto da Ema, Sebastiana, Um a Um, Forró em Limoeiro e outras. Naquele momento Parrá selava em sua carreira um reconhecimento que vinha sendo, injustificadamente, sonegado. Em um show realizado anteriormente, no São João, ele fez uma declaração pública que vale como alerta para os gestores de cultura que não se preocupam com a preservação da memória dos seus artistas: “eu estava morto e vocês me ressuscitaram”, disse Parrá.  Na verdade, Parrá, a cidade é que andou entorpecida, desmemoriada, fora do eixo... Você representa o espírito e o corpo de uma cultura que não se rende, independentemente da sensibilidade de quem a governa. Uma cultura de resistência que transita soberanamente entre a tradição e a modernidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7045835773747288952?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7045835773747288952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7045835773747288952' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7045835773747288952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7045835773747288952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/07/parra-elegancia-do-ritmo.html' title='Parrá – a elegância do ritmo.'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7663221903050413429</id><published>2009-07-16T02:08:00.001-03:00</published><updated>2009-07-16T02:10:21.050-03:00</updated><title type='text'>A alma fêmea do poema.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt; Lau Siqueira&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que a poesia brasileira vem conquistando - cada vez mais - leitores e leitoras. Na mesma proporção, seguramente, vai suscitando espaços respeitáveis no mercado do livro. Este é um fenômeno que se faz sentir de forma acentuada a partir da segunda metade dos anos 90. Entrementes, não é um fenômeno brasileiro. No mundo inteiro a internet passou a exercer um papel determinante na difusão da poesia. Mas, não apenas isso. Sem romper com a necessidade precisa dos clássicos, a poesia contemporânea passou a se alimentar dela mesma. Talvez esta seja a melhor tatuagem de um tempo de contrapontos bravios quanto aos conformismos decadentes. Verdadeiras porradas no baixo-ventre dos eunucos saciados, fiéis devotados aos cleros e reinados da literatura e, principalmente, da ausência de literatura.&lt;br /&gt;Foi nesse contexto que o Brasil descobriu Valéria Tarelho. Uma escritora que traduz e ao mesmo tempo constrói sua artesania,  na multiplicidade das suas leituras. Da mais plena percepção dos trovadores medievais, dos simbolistas, dos barroquistas, dos concretistas... aos poetas marginais de poesia sem pele. É como se estivesse reafirmando Jorge Luiz Borges: “todas as teorias poéticas são meras ferramentas para a construção do poema”.  Uma poeta que estréia em livro com uma poesia que é pura pulsação. Seja de linguagem ou da existência. Uma poesia que soube construir seus próprios caminhos sentenciando-se dentro de um rigor que se traduz num jogral de iluminuras. Percorrendo de Rimbaud à Rodrigo de Sousa Leão, de Kaváfis à Márcia Maia... Por isso estréia com substância e ousadia. Questões que se interpenetram na abordagem de temas resgatados a partir de um mergulho profundo no raso da condição humana. Um foco indissociável cravado no universo da alma fêmea. Uma poesia radicalmente mulher. É o cotidiano que emerge com  sua sensualidade, suas opressões, suas desditas e, sobretudo, com suas linguagens de eternidades construídas na perenidade do acaso.  Valores tão fundamentais à metalurgia do poema.&lt;br /&gt;Em uma das suas últimas entrevistas, Haroldo de Campos dizia que não era mais um poeta concreto, mas um poeta da concretude. Não há nada mais pertinente nesta apresentação que esta leitura avessa da profecia de um mestre. Valéria Tarelho é, também, uma voz da concretude. Dona de uma dicção que se reconhece na fala dos silêncios. Da imensidão de silêncios que inundam esse tempo de velocidades e usuras midiáticas. Uma voz que não precisa de outras e ao mesmo tempo se multiplica em tantas. Por isso, não pede licença para que reconheçamos sua nitidez dentro de um palheiro de agulhas esquecidas num soberbo disfarce pessoano. Concisa na sua sensibilidade inteligente. Uma explosão de prazer que sacode o hímen das palavras para a construção de uma poesia de consistência e derme arrancada dos anseios e dos devaneios.Tudo isso ancorado numa lucidez visceral.&lt;br /&gt;Escrevendo poemas há sete anos apenas, sem pedir licença aos babalorixás de crachá que se fecham em círculos cada vez mais contritos, inflados de suas substâncias desgastadas e pastiches purulentos. Este livro conta uma história de poemas que descem da estopa para a laje fria da expressão. Ardendo coisas ditas e não ditas. Como nos contou Leminski em seus Anseios Crípticos, o mestre Mishima já sentenciava: “Não sigam as pegadas dos antigos. Procurem o que eles procuraram.” Assim é Valéria Tarelho, dona de uma poesia que não segue pegadas. Uma poesia cuja certeza é uma busca e a universalidade da dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(apresentação do livro de Valéria Tarelho, a ser lançado em agosto, pela Editora Landy, SP - Brasil)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7663221903050413429?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7663221903050413429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7663221903050413429' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7663221903050413429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7663221903050413429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/07/alma-femea-do-poema.html' title='A alma fêmea do poema.'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8681424077882293885</id><published>2009-06-30T08:34:00.001-03:00</published><updated>2009-06-30T08:37:14.903-03:00</updated><title type='text'>A cultura dos que dominam pelo asco e as gerações abandonadas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“O mundo comum acaba quando é visto somente sob um aspecto e só lhe permite uma perspectiva.”    (Hanna Arendt)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convivência com os movimentos da vida nos vai capacitando para pensar o mundo que nos cerca e o que nele pulsa. Seus dinamismos e perplexidades a partir de uma industrialização não apenas da cultura, mas também do pensamento e, principalmente, dos comportamentos da sociedade e suas representações. Não serão, pois, apenas os bons livros que nos salvarão da ignorância. O pior de tudo é, talvez, ler bons livros e continuar ignorante por incapacidade de reflexão. Pensando soberbamente, talvez, que a compartimentalização dos interesses sociais e dos saberes podem sustentar a credibilidade de um discurso maniqueísta por natureza e ausência de princípios. Claro que é através dos livros que o pensamento reflexivo sobre as mais diferentes abordagens cumpre o seu papel. Colabora sim, mas geralmente de um ponto eqüidistante entre o oceano e o pacífico.  Por isso a leitura da realidade interessa como ponto de partida para qualquer impulso crítico acerca da aldeia globalizada onde se estabelece o germe urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero com isso diluir o direcionamento das reflexões já realizadas em estudos de grande relevância que foram produzidos pelos mais diversos meios - universitários ou não. Que fique claro! Somente alerto para a insensatez dos que defendem questões específicas de forma descontextualizada. Até porque pensar universalmente significa estabelecer laços sutis, mas seguros, com uma teia incapaz de diluir-se porque guarda os mistérios da existência humana. Fato que muito interessa no debate da realidade, por exemplo, de uma cidade como João Pessoa. Uma cidade tão igual a tantas, litorâneas ou não, com acrobatas violentados pela lógica capitalista da sociedade, exibindo pelas esquinas um futuro atomizado. Uma cidade que ruge pelos becos, cuja cartografia social preocupa os que preferem pensá-la com dignidade e respeito. Mas, a realidade está aí, batendo as tamancas, como se diz. Tudo a ser transformado, transborda. Lutamos contra a impunidade num país onde um juiz criminoso, não vai para a cadeia. É condenado ao prêmio de uma aposentadoria com vencimentos integrais. Lutamos por políticas públicas para a criança e o adolescente, com conselheiros tutelares sendo acusados pelas esquinas de violar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Lutamos em defesa da vida, muitas vezes, quando se pretende mascarar a violência sofrida, com a religiosidade ditando diretrizes onde o que deveria se fazer valer era o direito justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho me deparado com questões relativas à criança e ao adolescente em situação de vulnerabilidade social no meu cotidiano. Penso nisso com muita preocupação e partilho meus pensamentos. Não amparado no que ainda não foi feito para sanar essa imensa ferida social que vem de um percurso histórico. Penso que não há como pensar qualquer processo histórico apenas na perspectiva institucional. Porque nesse sentido a cidade já possui parâmetros para gesticular contra um passado em que até o auxílio funeral para famílias carentes era motivo de uma partilha macabra entre os vereadores da bancada servil. Aquela que serve a todos os governos, independentemente do matiz ideológico dos ocupantes dos divinos tronos nas salas refrigeradas, geralmente muito distantes da realidade anterior ao portão de acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa cidade como tantas. Uma cidade com um universo arquitetônico diversificado, mas que apresenta um traçado histórico do poder tanto na sua área urbana, com seus latifúndios de concreto (em contraponto aos casarões tombados e caídos), quanto numa zona rural perdida no sumidouro de um tempo onde a tecnologia colhe mais batatas que as mãos campesinas, rachadas como a terra seca. Não podemos conceber uma política pública para a criança e o adolescente que lave as mãos quanto à desestruturação da família moderna, não mais amparada pelo patriarcalismo. A modernidade comeu os olhos do pai, do filho e do espírito samba. A estrutura familiar das ruas e das periferias, junta (no mais das vezes) a violência com a inocência nos mesmos espaços já violentados pela miséria. Sem a possibilidade de uma reação imediata para uma proteção mínima. Para isso, na cidade, até mesmo alguns setores dos movimentos sociais colaboram com o infortúnio, comercializando apoios políticos e interesses afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o contexto aproximado de onde hoje se discute políticas públicas nas cidades brasileiras. Uma caminhada com pegadas recentes, cujas mazelas sempre contaram com conivências de todo tipo para sustentação de um coronelismo com cabine dupla e GPS, pintado de modernidade, mas ainda escancarado diante dos fatos que transbordam pelas esquinas e que fermentam nas comunidades periféricas - e nem tão periféricas assim. O debate frio acerca do preço de cada compartimento relativo às questões sociais, muitas vezes não passam de apelo midiático para quem faz do abandono de gerações inteiras um espelho para vaidades pessoais incompatíveis com o interesse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de um lago, com águas rasas, algo turvas,  mas correntes. O que espelham essas águas reflete-se na areia do fundo. Por isso penso que cabe tudo nesse debate, menos a hipocrisia que pula a cerca e se agiganta num país que de dois em dois anos vai às urnas na tentativa de construir uma democracia real, esquecendo de jogar luz sobre todos os atores e todos os interesses que existem por trás das tradições burguesas, profundamente enraizadas no Nordeste e em capitais como João Pessoa que, neste artigo, vem sendo citada como referência de uma circunstância global que atinge de La Paz e Feira de Santana à Teerã, onde grupos comandados por aiatolás fascistas e