<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483</id><updated>2012-01-06T07:58:50.511-03:00</updated><title type='text'>PELE SEM PELE</title><subtitle type='html'>“É inútil para mim conhecer algo que não posso transformar.” 
(Paul Valéry)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>58</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6683002243288707215</id><published>2012-01-02T12:38:00.001-03:00</published><updated>2012-01-02T12:44:11.805-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: 20pt; line-height: 115%;"&gt;Poesia no manicômio - uma ação de guerrilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;por Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em maio lancei meu livro, Poesia Sem Pele, primeiro em Porto Alegre, nacharmosa Casa de Cultura Mário Quintana, depois em Curitiba, no eleganteBroooklin Café e o terceiro lançamento foi em João Pessoa, no pátio do ComplexoPsiquiátrico Juliano Moreira. Depois teve lançamento em Campina Grande-PB, Natal-RN,Recife-PE, mais duas noites de autógrafos em João Pessoa...&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Enfim, cada momento esteve dentro de &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;um contexto específico. Cada lançamento teve asua particularidade que não cabe comentar agora. Vamos ficar com os motivos eas convicções que me levaram a lançar o livro num manicômio e as razões decontinuar lendo poemas do lado de dentro dos loucos muros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;No início do ano eu discutia com a diretora geral do ComplexoPsiquiátrico Juliano Moreira, Dra. Flávia Fernando, um grupo de militantes daluta antimanicomial e funcionários do manicômio, a programação cultural daquelaque seria a I Semana Estadual de Luta Anti-manicomial e que teria sua aberturaexatamente no dia 18 de maio de 2011, com algumas palestras, debates, com apresença de personalidades nacionalmente reconhecidas e fechando a noite comuma apresentação do Círculo de Tambores e lançamento do meu quinto livro,Poesia Sem Pele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O entusiasmo militante da diretora do manicômio, umamilitante das lutas populares, conhecedora das linguagens da arte, psiquiatrade formação entre outros predicados, me contaminou. Estava na oportunidadeocupando a diretoria executiva adjunta da fundação Cultural de João Pessoa. Então,trouxemos Tom Zé para um show no teatro de Arena do Espaço Cultural José Linsdo Rego, o mano Babilak Bah para oficinas de percussão. Babilak, além deartista maravilhoso, dos mais inventivos, desenvolve o projeto Trem Tan Tan,num CAPS (Centro de Atendimento Psico- Social), em Belo Horizonte. Foi tudoperfeito. A Dra. Flávia, com sua sensibilidade extrema, na verdade, se mostrouuma grande companheira de caminhada. Uma pessoa com idéias regidas pela ReformaPsiquiátrica e que abriu as portas do manicômio para os que estavam trancadosdo lado de fora. Do ponto de vista pessoal era o cenário perfeito para umresgate familiar, sentimental, humano, histórico.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 20pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Nos anos 70, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;acometidode esquizofrenia e outras moléstias, meu pai foi internado no Sanatório Roxo,em Pelotas-RS. Naqueles dias, eu morava com minha família em Jaguarão, nafronteira leste do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Mas, meu pai somente ficouo tempo suficiente para que a família percebesse o que estava acontecendo.Naquela época, submetido aos métodos mais criminosos de tratamento psiquiátrico,meu pai piorou&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;em pouco tempo. Minhafamília acabou por resgatá-lo e ele faleceu em 1977, de câncer e com os nossoscuidados. Nunca recuperou a lucidez, mas comecei ali a entender que ointernamento no caso de transtorno mental, precisa de outras saídas. Não tenhoqualquer dúvida que para essa saída a família ainda é o melhor espaço deconvivência &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e de tratamento paraqualquer pessoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em janeiro de 1978, já residindo em Porto Alegre novamente, comeceia conhecer os caminhos da Reforma Psiquiátrica. Primeiro com o jornal e depois coma revista Rádice, que era uma espécie de porta-voz da luta antimanicomial noBrasil. Conheci a história da Dra. Rose da Silveira e soube do Museu doInconsciente, criado por ela. Comecei a conhecer nomes como Basaglia e arefletir sobre o fim dos manicômios, como o que tinha servido de “cárcereterapêutico” para o meu velho pai, um homem de origens camponesas, com fortes convicções,íntegro, amoroso, cujo caráter e honestidade eram reconhecidos na cidade e umpatrimônio da família. Passei a me interessar por outras leituras na área dapsicanálise, também nessa época. Entre as leituras, Reich e uma das suas obrasconsagradas, o livro “Escuta Zé Ninguém” que até hoje figura entre os livrosmais importantes que eu li. Li algumas pérolas da Gestalt, como o clássico “Nãoapresse o rio, ele corre sozinho”, de Barry Stevens. Certamente que eu jamaispensei em enveredar pela área da saúde mental, profissionalmente falando, oumesmo politicamente. Mas, como militante de esquerda que era e sou, compreendoque os caminhos para a construção de um mundo mais justo passa diretamente pelacompreensão do outro, das diferenças que não nos fazem em hipótese alguma,desiguais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Passou-se algum tempo e o cotidiano &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;foi absorvendo nossos passos e continuamoscaminhando juntos. Até que a companheira Flávia aceitou mais uma provocação: iríamosresgatar a idéia nascida de uma das&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;nossas muitas conversas. Daí nasceu o primeiro sarau poético nomanicômio, envolvendo poetas, artistas, profissionais de saúde, portadores detranstornos mentais, dependentes químicos em tratamento... Enfim, umaexperiência de amor partilhado, de solidariedade, de corações bifurcados esentimentos livres. Não poderia ter outro resultado. Foi emocionante ler poetascomo Lúcio Lins, Drummond, Rodrigo de Sousa Leão, Antônio Mariano, Vasko Poppae outros e ainda ouvir textos escritos por aquelas pessoas, tão iguais a nós, iguaisa nossos filhos e filhas. Enfim, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;nossosirmãos. Textos, diga-se de passagem, que mesmo sem tanto valor literáriotraziam a revelação de alguém que desejava libertar-se de um mundo doente, curar-sede si mesmo, para a invenção de um novo mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Depois veio um segundo sarau que não pude ir e um terceiroque Flávia não pode ir, mas estava lá também o Psicólogo e poeta Rodrigo Vaz eoutros artistas, outros poetas, como Vamberto Spinelli Jr, Carlos Araújo e maisa poesia sempre presente de artistas como, Arnaldo Antunes, Ademir Assunção,Viviane Mosé e mais quem pudesse estar ali, como ali estava mais uma vez internadoo cordelista Téo que falou poemas de amor e esperança, cuidando assim também denós que somos, todos e todas, tão frágeis diante da imensa loucura que é essetempo de velocidades e de canções perdidas nos esteios de um silêncio que nãose rende diante de tamanhas gritarias, atravessando séculos sob uma surdezmórbida das muitas civilizações que habitaram nosso mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; tab-stops: 354.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Essas leituras de poemas no manicômio, provavelmente, foi oque de mais significativo aconteceu nos meus derradeiros dias de 2011.Começaremos o ano de 2012, com a poesia afiada entre os dedos, entre as linguagensque desejam comparecer para confirmar o que Antônio Cândido afirmava: “aliteratura deveria ser um dos direitos humanos”. E certamente é um direito e umdever de todos nós que buscamos a partilha como moeda de troca nesta feira dedesencantados, onde loucos são os muros, as cercas elétricas, as barricadascontidas em cada olhar no trânsito, nos balcões de negócio da carne e da alma.Em 2012 a poesia, em todas as suas formatações, em todas as suas configurações,em todas as suas energias transgressivas, estará rondando pelos ares, nosfazendo acreditar que é possível sonhar com um mundo mais justo e que as nossasutopias nos ensinarão a seguir nesta caminhada que não tem fim, mas que a cadapasso nos faz acreditar que a felicidade é um sentimento solidário, um ato deamor aos nossos defeitos, às nossas falhas aos nossos sonhos de raça e de universalidade,humanos que somos apesar de alguns poucos (e esses sim, loucos) que se achamdeuses e, iludidos, calam diante do abismo que é existir, em qualquercircunstância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6683002243288707215?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6683002243288707215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6683002243288707215' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6683002243288707215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6683002243288707215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2012/01/poesia-no-manicomio-uma-acao-de.html' title=''/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8398860841202464225</id><published>2011-11-10T14:15:00.000-03:00</published><updated>2011-11-10T14:15:23.029-03:00</updated><title type='text'>“Aqueles poemas que se amontavam em versos.”</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A poesia estebelece laços e nós na vida de um escritor. As distâncias se tornam mínimas e não raras vezes as proximidades afastam certezas. Todavia este não seria este o início de um necessário mergulho no caos das nossas certezas? Há uma desigualdade profunda que nos torna profundamente iguais quando o assunto é poesia e mais ainda quando o fato é a publicação de um livro de poemas. Estamos, pois, diante de mais um silêncio de pedras nesta leitura do livro do paranaense Júlio Almada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é muito diferente para qualquer poeta brasileiro publicar e lançar um livro neste momento de profundo desprezo do mercado editorial pela produção contemporânea. Também precisamos reconhecer que publicar deixou de ser, há muito tempo, algo extraordinário. Cada livro de poemas lançado é uma imensa guerrilha para o autor. Tanto no que se refere ao investimento gráfico quando ao que é mais árduo ainda: o reconhecimento dos pares e de uma crítica literária que, ao contrário da poesia, não se tornou mais intensa com o advento da internet, das redes sociais, da facilidade de publicar sem que se tenha de passar pelos diversos olhares “canônicos” ou caninos. Publicar, pois, não representa mais qualquer tipo de reconhecimento, mas antes de tudo o pódium das nossas guerrilhas pessoais que sempre paga um preço elevado pela nossa permanência na cena literária brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste ambiente que chega o livro “De olho: embriagado” do poeta Julio Almada. Este é o título, também, de um dos 29 poemas que compõe esta coletânea. Certamente que temos aqui um conjunto de experiências trazidas pelo autor que, assim como todos e todas que fazem da palavra uma sangria inevitável, chega em busca da poesia pois entende que a poesia não é um limiar da linguagem, mas um sumidouro de incongruências e incertezas que pode ou não surpreender, pode ou não esvair-se no esquecimento. Ainda assim, acreditamos que todo livro de poemas vale a eternidade de um instante, pelo que exasperou nos suores do autor para uma experimentação estética e, também, de transbordamento no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui um conjunto de versos que vertem na própria razão de revelar o ato pessoano de fingir a dor que deveras sente. É como se o poeta Julio Almada expelisse suas dores em dores e doses que jamais serão propriedades da sua alma. A dor desdenhada no poema (ele sabe disso) não expressa o buraco negro de um tsunami íntimo, nem se revela se não pelo esparso descoforto inevitável do poema enquanto experimentação de linguagens que dialogam com o cotidiano, com as confissões ao mesmo tempo inevitáveis, irrevogáveis e inaceitáveis para a metalurgia da palavra. Este é, sobretudo, um sentimento que perpassa todos os poemas deste livro que agora toma corpo e segue seu destino para muito além do que possa este minguado olhar que aqui deposito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia tem seus próprios motivos e a cada verso escrito é como houvesse nascido enquanto discurso comum para todos nós, poetas. Tudo é uma questão de comvivência com silêncios arrebatadores que não suprem a algazarra das palavras. São artimanhas íntimas, passagens de uma lírica que transborda no coração enquanto representação do que temos de mais denso em termos de existência e mesmo de confluência humana: “Os sentimentos não são fardos. Pesados e/ pesarosos tornam-se braços e pernas não/ compostos de maneira edificante pela vertiginosa/ manifestação de sentimentos durante uma vida.” O poeta, assim, nos mostra que não segrega os trigos e muito menos se propõe a uma experiência já um tanto surrada de rigores e de sublimação das adagas ensandecidas da vertigem contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta aqui não se propõe ao incomum, ao inventivo. Faz, ao contrário, uma inversão para permanecer na identidade da própria pele, do que veste em termos de conjugação poética temporal e estática desse não-lugar onde de alguma forma estamos todos e todas num afogamento de colheitas, numa corredeira de buscas desmesuradas para a menor distância entre a expressão poética e a expressão dos nossos dias. Somos, assim, o mesmo e estapafúrdio esquecimento. Versos que diluímos na vertigem de um olhar sempre muito pessoal sobre as multidões que nos fazem poetas de um futuro que começou no final do século XIX e que constatou o que é experimentar versos sem os falsos pudores de uma horda mais canina que canônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta aqui se revela e se rebela. Ele nos traz “Aqueles poemas que se amontavam em versos” para uma consignação de dívidas que sempre serão nossas porque se uma marca revela a nossa geração é exatamente a estratégia das estrelas que somem na noite escura, transgredidas pelas nuvens e por uma Lua que permanece no céu soturno das nossas transpirações. Que seja bem vindo mais reste rebento do poeta Júlio Almada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale do Timbó - Parahyba, 10 de novembro de 2011.&amp;nbsp; Prefácio do livro do poeta paranaense, Júlio Almada: "De olho: embriagado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8398860841202464225?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8398860841202464225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8398860841202464225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8398860841202464225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8398860841202464225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/11/aqueles-poemas-que-se-amontavam-em.html' title='“Aqueles poemas que se amontavam em versos.”'