assassinos saem pelas ruas vitimando pessoas inocentes de todas as idades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que não se esgotam por aqui as possibilidades de análise da questão. Existem outros vetores do mesmo naipe, como os canais que são concedidos por interesses que raramente levam em consideração o papel da comunicação na educação das populações acerca dos seus direitos. Porque o que irá transformar a sociedade não é governo algum. Os governos podem, no máximo, atrapalhar pouco para que a sociedade se organize melhor em busca dos seus direitos e deveres. A cesta básica cuja falta exibe a desnutrição de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, banca a sustentação do luxo e da ostentação como princípio de vida em algumas casas grandes e mesmo em confortáveis senzalas. Este é o meu ponto de partida para pensar qualquer questão relativa às mazelas cuja responsabilidade é de todos e todas. Até mesmo dos irresponsáveis que nada mais fizeram que maquiar uma realidade social que cada vez se degrada com maior virulência e velocidade. Marx dizia que só a verdade é revolucionária. Cristo dizia que a verdade é a vida. E isso não é outra coisa se não a tentativa de elucidação permanente do próprio conceito de verdade. Mais do que sempre se faz necessário ao enfrentamento dos que defendem a cultura dos que dominam pelo asco, o contraponto de uma realidade que vem produzindo gerações e gerações abandonadas ao relento de mudanças de moscas em cenários fétidos que, comumente, não mudam de lugar para não mudar absolutamente nada. Como diz Caetano Veloso*, “eu não sou religioso. Mas desejo mudanças do tamanho de milagres. As mudanças que tenho visto desde a minha adolescência são muito rápidas e muito grandes para que os mais letrados entre nós só repitam que não andamos”. É um erro grosseiro pensar que na base da pirâmide social essas mudanças dependem fundamentalmente dos governos. O que a sociedade produz em termos de mudanças vem dela própria, dos abalos sísmicos das suas próprias diferenças e da capacidade cada vez maior de movimentos sociais amparados no pensamento, na reflexão e não apenas em interesses, no geral, muito particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* em entrevista à Revista Cult número 135&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8681424077882293885?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8681424077882293885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8681424077882293885' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8681424077882293885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8681424077882293885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/cultura-dos-que-dominam-pelo-asco-e-as.html' title='A cultura dos que dominam pelo asco e as gerações abandonadas'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4398865302259964057</id><published>2009-06-12T00:51:00.001-03:00</published><updated>2009-06-14T22:47:32.606-03:00</updated><title type='text'>12 de junho – Dia do Namoro com Políticas Públicas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A virada do milênio vem sendo marcada com a propositura permanente de políticas públicas integradas. Intersetoriais e transversais. Um pensamento que avança na perspectiva do ser humano. Não mais das corporações, como nos regimes totalitários. Na verdade se trata de uma concepção democrática para os nossos dias e para os dias do futuro. Nenhum dos problemas da nossa sociedade pode ser tratado isoladamente. Menos ainda do ponto de vista histórico. Todos (sociedade, corporações e governos) somos responsáveis, por exemplo, pela qualidade do ensino público. Também pela saúde pública, pelo desenvolvimento cultural e pela qualidade de vida nas cidades. Tudo isso compõe um cenário onde a criança e o adolescente, podem (ou não) vislumbrar algo diferente do que se vive nos becos de comunidades como a Maria de Nazaré, em João Pessoa. Uma área de alta vulnerabilidade social e, ao mesmo tempo, de bom nível de organização dos movimentos populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mobilizações no país inteiro nos lembram o dia 12 de junho como marco da luta contra o trabalho infantil. Acho importante destacarmos que o que se pode comemorar nesta data é a luta de alguns abnegados - no serviço público ou no voluntariado - abraçando a responsabilidade de fazer prevalecer a inteligência, o talento, a dignidade e o esforço pessoal como valores fundamentais do desenvolvimento humano. É isso que temos a ensinar e aprender o tempo inteiro. No caso específico do trabalho infantil, existe um fator cultural determinante. Em várias sociedades, o limite de dez anos para o trabalho infantil é considerado parte das necessidades da família. Seja ele doméstico ou não. Recentemente, em seminário realizado na UFPB, vi um representante do povo Potiguara explicar que o menino índio acompanha os pais para até a roça, para aprender um ofício que garantirá a sua sobrevivência. Portanto, a visão criminalista do assunto deve dar lugar para a ação pedagógica continuada, focada na evolução cultural dos povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, o que determina realmente o trabalho infantil (não podemos esquecer) é o grau vulnerabilidade social em que vivem milhares e milhares de famílias nesta e em outras cidades. Famílias, muitas vezes, geradas fora da tradicional cultura patriarcal, mas ainda com pesadas influências. Tudo isso sob a regência de um sistema monopolista e padronizador de valores. Sobretudo, concentrador de riquezas. Por isso acreditamos que todos os processos de desenvolvimento de políticas públicas para a criança devem ser observados e planejados a partir dos processos de consolidação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS que abriga várias políticas públicas. Entre elas o Programa de :Erradicação do Trabalho Infantil - PETI, o Bolsa Família, o Centro de Referência em Assistência Social – CRAS e outras não menos importantes. Certamente que o CRAS aparece como articulador estratégico de toda lógica do SUAS. Uma vez que trata dos problemas sociais das cidades a partir das realidades locais vivenciadas pelas comunidades. Além de ser a porta de entrada das políticas de assistência, os CRAS devem cumprir o papel de elemento catalisador de toda política de assistência e seus laços intersetoriais. Tudo a partir do acompanhamento individualizado da situação e das perspectivas das famílias referenciadas em sua área de atuação, como já vem sendo feito com 8 mil famílias em 8 unidades do CRAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A duras penas o PETI tem cumprido o seu papel de política pública de proteção da criança em vários sentidos. Na verdade se trata de um programa que deveria ter um diálogo mais aprofundado com as políticas de educação porque focaliza exatamente de um dos grandes desafios da Escola Pública neste início de milênio, que é o atendimento ao aluno em tempo integral. Aqui em João Pessoa, o atendimento do PETI já chega a 2440 crianças em 28 núcleos espalhados pela cidade. Uma boa amostragem para avaliação do programa. Até mesmo como complemento dos processos da chamada educação formal. Não são poucas as histórias de sucesso que fazem parte do cotidiano do PETI. Como a recente medalha de bronze recebida por um aluno residente na comunidade Ana Clementina de Jesus, no conjunto Valentina de Figueiredo. Uma conquista obtida no campeonato nacional de judô sub-13, realizado em Vitória, no Espírito Santo. Os alunos do PETI da capital da Paraíba arrastaram o 3º e o 5º lugar. Ainda este ano, chegaremos a marca de 100 alunos de música lendo partitura. Teremos ainda o lançamento de um CD que deverá referenciar-se nacionalmente. Estes, entre outros fatores, nos obrigam a manter um olhar muito carinhoso para com este programa. Bem como para com os aguerridos educadores e oficineiros que nos permitem sonhar com a ampliação planejada do programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PETI, na verdade, enquanto política de Estado centrada nas normas estabelecidas pelo SUAS representa a articulação global das políticas públicas que partem de procedimentos estruturantes para as necessárias melhorias da qualidade de vida do nosso povo. Certamente que o que devemos entender é que um programa tão novo (criado em 1996) começa a surtir seus efeitos na sociedade e, portanto, não pode passar despercebido, por exemplo,  nos planejamentos escolares que pensem o aluno para além dos muros escolares numa prática efetiva da intersetorialidade. Aliás, podemos citar um bom exemplo de ação intersetorializada. A que atende o PETI e seus objetivos, com as oficinas de leitura oferecidas nos bairros São José e Chatuba. Uma ação da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE, articulada a partir do CRAS.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Um programa que busca estabelecer laços com a família para a sua execução, atende os anseios de quem luta por uma sociedade mais justa. Uma vez que se trata de uma ação empreendida no mais profundo enraizamento dos valores que sustentam uma sociedade em lenta - mas, segura - transformação  como a sociedade do nosso tempo. Portanto, não há como desvinculá-lo de outros programas. Até porque além do trabalho sócio-educativo o PETI trabalha também a transferência de renda para as famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, estamos apenas começando a pensar o Brasil a partir da realidade do povo. Estamos começando a pensar a cidade de João Pessoa a partir de uma realidade que será revelada em breve pelo Mapa da Exclusão e da Inclusão. Instrumento fundamental para o planejamento de políticas públicas. Será possível visualizar melhor as demandas, por exemplo, referentes ao trabalho infantil e a outras situações às quais estão expostas não apenas as crianças, mas as pessoas de um modo geral. Pensar situações específicas significará igual proporção de esforços para relacioná-las com outras situações, dentro de uma rede de atendimento integral ao cidadão, conforme (na prática) propõe o SUAS. Uma política de Estado tão importante e necessária quanto o Sistema Único de Saúde – SUS. Isso precisa estar permanentemente em pauta, pois pensar o desenvolvimento da sociedade significa democratizar esta sociedade. Como dizia o poeta Mário Quintana, “democracia é dar à todos o mesmo ponto de partida. A chegada, depende de cada um.” A consolidação do SUAS e seus programas significa, sobretudo, o avanço da sociedade em direção à uma democracia referenciada na universalização dos direitos essenciais do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4398865302259964057?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4398865302259964057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4398865302259964057' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4398865302259964057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4398865302259964057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/12-de-junho-dia-do-namoro-com-politicas.html' title='12 de junho – Dia do Namoro com Políticas Públicas'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8115037080217235645</id><published>2009-06-02T02:24:00.001-03:00</published><updated>2009-06-02T08:23:58.757-03:00</updated><title type='text'>O caminho das borboletas...</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século VI a.C., o legislador grego Sólon, criou muitas leis. Uma delas considerava crime se acovardar diante de uma discussão. Mas, ele não parou por aí. Entre outras coisas, institucionalizou a distinção entre “boas mulheres” e “prostitutas”. Um fato jurídico que simboliza até hoje o patriarcado. Certamente que vem daí também o casamento civil. Pois as “boas mulheres” eram aquelas que procriavam e constituíam família. Certamente, também, a engrenagem que estabelece os diversos níveis (ou seriam desníveis?) sociais da prostituição. Uma força estranha que atravessou os milênios e se espalha pelas calçadas e pelos prostíbulos de João Pessoa e do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prostituição era um componente fundamental na vida social da Velha Grécia. Nas cidades mais desenvolvidas - geralmente localizadas nos portos - o ‘setor’ empregava boa parte da população. A profissão era considerada uma atividade comercial de relevância. Dizem que Sólon também institucionalizou em Atenas, os primeiros bordéis. Os preços dos serviços eram regulados pelo Estado. Havia até cobrança dos impostos do que chamavam de “comércio de carne”. As prostitutas, nesse tempo eram classificadas segundo os impostos que pagavam. Havia prostitutas baratas (pornai), as “peripatéticas” e as prostitutas (hetaera*) de nível alto também chamadas de “companhia feminina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antiguidade também guarda um espaço sagrado para a prostituição. A deusa Isthar, nascida na Suméria, foi revelada pelo historiador grego, Herótodo, quando este escreveu a respeito da Babilônia. Ela era o símbolo da hospitalidade com um preço simbólico. Ishtar tinha alguns rituais de carater sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade. Alguns dos rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. Já a deusa Vesta, do Império Romano, exigia a virgindade total ou a entrega total. E todo o culto às deusas era feito através de rituais. Até mesmo na Bíblia o nome de Madalena coloca os fiéis de Jesus Cristo frente a uma grande contradição. Desta época, destacamos Herodes que também era chegado a um cabaré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas prostitutas de luxo acabaram virando mito. Como Messalina, por exemplo. Ela casou com o imperador romano, Cláudio, aos 16 anos (Ele tinha 49). Na Roma Antiga a depravação não era privilégio dos homens da corte. Algumas mulheres eram ainda mais chegadas ao excesso sexual. Messalina imitava as prostitutas profissionais da noite romana. Ela copiou as prostitutas, até mesmo ao receber no palácio todos os homens que a desejassem. Chegou a competir com outra prostituta profissional, apostando e vencendo uma maratona de sexo com 25 homens em uma única noite. Quando não se dava por satisfeita, saía pelas ruas à procura de amantes, mandando matar os que a recusassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, são vários os exemplos. Mas, podemos citar Adriene Legay, personagem central no conhecidíssimo conto de Maupassant, Bola de Sebo. Conto, aliás, que foi adaptado de forma genial por Chico Buarque de Holanda. Bola de Sebo passou a chamar-se Geni, personagem da Ópera do Malandro, em música de sucesso nos anos 80. Nesse conto, Guy de Maupassant não poupa críticas ao cinismo e a hipocrisia da sociedade francesa do século XIX. Chico repete a dose em relação á sociedade brasileira dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias iniciais do século XXI não mudou muita coisa. Em alguns casos, nem mesmo a relação com o Estado e com a sociedade. Os preços variam. Ora vale um emprego, ou uma ascensão profissional. Ora vale um casamento por interesse, com as benesses e títulos de madame. Ora vale nota em alguns cursos ditos superiores. As profissionais que cercam os hotéis gostam de ser chamadas de “acompanhantes executivas”. Mas, também são chamadas de rameiras, quengas, putas, pitombas... seja qual for o nome. Na realidade todas elas são apenas prostitutas. As meninas da Associação das Profissionais do Sexo – APROS, não gostam da nomenclatura “politicamente correta” de profissionais do sexo. Preferem mesmo ser chamadas de prostitutas. Mas, apenas são mulheres que lutam com determinação por seus direitos constitucionais ao exercício da cidadania plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ditas “de família”, não raras vezes, se sentem incomodadas com a proximidade de pontos de prostituição e bordéis. Algumas das meninas afirmam que alguns desses “incomodados” são usuários dos seus serviços. Não podemos esquecer que o imposto que a classe média paga para morar em casas confortáveis, não chega aos pés do imposto social que a grande maioria das prostitutas sempre pagou pelo direito à sobrevivência. Outro dia, em trabalho de campo na praia de Cabo Branco, juntamente com a APROS e a Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher, conversando com uma jovem prostituta, soube que tinha um filhinho de seis meses em casa, sendo guardado pelo marido desempregado. Percebe-se, então, o quanto muitas vezes somos cruéis quando viramos o rosto para a realidade que nos cerca. Impossível, pois, não termos este assunto no centro do debate no momento em que se comemora o Dia da Prostituta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que precisa ficar claro é que as prostitutas, em busca de reconhecimento profissional, deverão necessariamente manter uma postura profissional. Inclusive sem beber ou se drogar no trabalho. Sobretudo, buscando uma convivência harmoniosa com a comunidade onde vive ou onde trabalha. E por uma questão de sobrevivência, até mesmo com as engrenagens de consumo da sociedade capitalista que, sabemos, ao mesmo tempo em que condena, hipocritamente sustenta a prostituição nos mais diversos níveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;*hetaera quer dizer prostituta, em grego. Mas, também é o nome de uma borboleta brasileira, hetaera-esmeralda. Foi descoberta na Amazônia em meados do século passado por um inglês.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8115037080217235645?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8115037080217235645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8115037080217235645' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8115037080217235645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8115037080217235645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/o-caminho-das-borboletas.html' title='O caminho das borboletas...'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7161313687515213747</id><published>2009-05-30T18:09:00.002-03:00</published><updated>2009-05-31T13:51:30.089-03:00</updated><title type='text'>O carnaval de João Pessoa: acertos e equívocos entre a tradição e a “mudernagem”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas questões me ocorreram após participar de uma mesa de debates no Tributo ao maestro Vilô, esta semana, no SESC. Na mesma mesa, a pesquisadora Ignez Ayala e Pedro Júnior, representando a Federação Carnavalesca. Em pauta a identidade cultural do carnaval da capital da Paraíba e a sua relação com o poder público. Questões de importância fundamental foram colocadas. Espero, possam servir para subsidiar um debate mais qualificado e aprofundado acerca da consolidação das políticas públicas para a cultura na cidade. Muito especialmente para as tradições e as modernidades que cercam o espírito carnavalesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate gerado em torno das três palestras proferidas pode-se dizer, justificou plenamente a nossa participação em um evento que tratava exatamente da preservação da memória de um personagem que é determinante para o estabelecimento de uma identidade para o nosso carnaval. Falamos do maestro Vilô! Não foram poucos os depoimentos que, no debate, fizeram questão de testemunhar essa relação direta do maestro com a raiz do carnaval da cidade. Algo que o imortaliza, indubitavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas questões levantadas me parecem bem pertinentes. Por exemplo, a relação existente entre a “ordem” e a organização do carnaval. Leia-se como “ordem”, o poder de intervenção do poder público aliado aos interesses das organizações carnavalescas que, formal ou informalmente constituídas, levam as suas representações de cultura comunitária, com viés popular, para a avenida Duarte da Silveira todo ano. Uma ação, aliás, que transforma o carnaval não em uma festa popular, mas em um espetáculo popular confinado por esse ordenamento na avenida Duarte da Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate teve um poder imenso de nos conceder a possibilidade de, através do diálogo cordial, não deixar de ser contundente. Questões centrais do carnaval estiveram no centro do debate. Tais como a identidade cultural e a relação das agremiações carnavalescas e suas proximidades com os interesses partidários. Uma coisa formulada diretamente ou intermediada pelo poder público. Convenhamos, uma relação que vinha sendo historicamente entorpecida pela equação eleitoral estabelecida no jogo de poder, dentro e fora das agremiações. Uma questão que, diga-se de passagem, criou tamanha relevância na discussão do carnaval que até mesmo a captação de recursos, segundo pensam os carnavalescos, deve necessariamente passar pela batuta imantada do poder público. Não se fala em empoderamento das agremiações. Mesmo com editais pipocando em todo canto. Ou seja, as direções precisam abandonar o abandono e determinar o sopro dos ventos que trarão novos fôlegos para o carnaval. Isso lembra um pouco uma frase pronta que ouvi dia desses: “A culpa é minha! Eu coloco ela em quem eu quiser.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade a discussão sobre carnaval ou qualquer outro segmento cultural não deveria, absolutamente, passar por ingerências do poder público. Ainda que não existam apropriações indébitas dos louros de um financiamento público. Seja pelo desvio tolerado e não comprovado, em alguns casos, referentes às subvenções. Seja pela intolerável ação do poder político se apropriando indevidamente de bens materiais e imateriais de caráter eminentemente público. As questões em pauta aquecem o debate e retiram de cena aqueles que transitam na injúria e no infortúnio da mentira como formas de perenidade nos mais diversos nichos da cadeia de interesses que envolve o poder político e econômico. Que fique entendido que poder político e poder econômico nem sempre possuem interesses compatíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se coloca em questão é a necessidade ou não de confinamento do carnaval. Seja numa avenida e dentro de regras pré-estabelecidas para o que é, na verdade, um concurso de Ursos, Blocos, ;Escolas de Samba, Clubes de Frevo e Tribos Indígenas, entre outras manifestações de menor expressão. A necessidade de fazer com que sobreviva a espontaneidade popular do carnaval, com o desordenamento sendo, logicamente, compreendido por todos os atores envolvidos, sejam eles instituições ou pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar corporativista, muitas vezes, afasta o carnaval do que seria talvez a sua melhor solução. Falo da convivência com outros fatores determinantes da cultura da cidade e a compreensão da diversidade. Esta foi a sustentação, por exemplo, de Beto do Bandeirantes da Torre que ressaltou como avanço o fato do ex-prefeito de Sousa, Salomão Gadelha ter concedido uma subvenção de R$ 10 mil às agremiações, deixando todas as demais expressões culturais da cidade sem qualquer perspectiva orçamentária no resto do ano. A relação não pode ser esta. Os recursos públicos são raros e finitos. Penso que o carnaval, para suas soluções deve abandonar o ufanismo de se considerar maior do que realmente é. O carnaval deve ter clara a sua identidade para poder medir o seu próprio valor diante das outras expressões que, naturalmente, habitam os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos referimos também ao Folia de Rua e sua identidade diluída. Da necessidade ou não de financiar blocos que guardam em si um anseio micaroanesco, apresentando foliões ensacados em abadas ou camisetas, guardados por cordas limitadoras. O que é, no mínimo, um estranho uso privado do espaço público. Afinal, eles também fazem parte das reivindicações da Associação Folia de Rua. Também veio à tona a necessidade ou não de intervenção do poder público, ordenando comportamentos, seja para impedir que blocos infantis como o Muriçoquinhas volte a tocar absurdos como “Beber Cair Levantar” ou que o último trio do Muriçocas entre na avenida tocando absurdos como “Eu gosto é de putaria”. Qual é o custo disso tudo? Qual o limite da liberdade de escolha? De quem é a responsabilidade de estabelecer o limite? Nos casos acima, devo reconhecer que nos faltou a busca pelo acordo prévio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos ainda que as distâncias entre o poder público e a relação política com as agremiações sofria de obscuridades que, por exemplo, nunca deixavam claro quanto cada agremiação recebia. Havia uma injustificável falta de transparência e, certamente, alguns favorecimentos absurdamente indevidos. Lembrei por ocasião do debate, de quando em uma negociação difícil em janeiro de 2005, quando as agremiações se negavam a receber apenas R$ 2.000,00 e o representante da Escola de Samba Mirassol levantou-se dizendo que aceitaria porque no ano de 2004, havia recebido apenas R$ 300,00. Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última análise, esperamos ter contribuído com algo positivo para o futuro de um carnaval que precisa, sobretudo, despir-se da própria hipocrisia e dos “protecionismos” predadores dos interesses coletivos e identitários. Louvo o professor Marcos Ayala defendendo a liberalização das expressões culturais do carnaval. Afinal, o carnaval é uma festa popular e deve mesmo ser feita e dirigida pelo povo. Ano passado, no período carnavalesco, antes do desfile na Duarte da Silveira, fui buscar minha filha na Semana da Nova Consciência, em Campina Grande. Na passagem por Cajá, vi que brincantes de um Boi atravessavam a BR, rumo aos campos libertos dos apelo midiáticos. Pensei, então, acerca do que poderia ainda vir a ser o nosso carnaval. No quanto, talvez, ainda houvesse que se revelar nesta importante festa popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que entre erros e acertos, avançamos bastante em relação ao que era, na verdade, um encruado caldo de batatas, cheio de elementos estranhos ao que verte da melhor verve do nosso povo brasileiro. Reconheço, principalmente, que muito ainda temos que avançar. Afinal, estamos tratando de cultura numa terra onde grande parte da população vive numa total vulnerabilidade social, excluída historicamente dos processos de desenvolvimento econômico, social e político. Uma exclusão que revela seus poros e a pulsação da resistência nas expressões mais autênticas da cultura popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axé, Balula!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;* Dedico esse texto ao mestre João Balula, que me ensinou o pouco que sei sobre o Carnaval de João Pessoa.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7161313687515213747?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7161313687515213747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7161313687515213747' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7161313687515213747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7161313687515213747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/05/o-carnaval-da-cidade-acertos-e.html' title='O carnaval de João Pessoa: acertos e equívocos entre a tradição e a “mudernagem”'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-1733497061072861908</id><published>2009-05-17T22:34:00.000-03:00</published><updated>2009-05-17T22:35:36.812-03:00</updated><title type='text'>A poesia das enxadas em Babilak Bah</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro. Paraibano. Artista. Um cara com uma carga ancestral imensa. Assim é Babilak Bah. O menino cuja inquietude, um dia, chamou a atenção de José Américo de Almeida. Num dos muitos começos dos anos oitenta, ele me disse: “Vou embora! Vou andar pelo mundo. Vou trabalhar com percussão e poesia!” E lá se foi meu amigo, com seu sorriso sempre tão imenso. Anos depois soube do seu reconhecido trabalho de percussão com enxadas. Uma radicalidade experimental erigindo sonoridades inventivas nos ruídos da capina cotidiana. Uma busca concreta para a feitura de signos musicais que, algumas vezes, transpunham-lhe os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Babilak passou, então, a compreender o enigma dele próprio. Dos olhos fixos do menino, encantado com uma biblioteca imensa na casa de José Américo, nascia o diálogo do artista com o mundo. Ele sabia que, independentemente das suas vestes, seus sapatos seriam de palavras. Ainda que muitas vezes caminhasse pelo silêncio. Babilak Bah, com sua transgressão, criou para o universo lúdico dos nossos dias, a poética das enxadas. No simbolismo de quem passou pelos sonhos de uma reforma agrária da sua própria condição quilombola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tudo isso transborda pelos palcos do Brasil. A orquestra de enxadas é a mais intensa procura pela “batida perfeita”, como diria Marcelo D2. Babilak parece dialogar com Arthur Rimbaud, que disse: “Tua memória e teus sentidos serão o único alimento do teu impulso criativo.” Compreendo-o assim. Percebo que o seu talho no destino foi o componente fundamental da formação do artista que é. Tudo numa integralidade que passa necessariamente pela música, pela poesia, pela tecnologia, pela patologia humana e, sobretudo, tão intensamente pela sacudida no esparramo que é a ilusão do conceito fechado sobre as coisas. Na arte de Babilak, navegam vertentes audiovisuais que passam pelo cinema novo e pela nova TV que é o PC nosso de cada um. Ele reconhece o poder das novas mídias e das novas possibilidades de realizar o baile do futurismo primitivo. Tudo isso inscrito numa contemporaneidade que aos poucos vai despertando de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente que faço aqui um esforço enorme para não embarcar numa análise da sua obra. Seria, certamente, uma análise de forma fragmentada. Simplesmente porque o trabalho deste artista é um complexo jogo de memória. E tudo ocorre numa área determinada, num plano onde as inflexões mínimas e máximas da sua existência, refletem-se num elo de imagens vivas, pulsantes dentro da sua capacidade de reagir aos infortúnios de uma sociedade prevaricadora da dignidade alheia.  Coisa que tantas vezes se reflete até mesmo em leituras que não passam de grossuras da vaidade alheia ou inveja dos que não arriscam a pele no erro. Como dizia James Joyce, “um homem de gênio não comete erros. Seus erros são voluntários e são os portais da descoberta.” Babilak é um artista mergulhado nos “portais da descoberta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte de Babilak Bah é, portanto, reflexo direto de um conjunto de reações íntimas do artista diante da experiência esmagadoramente bela e ácida que é viver. Do Enxadário ao Trem Tan-tan (trabalho terapêutico de musicalização, com pessoas portadoras de distúrbios mentais), onde seu diálogo é direto com a loucura, num mundo de uma racionalidade absolutamente insana. Preciso dizer que Babilak Bah, hoje radicado no Belo Horizonte das Minas Gerais, realiza um dos trabalhos estéticos mais instigantes neste início de milênio. Misturando as cores dum arco-íris de possibilidades, captado por uma mente que sabe o momento da colheita porque tem suas convicções sobre todos os processos do plantio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do simbólico ao sonoro, o trabalho que desaguou no Enxadário tem rodado por aí. Com amplas possibilidades no mercado alternativo europeu. E é exatamente onde deverá conjugar-se com o oceano das suas próprias possibilidades. Tudo exatamente a partir da distância que guarda, solenemente, dos apelos ao senso-comum. Coisa corriqueira em páginas consideradas nobres, muitas vezes, pela miopia cultural à qual resistimos no crematório da inteligência brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua poesia, de tão sólida, parece que não desmancha no ar. Ganha novas formas. Vai acoplando-se aos tempos passados e futuros. E prossegue transmutante de si mesma, viajando pelos véus do invisível. Incorporando saberes. Babilak é um artista que encontrou o seu processo nas ribaltas da própria circunstância. Por isso não subtrai nunca a integralidade das suas matilhas criativas. Vai assim produzindo uma arte madura. Uma arte que transita por universos capacitadores da sua própria condição. É poesia, na plasticidade dos motivos. É música, na medida do que impõe aos rumos da arte contemporânea. É arte... é arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P S &gt; Assista Zen Preto, de Babilak Bah, no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=bYBIj4qUVTQ&amp;amp;feature=related&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-1733497061072861908?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/1733497061072861908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=1733497061072861908' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733497061072861908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733497061072861908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/05/poesia-das-enxadas-em-babilak-bah.html' title='A poesia das enxadas em Babilak Bah'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2891968379095462488</id><published>2009-04-26T23:34:00.005-03:00</published><updated>2009-04-27T00:39:23.946-03:00</updated><title type='text'>A esparrela de Fernando Teixeira</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s1600-h/fernando5.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329210323898865666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s200/fernando5.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;por Lau Siqueira&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um vôo sobre a condição humana. O enfrentamento do homem com a fragilidade das suas certezas. A esperança contida na ansiedade do artista em sua relação direta com o público. O povo feito protagonista no cenário das ruas. A realidade mordendo os calcanhares dos nossos sonhos. Uma porção de frases semelhantes partiriam de uma leitura muito pessoal do monólogo Esparrela, escrito, dirigido e encenado por um artista que selou a própria existência, em todos os sentidos, com os signos do teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para compor esse texto, Fernando Teixeira foi buscar uma linguagem formulada a partir da relação direta do ser humano consigo mesmo. E é como se tivesse estabelecido um pacto com a universalidade da alma sertaneja. Tudo ambientado num cenário de aridez utópica. Um cenário que se compõe a partir dos mitos diluídos pela lucidez e pela desesperança. Um cenário sutilmente estabelecido a partir do imaginário do público. Tudo isso ocorre numa relação direta do ator com o ato supremo de representar. Na verdade, uma aula de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando dá uma expressividade aos personagens ocultos deste monólogo, que provoca reações imediatas da platéia. A realidade cênica fica, então, transposta pela extensão plástica do texto. Diálogos e narrativas muito bem elaborados, revelando que a ousadia de um artista não está, exatamente, num hermetismo revestido com falsas miçangas. Não está em erudições postiças. Mas, na capacidade de conturbar-se diante do silêncio e das vozes dissonantes de uma cultura de supressões e desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo encanta em Esparrela. Principalmente a certeza do melhor teatro. Tão perto, tão disponível. Um teatro que realmente interessa. O que parte de uma integralidade absoluta e se esparrama pela eternidade difusa do instante. É quando o artista suprime de si qualquer distância entre a técnica e o instinto. Fernando Teixeira nos mostra que é preciso e necessário reinventar-se o tempo todo. Transgredir-se, eu diria, em uma palavra. E faz da sua arte uma especiaria estética de contenções e erupções colhidas no aprendizado do mundo. Em uma leitura kafkiana da irrealidade pulsante que atravessa os tempos e se estabelece enquanto fluência crítica na poética do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salto sobre si mesmo, por parte de um artista de trajetória brilhante. O enfrentamento com suas próprias coragens e medos. Parece-me que nesta montagem de Esparrela, Fernando Teixeira construiu a concisão necessária, a condensação da sua própria história nos palcos do mundo. E joga tudo em suor e signo. Virtudes que constituem a magia e a emoção do teatro. Ele escreveu, ele dirige, ele atua. Se impondo absoluto nesta nova montagem de um uma espetáculo que espeta a nossa inquietação diante de um mundo de convulsões estabelecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma comemoração dos quarenta anos do Grupo de teatro Bigorna onde quem recebe um grande presente é exatamente o público. Primeiro e muito especialmente pelo privilégio de contar com um teatro de altíssima qualidade estabelecido num mesmo sujeito, numa mesma circunstância. Depois, pela ousada e muito bem elaborada descoberta de um novo e absoluto espaço para o teatro paraibano, num lugar que precisa ser descoberto pela cidade e pela própria classe teatral. Tudo isso é Esparrela. Na verdade, uma arapuca necessária aos nossos sentidos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Visite o blog do espetáculo: &lt;a href="http://www.esparrela-esparrela.blogspot.com/"&gt;www.esparrela-esparrela.