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3221516459515010898</id><published>2011-11-06T08:37:00.000-03:00</published><updated>2011-11-06T08:37:14.866-03:00</updated><title type='text'>A brutalidade da beleza</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A beleza não é a viga dos encantamentos, apenas. A beleza é o domínio dos abismos da mente e do corpo. Seja num artista, seja num espectador - por mais desatento que seja. A beleza é um espetáculo de cores e escuridão, de sons e silêncios, palavras e pausas. Segundo Hopkins, a beleza é difícil e segundo W. J. Solha é brutal. Não importam aqui os conceitos surrados ou novos. A verdade é que nas poucas palavras deste artigo não será possível definirmos o que foi a belíssima obra construída por diversas mãos, corações e mentes numa dedicação consagradora aos 70 anos de um dos mais completos dentre os grandes artistas brasileiros, W. J. Solha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não sei que registro foi feito das duas apresentações de “Cantata Bruta”, uma realização da FUNJOPE e da FUNESC em homenagem ao escritor, sonhador, artista plástico, cidadão íntegro, escritor, ator e outras faces da mesma face no multi-artista homenageado. Na verdade foi uma homenagem às artes porque Solha também participou enquanto criador. Creio que a Paraíba viveu nos dias 29 e 30 de outubro, no palco do Cine Bangüê do Espaço cultural José Lins do Rego, um dos grandes momentos da nossa cultura nas últimas décadas. Ousadia estética e exatidão matemágica foi o que transcendeu como um relâmpago na execução da Cantata Bruta pela Orquestra de Câmara cidade de João Pessoa, sob a regência do maestro Eli-Eri Moura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Uma das afirmações do concerto, foi a produção erudita da Paraíba. Provavelmente um dos grandes pólos de produção de música erudita contemporânea do Brasil. No palco, além da Orquestra de Câmara, o coro Sonantis, a mezzo-soprano Maria Juliana Linhares, o tenor Ed evangelista e os declamadores Walmar Pessoa e Suzy Lopes. Marcílio Onofre e Valério Fiel cuidaram das sutilezas com intervenções eletrônicas realizadas ao vivo.Tudo muito bem guardado numa iluminação cênica e num cenário que foi um espetáculo à parte. Obra de Jorge Bweres que assinou também a direção de palco. O texto era do próprio Solha (do livro História Universal da Angústia), com músicas de Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando alves, Marcílio Onofre, Valério Fiel e Wilson Guerreiro que em apenas sessenta dias concluíram as composições. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Certamente que nas duas noites de apresentação da Cantata Bruta, ninguém saiu impune do Espaço Cultural. Impossível que alguém não tenha ficado impactado com a ousadia, a experimentação e a erudição caminhando juntas na elaboração das peças que nos proporcionaram a possibilidade de testemunhar o quanto a diversidade pode convergir quando a direção sabe o caminho e onde cada milésimo de segundo caberá entre o som e a palavra, entre o acorde e o silêncio. Uma obra de mestres das artes não poderia ser diferentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não sei se algum artista brasileiro ou mesmo do mundo, já recebeu uma homenagem que dialogasse de forma tão intensa com sua obra. No caso de Solha, uma obra que não se contém nas cores e nas palavras, mas vai em busca do encantamento e da brutalidade enquanto elemento do real e do imaginário que compõe a alma humana. Quem pode assistir esse concerto-espetáculo sabe que, guardadas as proporções, viveu um momento que do ponto de vista estético podemos considerar um marco no pensamento estético paraibano, tal como diversos movimentos de vanguarda das artes que produziram manifestos e influenciaram gerações futuras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Estava tudo lá no palco do Bangüê. Artes plásticas, literatura, teatro, música, invenção estética, futurismo, tradição, ousadia... A brutalidade da Canga e de obras monumentais como História Universal da Angústia (de onde foram arrancados os textos sangrados), com a roupagem épica de um Trigal com Corvos, escritos magistrais de W. J. Solha que, assim, conduz para o infinito a consagração de sua imensa e diversificada obra. A beleza verticalmente experimental repercutiu na vivência estética da platéia e lembrou-me, quando descia as rampas do Cine Bangüê o Manifesto Surrealista escrito em 1924: “(...) cara imaginação, o que eu amo, sobretudo em você, é que você não perdoa.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo neste concerto foi afirmação positiva. Um diálogo espantoso com o nosso tempo, com as esquinas conturbadas do Século XXI, seja nas vitrines rompidas pelo vandalismo dos jovens londrinos, seja pelas almas atoladas no mangue de Bayeux ou nos impactos das balas que assassinam centenas de jovens anualmente em áreas de vitimadas pelo apartheid paraibano, como o bairro São José ou Ilha do Bispo. Uma intervenção com visão de futuro foi o que pude perceber pelos corredores, nas movimentações da saída. Uma noite que não poderia ter sido mais intensamente vivida diante de uma beleza brutal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não sei se os executores do projeto pretendem retomá-lo em algum momento. Não sei que tipo de registro foi pensado para algo tão grandioso, além das partituras. No entanto, testemunhei com todos os meus poros e com a minha infinidade de sentidos algo que jamais será arrancado da minha memória e certamente estará gritando aos meus tímpanos que uma nova forma de fluir esteticamente foi sendo conduzida coletivamente, arrastando como em um tsuname, uma velha literatura, uma velha erudição, uma velha concepção de espetáculo e concerto, uma velha sistemática de regência e de direção e cenário. Parece que tudo mudou e, logicamente que me refiro aqui apenas a uma vivência pessoal que não coube em uma platéia lotada. Penso que a partir da Cantata Bruta estamos tansbordando para uma nova forma de pensar a arte do nosso tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo de melhor dos nossos dias estava concentrado em uma redoma em chamas que não poderia ter outro título, pela dose de pancadas de uma transgressão estética que há décadas, tenho certeza, não se via com tamanha intensidade, na insanidade de uma lucidez coletiva, de uma sangria de olhares que se encantavam e se espantavam, se espetavam diante do que pode a arte num estado de brutal beleza. Nenhuma homenagem, no entanto, poderia ser menos grandiosa para um arista da dimensão de um W. J. Solha. Tivemos a oportunidade de testemunhar a história guardada num sopro, num ciclone, numa tempestade de delicadezas e na carne sem pele dos nossos sentidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3221516459515010898?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3221516459515010898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3221516459515010898' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3221516459515010898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3221516459515010898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/11/brutalidade-da-beleza.html' title='A brutalidade da beleza'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4278209666507622282</id><published>2011-09-17T11:14:00.003-03:00</published><updated>2011-10-23T12:31:52.773-03:00</updated><title type='text'>E POR QUE PUBLICAR EM TEMPOS DE PENÚRIA?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sinceramente, talvez eu não saiba responder com precisão a pergunta e duvido muito que possa dizer alguma novidade&amp;nbsp;sobre essa questão que me foi colocada para debate na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, edição 2011. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O tema está escancarado para muitas abordagens. Existirão, certamente, muitos &lt;em&gt;pontos de vírgula&lt;/em&gt;. Vamos tentar resumir a ópera num passeio sobre o que tem sido publicar especificamente poesia no Brasil. Também não há como&amp;nbsp;aprofundar por aqui, mas há como buscar&amp;nbsp;um diálogo com os diversos contextos que o tema propõe. Depois da internet a poesia não pode mais viver de lamúrias, muito menos se queixar de penúria. É verdade que as grandes editoras parecem pouco interessadas na poesia contemporânea, mas também parece verdade que a poesia contemporânea&amp;nbsp;aprendeu a sobreviver&amp;nbsp;sem as grandes editoras. São realidades que se distanciam cada vez mais. O mercado do livro no Brasil está muito mais interessado em Bruna Surfistinha que em poetas contemporâneos. Já imagino algum espaço de Bienal chamado “Boquete Literário”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A questão do mercado editorial preocupa mais na relação com o poder público, penso. O Ministério da Educação é o terceiro maior comprador de livros do mundo e, ainda assim, temos uma política de bibliotecas precária e a literatura nas escolas e faculdades é artigo de luxo ou de lixo. As políticas de leitura passam ao largo e crescem mais na guerrilha de algumas ONGs que nas Secretarias de Educação. Não acho que os poetas contemporâneos estão excluídos do mercado editorial brasileiro. Ninguém é excluído de onde nunca esteve. A poesia é um dos gêneros mais populares e mesmo assim não tem mercado. Não existe mercado para autor vivo, é bem verdade. Poesia não é mercadoria. Mas, qual gênero literário ou que arte é mercadoria? A relação do mercado se dá com o objeto-livro e não com o conteúdo. Caso contrário, ao invés de apostar em Zíbia Gaspareto o mercado do livro estaria apostando em Glauco Matoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não sei se podemos chamar de penúria viver fora do eixo que na linguagem&amp;nbsp;dos becos criativos&amp;nbsp;significa estar fora dos catálogos das editoras. Preciso deixar claro que ficar conhecido ou estar publicado por gigantes do mercado editorial não melhora a literatura de ninguém. Parece que o mercado do livro está mais interessado em abocanhar o lucro fácil do dinheiro público, com o pleno favorecimento da mofada lei de Licitações e Contratos, a lei 8666. Uma lei que trata como produtos iguais um violino e um saco de batatas, guardadas as utilidades e necessidades de ambos para a sobrevivência humana. Um ente público não pode comprar livros e distribuir em bibliotecas comunitárias porque a lei permite fraudes, permite corrupção, pune erro de contabilidade enquanto acoberda escândalos, mas não permite a doação do que chamam de “material permanente”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Penso que depois da internet a poesia contemporânea ganhou um espaço considerável, tanto na nova mídia eletrônica quanto nas possibilidades de distribuição, nas possibilidades de construção de nichos de mercado com a venda até mesmo por e-mail. Cada poeta é, pois, o distribuidor da própria obra.&amp;nbsp;Portanto, em termos de poesia não podemos falar de penúria porque nenhum dos nossos grandes poetas teve tamanho e tão democrático espaço de visibilidade. Resta saber se em tempos de mídia eletrônica ainda teremos um novo Fernando Pessoa. Devemos considerar, também, que a grande mídia&amp;nbsp; já não é a mesma e não mantém a mesma relação com os interesses da cultura. Os jornais ampliaram as colunas sociais diminuindo as páginas de cultura e isto é um fato. A maioria trata entretenimento como cultura. Então a cultura, naturalmente, foi buscar suas mídias. Imaginem dentro deste balaio de bafos, onde fica a literatura e onde se esconde a poesia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não quero dizer com isso que inexistam espaços para a cultura e especialmente para a poesia na mídia formal. Acho que existe sim e alguns bastante generosos -&amp;nbsp;mas também excessivamente ocasionais. Entretanto, precisamos reconhecer que a partir da comunicação eletrônica foi possível que cada escritor construísse seus nichos de informação, suas redes de interesse. Isso permitiu que algumas invisibilidades se tornassem explosivas e alguns desconhecidos pudessem&amp;nbsp;ganhar&amp;nbsp;destaque nacional e até internacional, sem aprovação das academias e sem&amp;nbsp;antes ter passeado pelos canais da mídia tradicional, modernizada tecnologicamente. Geralmente desconectada das múltiplas realidades vividas pelo avesso da globalização. Devemos reconhecer, a despeito da selvageria econômica, a globalização tem seus encantos quando o assunto é difusão de informações, pois com o avanço da tecnologia o controle ficou pouco viável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Discute-se alguns temas polêmicos&amp;nbsp;como o fim do livro. Penso que o livro em papel somente vai acabar quando acabarem as árvores, como já disseram por aí.&amp;nbsp;Então,&amp;nbsp; a inteligência humana já terá desenvolvido tecnologia para fabricar papel de garrafas pet ou outro lixo qualquer, uma vez que o lixo cada vez mais se torna uma poderosa matéria prima. Isso não preocupa, uma vez que na Feira do Livro de Porto Alegre são impressos poemas em folhas de fibra de arroz, com o leitor sendo convidado a ler e comer poemas de diversas matizes estéticas e sabores diversos. A penúria, no meu entendimento, está diminuindo se o caso é abafar delírios e conter vaidades. Acho a penúria ainda está muito mais localizada na educação, especialmente na educação básica que é o que realmente sustenta a vida intelectual de um cidadão ou cidadã. É no nascedouro que um rio começa a delimitar suas margens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nossas preocupações devem se voltar mais para a antiquada relação dos modelitos de um capitalismo muito primitivo e que movimenta o mercado do livro no Brasil e no mundo. Especialmente quanto a concentração de lucros, com a sequencial formação de grandes corporações editoriais engolindo a renovação do mercado e, também, a crescente internacionalização de um mercado que cada vez mais é menos brasileiro. No centro do problema está uma lei vigorosa e ultrapassada como a&amp;nbsp; já citada&amp;nbsp;Lei 8.666 que favorece de forma absurda a concentração de riquezas em todas as áreas e não é diferente no mercado editorial. Não há como não entender que os baixos índices do IDEB (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico) tem tudo a ver com esse debate. Afinal, vivemos em um país que possui menos livrarias que a cidade de Buenos Aires.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo está diretamente ligado e se justifica politicamente diante de uma revelação bombástica da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, coordenada por Galeno Amorim, hoje presidente da Biblioteca Nacional. A chamada classe A, representada pelas maiores fortunas brasileiras, possui o mesmo índice de leitura (enquanto hábito) da classe dos despossuídos de tudo, a classe E. Algum tipo de igualdade, ironicamente, os nossos mais de 300 anos de colônia deveria mesmo ter produzido. Assim, os mais ricos e os mais pobres ostentam os mesmos exatos 3% de leitores. O que&amp;nbsp;nos mostra que a vulnerabilidade intelectual das nossas elites está diretamente relacionada com a vulnerabilidade social da maioria do nosso povo. Talvez aí sim possamos identificar um nível de penúria escandalosa, capaz de chamar a atenção do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Publicar tem um sentido muito particular para cada escritor. Para alguns, cada vez mais, tem uma relação direta com os processos de construção cidadã. Algo que, obviamente, não exclui o debate estético. Muito pelo contrário, reforça-o. Afinal, escrever para quê e para quem? A que debate estarão vinculados nossos livros? Aos salões livres de livros? Às “&lt;em&gt;paratizações&lt;/em&gt;” da literatura? Ou, quem sabe ao cotidiano das escolas, como acontece em Passo Fundo, na Jornada Nacional de Literatura. Somente não faz sentido resumirmos tudo ao pueril e confuso debate midiático, desprovido de análises mais profundas e que não tem absolutamente alcançado repercussões, exceto quando alguém confunde crítica literária e crítica de arte com a lamentável mania de chafurdar costumes e detalhes da vida alheia. Ou mesmo quando o mofo quer brilhar e perde-se no debate entre a importância da tradição e a importância da modernidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sinto que a poesia brasileira vive um momento bem interessante. Logicamente que não falo em termos de quantidade, mas de qualidade. Joca Reiners Terrón definiu muito bem o nosso momento literário: “É como abrir a tampa de um liquidificador ligado.” Aliás, talvez esta frase possa sintetizar&amp;nbsp;um dos&amp;nbsp;pontos&amp;nbsp; da nossa reflexão. A literatura brasileira está vivíssima e pulsante. Talvez por isso poucos se arrisquem em definições e os mesmos de sempre achem mais fácil e cômodo desconhecer o presente e ter apenas o passado como referência. Lamentavelmente esta é a lógica da maioria dos nossos melhores centros acadêmicos. Ainda estamos com espaços rarefeitos para a crítica literária que, talvez esta sim, esteja necessitando de oxigênio para não morrer na asfixia e no mofo das idéias fixas. Esta penúria é talvez a que mais preocupa em relação à afirmação da literatura contemporânea porque não existe uma grande literatura sem uma crítica literária consistente, despojada do formol das academias, focada nas diversas leituras que requer uma literatura formulada no século XXI, tal como nos séculos anteriores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Portanto, estamos diante de uma realidade em movimento, na era das velocidades, buscando a melhor pronúncia para definir esse tempo de reações híbridas aos problemas concretos da nossa sociedade. Problemas que passam pelas necessidades e virulências da poesia brasileira, pela qualidade do ensino, pela afirmação de&amp;nbsp;políticas consistentes de leitura, pela reflexão acerca da concentração e globalização do mercado editorial brasileiro, pela legislação que rege os contratos e as concorrências públicas. Enfim, creio que a nossa penúria&amp;nbsp;real ainda é o que há de precário para que a democracia, ou seja:&amp;nbsp;o&amp;nbsp;vetor da&amp;nbsp;política econômica em todas as áreas, especialmente no caso do livro, da leitura e da literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4278209666507622282?