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2891968379095462488?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2891968379095462488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2891968379095462488' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2891968379095462488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2891968379095462488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/esparrela-de-fernando-teixeira.html' title='A esparrela de Fernando Teixeira'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s72-c/fernando5.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8820623165767656795</id><published>2009-04-21T11:26:00.004-03:00</published><updated>2009-04-21T11:33:43.819-03:00</updated><title type='text'>Um olhar iluminado sobre as sombras</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escritor não se traduz ao mundo apenas a partir da sua relação com a palavra. Seus caminhos na literatura, fatalmente, são trilhados a partir da sua circunstância. Consta, por exemplo, que James Joyce teve seu estilo influenciado de forma significativa pelo meio conturbado ao qual esteve vinculado. Especialmente pelo seu pai, beberrão e perdulário, perseguido por credores, mas também homem amante das artes. Conheci Ailton Ramalho como artista plástico e militante das boas causas humanas. Um homem suave, sensível, mas ao mesmo tempo firme nas suas convicções. Mais tarde, pude observá-lo enquanto poeta. Um poeta que radicalizava na experimentação. Uma experimentação que iria da palavra ao suporte editorial. (Talvez sejam exatamente estas as conexões ocultas às quais se refere Fritjof Capra.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que assisti sua prosa veloz desembarcar no projeto Novos Escritos, da Fundação Cultural de João Pessoa. O projeto viabilizou a revelação de bons nomes para a nova prosa paraibana. Nomes como Roberto Menezes, por exemplo, hoje integrante do badalado Clube do Conto. Foi no Festival Agosto das Letras que Ailton Ramalho desembarcou com um título instigante: Beco de Morar no Medo. Sua prosa se impôs, então, diante de um silêncio infeliz da crítica, mas arrancou comentários elogiosos em diversos setores de boa leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o escritor nos presenteia com O Herói Que Encolheu. Um livro que é, na verdade, uma metáfora da nossa história mais recente. Um resgate da tempestade fascista que se abateu sobre o País do Futuro. Tudo construído dentro de um olhar iluminado sobre as sombras da nossa memória. Um olhar que se estende sobre as hipocrisias vivenciadas por uma sociedade decadente, mas com ampla hegemonia conservadora. Ramalho não teme a pecha de panfletário. Isto porque seu duelo, o tempo todo, é com a linguagem e com a construção de enredos que prendem o leitor da primeira à última linha. Sua prosa cria ambientações de cumplicidade com o leitor. Uma escrita com altíssimo poder de comunicação. O que, silenciosamente, desafia a empáfia dominante no meio literário, especialmente acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica social aguda, no entanto, dentro de uma prosa muito bem elaborada afasta Ailton Ramalho de qualquer indício de apelação engajada. Ao contrário do que se possa supor, trata-se de um texto que parte de um realismo imperativo. Com índice próprio de identidades colhidas, certamente, em boas leituras (dos livros e do mundo). Um realismo aproximado do que Nikolai Vassilievitch Gogol impôs na Rússia do século XIX. Leituras cruas de uma estratificação social que estrangula a condição humana, aniquila as potencialidades emocionais de individualidades diluídas em valores absolutamente vencidos, vocacionados para as orações de silêncio erigidas pelos totalitarismos “mediocráticos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta leitura da realidade se mostra mais nítida em O Herói que Encolheu. O autor nos mostra que o exercício da memória nos conduz para o exercício da lucidez. Um livro que resgata o passado em forma aguda de protesto, mas sem lamentações. Resgata o passado exatamente para uma perspectiva de futuro. Futuro de gerações que não compreendem, muitas vezes, a extensão e o limite da “liberd’arde” conquistada numa democracia burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Ramalho traz ao seu público leitor os relatos vividos de quem sobreviveu aos porões e ainda sobrevive aos cárceres de um apartheid social, tantas vezes banido de uma teia literária predominantemente conservadora, tanto estética quanto politicamente. Ele nos mostra o quanto essas diferenças (com os violentos embates revelados em seus textos) ainda ditam uma nação de sombras e omissões. Sua literatura é de pura resistência&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;....................................................................&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Texto de apresentação do livro O Herói que Encolheu, do meu amigo Ailton Ramalho. com um insuportável atraso, pelo qual solicito minhas mais humildes e mais safadas desculpas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8820623165767656795?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8820623165767656795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8820623165767656795' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8820623165767656795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8820623165767656795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/um-olhar-iluminado-sobre-as-sombras.html' title='Um olhar iluminado sobre as sombras'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2506595060903005920</id><published>2009-04-19T11:23:00.002-03:00</published><updated>2009-04-20T07:00:34.191-03:00</updated><title type='text'>Diário de um louco no Palco Giratório</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encenado por André Morais e dirigido por Jorge Bweres, o monólogo Diário de um louco vai percorrer 48 cidades brasileiras, do Rio Grande do Sul ao interior da Amazônia. O grupo paraibano Lavoura foi um dos selecionados pelo projeto Palco Giratório, criado pelo Departamento Nacional SESC, com o objetivo de difundir as artes cênicas no Brasil. O outro espetáculo é Silêncio Total, com o palhaço Chuchu, criação do também paraibano, ator Luiz Carlos Vasconcelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Diário de um Louco podemos perceber a transtemporalidade de um texto clássico. Nikolai Vassilievitch Gogol, nascido em 1809 teve uma infância abastada, mas tornou-se um modesto funcionário público na fase adulta. Talvez esse tenha sido o fator invisível a transformá-lo no introdutor do realismo na literatura russa. No encontro do teatro com a literatura em Diário de um Louco, percebemos a atualidade de um texto datado de 1830 e encenado para um público que, supostamente, passou por uma radical mudança de costumes. A tradução desse mistério é que faz de uma obra um clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto fala dos sonhos e das desesperanças de um funcionário público apaixonado pela filha do chefe. O impacto ferino da desigualdade social sobre os sentimentos desse personagem começam a impulsioná-lo para um enorme abalo emocional. Uma tristeza e um sentimento de impotência capaz de dimensioná-lo dentro de uma abordagem da loucura, sem estereótipos, na sua forma mais crua, mas ao mesmo tempo reveladora de uma imensa expressão de humanidade. A loucura aparece, então, como ponto de partida para o abandono de uma existência marcada pelo sentimento de impotência diante do estabelecido. O personagem cria para si um trono e uma coroa, na tentativa de superação das suas impossibilidades. A configuração da loucura na temática do espetáculo é de tamanha realidade que, segundo Jorge Bweres, em uma das apresentações uma pessoa teve um surto esquizofrênico na platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço um grande ator quando percebo a sua capacidade de transgredir a própria identidade na criação de um estilo. A capacidade de introduzir-se na construção de um personagem que relata a agonia do homem comum e seus sentimentos, diante dos muros supostamente intransponíveis da desigualdade social. Em Diário de um Louco, André Morais soube realizar esse traçado, com uma interpretação de absoluto equilíbrio entre circunstância original do texto e a sua transcendência para esses tempos inaugurais do século XXI. Depois da declaração de Jorge acerca do surto esquizofrênico em uma das apresentações, compreendi melhor a reação de duas jovens sentadas no chão da primeira fila que riam freneticamente nos momentos de maior densidade do texto. Isso me fez crer que se trata de um espetáculo do qual não saímos impunes. Tamanha é a capacidade de envolvimento com todos os elementos do espetáculo, criada pelos artistas. Tudo amarrado sutilmente com uma trilha sonora muito bem acolhida pela concepção geral do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diretores de teatro experimentam a noção mais acabada de poder absoluto. Mas, seria mesmo necessário exercer este poder com autoritarismo e de forma personalista? Jorge Bweres nos mostra que não. Ele deixa sua marca no espetáculo exatamente por exercitar o oposto. Construiu um estilo delicadamente absoluto. Soube conjugar a imensa capacidade interpretativa de André Morais, com o que eu chamei de transtemporalidade do texto. Sua presença, no entanto, paira sobre cada cena. Sobre um cenário que impressiona pela capacidade de introduzir os personagens ocultos do monólogo, ou numa iluminação que contracena o tempo todo com os inúmeros elementos colocados em cena (ou fora dela). São os detalhes que fazem de Jorge Bweres um diretor diferenciado. Parte dele a provocação para um altíssimo grau de interação com a platéia. Reafirmo a impressão de Altimar Pimentel: “o cuidado meticuloso e criativo como o espetáculo havia sido construído por Jorge Bweres e André Morais revelava íntima cumplicidade entre o primeiro e o segundo também ator único”. O espetáculo é de uma unidade impressionante! Tudo no lugar. Tudo meticulosamente cuidado. Daí o sucesso que tem alcançado por onde se apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o grupo Lavoura irá percorrer o país. Do extremo norte ao extremo sul. Certamente que tamanho percurso vai exigir do grupo uma capacidade de resistência que precisaria ser transformada em cadernos de viagem. E assim será. Jorge e André criaram um blog para que pudéssemos acompanhar à distância o traçado das emoções vivenciadas com os mais diferentes públicos deste país. Assim, você saberá quando o espetáculo estiver por perto e poderá tirar suas próprias impressões acerca do melhor teatro brasileiro contemporâneo. Um teatro que pulsa pelo Nordeste inteiro e que tem na Paraíba um dos seus principais vetores. Acompanhe pelo blog &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.teatrolavoura.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.teatrolavoura.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; a aventura do grupo Lavoura nos palcos brasileiros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2506595060903005920?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2506595060903005920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2506595060903005920' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2506595060903005920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2506595060903005920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/diario-de-um-louco-no-palco-giratorio.html' title='Diário de um louco no Palco Giratório'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2457271680062685565</id><published>2009-04-09T22:43:00.006-03:00</published><updated>2009-04-13T21:15:26.495-03:00</updated><title type='text'>Poesia é risco em Constança Lucas.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia se revela sempre despida e vestida por todas as linguagens. Quando menos esperamos, lá está ela. E é algo que nos espeta as áreas de abandono do coração e da mente. Poesia é, na verdade, o elemento condensador de todas as linguagens. Uma arte que é o pulsar da existência humana na sua total densidade. É esse o meu olhar sobre a poesia que habita o traço desta artista nascida na lusitana Coimbra que, para sorte dos brasileiros, decidiu colocar seu atelier e sua morada em algum lugar da imensa São Paulo. De lá ela faz arte para o mundo. Circula seu trabalho em diversos países. Tem publicação em catálogo e participou de exposição, por exemplo, na Coréia, no Japão. Isso nos mostra o peso da poesia enquanto linguagem, em qualquer outro suporte, seja estético, seja estilístico, seja humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens concebidas por &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;têm algo de palavra não silenciada. O não dito é mostrado. Cada expressão calcula o espaço pela delicadeza e pelo peso do braço da resistência às culturas que não dialoguem com a atemporalidade da arte. O detalhe do provocado e do ato suprimido. Tudo isso leva o leitor da obra visual dessa artista a uma leitura da palavra pétala quando o desenho é arbusto. Ou seja, há uma lírica paisagem por trás de um diálogo profundo com a existência, com as causas humanistas e de paz. É desta forma que Constança Lucas dialoga com o mundo. Trafegando de forma libertária entre o abstrato e o figurativo. É a “poesia como objeto do olhar”, conforme o baiano Almandrade classifica a Poesia Visual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cores são delicadamente escolhidas. Quando não é o preto que domina sobre um branco imponente, compondo o cenário vivo da criação. Sentimos que a artista persegue algo que talvez possamos chamar de transposição do cotidiano e do épico. Tudo num mesmo tempo/espaço do branco/leque de sensações quentes, úmidas, doloridas, coloridas, ocas, profundamente vividas. Sobretudo, na experiência de colher suavidade numa arte que se impõe pela universalidade e pela capacidade de diálogar com a diferença. Algo que nos permite continuar sonhando com a realidade, dentro e fora dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem participado de salões de artes plásticas pelo país inteiro e por algumas dezenas de países. Militante ainda da arte-correio, a artista nos provoca permanentemente o dilema do útil e inútil, da arte e da vida, do estudo e da criação. É uma criadora que reflete muito profundamente sobre tudo que produz. Por isso busca sustentação teórica na academia para suas certezas mais primitivas. Uma estudiosa dos caminhos da arte no Brasil e no mundo. Mantém um diálogo vigoroso com a Europa, com países do oriente e das Américas. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;dispensa apresentações. Sua arte criou seus próprios espaços, com talento e sapiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma arte que seduz o imaginário de quem se permite um olhar sem dolo, num tempo global que não nos permite conceber uma estética predominante. (Se é que em algum tempo alguma foi.) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt; dialoga muitgo bem obrigado com a tradição e com a modernidade. Sua arte comunica numa perspectiva futurista. Ela reconhece todas as linguagens nos duelos da luz com as sombras. Fator de risco imprescindível para uma arte íntegra e integral. Uma arte que não se poupa diante da beleza e não se rende aos modismos. Uma arte que despe e conduz o espetáculo de um cotidiano rico em plasticidade. Algo pulsante, vibrando as artérias de um público que sente o que pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: não se trata de uma relação glacial com quem a observa atentamente. A arte de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;nos provoca calorosos debates íntimos sobre as percepções de infinito que existem nas impermanências conceituais. No entanto, algo longe do que se poderia classificar como diluição. Sobretudo porque é de uma suavidade que estilhaça nosso senso de transgressão. Ela constrói metáforas em traços. Seja com lápis, pincel ou mouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constança Lucas construiu uma trajetória na arte que se sustenta com os próprios pés. Uma trajetória que não desperdiça a acelerada pontuação das horas no dia que passa. É uma artista que sabe reconhecer seus mestres. Sabe respeitar a história dos seus iguais e dos ícones das artes no mundo. Sua aparente calma é um eterno movimento. Uma volúpia de uma arte viva presente nos salões, nas galerias e nos espaços alternativos que ainda abrem suas portas para um conceito de grande arte que passa, diretamente, pela construção de uma identidade, de um estilo absolutamente singular. Assim penso a arte de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;, cujo nome no Google, apresenta uma fartura de belas imagens que vale a pena conferir. É a poesia em estado de risco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2457271680062685565?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2457271680062685565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2457271680062685565' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2457271680062685565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2457271680062685565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/poesia-e-risco-em-constanca-lucas.html' title='Poesia é risco em Constança Lucas.'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2002873735324593326</id><published>2009-03-17T01:16:00.005-03:00</published><updated>2009-04-05T17:19:24.465-03:00</updated><title type='text'>Passando em ‘revista’ uma história de muitas leituras</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Especialmente no século XIX a imprensa teve um papel determinante na formação do leitor e no gosto pela Literatura em nosso país. Era nos jornais que os nossos grandes autores encontravam o espaço mais imediato para a divulgação de suas obras. Ainda que de forma fragmentada. Mas foi em 1812, na Bahia, que surgiu a primeira revista literária brasileira. Chamava-se &lt;i&gt;As Variedades&lt;/i&gt;, ou Ensaios de Literatura. Desde então se estabeleceu um elo muito consistente entre a imprensa literária e a Literatura. Através dos tempos as revistas e jornais literários passaram a ocupar uma posição estratégica na evolução e na história da Literatura brasileira. &lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem antes disso, o primeiro jornal literário editado no planeta Terra nasceu em Paris, no ano de 1631. Nunca é demais lembrar. Chamava-se &lt;i&gt;Le Journal des Savants&lt;/i&gt;. Um veículo com um caráter científico e literário, fundado em Paris por um cara chamado Dennis de Sallo. Infelizmente o jornal e teve a heróica duração de 13 edições, apenas. Foi encerrado pelo torniquete da censura no reinado de Luis XIII, ironicamente chamado de O Justo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Revistas e jornais literários sempre foram fundamentais na divulgação da produção literária. Não é possível imaginar, por exemplo, a Semana de Arte Moderna e mesmo o modernismo brasileiro, sem a presença ostensiva do mensário Klaxon. Era um veículo dedicado integralmente à veiculação das idéias e da produção modernista. Marcou seu tempo e encerrou suas atividades quando, dizem, “deixou de divertir, entre outros, o poeta Mario de Andrade - um de seus idealizadores e editores”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Anos mais tarde, com o advento da Poesia Concreta, outra revista toma conta do cenário no início dos anos 50. Nascia a Noigandres (1952), veículo criado e dirigido pelos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Decio Pignatari. A partir da fundação desta revista a história nos mostra o calibre vanguarda brasileira. Não se tratava apenas de três jovens poetas inconformados com o conservadorismo da Revista Brasileira de Poesia que representava, na verdade, as vozes da Geração 45.&lt;br /&gt;A Noigandres passou a incorporar, desde então, as idéias que fariam explodir para o mundo a estética e, principalmente, a ética do concretismo. (Diga-se de passagem, o único movimento literário genuinamente brasileiro.) A repercussão do concretismo no mundo certamente que ainda não tem dimensionada a sua importância. Da mesma forma não pode ser medida a importância - para a consolidação do concretismo - deste veículo cujo nome tem origem provençal. Nem mesmo Ezra Pound tinha lá tanta certeza do seu real significado. Mais tarde o critico alemão Hugh Kenner traduziu por “antídoto contra o tédio”. O que nos parece bem adequado para o dimensionamento dos impactos da porrada concretista, diante de um certo acomodamento pos-modernista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente citando essa ‘meia dúzia de três ou quatro’ veículos, podemos afirmar que nenhuma outra revista ou jornal literário, posterior ao feito baiano de 1822 ou mesmo sem a reverberação histórica da Klaxon e da Noigandres, teve menor importância. As revistas e jornais literários passaram a cumprir um papel que ainda hoje é determinante para pesquisadores e leitores da produção contemporânea. Na cena brasileira atual, objeto central deste artigo, as revistas (ainda que de forma, muitas vezes, pulverizada) asseguram aos autores dos mais diversos rincões a circulação das suas produções. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na última década e meia principalmente, com o aparecimento e a popularização da internet, houve uma revolução na divulgação da literatura. Não são poucas as revistas de grande qualidade que circulam no espaço virtual e que, na verdade, continuam mapeando a produção contemporânea e resgatando a tradição. Assim como as revistas e os jornais impressos, os sites, blogs e portais literários continuam abrindo espaços para os novos e reordenando a historiografia literária brasileira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o avanço tecnológico representado, especialmente, pelo aparecimento e pela popularização da web, a Poesia passou a ter um espaço midiático que nunca teve anteriormente. Isso não representou, absolutamente, um recuo no que se refere às edições impressas. Muito pelo contrario. Até mesmo a - antes careta - revista da Biblioteca Nacional, Poesia Sempre, passou a ter uma programação visual, uma editoração e uma linha editorial infinitamente mais atraente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Revistas como A Cigarra, editada bravamente &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em Santo Andre"&gt;em Santo Andre&lt;/st1:personname&gt; (SP), por Jurema Barreto e Zho Bertholini avançavam na descoberta de novos olhares poéticos e na preservação dos espaços destinados à “poesia como objeto do olhar”, como disse o poeta e artista visual baiano, Almandrade. Hoje a Cigarra divulga suas edições e se faz distribuir também pela internet. Na mesma linha editorial existem outras espalhadas pelo Brasil que dialogam entre si de forma admirável. Na verdade, ampliam consideravelmente seus raios de abrangência. Um exemplo é a revista Dimensão, de Uberaba(MG) que durante a sua existência teve circulação em mais de 30 países, proporcionando um intercâmbio fundamental, muito especialmente entre os praticantes da Poesia Visual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Inimigo Rumor, da Editora 7Letras, pode ser encontrada pelas principais livrarias brasileiras e costuma apresentar pequenas antologias, abrindo também espaços generosos para a produção brasileira emergente, seja de ensaístas, seja de poetas. Da mesma editora podemos encontrar a revista Ficções que, conforme sugere sua nomenclatura, costuma abrir espaços para a produção dos ficcionistas brasileiros e de outros países de Língua Portuguesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Aqui e ali somos surpreendidos por edições de luxo, como a paranaense ETCtara, editada inicialmente pela poeta pernambucana radicada em Curitiba, Jussara Salazar e pelo poeta e tradutor paulista Claudio Daniel. Ou mesmo por revistas como a também paranaense Coyote que surpreendem pela conjugação da economicidade editorial com uma programação visual impactante e um conteúdo que mistura irreverência e bom humor com um necessário rigor estético. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar, atualmente, que tanto faz ser virtual ou impressa. O que importa é a qualidade e/ou diversidade dos conteúdos. Neste caso, não temos mais como desconhecer a importância do Jornal de Poesia (www.secrel.com.br/jpoesia) editado pelo gladiador solitário, Soares Feitosa. Ou mesmo o Portal Cronopios, do poeta Edson Cruz, (www.cronopios.com.br) que abriga em suas paginas alguns dos autores mais importantes da atualidade. Na mesma linha seguem as virtuais Errática (www.erratica.com.br) , Zunai (www.zunai.com.br) , Germina Literatura (www.germinaliteratura.com.br) e outras não menos importantes que passaram a compor os canais de pesquisa para profissionais da área e para os apaixonados pela Literatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que num texto (e contexto) como esse, a certeza de naufragar na memória é inevitável. Por exemplo, quem não se lembra de Nicolau, editado pela imprensa oficial do Paraná? E a maravilhosa Porto &amp;amp; Virgula - infelizmente extinta – publicada pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre? E outras tantas como O Galo, de Natal, Brouhaha, também de Natal, O Capital, de Aracaju, os imprescindíveis Suplemento Literário de Minas Gerais e Suplemento Literário de Pernambuco. Também as virtuais Garganta da Serpente e Cisco Tronituante. Enfim, esses veículos não valem pelo número de acessos ou de exemplares publicados, mas sim por terem tornado a Literatura Brasileira Contemporânea um fato nacional (ou mesmo internacional) e irreversível. Apesar dos tropeços éticos na publicação de alguns textos que nada tem a ver com critica literária, não poderia deixar de registrar a existência tantas vezes lamentável do Jornal Rascunho, do Paraná.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;A produção encontrável nas bancas, passa pela extinta Discutindo Literatura e pelos caminhos da Escala Editorial. A Bravo tem um defeito grave: obedece rigorosamente o conservadorismo editorial da Abril. Aqui no Nordeste, entretanto, temos a mais importante revista literária do país no âmbito da circulação comercial. Trata-se da Continente Multicultural, que abre espaços também para as outras linguagens artísticas com as quais dialoga a Literatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tradição literária da terra de Jose Lins do Rego e Augusto dos Anjos, não deixa por menos. Além de ostentar o mais antigo e um dos mais dinâmicos veículos ainda em circulação no Brasil, o nosso Correio das Artes, a cena literária local já contou com uma história que trouxe até nossos dias uma revista importante como a campinense Garatuja que, antes de sua extinção, mostrou-nos caminhos da Literatura Paraibana que ainda hoje repercutem. Não foi diferente com o projeto Ler, da Editora Idéia. Muito menos com a nuvem passageira que foi o excelente jornal Olho D’água.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Nem de longe tentei estabelecer hierarquias nas minhas citações. Cometi omissões voluntárias e esquecimentos lamentáveis. Sei disso. Mas, o que eu quero dizer de forma definitiva é que seja por onde estejam sendo publicadas, as revistas literárias e os jornais literários, além de apontar caminhos e estabelecer critérios para uma boa leitura, aparecem neste início de milênio como uma explosão de boas novas, capazes de acender as esperanças de milhares de poetas, romancistas, ficcionistas, cronistas... Enfim, gente que sabe o quanto é importante estabelecer uma relação bastante determinada com a linguagem e com o publico leitor, num mesmo espaço capaz de absorver nossos defeitos e nossas mais terríveis qualidades. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2002873735324593326?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2002873735324593326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2002873735324593326' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2002873735324593326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2002873735324593326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/passando-em-revista-uma-historia-de.html' title='Passando em ‘revista’ uma história de muitas leituras'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7015276677691545034</id><published>2009-03-11T23:35:00.002-03:00</published><updated>2009-03-13T00:54:26.098-03:00</updated><title type='text'>Entre a suavidade e o abismo - a poesia de Adair Carvalhais Júnior</title><content type='html'>Lau Siqueira &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Em “A Arte Poética”, Horácio (68-8 aC) deixou um recado bastante contundente: “a pintores e poetas sempre assistiu a justa liberdade de ousar seja o que for”.  Sempre colhi infinitas leituras desta frase.   Penso que a ousadia de construir versos, sejam eles tatuados na garganta ou rabiscados desde a eternidade das rochas até a falsa efemeridade dos suportes virtuais, é o risco dos poetas. Desde os tempos extraviados pela memória do mundo, privilegiando o ritmo ou a imagem, subtraindo vozes do silêncio ou arrancando o hálito do futuro, os poetas reinventam-se numa solidão de olhos invisíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O tempo poético nunca correu em linha reta para encontrar pelo caminho as pancadas amorosas de Safo; as imagens exatas transcritas pelos poetas da Dinastia Tang; os poemas suspensos dos beduínos, espalhados pelo deserto; os inventos dos poetas provençais e o desaguadouro de uma modernidade que já não cabe na cronologia do esquecimento. Vivemos um tempo multifacetado onde a poesia revela sua inutilidade imprescindível numa permanente reverberação de novos caminhos. Agora, já sem as angústias de engajamentos e acorrentamentos em vanguardas ou nos saudosismos desesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desde seu livro anterior (Desencontrados Ventos) que o poeta mineiro Adair Carvalhais Júnior vem, notadamente, trafegando por uma relação com a linguagem poética que perpassa as mais densas leituras. Leituras que não eliminam da mesma estante as diferenças estéticas recolhidas nos embates profusos intensificados no limiar do século XX, um tempo de fartas colheitas para a contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em “Todo poema é um risco lançado sobre o nada” Adair nos parece muito mais convicto do que nunca de sua relação com as linguagens do mundo e com a transcrição dos seus hábitos de comungar com uma singularidade absolutamente despojada na invenção dos seus textos. Na construção de uma dicção absoluta, aliás, sobre sua própria condição de arriscar-se num mergulho pelo infinito das suas próprias impossibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Explorando temáticas que vão dos seus mais íntimos conflitos de estar num mundo em constante ebulição, com a sensualidade das relações que fluem no conflito entre a palavra e o sentimento racionalizado, erigido a partir de intensas reflexões sobre um cotidiano onde a linguagem pulsa cálida em poemas assim:    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ecos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;umidade pálida nas &lt;br /&gt;paredes vozes oblíquas um &lt;br /&gt;pouco de &lt;br /&gt;poeira no criado &lt;br /&gt;mudo teu &lt;br /&gt;sorriso em meus &lt;br /&gt;olhos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dias seguindo as &lt;br /&gt;noites    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes trocando o escrito pela sutileza de uma expressão sugerida. Algumas vezes provocando o leitor na sensação múltipla do corte de versos que multiplicam seus sentidos no inesperado, no mergulho ao mesmo tempo convicto e distraído em direção a um estilo que cada vez mais se consolida num exercício cotidiano com a palavra. Um exercício que venho testemunhando através do tempo, ao receber suas impulsões de natureza muitas vezes visceral, mas absolutamente racionalizadas no espelho d’água da criação literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que Adair Carvalhais Júnior parte agora em definitivo para a configuração de uma maturidade na lida com a linguagem que margeia um certo espírito aventureiro, essencial aos procedimentos criativos, correndo em fluxo contínuo para as sensações que se completam no que se refere a cada poema, com o olhar atento do leitor ou da leitora deste  belo “Todo poema é um risco lançado sobre o nada”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia aparece em Adair  como um estranho sumidouro de coisas não ditas. Como uma especiaria ao mesmo tempo inebriante e suprimida dos sentidos. Uma explosão de ventanias levantando as areias de um tempo presente vivido entre as lições do passado e as intenções do futuro. O poeta confessa, inclusive, não temer o esquartejamento crítico de uma leitura desatenta. Ele mergulha consciente no oco da invenção e nos relata isso com os próprios trajetos da sua imersão:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;confissão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todo poema é um risco &lt;br /&gt;lançado sobre o &lt;br /&gt;nada todo &lt;br /&gt;poema ceifa completamente o &lt;br /&gt;corpo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em cada angústia &lt;br /&gt;vespertina arrisco todos&lt;br /&gt;meus poemas naufrago na &lt;br /&gt;carne &lt;br /&gt;devastada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me ocorre o silêncio diante de uma leitura que, apesar de concluída, jamais será objeto de um único e esparso entendimento. Outras colheitas, certamente, haverão de advir do inesgotável e do imprescindível que se guarda na inteligência humana ao acompanhar até mesmo a razão das nuvens que se transformam sob o olhar desolado dos que sabem que o mundo não gira exatamente a partir do que pensamos sobre ele. Da mesma forma que as nuvens, a poesia não precisa de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7015276677691545034?