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4278209666507622282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4278209666507622282' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4278209666507622282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4278209666507622282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/09/e-por-que-publicar-em-tempos-de-penuria.html' title='E POR QUE PUBLICAR EM TEMPOS DE PENÚRIA?'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-1824852174516429392</id><published>2011-09-03T13:15:00.000-03:00</published><updated>2011-09-03T13:15:01.459-03:00</updated><title type='text'>A leitura enquanto direito social e as políticas para o livro no Brasil.</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_v03omo="117"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_v03omo="133"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_v03omo="134" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Na abertura da XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, a presidenta Dilma Roussef falou do programa de popularização de livros que será apresentado nos próximos dias pelo Governo Federal. “Queremos ter uma ação que fomente a produção e comercialização de livros mais baratos”, falou a autoridade máxima do país. Um discurso que, aliás, muito nos orgulha porque certamente está na leitura enquanto política pública, uma das chaves para darmos um salto nas políticas sociais. Não há dúvidas que o governo brasileiro deu passos importantes em direção à construção de uma sociedade leitora, de 2003 para cá. Todavia, como era de se esperar, o mercado do livro é um manto de silêncios estrategicamente constituídos. Por exemplo, a isenção de impostos sobre o livro – obra do presidente Lula – já deveria ter derrubado os preços naturalmente. Mas isto não aconteceu. A imensa quantidade de livros adquiridos pelos governos federal, estaduais e municipais também deveriam ter garantido o “equilíbrio do caixa”. Mas, também isso não aconteceu. O mercado tem a ousadia de partir para a arenga alegando que o custo das edições se torna elevado por conta das baixas tiragens. Pura balela. Ignora a lei da compensação. Muitos dos livros livros com tiragens altíssimas comprados pelos governos, nas estantes das livrarias, não apresentam abatimento algum. Portanto, se quisermos redução no preço dos livros não podemos entender a fração monopolista do mercado livro como aliada, mas como um ganancioso tubarão atento às menores possibilidades de engorda dos pequenos peixes - especiaria para a gula dos acionistas. Entendo que Dilma tem boas intenções ao propor a queda do preço dos livros, mas vamos errar mais uma vez se a proposta contenha subsídios ao ganancioso mercado do livro. O senhores de engenho do mercado não estão nem um pouquinho interessados nos benefícios do crescimento dos índices de leitura. Muito especialmente da população pobre deste país, excluída de todos os processos de desenvolvimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No paralelo, os eventos literários até que tentam fomentar essa política de democratização da leitura. No entanto na maioria das vezes os eventos são focados no autor e nas suas necessárias (mas, particulares) trocas para a literatura contemporânea brasileira. O leitor raramente vem sendo discutido nas mesas das Bienais, Feiras do Livro, Festas e encontros literários. É como se fosse um tabu caber logo ao imantado reino dos escritores colocar o pé ensaboado de sabedoria no mangue dessa discussão. Os escritores, em sua maioria, não gostam do tratamento fúnebre dado pela maioria das editoras. Mas, se fazem de mortos quando se fala em políticas de leitura. Se não interessa o assunto, então, por que continuamos publicando? Por que, muitas vezes, publicar de forma subsidiada pelos programas públicos e fundos de cultura e colocar à venda obras com preço de capa que muitas vezes correspondem ao mais ganancioso nicho do mercado do livro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Independentemente das boas atitudes do governo federal e de bons caminhos traçados por muitos órgãos governamentais de norte à sul, a democratização do acesso à leitura talvez nunca tenha sido tão fomentada em nosso país. Pelo menos não que tenha lembrança em meus cinquenta e vastos anos vividos. Aqui e ali encontramos ações absolutamente militantes de pessoas e grupos de pessoas que se comprometem com as políticas de acesso ao livro e à leitura. Pasmem, não raras vezes, sequer livros disponíveis para uma ação mais consistente existem. Já presenciei oficinas de leitura com livros emprestados. Livros buscados em doações e muitas vezes em bibliotecas comunitárias. É como se existisse uma onda natural em contraponto aos interesses meramente capitalistas do mercado. Um vento híbrido alimentando uma corrente de pessoas que acreditam nas possibilidades transformadoras das políticas de leitura. É como se estivessemos formando um determinado consenso nas razões de acesso ao livro e, mais que isso, no acesso à compreensão e transformação do mundo a partir da leitura. Logicamente que poderíamos ter um impulso mais qualificado se o Ministério da Educação não entendesse os processos educativos apenas dentro dos muros escolares. É como se faltasse utopia. Afinal, a vida não se resume em práticas pedagógicas que não compreendam o jovem, principalmente, como um ser integral que precisa ser abordado a partir do território que habita e das possibilidades de construção de uma identidade cultural dentro de um processo de transformação da realidade vulnerável em que ainda se encontra a mairia do povo brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Essas experiências tem nos demonstrado que a leitura não é um ato passivo. Também tem demonstrado que existem linguagens que podem e devem ser incorporadas nesse processo. A arte é o meio e a mensagem na maioria das vezes. Os escritores precisam compreender que a literatura é apenas um dos elos e não o principal elo nessa cadeia e que o leitor é um sujeito ativo que do texto extrai variantes e constrói complementariedades. No caso da literatura isso se referencia mais concretamente nas construções humanas e cidadãs. O leitor começa a ser percebido como uma espécie de co-autor, capaz de promover intervenções positivas ou negativas no texto. Esse é, na verdade, o ponto g da razão de brigarmos por políticas de leitura porque ao produzir o leitor crítico estaremos erradicando o analfabetismo funcional que hoje coloca em cheque o papel de determinadas universidades licenciadas pelo Ministério da Educação e que mais parecem shoppings de diplomas variados. O leitor crítico, por sua vez, exigirá da literatura e mesmo da produção acadêmica algo mais denso que a vaidade pessoal do autor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os modelos formais das bibliotecas, apesar de ainda necessários, não atendem mais as demandas diante de uma verdadeira fome de leitura que se descobre cada vez que desencadeamos um processo de fomento. Os espaços austeros acabam inibindo o pretenso leitor e desacatando os procedimentos pedagógicos das políticas de leitura. Estas políticas, ainda bem, guardam-se diante de uma diversidade que passa por processos de contação de história, leituras silenciosas ou saraus e se alimentam de esperanças em eventos que se já se transformaram em políticas públicas como a Jornada Nacional de Literatura realizada em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Um evento que, aliás, determina a economia da cultura na cidade e traz ao povo gaúcho o orgulho de guardar a cidade com o maior índice de leitores do País. A Jornada fez de Passo Fundo a Meca da leitura brasileira. Aos modelos tradicionais de biblioteca que muitas vezes acabam reproduzindo-se de forma equivocada nas escolas, em amontoados de livros numa sala empoeirada e geralmente guardada em camisa de força. Essa realidade, também, nos faz acreditar que precisamos mesmo é de “bisbilhotecas”. Lugares em que os jovens sejam acolhidos para a leitura e que isto não seja uma obrigação para o currículum escolar. O livro deve ser apresentado como véu de possibilidades e não como algo sagrado, intocável. Também é preciso que se confidencie ao jovem leitor que o livro impresso na era tecnológica não é a única possibilidade de leitura. Também é preciso dizer que os velhos e mofados modelos de museus, bibliotecas, casas de cultura... não são mais os únicos. O mundo tomou rumos depois da invenção da roda. Só as pedras não pensam... mesmo assim, nos levam a refletir poeticamente - a partir de Drummond - quando estão no meio do caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mais além, precisamos repensar, inclusive o modelo de ensino da literatura especialmente no segundo grau que ao ser focado na prova do vestibular passou a produzir um certo desprezo até mesmo pela história da literatura que foi sendo arbitrariamente fatiada e descontextualizada, provocando muito mais rejeição que interesse até mesmo pelos grandes clássicos da nossa literatura, como Machado de Assis. Precisamos ainda pensar as políticas de incetivo à leitura de forma universalizada e não a partir de interesses de frações do mercado ou mesmo de afirmação corporativa, seja dos escritores, seja de pequenos livreiros, editoras independentes, bibliotecários ou outros segmentos que acabam sofrendo juntos mas não condicionam suas ações para um gozo coletivo. Se algo de bom precisa acelerar, precisamos incorporar as ações de leitura - não apenas do ponto de vista pedagógico - como uma ação cultural determinante, estruturante para que outras políticas de inclusão tenham um tratamento mais qualitativo e operem de forma natural uma despedida dos modelos sociais em que até mesmo a leitura fazia parte da opressão de classe, de gênero e de raça, por exemplo. Queremos sim uma política de leitura que seja, sobretudo, libertadora e cidadã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A pesquisadora francesa Michèle Petit, no livro “Os Jovens e A Leitura” destaca que uma das lições da leitura é nos ensinar que “antes de pertencer a este ou àquele território, somos seres humanos”. Portanto um jovem morador da comunidade Novo Horizonte, em João Pessoa, precisa antes de tudo ser levado também a fazer uma leitura não apenas dos livros, mas da sua realidade que não é diferente da realidade de jovens da periferia de uma cidade qualquer da Argélia, da Colômbia ou mesmo de Nova Iorque. “Miséria é miséria em qualquer canto”, cantam os Titãs. Portanto, a experiência do pertencimento, depende de uma relação objetiva com o território e, sobretudo, com a consciência de que a leitura não passa de mais um dos direitos fundamentais de cidadania e, segundo Antônio Cândido – referindo-se especificamente à literatura – um dos direitos humanos. A leitura deve ser vista, nesses casos, como uma ferramenta de transformação da vida a partir de um olhar para as tribos nas quais estamos inseridos, muitas vezes à ferro e fogo pelo sistema capitalista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_v03omo="101" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Entrementes os tempos são realmente outros e os ventos sopram a nosso favor. Não dá para caminhar sem utopia. Não dá para ser feliz sem horizontes. Experiências consolidadas nos mais distantes rincões brasileiros nos arrancam do ostracismo para um otimismo que nos leva, sobretudo, à emissão de reflexões capazes de nos levar a dar passos mais largos para perspectiva de uma sociedade leitora. Os números atuais são favoráveis, conforme atesta a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, organizada e publicada pelo hoje presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim. Os indicadores nos mostram que o Brasil (a pesquisa é de 2007) já possui 95 milhões de leitores. E o que precisa ser destacado é que a nossa elite intelectual não é a mesma elite econômica, como em alguns países. As classes C e D representam 78% do universo de leitores enquando as classes A e B, apenas 19%. Este é um dado importante para sonharmos com a formação de um país leitor a partir das ações de base, das iniciativas de mudança de uma cultura não leitora mesmo entre a comunidade letrada. Mário Quintana já nos dizia que “o pior analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê.” Haveremos de localizar e iluminar esse buraco que sempre é mais embaixo que imaginamos. Por enquanto nos resta ir aprofundando reflexões que nos permitam acreditar, por exemplo, que as classes C e D são mesmo as classes dominantes quanto aos índices de leitura e podem traduzir isso, quem sabe, numa democratização da economia capaz de interpretar (e rejeitar) o sentido de palavras como fome, analfabetismo e miséria que, aliás, são sinônimas. Para as mudanças necessárias a história está onde sempre esteve: em nossas mãos. logicamente, portanto, o assunto não se esgota por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-1824852174516429392?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/1824852174516429392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=1824852174516429392' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1824852174516429392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1824852174516429392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/09/leitura-enquanto-direito-social-e-as.html' title='A leitura enquanto direito social e as políticas para o livro no Brasil.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2307573036907883355</id><published>2011-08-21T09:34:00.001-03:00</published><updated>2011-08-22T00:15:54.978-03:00</updated><title type='text'>Antes que Agosto acabe.