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7015276677691545034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7015276677691545034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7015276677691545034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7015276677691545034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/entre-suavidade-e-o-abismo-poesia-de.html' title='Entre a suavidade e o abismo - a poesia de Adair Carvalhais Júnior'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3612535446750042644</id><published>2009-03-01T11:16:00.003-03:00</published><updated>2009-04-05T17:20:53.436-03:00</updated><title type='text'>A universalidade amazônica no canto de Érica Maria</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s1600-h/erica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308224325712539570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s200/erica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sempre me ocorre pensar no que representa possuir a alma vestida com a epiderme da arte. Ou seja: vivenciar a integralidade da condição artística. Uma espécie de nudez que protege nosso outro mesmo lado. Transcender assim num mundo de distâncias coisificadas e diferenças não suficientemente revolvidas é uma provocação necessária. E é exatamente este o caminho que vem trilhando Érica Maria, com seu canto e com a expressão uma de nudez existencial que transcende os limites da voz.&lt;br /&gt;Seu canto amazônico (ela nasceu em Boa Vista-RR) está exatamente situado nas margens de um tempo de diluições consagradas, mas também de uma ebulição muito singular na Musica Brasileira Contemporânea. Uma efervescência que, no mais das vezes, não alcança os olhos arregalados da mídia conservadora para uma menção consagrada em termos de popularidade. No entanto, o represamento formal e decadente da indústria fonográfica começa a sofrer revezes com o aparecimento de novas formas de divulgação que produzem uma relação direta do artista com o público. Uma reação, por exemplo, que trouxe da informalidade de um apartamento paulistano para as páginas da revista Bravo, aos 16 anos, a cantora Malu Moraes.&lt;br /&gt;Independentemente do que possa consagrar em termos de qualidade artística para o fenômeno internauta que transformou a vida adolescente de Malu Moraes, me refiro ao poderio midiático da internet. Os mesmos meios estão disponíveis para que possamos conhecer também o trabalho de Érica Maria. Um timbre que nos chega universalizado pelos sabores da pesquisa musical e do estudo como método de amadurecimento artístico. Uma voz que tem sido ouvida e admirada no vizinho estado de Pernambuco (e em outras paragens), começa a buscar a legitimidade dos seus espaços na terra do mestre Sivuca.&lt;br /&gt;Uma vez Érica me falou que não lia música, que era intuitiva. Essa afirmação me remete ao que diz Fayga Ostrower (renomada artista plástica brasileira, nascida na Polônia) no livro Criatividade e Processos de Criação: “A intuição vem a ser dos mais importantes modos cognitivos do homem. Ao contrário do instinto, permite-lhe lidar com situações novas e inesperadas. Permite que, instantaneamente, visualize e internalize a ocorrência de fenômenos, julgue e compreenda algo a seu respeito. Permite-lhe agir espontaneamente.”&lt;br /&gt;Este conceito pode ser plenamente visualizado no site de Érica Maria, &lt;a href="http://www.ericamaria.com.br/"&gt;www.ericamaria.com.br&lt;/a&gt; onde além de algumas músicas, também podemos conferir a expressividade visual do canto desta cantora brasileira, em vídeos lá expostos. Podemos observar, por exemplo, que a sensualidade se revela numa expressão corporal densa, mas sem qualquer indício apelativo. Com muita técnica, mas, sobretudo com a naturalidade determinando um equilibrado domínio dos espaços do palco. Na verdade, é o canto extrapolando os limites da voz, saltando pelos poros, transbordando de uma alma desacostumada ao silêncio que não seja exatamente o silêncio das pausas melódicas e dos gestos necessários aos veios interpretativos na construção de um espetáculo.&lt;br /&gt;A expressividade musical em seu estado absoluto. Eis o que se revela nesta jovem cantora que aos poucos vem conquistando seus espaços no cenário nordestino. Atropelando delicadamente o acomodamento e até mesmo certa estagnação muito comum em artistas amadurecidos pelo desconforto do esquecimento. Tudo isso ocorre no epicentro de uma nova cena musical brasileira que nos traz expressões como Dona Zica, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz e o talentoso e jovem cantor e compositor paraibano, Chico Limeira, entre tantos e tantas artistas que crescem antenados com o seu tempo, com a historiagrafia e com os mistérios da arte.&lt;br /&gt;Enfim, aos que se encantam com a descoberta de novos caminhos para a musica brasileira contemporânea, ouso afirmar que estamos diante de uma nova possibilidade de encantamento. Aos que acreditam na permanente renovação da resistência artistica brasileira, nada melhor que conferir a arte reveladora de Érica Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira, poeta&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lau-siqueira.blogspot.com/"&gt;http://www.lau-siqueira.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/"&gt;http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3612535446750042644?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3612535446750042644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3612535446750042644' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3612535446750042644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3612535446750042644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/universalidade-amazonica-no-canto-de.html' title='A universalidade amazônica no canto de Érica Maria'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s72-c/erica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4588930554991829969</id><published>2009-02-01T18:43:00.001-03:00</published><updated>2009-02-02T00:46:54.418-03:00</updated><title type='text'>Aguaúna - a ancestralidade transgressora</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Música do Mundo é um evento que vem sendo realizado em João Pessoa(PB), nos últimos quatro anos. Sempre na última semana de dezembro, na divisa paradisíaca das praias de Tambaú e Cabo Branco. O festival apresenta, basicamente, a diversidade da música instrumental produzida na região. Contando, entretanto, com convidados especialíssimos como, Manassés, Rivotrill, Gilson Peranzeta, Tarancón e outros. Um verdadeiro deleite para a população local e para milhares de turistas, de gosto musical apurado, que invadem a cidade nesta época do ano. Na verdade, uma provocação aos padrões culturais da cidade, inventados por uma ação midiática impulsionada por um mercado de predominância grotesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, exatamente no dia 26, lembrei o poeta Maiakovski em O Poeta Operário: “nós polimos as almas com a lixa do verso.” Foi exatamente no dia 26 que tocou o grupo Aguaúna, composto por cabeças de Sampaulistas e cabeças pessoenses, da Nação Jaguaribe Carne. Lembrei Maiakovski porque senti que a função do Agaúna é polir as almas com a lixa do som. O grupo trabalha com a sonoridade recolhida dos becos, dos ferrolhos, das cítaras, das vozes primitivas escondidas na ancestralidade das ruas. E tudo acontece num cenário estabelecido entre os desertos do mundo, a urbanidade e a sangrada existência humana. Fatores recolhidos dum cotidiano de perversidades percebidas e ternuras devolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experimentação permanente do grupo vem explorando todos os elementos da atonalidade. Porém, vai muito mais longe, reinventando uma modernidade que, parece, desistiu do futuro. A música de invenção produzida pelo Aguaúna reconduz a transgressão soprada ao mundo em todos os campos das artes. Tudo isso resgatado de uma memória de profanação da história oficial da música e da história real dos povos do mundo. Fiquei observando o público, por um momento. Alguns preferiram deixar a praia. Normal. Afinal a experiência Aguaúna é densa demais e ao mesmo tempo, áspera demais. No entanto, um bom público permaneceu e testemunhou uma provocação poucas vezes vista nesses tempos cibernéticos. Marimbau, Cítara, violão, zabumba, flauta, voz... Tudo compondo uma circunstância sonora aproximada de um dadaísmo reinventado. Uma absoluta vocação transgressora num tempo de modernidade diluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aguaúna aborda uma estética que passa por releituras de realidades passadas e futuras, jogando-se no abismo da experimentação permanente, da experimentação como forma de perenidade de uma obra que vem sendo construída a partir dos seus elos mais contundentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta-multimúsico Pedro Osmar rege esta ciranda estética. Pedro tem chão para fazer o que faz. Ele vem de uma safra que jogou no panelão cultural do Brasil, nomes como Zé Ramalho, Lula Cortes, Elba Ramalho, Lenine, Chico Cesar e muitos outros. No entanto Pedro sempre buscou a contramão, criando o grupo de transgressão musical e discussões filosóficas, Jaguaribe Carne. Isso quando ainda estava estabelecido no tradicional bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, na Paraíba velha de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, foi bem fácil perceber logo que o que parecia ser o clube de frevo Piratas de Jaguaribe ensaiando algo de John Cage era, na verdade, uma junção de experiências musicais, poéticas e plásticas para uma transfusão estética permanente que revela uma necessária permanente inquietação. Aliás, uma postura imprescindível para uma reinvenção desse futuro horroroso que aos olhos da Rede Globo de Televisão, já começou. O Aguaúna se posta e se comporta como os que estabelecem uma disciplina intransigentemente definida na busca de uma nova ordem musical. Uma ordem que passa por Frank Zappa e Hermeto Paschoal, mas também pelo frevo, pelo caboclinhos, pela música indiana, música árabe e pela afro-nordestinidade que pulsa na cultura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao apresentar nos espaços por onde circula sua proposta radicalmente transgressora, o grupo escancara-se aos palcos do mundo na intensa aventura de desobstruir sua eterna capacidade de reinvenção. Se em João Pessoa estiveram no palco compondo o grupo, Paulo Ró, Soraya Bandeira e Fernando Pintassilgo. Em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre ou Macapá, serão outros rostos, outras mãos, outros instrumentos, outras influências. Sejam elas indígenas ou nórdicas, xamãs ou umbandistas. O grupo apresenta-se numa proposta de permanente mutação. É como se repetissem Hugo Ball, fundador do dadaísmo, dizendo: “Jamais darei boas vindas ao caos.” Assim, repleto de conhecimentos formais, o grupo Aguaúna dá um salto em direção ao desconhecido cada vez que sobe ao palco. Estamos, pois, diante de um pós-tropicalismo revelado em uma cena que se coloca em permanente contraponto ao deleite alienado. Tudo num caldeirão que conjuga tradição e modernidade numa atitude de ancestralidade transgressora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao Música do Mundo, lembro de alguém comentando sobre uma certa pessoa ter dito: “Vocês tocam tanto essas merdas que a gente vai acabar gostando”.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4588930554991829969?l=lau-siqueira.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4588930554991829969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4588930554991829969' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4588930554991829969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4588930554991829969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/02/aguauna-ancestralidade-transgressora.html' title='Aguaúna - a ancestralidade transgressora'/><author><name>lau siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08897755505027124684</uri><email>lausiqueira@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03835825523509302273'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry></feed>