</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;por Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_5muxbn="114"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="100" style="font-size: large;"&gt;Os eventos de literatura têm proliferado pelo Brasil afora, talvez, como em nenhum outro momento da história. Até mesmo pequenos municípios brasileiros começam a ganhar um certo destaque. Se é bom que assim seja, não temos dúvidas. Mas que isso pode melhorar é a nossa melhor certeza. Um dos maiores desafios é fazer com que esses eventos deixem de ser meros encontros de escritores e de meia dúzia de apaixonados leitores, geralmente, movidos por razões mais midiáticas que propriamente literárias. Aqui em João Pessoa não é diferente. O Agosto das Letras entrou na programação cultural da cidade em 2006, deixando de acontecer em 2008 e retornando nos anos posteriores com um formato mais denso, mas ainda assim com os problemas comuns a maioria dos eventos literários espalhados pelo mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="103" style="font-size: large;"&gt;No interior do Rio Grande do Sul, provavelmente, esteja sendo realizado o mais importante evento de literatura do país. A Jornada Literária de Passo Fundo não deixa de ser um grande encontro de escritores, mas, sobretudo, passou a ser uma importante política pública&amp;nbsp;na formação de leitores. Os autores convidados são estudados nas escolas no ano anterior e quando chegam ao evento para os diálogos propostos têm a certeza de terem sido lidos por grande parte da platéia. Este é um dos aspéctos que diferencia a Jornada Literária de Passo Fundo até mesmo dos demais grandes eventos literários, como a Feira do Livro de Porto Alegre, os Salões do Livro e Bienais que se espalham pelo país como modelo de incentivo ao mercado do livro. No entanto devemos ter claro que os interesses do mercado do livro geralmente estão distantes dos interesses da literatura. Portanto, a despeito dos grandes investimentos das Feiras, Salões e Bienais, fiquemos com o que interessa entre o joio dos trigais e as águas profundas da imaginação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_wyu6g="105"&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="104" style="font-size: large;"&gt;Os eventos literários (e o Agosto das Letras não escapa disso) têm seguido um modelo que contribui de forma bastante acentuada para as trocas necessárias entre os escritores de norte à sul do país. Portanto, o Agosto das Letras não é um evento que esteja rendido aos interesses não muito inocentes do mercado do livro, como as frias Bienais, Salões e Feiras de Livro espalhadas pelo país. Também não quero dizer que esses eventos não são necessários, mas é preciso que se compreenda que os interesses de um e de outro são distintos. O Agosto das Letras é um evento que prima pela qualidade das suas escolhas, aprimora cada vez mais a troca de experiências entre as políticas de fomento da literatura, principalmente, no meio alternativo. Traz provocações importantes para o centro da cena, mas como o FestPoa Literária (que é um evento privado), os Encontros de Interrogação do Itaú Cultural (que também é privado) o extinto Festival Literário de Recife (que é do poder público), ainda não se revela como&amp;nbsp;estratégia de pollítica pública&amp;nbsp;para estreitar a relação entre o público leitor e o autor ou a autora. Logicamente que com todos os interesses mercadológicos que cercam essa relação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nomes da mais alta relevância da literatura brasileira contemporânea já passaram pelo Agosto das Letras. Sejam eles paraibanos ou de outros estados. Uma das melhores revelações do evento foi ter confirmado a literatura paraibana como uma das mais importantes do país. Também é preciso reconhecermos que apontaram por aqui projetos editoriais importantes como o Dulcinéia Catadora e, neste último Agosto, os projetos Cidade Poema e Instante Estante. Não se pode dizer, absolutamente, que nada valeu a pena. Muito pelo contrário, estamos construindo uma história. Aliás, o discurso da “terra arrasada” é a parte que ficará, certamente, para os jaburus da disputa política que querem medir forças segurando as alças da diluição cultural e da estupidez enquanto método de disputa. Devemos estar atentos aos oportunistas de plantão que criticam sem propor e que desdenham da coragem que não possuem. Logicamente que os oportunistas de plantão também deverão querer dimensionar os fatos dentro das suas correntes de interesses (e haja bocão!).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="106" style="font-size: large;"&gt;Por isso tudo, antes que o mês de agosto de 2011 acabe, devemos começar a discutir o próximo Agosto das Letras. Certamente com uma proposta de ampliação das suas articulações, com a política das bibliotecas, das editoras existentes no município, com as secretarias de educação do município e do estado, com os cursos de letras das universidades paraibanas, com as iniciativas que vem sendo desenvolvidas em&amp;nbsp;cidades como Nova Palmeira, Boqueirão, Cajazeiras, Aparecida e outras. Ampliando o diálogo nordestino, a partir de agitadores das cenas de Natal, e aí eu cito entre outros o poeta Carlos Gurgel que por aqui esteve lançando seu livro e os companheiros e companheiras de Pernambuco, Ceará, Sergipe e Alagoas, apenas para citar os mais próximos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_wyu6g="108"&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="107" style="font-size: large;"&gt;Lembro que o evento teve um início bastante tumultuado em 2006, com diversos pólos e quase que nenhuma repercussão. Em 2007, conseguiu estabelecer relações com o Festival Literário de Recife, realizando trocas efetivas com participações de autores locais e trazendo consigo uma proposta editorial a partir do projeto Novos Escritos. Foram 10 autores lançados em 2007, o que consideramos bastante significativo. Para ter repensada a sua significação o evento deixou de acontecer em 2008, ano eleitoral, retornando em 2009 novamente com a publicação de livros de autores locais e uma bem articulada curadoria do poeta André Ricardo Aguiar que se refletiu também em 2010 e 2011. No entanto, mais uma vez faltou essa articulação maior com outros atores do campo da literatura e do conhecimento. Até mesmo alguma coisa que cortasse a carne da vaidade&amp;nbsp;em alguns de nossos poderosos intelectuais que “acham feio o que não é espelho”. Na pele escancarada dos dias e noites, uma&amp;nbsp;Sol que não se importasse em nascer primeiro e dormir mais tarde... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="109" style="font-size: large;"&gt;Não vai aqui nenhum tipo de condenação a um evento que, tenham certeza, foi concebido exatamente para estimular a literatura enquanto forma de pensar o mundo que vivemos e enquanto tábua de conhecimento para as novas gerações. Estamos propondo exatamente o contrário. Na verdade, estabelecemos aqui uma saudável provocação para que o Fórum de Literatura de João Pessoa, um instrumento poderoso mas que não tem conseguido caminhar com as próprias pernas, chame para si a responsabilidade de convocar a Fundação Cultural de João Pessoa para discutir o evento e propor um formato que insira o Agosto das Letras no âmbito das oficinas de leitura desenvolvidas pela própria fundação, por exemplo, dialogando também com todos os agentes da cena literária local: editores, livreiros, autores, bibliotecários, professores de literatura, criadores de outras artes, uma vez que o evento se mostra vocacionado ao multiculturalismo e aos anseios das políticas públicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span closure_uid_wyu6g="110" style="font-size: large;"&gt;Seria interessante que o Fórum de Literatura se reunisse provocando este momento ainda no mês de agosto de 2011. É bom pensar sobre a carne quente e ainda pulsante. Mas, esperamos que esta avaliação do V Agosto das Letras não se configure em retaliações baratas de vaidades e interesses feridos. Avaliar o V Agosto das Letras vai significar que estamos buscando melhores caminhos para que o evento que já se refenciou nacionalmente como um dos mais&amp;nbsp;interessantes passe a exercer boas influências, também, junto ao público das escolas públicas, das universidades, das experiências máximas como a Biblioteca Comunitária Cactus. Também&amp;nbsp;como o Sebo Cultural enquanto experiência de diálogo com o autor local e outras percepções que possamos apanhar neste campo de centeios e mandacarus, com muitas pedras no meio do caminho que é o mercado do livro na Paraíba. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enfim, pro dia nascer feliz. Sigamos em frente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2307573036907883355?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2307573036907883355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2307573036907883355' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2307573036907883355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2307573036907883355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/08/antes-que-agosto-acabe.html' title='Antes que Agosto acabe.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4863624129296702412</id><published>2011-07-23T09:38:00.002-03:00</published><updated>2011-07-23T23:34:30.351-03:00</updated><title type='text'>Hercília Fernandes e as iluminuras do silêncio</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_25rth6="116" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div closure_uid_z990rq="104"&gt;&lt;span closure_uid_z990rq="119" style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A poesia sempre percorre caminhos incertos. Comunga com as coisas invisíveis, com as gotas minúsculas de orvalho na manhã das folhas. A poesia desnuda e disfarça para mostrar-se no etéreo e na eternidade das canções que nos guiam pelos caminhos do mundo. Como um pássaro do amanhecer, desdenha do ritmo num canto que se harmoniza com as cores do arrebol. Numa fotografia de fatos imperceptíveis, cada autor vai construindo a sua identidade. “O estilo é a fisionomia do espírito”, como nos disse Schopenhauer em A Arte de Escrever. É bastante complexo definir estilo. Mas, a verdade é que veremos neste livro os contornos definidores de um espírito criativo (ou um eu lírico, como queiram) que resiste e se mostra em cor e ritmo, em musicalidade e imagem definida na feitura de cada verso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A poesia de Hercília Fernandes percorre os passos incertos da linguagem com a certeza dos que saltam por sobre os abismos, sem medo de voar. Aliás, como toda poesia que se espalha para além das palavras, para além dos significados. “Nós em Miúdos é um testamento de lágrimas e risos, de sensações da pele e erupções da alma. O livro reúne poemas que nos conduzem às imensidões e ao microcosmo da existência humana. Tudo a partir da unidade de uma expressão poética que se entrega e ao mesmo tempo se dissolve no ar. Tudo infinitamente multiplicado nos olhares do leitor que, assim, &amp;nbsp; &amp;nbsp;promove na leitura as reinvenções do texto: &lt;b&gt;&lt;i&gt;“meu peito está em recesso/ aberto à contemplação aos motivos/ que antecedem as mãos sobre o verbo/ nada há de polêmico, comprimido, ascético.../ apenas fumaça, poeira, vastidão...”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Em poemas que municiam a esperança dos que sonham e vivem intensamente, a autora conduz com a maestria de uma bailarina de estrelas, uma solução de incêndios que apresenta ao leitor algo aproximado ao que Umberto Eco chama de “apresentar ao leitor , uma a uma, as contravenções às leis de probabilidade.” Não se faz necessário aqui contextualizar a imagem criada pelo pensador italiano com a configuração de poemas que se relacionam entre si e traçam uma corrente de pequenas vertigens entre a autora e seus motivos, com a transcendência que impulsiona e conduz cada sílaba na expressão do verso. E aqui reporto-me, mais uma vez a um poema que transpira simplicidade no que de mais complexo existe na expressão poética: &lt;b&gt;&lt;i&gt;“quando menina adorava bicicleta/ levava bons tombos - era certo! - mas insistia/ em dominar a máquina.../ soltava as mãos do guidon: irra!/ pedalava estrada infinita!.../ até que um dia caminhão me retirou da trilha/ arranhando-me pernas, joelhos, pés.../ sonhos/ deixou-me arisca: cicatriz no ombro,/ ferida na alma”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Cavalgando pelos seus motivos, cercando-se de labirintos e caminhos certeiros, Hercília impõe trovoadas ao silêncio e desdenha do erotismo com uma selvagem sensualidade tecida em versos precisos e de absoluta convicção quanto as possibilidades de cada palavra. Segundo Antônio Cândido “a idéia de ritmo é muito complexa, e frequentemente muito vaga.” Mas, talvez esteja nesta complexidade ritmica o aspecto determinante deste “Nós em Miúdos”, onde o desnudamento &amp;nbsp;afronta as fronteiras do que poderia parecer confissão. A lírica desenvolvida por Hercília vai ao cerne do encantamento e de lá arranca um tecido ao mesmo tempo cálido e áspero. Algo que vai bebendo as possibilidades de leitura uma a uma e se reescrevendo em hálitos de desejo e clausura. Mergulho aqui na compreensão de uma poesia que canta a si mesma, convergindo para o que Antônio Cândido também afirma: “Os elementos que compõe o verso são indissolúveis, e não podemos imaginar um sem o outro.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A partir de versos cuidadosamente lapidados, revelando-se leitora atenta dos livros e das palavras escritas na pele, a poeta conjuga o aço do espelho com a transparência de uma nascente de rio. Tudo com a simplicidade e a perplexidade de uma vida sorvida aos poros e aos berros de um silêncio que jamais se rende. Escreve como se estivesse extraindo da fisionomia dos seus estuários líricos uma verdade que se transforma a cada movimento da água, cada avanço do rio corrente das suas entranhas e a volúpia da sua racionalidade. Estamos diante de uma artista com plena consciência do seu tear criativo. Como se manobrasse uma enorme locomotiva longe dos trilhos porque se permite às aventuras da invenção sem amargurar suas metáforas no hermetismo inútil que busca-se em rótulos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div closure_uid_z990rq="115"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Hercília consegue extrair momentos de rara beleza neste "Nós em Miúdos", nos poemas já citados e em poemas como este: &lt;b&gt;&lt;i&gt;“enquanto você sonha/ me devora em sua sandice calado/ eu ponho meus óculos-de-sombra/ e me afogo na superfície/ do aquário...”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Faturas absolutas pela densidade, onde a poeta consolida sua presença na poesia contemporânea nordestina que a cada momento se renova e se distancia dos esteios medidos pelo olhar nem sempre atento dos senhores de engenho de uma crítica nem sempre atenta ao que se estabelece sem pedir licença. A poesia de Hercília Fernandes abre mão de apresentações. Se impõe na construção de enigmas absolutamente emoldurados pelo silêncio e pelo abano dos zincos que nos condicionam dentro de uma ciranda que pode e deve deliberar o tamanho das coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_z990rq="108"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Prefácio do livro - no prelo - Nós em Miúdos, da poeta potiguar Hercília Fernandes. Hercília é professora na Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Cajazeiras-PB)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4863624129296702412?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4863624129296702412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4863624129296702412' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4863624129296702412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4863624129296702412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/07/hercilia-fernandes-e-as-iluminuras-do.html' title='Hercília Fernandes e as iluminuras do silêncio'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7753819089552729701</id><published>2011-05-20T07:25:00.002-03:00</published><updated>2011-05-21T08:46:15.960-03:00</updated><title type='text'>Por que lancei meu livro num manicômio?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;por Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Algumas coisas não têm explicação. Ainda assim, nada impede que tenham uma história. Até agora lancei meu livro, Poesia Sem Pele, em lugares distintos e três cidades diferentes. No dia 5 de maio foi em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mário Quintana. Um lugar extremamente poético que já abrigou durante anos, enquanto Hotel Majestic, o poeta Mário Quintana. Naquele belo Centro Cultural muita coisa estava acontecendo. No mesmo momento e local estavam lá Antônio Cícero, Zeca Baleiro, Anônio Nóbrega, Victor Ramil e outros artistas, com atividades em outros espaços. Ainda assim vendi razoavelmente meu livro. Uma bela edição do selo gaúcho Casa Verde. Mas, não era isso o que importava porque o meu objetivo não é vender livros nem criar momentos de badalação. O extraordinário para mim&amp;nbsp;foi lançar um livro na minha terra amada, no meu pampa. O extraordinário era ser reconhecido pelos que fazem literatura na minha terra, depois de tanto tempo ausente. Na tarde seguinte, fui para o interior e no dia seguinte eu estava dialogando com o passado em frente ao túmulo dos meus pais, na fronteiriça Jaguarão, onde nasci. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No dia 10 de maio&amp;nbsp;foi a vez de Curitiba, no Brooklyn Café, um lugar pra lá de charmoso. Depois, na mesma noite, ainda em Curitiba, participei de um sarau no Wonka, um local da cena alternativa da capital do Paraná, onde rolava uma performance da atriz Zoe Camaris. Fui para lá convidado pela poeta Marília Kubota, partilhando o lançamento de mais uma edição do Jornal Memai, de cultura japonesa. O Paraná, me dizia Marília, é a segunda maior colônia japonesa do Brasil. Também vendi livros, mas como disse não é esse o meu objetivo. É ótimo poder reduzir o impacto do prejuízo de um livro de poemas, por força da espontaneidade das pessoas. No entanto, emoções não são medidas em cifras. Foi maravilhoso conviver com poetas paranaenses, sendo recebido como velho amigo por pessoas que até então, no máximo, tinha algum contato pela internet.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Entretanto, as minhas emoções não se esgotaram por aí. Tudo aquilo era apenas o início de uma caminhada pelo tempo. Foi na cidade onde&amp;nbsp;resido&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;, sob a lona de um circo e dentro do estacionamento de um manicômio, o Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, que eu fechei um ciclo da minha vida. Foi como se tivesse pagando uma enorme dívida com o silêncio. Em Jaguarão, colhi o olhar sofrido da fotografia colocada no túmulo do meu pai. Colhi ainda a doçura sempre imensa na fotografia da minha mãe (que morreu numa Lua Cheia). Nesses milhares de quilômetros que separam a cidade onde nasci da cidade onde moro,&amp;nbsp;minha vida inteira veio sendo recontada e recolhida do esquecimento. O tempo havia perdido as suas&amp;nbsp;configurações formais. Eu estava de frente para um espelho invisível, mirando algo muito distante e ao mesmo tempo muito presente. Era Lua Cheia, também,&amp;nbsp;naquele dia 18 de maio de 2011. No dia&amp;nbsp;anterior os místicos anunciavam a Lua Cheia de Buda. No dia seguinte, com a participação de profissionais da saúde mental e de pacientes do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, com a participação de amigos e amigas muito queridos e de muitas pessoas desconhecidas, mas que se mostraram parceiras de uma causa, aconteceu o lançamento. Com algumas ausências, certamente movidas por motivos justos e outras tantas movidas pelo preconceito, meu espírito transbordou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em meados dos anos 70, por algum motivo banal, ao reagir quando provocado por berrar seu pensamento. O cidadão Theodoro dos Santos que teria hoje 101 anos caso ainda fosse vivo, foi chamado de comunista (e não era) reagiu com fúria e acabou preso. Desde então nunca mais foi o mesmo. Sua alegria acabou ali. Lembro muito bem da imagem quando fui visitá-lo na prisão com uma das minhas irmãs. Eu tinha 13 anos, mas nunca mais saiu da minha memória aquele seu olhar de um intenso verde, brilhando de tristeza, de dor, de humilhação... Sua dignidade havia sido ferida de morte e meu pai, definitivamente, surtou. Algum tempo depois foi internado no Sanatório Roxo, em Pelotas, onde sofreu choques elétricos e, certamente, outros tipos de violência&amp;nbsp;praticada por&amp;nbsp;um sistema psiquiátrico criminoso. Não ficou muito tempo porque quando caiu a ficha para a minha família, fomos resgatá-lo e, até a sua morte no dia 03 de dezembro de 1977, ele foi cuidado por nós. Foi tratado com respeito. Foi amparado por um sentimento que às vezes é esquecido, mas que é fundamental para firmarmos nossas condições de seres humanos: o amor. Dois anos depois fui embora para Porto Alegre tentar algo para a minha vida que apenas começava. Minhas irmãs e minha mãe ficaram por lá. No final do ano de 1976, ao concluir o serviço militar, fui visitar meu pai já desenganado, com câncer e decidi ficar com ele até o fim. Fiquei o ano inteiro em Jaguarão, até a sua morte. Desde então, aprendi a lidar com os estigmas, com os preconceitos e, definitivamente, me fiz poeta de palavras nuas. Não escrevo, pois, movido por vaidades, mas por necessidades, por erupção da minha condição de gente, de cidadão que mergulha na linguagem para respirar melhor neste mundo insano, de desigualdades e de hipocrisias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quando fui chamado pela Dra. Flávia Fernando, diretora do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, para discutir a programação cultural da I Semana de Luta Antimanicomial da Paraíba, a memória me resgatou do futuro. Conheci um grupo de jovens engajados nesta luta e&amp;nbsp;revi alguns amigos artistas que já trabalhavam nos CAPS. Achei que era um momento histórico especialíssimo para partilhar alguns dos motivos das minhas mais densas emoções. Afinal, alguma coisa estava mudando na cidade que escolhi pra viver. Foi inevitável a atitude de propor que o lançamento da minha Poesia Sem Pele fosse feito por lá. Era como se estivesse&amp;nbsp;ocorrendo uma cospiração cósmica que para isso tudo saísse da vontade para a realidade. Agora, poucos dias depois, muito mais ainda, estou convencido que não poderia ser diferente. Dediquei aquela noite ao homem que foi meu exemplo de generosidade, de solidariedade, de honestidade e&amp;nbsp;de dignidade. O homem que me levou pela primeira vez, aos cinco anos, para uma atividade política. Na oportunidade eu me divertia andando a cavalo e colando cartazes da contundente Campanha da Legalidade. O inverno era menor que meu pequeno pala. Eu e meu velho éramos agentes de um ato contra o golpe de estado que já se desenhava e que mais tarde se consolidou e tornou o país refém de uma fúria conservadora. Uma idéia de mundo que, ironicamente, iria vitimar também aquele eterno campesino de princípios inquebrantáveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enfim, não foi contra o passado que a minha existência se debateu na noite do dia 18 de maio de 2011. Primeiramente na trovoada de tambores do Círculo de Tambores, depois nos depoimentos de profissionais, de pacientes e de impacientes como eu. E logo em seguida, na chuva musicando a noite no instrumento milenar que é a estrutura de um circo. Foi assim que afirmei e reafirmo minha militância por um mundo mais justo, sem fronteiras de qualquer espécie. Foi assim que afirmei com toda a força dos meus caminhos&amp;nbsp;pelo mundo, a minha militância antimanicomial. Espero que, definitivamente, nunca mais tenha que justificar o lançamento de um livro. (Afinal, não foram poucas as pessoas que me pediram para justificar a escolha do local.) Penso que a poesia precisa compor o quadro da nossa razão, do intelecto. Mas, também da nossa capacidade de desenvolver a imaginação, da nossa emoção, da nossa erudição cósmica, da nossa simplicidade, mas, sobretudo, da nossa condição humana. E a vida continua, como disse num poema, “sem devolver nenhum dos pedaços”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7753819089552729701?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7753819089552729701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7753819089552729701' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7753819089552729701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7753819089552729701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/05/por-que-lancei-meu-livro-num-manicomio.html' title='Por que lancei meu livro num manicômio?'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-321316967926397069</id><published>2011-04-24T22:21:00.001-03:00</published><updated>2011-04-24T22:25:09.353-03:00</updated><title type='text'>Mário Quintana: A ABL VIROU UM DEPÓSITO DE MINISTROS</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DLmVlMWCKzg/TbTITi0y0wI/AAAAAAAAAxk/N57NV5I-FYo/s1600/mario-quintana-foto-na-rede-rm4l1v.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="225" i8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-DLmVlMWCKzg/TbTITi0y0wI/AAAAAAAAAxk/N57NV5I-FYo/s320/mario-quintana-foto-na-rede-rm4l1v.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Mário Quintana na rede.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em janeiro de 1987 eu estava em Porto Alegre visitando a família com minha filha Mariana ainda bebê, Mayra na barriga da mamãe Joana Belarmino, na época repórter do Jornal O Norte e hoje professora de Teoria da Comunicação da UFPB e Doutora em Semiótica, com quem eu era casado na época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que foi iluminado por uma daquelas idéias que eternizam um momento. Convidei Joana para entrevistar o poeta Mário Quintana que acabara de completar oitenta anos. Exatamente na tarde do dia 16 de janeiro pegamos o busão na esquina e partimos para o centro da cidade para aventurar esse encontro com o poeta. Munidos apenas de um pequeno gravador e um enorme entusiasmo. Sequer uma máquina fotográfica. Chegamos no Porto Alegre Residence e pedimos para falar com o morador do apartamento 805. Falamos pelo interfone com a secretária de Mário que disse que teríamos apenas meia hora. Com o coração aos pulos subimos até o apartamento do poeta onde nos esperava a secretária que, coincidentemente, tinha sido minha colega de trabalho numa joalheria famosa na época, a Casa Masson. Isso no tempo que morei em Porto Alegre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já na entrada percebemos que o poeta era muito gentil e simpático. Disse que daria a entrevista apenas porque era para a Paraíba, um estado que ele gostaria de ter conhecido por conta das afinidades históricas dos gaúchos com os paraibanos. Nos chamou para o quarto dele e pediu três cafés. Se mostrou uma pessoa extremamente simples e alegre. Sua lucidez e seu senso de humor chegaram impecáveis aos oitenta anos. Menos a audição que já não era a mesma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conversamos um bom bocado. Além de conceder-nos a entrevista que segue abaixo, Mário nos ofereceu muita amabilidade. Falamos da vida, de poesia e rimos bastante com as “tiradas de onda” do poeta sobre tudo e todos. Quando íamos saindo, Mário me pegou pelo braço e disse, com seu denso sotaque alegretense:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Vem cá, vou te mostrar uma coisa que não mostro para ninguém.” (Com cara de quem mostrava pra todo mundo.) Curioso, segui aquele menino de oitenta anos. Joana que é cega de nascença, permaneceu sentada na cama do poeta. Quando chegamos na porta, pensei que ele fosse pegar algo, mas ele fechou a porta e me mostrou o lado de dentro com um imenso painel de fotografias da sua musa, Bruna Lombardi. Às gargalhadas, Mário me disse que algumas pessoas pediam para ele explicar aquilo e isso o aborrecia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- "Que coisa chata, como é que eu vou explicar uma amizade? Acho também que a amizade é um tipo de amor que não acaba nunca". Então nos despedimos, descemos, pegamos o busão e fomos direto para a casa da minha irmã com aquela preciosidade na bolsa: uma entrevista super exclusiva com o baita poeta Mário Quintana, em fita cassete. Caracas, eu nem acreditava! Quando chegamos em João Pessoa, depois de datilografá-la (porque naquele tempo os tempos eram outros), entregamos a preciosidade ao editor do Jornal O Norte, Carlos Cesar, que publicou-a na íntegra na mesma semana. Logicamente, com um texto de abertura de Joana Belarmino. O mesmo Jornal O Norte republicou partes da entrevista quando Mário morreu. O Jornal A União, também da Paraíba, mais tarde republicou a entrevista. Um outro jornal, de Goiás (Diário da Manhã), através do poeta e amigo Luiz de Aquino, anos depois, também reproduziu nossa preciosidade. Da mesma forma, o jornal Alto Madeira, de Porto Velho-RO, através do amigo, poeta e jornalista Selmo Vasconcelos, sobrinho do autor de Meu Pé de Laranja Lima, o escritor José Mauro de Vasconcelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, minha memória, por algum motivo, não resgatou apenas esta preciosa entrevista com este grande poeta gaúcho, colhida dos meus arquivos pessoais. Lembrei, por algum motivo, da imagem do próprio Mário Quintana na passeata do Jornal Correio do Povo, alguns anos antes, quando o jornal entrou em crise e fechou. Era, seguramente, um dos melhores jornais do país. Lá estava ele – que se dizia apolítico -, segurando uma faixa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também lembrei da notícia de despejo do poeta, então desempregado pelo Correio do Povo. Ele morava no antigo Hotel Magestic. A comoção popular foi grande e, dizem (não tenho como confirmar isso), um famoso jogador de futebol acolheu o poeta no Porto Alegre Residence. Por aquelas imensas ironias do destino o Hotel Magestic se transformou num dos mais charmosos equipamentos culturais de Porto Alegre: a Casa de cultura Mário Quintana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti vontade de reviver esses momentos e dividir com os amigos, através do meu blog, Pele Sem pele, onde publico alguns artigos sobre temas diversos. Com Mário Quintana inauguro também uma nova fase do blog, publicando entrevistas com escritores e outros artistas. Desde que citada a fonte e os autores desta entrevista, por se tratar de um material que julgo importante para a Poesia Brasileira e que deve ter o acesso democratizado, autorizo a reprodução e solicito que, se possível, me encaminhem uma cópia ou link.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: red; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 16pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Entrevista concedida à Joana Belarmino e Lau Siqueira&amp;nbsp;tarde de&amp;nbsp;16 de janeiro de 1987, no Porto Alegre Residence.&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 110%; margin: 3pt 4.5pt; text-align: center; text-indent: 30pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 110%;"&gt;Manchete no jornal paraibano O Norte, na época:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 16pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;Mário Quintana: &lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;A ABL virou um depósito de&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 20pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt; ministros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 20pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;Aos 80 anos, o poeta está mais avesso à Academia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 110%;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;strong&gt;P - Existe alguma pergunta que os jornalistas sempre fazem e que você considera chata?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; - Não. O que existe é uma pedida chata. Há pessoas que dizem, por exemplo: "Seu Mário, faz uma dedicatória bem poética pra mim... Olha, o que eles entendem por poética me deixa horrorizado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Quando foi que a poesia entrou na sua vida?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Eu comecei a fazer versos desde que me entendi por gente. Eu acho que ser poeta não é uma maneira de escrever é uma maneira de ser. Assim como nascem pessoas de olhos azuis ou pretos, nascem também os poetas. Mas eu só publiquei mesmo o meu primeiro livro muito mais tarde. Os poetas novos tem ânsia de publicar logo. Eles deveriam esperar ficar mais amadurecidos pela vida, não é? E assim, iriam amadurecendo também o seu instrumento, que são as palavras. O poeta quando mais velho tem tendência de ficar melhor, com o estilo mais depurado. Viveu mais, não é?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Você acha que Mário Quintana já está pronto, é um bom poeta?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Olha, eu sou m eterno aprendiz. Porque o poeta que descobre uma fórmula, ganha renome, não quer outra vida e fica conversando com os amigos sentado em cima do muro sem se espetar, esse está perdido, porque eu acho que a poesia não é mais que a procura da poesia, como acho que também Deus se resume na procura de Deus. Eu publiquei meu primeiro livro aos 34 anos. Foi "A Rua dos Cataventos".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - O que você acha da velhice?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Eu acho que é uma pena. Só que eu queria ter nascido 40 anos antes, e não oitenta anos antes (risos). Tudo isso eu já vivi, sabe? Quando o diabo me chamar eu já estou pronto.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Você já viveu oitenta anos. O que é que mudou em Porto Alegre desse período pra cá?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Olha, naturalmente o que mudou foi a arquitetura, não é? Eu vejo sempre uma cidade dentro da outra e lembro aquela cidade antiga. Mas, pra me lembrar dela eu tenho que fechar os olhos (risos). Porto Alegre, antigamente, era muito mais calma. Não havia tantos assaltos, tanta violência... Eu nasci no tempo das vacas gordas. Antes, o leiteiro deixava o leite na porta de casa e ninguém roubava. Hoje roubam até as galinhas dos despachos. Os tempos mudaram, os costumes, mas a vida continua a mesma. Eu não sou como aqueles velhos que dizem: "Ah, os bons velhos tempos..." eu tenho vontade de dizer para eles: "Olha seu moço... seu moço, não, seu velho. Os tempos são sempre bons, o senhor é que não presta mais... (risos).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Você continua a escrever poesia com freqüência? Publicará algum livro este ano?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Olha, eu não sei fazer outra coisa na vida. Este ano vou publicar dois livros: Um diário poético, com pensamentos sobre cada dia. No dia universal da mulher, por exemplo, eu escrevi o seguinte: " De cada dois gambás - eu não sei se na Paraíba se usa a palavra gambá para se definir um bêbado - um é porque não tem mulher e o outro é porque tem. (risos).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Já se tentou três vezes colocar o seu nome na Academia Brasileira de Letras e não se conseguiu. Qual é, agora, a sua relação com a Academia?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- &lt;em&gt;As minhas relações com a Academia foram sempre boas, eu sempre me dei com gente de lá. Não estou dizendo que "as uvas estão verdes", mas, na verdade eu nunca quis pertencer à Academia. O pessoal de mentalidade futebolística não se satisfazia com apenas um nome gaúcho no time e achavam que devia ter outro lá. Resolveram me candidatar. Quando me candidataram da primeira vez, eu recebi o recado de um senador, que estava tudo preparado para entrar o Portela, os votos já estavam prontos e que eu deveria desistir... E eu disse para ele, por telefone, que não haveria de desistir porque o pessoal iria pensar que era covardia minha. Seria muita desconsideração de minha parte. Aliás, eu não gosto da Academia e jamais quis pertencer a ela porque a gente perde um tempo enorme recebendo visitantes estrangeiros de valor muito suspeito. Se pensa que ser estrangeiro é grande coisa, que ser francês ou inglês é uma raridade e não é bem assim. Depois, na Academia, se começa a discutir quem vai ser o sucessor de quem, se recebe impressões de toda a parte para se votar e eu acho que isso atrapalha a vida do camarada, não é? Eu acho que ultimamente a Academia virou um depósito de ministros e com o perdão de alguns amigos que eu tenho lá, um asilo de velhos. Mas eu não tenho nada contra a Academia. De fato não há contradição minha em lamentar que não tenha sido eleito porque eu tensionava fazer tudo pela Academia, se fosse eleito. Acho que, antes de tudo, ela deveria ter muita gente jovem. Eu acho que já seria uma renovação e acabava com aquela coisa. Na academia, já não gostaram muito de mim porque dois anos antes da minha candidatura eu tinha dito que a Academia era uma espécie de sociedade recreativa e funerária (risos).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Como é o dia-a-dia de Mário Quintana?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Bem, eu acordo de manhã, vivo de dia e durmo de noite (risos). Não tem nada de especial. Eu escrevo, ando, visito amigos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Mário, cita dois ou três poetas brasileiros que você considera bons.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Olha, eu não gosto de citar. Eu só citarei um para evitar, depois, emissões inadvertidas ou divertidas. Eu citarei o Carlos Drummond de Andrade que é um dos poetas mais complexos do nosso País.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Mário, você fala muito do amor nos seus poemas. Mas, você não se casou, não teve filhos. Como explica isso?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Talvez porque não tenha tido tempo. Eu andei muito. Antes eu trabalhava em Alegrete, cidade onde nasci. Ali fui prático de farmácia. Mas, quando estava esquentando uma coisa eu mudava para outra. No quarto ano do colégio eu fui reprovado porque só estudava Português, Francês e História. O resto eu nem abria e um dia meu pai disse: "Olha, você não quer estudar. É uma pena, mas, vagabundo não te quero. Vais trabalhar na minha farmácia." E eu fui prático de farmácia por cinco anos. Depois quando ele faleceu, eu fui fazer a única coisa que eu gostava: fui trabalhar de jornalista no jornal O Estado do Rio Grande. Quando as coisas estavam esquentando de novo o Governador mandou fechar O Estado do Rio Grande. Era o Flores da Cunha. Ele era um velho caudilho (risos). Aí fui trabalhar na Gazeta de Notícias, no Rio. Isso em 1936. Estive lá dois anos e aí fui trabalhar na Livraria do Globo. E sempre andando de um lado para o outro. E aí não tive tempo. Como é que vou saber porque é que não casei. Deve ter sido por causa dos astros, né? Vamos culpar os astros (risos).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - (Joana) - Casou com a poesia?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - (Lau) - Não, não...&amp;nbsp;A poesia não é um casamento. É um caso, não é?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Ah... a poesia é um caso mesmo!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Quantos livros você traduziu?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Eu traduzi para a Livraria do Globo, cento e trinta e oito livros. No tempo em que eu era criança, o francês era moda e a minha mãe era professora de francês. Então, quando a gente, por exemplo, não queria que os empregados soubessem o que a gente estava dizendo, aí se falava em francês. Grande parte da revolução de 23, por exemplo, foi preparada em francês, porque se reuniam as senhoras dos oficiais para tomarem chá e comunicavam as coisas todas em francês. Imagine que na minha terra, em Alegrete, se fez revolução em francês. Que barbaridade! Naquele tempo as comunicações com a Europa eram bem mais fáceis que hoje. A França era a capital literária do mundo. Eu, quando estava na farmácia do velho, tinha conta numa livraria francesa. Eles mandavam os boletins e eu encomendava. Tudo vinha direto de Paris para Alegrete.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P - Que recado você vai mandar para os paraibanos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;MQ&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Ah, eu quase fui morar na Paraíba. Porque eu servi na revolução de trinta e quando houve aquela batalha de Itararé (que não houve) eu estava na cidade de Rio Branco, no norte do Paraná. Aí se chegou a um acordo e o tenente, que era da Paraíba, me ofereceu o cargo de tenente-contador. Mas eu disse pra ele que não pretendia ser soldado, nem prosseguir no serviço militar porque preferia voltar para o Sul. Isso aí por um lado foi bom, não é? Porque depois houve um golpe na Paraíba, imagine, eu poderia ter morrido... (risos)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um poema de Mário Quintana:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos retratos de parede&lt;br /&gt;Não conseguem ficar longo tempo abstratos.&lt;br /&gt;Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados&lt;br /&gt;Porque eles nunca se desumanizaram de todo.&lt;br /&gt;Jamais te voltas para trás de repente.&lt;br /&gt;Não, não olhes agora!&lt;br /&gt;O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...&lt;br /&gt;Sem fim e sem sentido.&lt;br /&gt;Dessas que a gente inventava para enganar a&lt;br /&gt;Solidão dos caminhos sem lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(do livro "Esconderijos do Tempo - composto após os 70 anos de idade)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-321316967926397069?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/321316967926397069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=321316967926397069' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/321316967926397069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/321316967926397069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/04/mario-quintana-abl-virou-um-deposito-de.html' title='Mário Quintana: A ABL VIROU UM DEPÓSITO DE MINISTROS'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DLmVlMWCKzg/TbTITi0y0wI/AAAAAAAAAxk/N57NV5I-FYo/s72-c/mario-quintana-foto-na-rede-rm4l1v.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-9124383396112852420</id><published>2011-04-06T00:01:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T00:12:53.248-03:00</updated><title type='text'>II FLIBO  afirma vocação cultural de uma Paraíba que pensa e faz</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fwlNpBJjBdc/TZvXQD94jtI/AAAAAAAAAwY/Px49Ks-dBTs/s1600/Marcha+pela+Literatura.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-fwlNpBJjBdc/TZvXQD94jtI/AAAAAAAAAwY/Px49Ks-dBTs/s320/Marcha+pela+Literatura.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A marcha pela literatura, na II FLIBO.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não apenas as pessoas. Também as comunidades, as cidades, os estados, os países... Tudo que pulsa no mundo busca afirmar alguma vocação diante de um futuro cada vez mais competitivo e tribalizado. A cidade de Boqueirão, com a realização da sua II Feira Literária (II FLIBO) aponta um novo caminho, um novo modo de desenvolvimento que pode e deve esternder-se à outras cidades do interior paraibano. Não são poucas as provocações históricas que sinalizam nesta direção. Isso nos faz, também, acreditar que a questão central do conceito de sub-desenvolvimento está na forma colonizada de pensamento que nos foi imposta década após década. O pensamento do outro, o sentimento do outro, o costume do outro... ou melhor: a educação da Europa; o cinema americano; a literatura francesa; a música inglesa; a tecnologia japonesa... Quanto mais distante mais valioso, ainda que seja este um valor bastante duvidoso tantas vezes. Nesta forma sub-desenvolvida que alguns preferem por se tratar de um modelo de fácil dominação política há uma pré-disposição em pensarmos que tudo que os outros fazem é melhor. (Tudo nos EUA é melhor. Tudo em São Paulo é melhor. Tudo em Pernambuco é mais interessante.) Se não pecebermos o montante de interesses que envolve essa aniquilação das identidades e possibilidades regionais, a história não nos perdoará. Nós somos sujeitos do nosso destino e isto está posto até mesmo no que pode ser considerado pelos incautos “um simples evento literário.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do Encontro de Literatura Contemporânea realizado em Campina Grande, durante o carnaval, da II FLIBO, em Boqueirão, de 24 a 27 de março, do V Celebrando os Anjos de Augusto que acontecerá no dia 19 de abril em Sapé e do tradicional Festival de Poesia de Aparecida, já podemos arriscar a idéia de que a Paraíba começa a perceber que a sua tradição cultural pode vir a ser, num prazo mais curto que se imagina, a sua mais poderosa “indústria”. Não é segredo que a chamada Indústria Criativa, ou seja, a indústria do conhecimento, movimenta 7% do Produto Interno Bruto – o PIB mundial. A Inglaterra saiu na frente e no governo Tony Blair fundou o seu Ministério das Indústrias Criativas que movimenta bilhões de Euros e emprega e remunera muito bem obrigado milhares de cidadãs e cidadãos ingleses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Citamos apenas alguns eventos de literatura que se situam dentro de um contexto bem mais largo e complexo porque este seria, provavelmente, um dos elos mais frágeis na cadeia produtiva da cultura da Paraíba. O fato é que na sua segunda versão a FLIBO já começa a ganhar uma razoável visibilidade através da mídia espontânea, das redes sociais, do fenômeno dos blogs e de portais muito conhecidos como o Overmundo. Muitas pessoas do país inteiro ligadas à literatura e aos movimentos culturais, por esses meios principalmente, já tomaram conhecimento que uma cidade do Cariri Paraibano aposta num evento literário de qualidade como um dos vetores especiais do seu desenvolvimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A II FLIBO começou com uma palestra do reconhecido escritor brasileiro, o paraibano Bráulio Tavares e terminou com uma aula-espetáculo de um escritor que é uma das maiores legendas da cultura brasileira, o também paraibano da gema, nascido no Palácio da Redenção, Ariano Suassuna. Somente a presença de Ariano Suassuna no evento já demarca para Boqueirão um terreno fértil dentro da teia de eventos literários brasileiros. Banido durante décadas da vida cultural do Estado, Ariano começa a reconquistar a sua cidadania paraibana e recompor os vácuos de uma história contada por interesses de facções coronelistas. Quem ganha com isto é a Paraíba que recebe de braços abertos um dos seus mais ilustres frutos. O Estado ganha também por vivenciar nesse momento histórico a certeza de novos tempos. Percebe-se que novas idéias estão semeadas. Certamente que não para esquecer o passado, mas para escancarar as portas do futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um evento que soube cativar escritores de outros estados e, ao mesmo tempo, acolher a efervescência da nova cena literária que está posta na terra de José Lins do Rego e Augusto dos Anjos, não precisará de maiores justificativas para captar o futuro. A FLIBO trouxe para o centro do debate a questão das novas linguagens criadas a partir da literatura eletrônica e das novas mídias. Também as tradições populares e os anseios dos novos escritores. Até mesmo a estética que não exclui possibilidades e não perdoa vaidades. Estamos tratando de um festival de literatura que nos mostrou, sobretudo, como dialogar com o seu tempo e com a sua circunstância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Realizado pela Prefeitura Municipal de Boqueirão, através da sua Secretaria Municipal de Cultura, a FLIBO nos mostra que o desenvolvimento da educação e da cultura nas diferentes regiões do mundo, dependerá sempre da visão de futuro dos governantes e da capacidade de mobilização da sociedade. A Associação Boqueirãoense de Escritores – ABES que, na verdade, colocou a mão na massa para garantir a realização do evento, teve habilidade de sobra para trabalhar articuladamente com instituições como o Governo do Estado da Paraíba, através da Secretaria de Cultura, com movimentos literários paraibanos como o Grupo Caixa Baixa e o Núcleo Literário Blecaute, mas também com o SEBRAE e outros parceiros. A ABES soube ainda mobilizar escritores pessoenses que, com apoio da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE, estiveram presentes e atuantes, seja participando das mesas, lançando obras ou aproveitando este importante espaço de trocas de saberes que tanto contribuem com Boqueirão quanto adensam o olhar dos visitantes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;MARCHA PELA LITERATURA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos pontos altos da Feira Literária de Boqueirão foi o envolvimento das escolas do município. Seja nas oficinas ou em momentos de extrema singularidade como a simbólica Marcha pela Literatura, onde os organizadores e organizadoras souberam constituir elementos de sedução junto ao alunado trazendo para as ruas personagens da literatura de Monteiro Lobato e dos clássicos da literatura mundial. Esta marcha deu uma característica conceitual à FLIBO, ao apontar para a necessidade de incentivarmos políticas de leitura nas escolas. Um fator estruturante para formação das futuras gerações de cidadãos e cidadãs do Cariri Paraibano e de outras regiões. Marcel Proust, em texto sobre a importância da leitura, afirmou que as melhores lembranças da nossa infância são as imagens que colhemos nos livros. Já o poeta gaúcho Mário Quintana costumava dizer que “o pior analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê. O fato é que o elo com as políticas da Educação apontam um caminho que será determinante para a estruturação um futuro mais pleno em sabedoria e cidadania. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;PREPARANDO A&amp;nbsp;III FLIBO&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os escritores e escritoras que fazem parte da ABES e que, na verdade, fazem parte também de um movimento espontâneo que contamina a Paraíba inteira, já devem estar pensando no formato que darão ao evento no próximo ano. Na verdade, a segunda edição de um evento é sempre a sua afirmação. As futuras gerações saberão agradecer, como hoje a cidade de Porto Alegre agradece aos que criaram e sustentaram a tradição que já caminha para a sexagésima edição da sua Feira do Livro, atualmente, a maior feira de livros ao ar livre da América Latina. A FLIBO começa a dar os primeiros passos de forma muito segura quanto ao seu papel no desenvolvimento econômico, social e cultural da cidade e do Estado. O cenário está pronto: Boqueirão mantém uma Orquestra Filarmônica entre cordéis e cantorias, grupos de boa referência como o Kiriri Jazz Band, além de fomentar a maior tradição musical brasileira, o chorinho, bem como outras tradições do povo do Cariri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A FLIBO afirma as políticas públicas de cultura que conduzirão pelos melhores caminhos os que hoje não conseguem ainda dimensionar a importância para as suas vidas de um ato público com a dimensão da Marcha pela Literatura. Estabelecendo diálogos com as novas tecnologias, com as mídias digitais que já não fazem mais parte do futuro e com a história da literatura que, como afirmam alguns teóricos, não possui grau de evolução, pois afirma-se através do tempo nas suas melhores tradições. Abrindo as portas para as mais densas colheitas da intelectualidade lusófona e para a imensa diversidade cultural da região, Boqueirão em pouco tempo será conhecida nacionalmente pela FLIBO e por iniciativas semelhantes que a sua Secretaria de Cultura vem semeando com a dedicação de quem acredita na cidade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-9124383396112852420?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/9124383396112852420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=9124383396112852420' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/9124383396112852420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/9124383396112852420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/04/marcha-pela-literatura-na-ii-flibo.html' title='II FLIBO  afirma vocação cultural de uma Paraíba que pensa e faz'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fwlNpBJjBdc/TZvXQD94jtI/AAAAAAAAAwY/Px49Ks-dBTs/s72-c/Marcha+pela+Literatura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8110240281091614813</id><published>2011-03-17T09:47:00.001-03:00</published><updated>2011-03-24T11:48:46.532-03:00</updated><title type='text'>O carnaval das letras.</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Núcleo Blecaute realiza pelo segundo ano consecutivo um significativo encontro literário&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A palavra colombina e a palavra pierrot acumularam singularidades em suas fantasias para as cinzas deste carnaval 2011. A cidade de Campina Grande, nacionalmente conhecida por realizar o Encontro Para a Nova Consciência no período momesco misturou aos debates esotéricos, às manifestações religiosas e às cultuações do xamanismo, um ousado empreendimento de jovens literatos da Rainha da Borborema. Foi a perseverança e a credibilidade do Núcleo Blecaute de Literatura que possibilitou pelo segundo ano consecutivo um evento que remete ao futuro discussões sobre a literatura feita na terra de Augusto dos Anjos e José Lins do Rego. Idéias e conceitos estéticos, políticas públicas para o livro e para a leitura, articulação entre eventos literários paraibanos, novas tendências da literatura paraibana... Debates qualificados e oportunos que impulsionam a literatura paraibana para o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O “II Encontro de Literatura Contemporânea – Entre escritores e editores, a trajetória dos livros” coloca definitivamente a maior cidade do interior da Paraíba na rota dos diálogos da literatura contemporânea brasileira. Uma rota que começa a se solidificar no Estado com a abertura de novos caminhos, com o envolvimento de novos atores de uma cena que já desperta a atenção do Brasil. O Encontro de Campina Grande não nasceu isoladamente. Nasceu e cresce dentro de um contexto que absorve uma interação absoluta com o que está sendo fruto do empreendedorismo e da ação militante de escritores, “novos e usados”. Em Campina Grande pudemos conferir uma importante articulação estadual a partir de representações nos debates e nas platéias, de escritores e agentes literários de Boqueirão, Nova Palmeira (terra de Zila Mamede), João Pessoa, Sousa e outras cidades do Estado - e até de fora. Sobretudo uma nova mentalidade acompanha os novos escritores e produtores da Paraíba. Além da maturidade no manejo com a linguagem destaco a coragem de abandonar o tradicional e corrosivo culto aos desolados umbigos. Começamos a perceber a tendência para uma ação mais coletiva e mais efetiva que propõe, que empreende e que sustenta debates que vão da produção literária e editorial, passando pelo mercado do livro, pelas políticas públicas para a literatura, chegando às práticas cotidianas de projetos de incentivo à leitura como o projeto Biblioteca Livro em Rodas. Ou seja: os eventos partem do princício de valorização do nascedouro e da finalidade da cadeia produtiva do livro, valorizando sobremaneira autor e leitor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Com uma programação bastante diversificada e solidamente construída, discutindo desde a psicologia de um escritor, com palestra agradabilíssima do escritor, psicanalista e professor da UFPB, Ronaldo Monte ao desafio de trazer para a cena um aspecto ainda não de um todo resolvido na literatura: a questão de gênero e a identidade estética do discurso feminino, com os acúmulos e o talento da escritora, tradutora e professora da UEPB, Vitória Lima. Aliás, este é um dos debates que certamente renderá investigações para além do II Encontro, uma vez que é por demais conhecida a exclusão da mulher na história da literatura. Um dos aspectos a ressaltar neste sentido é o fato de contarmos ainda com uma presença tímida das mulheres no mundo das letras, mesmo aqui na terra da ousada e modernista Anayde Beiriz, a nossa Pagu. Avanços significativos estão apontados no evento, por certo, se pensarmos que ainda no final do século XIX algumas mulheres escreviam com pseudônimo masculino para que pudessem ser aceitas no contexto da época. E se pensarmos o século XIX dentro da história da literatura, estaremos simbolicamente falando da “semana passada”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um dos pontos centrais do evento foi a proposta de articulação que vem sendo empreendida por grupos de escritores, seja do núcleo Blecaute que produz uma revista que já nasceu no melhor padrão do jornalismo literário brasileiro, seja do grupo Caixa Baixa que apesar da curta existência já desponta com um diferencial enorme ao ter nascido propondo o necessário debate acerca do contexto atual da literatura paraibana e brasileira. Algo que espeta em saudável provocação a tentativa de acomodação de determinadas situações, consagrando paralisias e estimulando uma falsa idéia de fim da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O evento nos mostrou que existe uma efervescência e uma inquietação que consideramos de suma importância para a consolidação do Estado da Paraiba no cenário nacional da literatura. Estamos vivendo o que podemos chamar de “pré-plenitude” da era das redes sociais e da literatura eletrônica. Ao mesmo tempo temos a configuração de um processo que trouxe para o centro do debate nomes importantes como o professor da UFPB e ficcionista Rinaldo Fernandes, com amplo prestígio nacional e com plena disposição para resgatar a idéia de circulação de escritores nordestinos como forma de fomentar, dentro do mercado do livro, a renovada tradição literária de estados como Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco e outros que sempre se mostraram celeiro da literatura brasileira nos poucos séculos de história que possui a nossa melhor tradição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em dois dias de atividades e densa programação, com excelente participação de público e com temas bem posicionados dentro do debate nacional, o Núcleo Blecaute de Literatura, formado pelos escritores Bruno Gaudêncio, Jã Macedo e João Matias de Oliveira, editores da revista Blecaute (http://sites.uepb.edu.br/revistablecaute/), contou com o fundamental apoio institucional da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB e da ONG Nova Consciência. Assim firmou-se definitivamente na terra que gerou movimentos importantes como o da Revista Garatuja e numa tradição que repercute no cotidiano das feiras, por onde ainda se escuta a cantoria dos poetas populares e se encontra folhetos de cordel que incentivaram o hábito da leitura para uma infinidade de nordestinos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O evento proporcionou, muito especialmente, as trocas necessárias para uma boa política pública para a literatura em nosso estado. Por exemplo, as experiências administrativas no Memorial Augusto dos Anjos (debate apresentado e conduzido pelo poeta Jairo Cezar), nos ensinaram a acreditar que diante das dificuldades somente a invenção e a perseverança nos permitem seguir em frente. O fato animador de toda esta movimentação é que criou-se, naturalmente, um núcleo de criadores e produtores de eventos literários na Paraíba, partir do interior do Estado, unindo-se e estimulando a produção da capital, até então, com maior visibilidade dentro dos meios literários brasileiros. Estamos, pois, melhor cacifados para solidificar no estado a presença de eventos importantes como o Salão internacional do Livro que em outubro realizará sua segunda edição. Estamos preparados para dialogar com o Brasil de igual para igual com os mais destacados segmentos da literatura. Estamos caminhando para consolidar um processo formativo para o povo paraibano e que influirá positivamente na geração de trabalho e renda, fomentando a economia, no debate sobre a educação e a cultura que irá nos distanciar cada vez mais de uma mediocridade que vai ficando relegada, felizmente, ao lixo da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8110240281091614813?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8110240281091614813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8110240281091614813' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8110240281091614813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8110240281091614813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/03/o-carnaval-das-letras.html' title='O carnaval das letras.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7881600523026456136</id><published>2011-02-14T17:54:00.001-03:00</published><updated>2011-02-19T09:08:34.492-03:00</updated><title type='text'>A distância entre o autor e o leitor na cadeia produtiva do livro</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É certo que a existência de políticas públicas é algo inegociável. Todavia é um pouco demais pensarmos que somente através de políticas públicas encontraremos o nirvana social e cultural do nosso país e do mundo. Os governos fazem parte da sociedade, mas nem sempre são representativos das classes dominantes, ou seja, do poder enquanto relação de classe. Nas discussões sobre a cadeia produtiva do livro e as políticas públicas de acesso ao livro e a leitura, nos deparamos com alguns paradigmas que precisam ser superados. O primeiro deles é que a existência de políticas públicas para o livro e para a leitura seja a salvação de uma “lavoura arcaica” tão irrigada quanto o mercado do livro. Precisamos não confundir as coisas. Quando falamos em políticas públicas para o livro e para a leitura, precisamos estar atentos a um fator determinante neste debate: quase sempre quem dá o ponta-pé inicial para a cadeia produtiva do livro e da leitura (o escritor ou a escritora) fica fora do debate. O mesmo destino é dado ao ponto final da mesma cadeia produtiva: sua excelência o leitor. Desta forma os meios se abastecem dos fins. Em alguns debates sobre o livro e a leitura, temos a impressão que os livros são geridos por “incubadoras criativas”. O desprezo com que um autor fora do mercado é tratado, por exemplo, pelas livrarias, coloca o assunto num estado de alerta máximo no momento em que esse debate aflora em diversos fóruns. É como se mesmo um livro que esteja fora do mercado formal, não estivesse contribuindo com a lucratividade da mesma cadeia produtiva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse debate sobre a cadeia produtiva do livro, ou buscamos um tratamento global das questões ou estaremos definitivamente perdidos nas particularidades, nos interesses sempre muito individualizados e lacrimosos de todos os lados envolvidos. A relação chega a ser estranha em certas ocasiões. Enquanto alguns grupos empresariais do setor reclamam dos parcos lucros, a maioria dos autores paga caro para existir socialmente dentro da mesma cadeia produtiva. Precisamos de um ponto de partida: as políticas públicas para o livro e para a leitura não podem se resumir na ação de engorda dos lucros de um mercado que não pode se queixar de subnutrição, como o mercado do livro. Os números desse mercado hoje nos fazem refletir sobre os investimentos públicos para a área, a gestão das políticas de leitura e os altos índices de analfabetismo real e funcional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Precisamos começar a inverter esse debate. Não podemos apenas cair na esparrela de cobrar obrigações dos cofres públicos em suprir a insaciabilidade do mercado do livro. Mesmo com a isenção dos impostos concedida pelo governo o livro continua sendo um artigo de luxo. A contrapartida do mercado seria anatural queda no preço de capa dos livros e a criação do Fundo Nacional do Livro, Leitura e Literatura. Passados sete anos, nada disso foi cumprido. Será que é somente do poder público a obrigação de formar leitores e, conseqüentemente, clientes para esse comércio Cult? O mercado do livro faz parte de um setor que tem despontado com bastante vigor na economia mundial, abrindo alas para um debate sobre a realidade da festejada “economia criativa”. Na Inglaterra esse vetor já foi plenamente reconhecido pelo governo a partir da criação, pelo Primeiro Ministro Tony Blair, do Ministério das Indústrias Criativas, um nicho que está movimentando cerca de 7% da economia inglesa, empregando de forma satisfatória boa parte da população economicamente ativa. É dentro desse nicho que se abriga o coro dos descontentes livreiros, ainda que boa parte não esteja realmente preocupada com qualquer processo criativo, uma vez que se sustenta com Best Sellers, auto-ajuda e outras jazidas de mau gosto. Portanto já está mais que na hora, também, de cobrarmos desse mercado uma relação mais civilizada com as duas pontas da cadeia produtiva do livro: o autor e o leitor. Se o respiradouro do empresariado livreiro depende do poder público, sem gerar qualquer efeito cascata no destino dos seus lucros, alguma coisa está errada. Se o mercado é lucrativo e os livreiros, editores, escritores e leitores estão falidos, o desastre está desenhado. Por outro lado, se vamos mesmo discutir o mercado do livro, precisamos discutir dentro dele os fatores que mais nos interessam: o autor, o leitor, a responsabilidade social e intelectual da atividade e, conseqüentemente, a necessária contrapartida ao investimento público num mercado que não pára de crescer e que pouco ou nada devolve para a população, até mesmo com relação a “sensibilidade” nas tabelas de preços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os escritores precisam estar mais atentos e engajados nesta realidade. Afinal, a criação literária deve receber todos os investimentos intelectuais do autor, mas o livro (e muito especialmente o livro dos autores descredenciados pelo apartheid do mercado) não pode ser tratado como um girino perdido numa rasa poça d’água. Esta realidade é vislumbrada aqui em João Pessoa, mas corre o país e não é diferente em outros rincões do mundo. Precisamos começar a discutir formas de contrapartida que incluam o autor na promoção do livro e da leitura. Logicamente que isso irá resultar em formação de público para o mercado do livro, mas também irá contribuir para a formação de uma cidadania crítica e atenta aos seus direitos e deveres. Tudo na espessura do óbvio: o autor é o principal instrumento de divulgação do livro. Logo, desprezá-lo é um ato de insanidade e comodismo de um mercado balofo, cujo foco não passa do departamento financeiro das secretarias de educação. Optaram pelo fácil e não pelo que seria simples e politicamente aceitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos vivendo momentos especialíssimos. A economia brasileira vai muito bem obrigado. Avançamos firmes para nos tornarmos a quinta economia do mundo. Mas esse fator, isoladamente, não nos diz absolutamente nada. Desejamos que esse crescimento se dê em patamares menos desiguais dos que hoje determinam as misérias e as fortunas do país. Interessa-nos sim ver crescer o mercado do livro. Mas, alguns fatores precisam entrar em pauta. Entre eles a responsabilidade social das grandes editoras que faturam fortunas na venda de livros para o setor público. A visão fragmentada deste universo poderá nos deixar dormindo de touca dentro do redemoinho que balança a Bolsa de Valores e que sustenta ostentações infecundas de uns poucos. Precisamos colocar no debate os conteúdos desse produto, pois, somos consumidores e ainda pagamos duplamente com a destinação dos nossos impostos. O avanço necessário nesse debate, então, exige a presença insubstituível dos autores que se estabeleceram como fator de germinação desse mercado, repito, muitas vezes bancando suas próprias obras e até mesmo a circulação delas, formando em torno de si um ínfimo mercado cuja utilidade é diminuir substancialmente a fatalidade dos prejuízos de publicar um livro. Claro que para um autor seja ele jovem ou experimentado, este investimento é inevitável. Mas, também se faz imprescindível o debate acerca de um setor que se coloca como vítima e na verdade vai vitimizando a cidadania cultural de cada um de nós. O acesso ao livro continua amparado em um rosário de desculpas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que está posto nos revela que o contrato (formal ou informal) entre os livreiros e os autores (seja qual for o grau de popularidade) precisa ser racionalizado de forma a estabelecer uma relação mais justa e mais profissional. O debate sobre o livro e a leitura não pode naufragar em reações corporativas. Seja de autores, editores, distribuidores, livreiros, gráficos, críticos, etc.. Existe uma profundidade a ser explorada na evolução cultural do nosso povo. O livro significa (ou deveria significar) literatura em termos de criação, de invenção literária. O livro não pode ser um naufrágio enquanto instrumento de negociação dos interesses entre a sociedade (ou setores dela) e os governos. Aliás, a democracia se constrói com questionamentos e não com absolutismos. A evolução de uma sociedade se dá na medida em que se aprofundam as construções do debate democrático, inclusivo que consiga diluir as distâncias entre a lucratividade do mercado do livro e a eliminação do analfabetismo funcional, por exemplo. Portanto, se vamos discutir o mercado do livro, vamos deixar claro que temos interesses. Até para não misturar Paulo Coelho com Machado de Assis. Sobretudo nós, escritores, temos fome desse debate, mas temos também muito nítida a responsabilidade de não fazer concessões ao chamado gosto público, às unanimidades construídas por conta de relações que não se dão exatamente com a palavra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento em que os eventos ligados ao livro são amparados muito mais pela relação com os governos que com os desafios postos pela sedução de um público leitor, queremos debater as contrapartidas para que estejamos fomentando, verdadeiramente, uma civilização e não corroborando com a barbárie que bate nos portões do castelo onde guardamos os nossos sonhos. Não podemos cair na tentação do argumento fácil. Estamos na era das velocidades. Existe uma realidade canônica evolutiva na literatura universal. Encontramos um Rimbaud tatuado em cada lan house alimentando um blog ou escrevendo versos no Orkut. Um Rimbaud que precisa ser educado por uma realidade onde o livro não seja um mero produto de prateleira, vendido no peso da capa, como mercadoria que hoje disputa espaço com pacotes de feijão e arroz e farinha nos supermercados. Estamos querendo exatamente discutir, se não uma civilização, pelo menos uma relação mais civilizada ou menos autofágica dentro da consagrada e manhosa república do livro e seus mercadores. Mas, não há como resistir a essa sensação que está tudo sempre começando e recomeçando o tempo todo. Queremos avançar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lau Siqueira, poeta gaúcho radicado na Paraíba. lausiqueira@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7881600523026456136?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7881600523026456136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7881600523026456136' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7881600523026456136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7881600523026456136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/02/por-lau-siqueira-e-certo-que-existencia.html' title='A distância entre o autor e o leitor na cadeia produtiva do livro'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6082822994103350628</id><published>2011-02-09T21:41:00.001-03:00</published><updated>2011-02-09T22:02:41.468-03:00</updated><title type='text'>A distância entre  autor e leitor na cadeia produtiva do livro</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É certo que a existência de políticas públicas é algo inegociável. Todavia é um pouco demais pensarmos que somente através de políticas públicas encontraremos o nirvana social e cultural do nosso país e do mundo. Os governos fazem parte da sociedade, mas nem sempre são representativos das classes dominantes, ou seja, do poder enquanto relação de classe. Ultimamente, nas discussões sobre a cadeia produtiva do livro e as políticas públicas de acesso ao livro e a leitura, nos deparamos com alguns paradigmas que precisam ser superados. O primeiro deles é que a existência de políticas públicas para o livro e para a leitura deva ser a salvação de uma “lavoura arcaica” tão irrigada quanto o mercado do livro. Precisamos não confundir as coisas. Quando falamos em políticas públicas para o livro e para a leitura, precisamos estar atentos a um fator determinante neste debate: quase sempre quem dá o ponta-pé inicial para a cadeia produtiva do livro e da leitura (o escritor ou a escritora) fica fora do debate. O mesmo destino é dado ao ponto final da mesma cadeia produtiva: sua excelência o leitor. Desta forma são os meios que se abastecem dos fins. Em algumas discussões sobre o livro e a leitura, temos a impressão que os livros são geridos por “incubadoras criativas”. O desprezo com que um autor fora do mercado é tratado, por exemplo, pelas livrarias, coloca esse debate num estado de alerta máximo no momento em que esse debate aflora em diversos fóruns. É como se um livro que esteja fora do mercado formal, não estivesse contribuindo com a lucratividade da mesma cadeia produtiva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nesse debate sobre a cadeia produtiva do livro, ou buscamos um tratamento global das questões ou estaremos definitivamente perdidos nas particularidades, nos interesses sempre muito individualizados e lacrimosos de todos os lados envolvidos. A relação chega a ser estranha em alguns casos. Enquanto alguns grupos empresariais do setor reclamam dos parcos lucros, a maioria dos autores paga caro para existir socialmente dentro da mesma cadeia produtiva. Precisamos de um ponto de partida: as políticas públicas para o livro e para a leitura não podem se resumir na ação de engorda dos lucros de um mercado que não pode se queixar de subnutrição, como o mercado do livro. Os números desse mercado hoje nos fazem relfetir sobre os investimentos públicos para a área, a gestão das políticas de leitura e os altos índices de analfabetismo real e funcional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Precisamos começar a inverter esse debate. Não podemos apenas cair na esparrela de cobrar obrigações dos cofres públicos em suprir a insaciabilidade do mercado do livro. Mesmo com a isenção dos impostos concedida pelo governo o livro continua sendo um artigo de luxo. Será que é somente do poder público a obrigação de formar leitores e, conseqüentemente, clientes para esse comércio Cult? O mercado do livro faz parte de um setor que tem despontado com bastante vigor na economia mundial, abrindo alas para um debate sobre a realidade da chamada “economia criativa”. Na Inglaterra esse vetor já foi plenamente reconhecido pelo governo a partir da criação, pelo Primeiro Ministro Tony Blair, do Ministério das Indústrias Criativas, um nicho que está movimentando cerca de 7% da economia inglesa, empregando de forma satisfatória boa parte da população economicamente ativa. É dentro desse nicho que se abriga o coro dos descontentes livreiros, ainda que boa parte não esteja realmente preocupado com qualquer processo criativo, uma vez que se sustenta com Best Sellers e publicações de auto-ajuda. Portanto já está mais do que na hora, também, de cobrarmos desse mercado uma relação mais civilizada com as duas pontas da cadeia produtiva do livro: o autor e o leitor. Se o respiradouro desse mercado depende do poder público, sem gerar qualquer efeito cascata no destino dos seus lucros, alguma coisa está errada. Se o mercado é lucrativo e os livreiros, editores, escritores e eleitores estão falidos, o desastre está desenhado. Por outro lado, se vamos mesmo discutir o mercado do livro, precisamos discutir dentro dele os fatores que mais nos interessam: o autor, o leitor, a responsabilidade social e intelectual da atividade e, consequentemente, a necessária contrapartida ao investimento público num mercado que não pára de crescer e que pouco devolve para a população, até mesmo com relação a “sensibilidade” das tabelas de preços.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os escritores precisam estar mais atentos e engajados nesta realidade. Afinal, a criação literária deve receber todos os investimentos intelectuais do autor, mas o livro (e muito especialmente o livro dos autores descredenciados pelo apartheid do mercado) não pode ser tratado como um girino perdido na Lagoa do Parque Solón de Lucena, apreciando as águas dançantes. Esta realidade é vislumbrada aqui em João Pessoa, mas corre o país e não é diferente em outros rincões do mundo. Precisamos começar a discutir formas de contrapartida que incluam o autor na promoção do livro e da leitura. Logicamente que isso irá resultar em formação de público para o mercado do livro, mas também irá contribuir para a formação de uma cidadania crítica e atenta aos seus direitos e deveres. Tudo na espessura do óbvio: o autor é o principal instrumento de divulgação do livro. Logo, desprezá-lo é um ato de insanidade e comodismo de um mercado balofo, cujo foco na passa do departamento financeiro das secretarias de educação. Optaram pelo fácil e não pelo simples.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Estamos vivendo momentos especialíssimos. A economia brasileira vai muito bem obrigado. Avançamos firmes na direção de nos tornarmos a quinta economia do mundo. Mas esse fator, isoladamente, não nos diz absolutamente nada. Portanto, desejamos que esse crescimento se dê em patamares menos desiguais dos que hoje determinam as misérias e as fortunas do país. Interessa-nos sim ver crescer o mercado do livro. Mas, alguns fatores precisam entrar em pauta. Entre eles a responsabilidade social das grandes editoras que faturam alto na venda de livros para o setor público. A visão fragmentada deste universo poderá nos deixar dormindo de touca dentro do redemoinho que balança a Bolsa de Valores e que sustenta ostentações infecundas. Precisamos colocar no debate os conteúdos desse mercado, pois, somos consumidores e ainda pagamos duplamente com a destinação dos nossos impostos. Se é verdade que o livro teve os seus impostos subtraídos, também é verdade que o cidadão e a cidadã consumidora de livros, não. O avanço necessário nesse debate, então, exige a presença insubstituível dos autores que se estabeleceram como fator de germinação desse mercado, repito, muitas vezes bancando suas próprias obras e até mesmo a circulação delas, formando em torno de si um ínfimo mercado cuja utilidade é diminuir substancialmente a fatalidade dos prejuízos de publicar um livro. Claro que para um autor seja ele jovem ou experimentado, este investimento é inevitável. Mas, também se faz imnprescindível o debate acerca de um setor que se coloca como vítima e na verdade vai vitimizando a cidadania cultural de cada um de nós. O acesso ao livro continua amoparado em um rosário de desculpas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que está posto nos revela que a relação entre os livreiros e os autores (seja qual for o grau de popularidade) precisa ser racionalizada de forma a estabelecer uma relação mais justa e mais profissional. O debate sobre o livro e a leitura não pode naufragar em reações corporativas. Seja de autores, editores, distribuidores, livreiros, gráficos, críticos, etc.. Existe uma profundidade a ser explorada na evolução cultural do nosso povo. O livro significa (ou deveria significar) literatura em termos de criação, de invenção literária. O livro não pode ser um naufrágio enquanto elemento de negociação de interesses entre a sociedade (ou setores dela) e os governos. Aliás, a democracia se constrói com questionamentos e não com absolutismos. A evolução de uma sociedade se dá na medida em que se aprofundam as construções do debate democrático, inclusivo que consiga diluir as distâncias entre a lucratividade do mercado do livro e a eliminação do analfabetismo funcional, por exemplo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Portanto, se vamos discutir o mercado do livro, vamos deixar claro que temos interesses. Até para não misturar Paulo Coelho com Machado de Assis. Sobretudo nós, escritores, temos interesses nesse debate, mas temos também muito clara a responsabilidade de não fazer concessões ao chamado gosto público, às unanimidades construídas por conta de relações que não se dão exatamente com a palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No momento em que os eventos ligados ao livro são amparados muito mais pela relação com os governos que com os desafios postos pela sedução de um público leitor, queremos debater as contrapartidas para que estejamos fomentando, verdadeiramente, uma civilização e não corroborando com a barbárie que bate nos portões do castelo onde guardamos os nossos sonhos. Não podemos cair na tentação do debate fácil. Estamos na era das velocidades. Existe uma realidade canônica evolutiva na literatura universal. Encontramos um Rimbaud tatuado em cada lan house alimentando um blog ou escrevendo versos no Orkut. Um Rimbaud que precisa ser educado por uma realidade onde o livro não seja um mero produto de prateleira, vendido no peso da capa, como mercadoria que hoje disputa espaço com pacotes de feijão e arroz e farinha nos supermercados. Estamos querendo exatamente discutir, se não uma civilização, pelo menos uma relação mais civilizada ou menos autofágica dentro da consagrada e manhosa república do livro e seus mercadores. Mas, não há como resistir a essa sensação que está tudo sempre começando e recomeçando o tempo todo. Queremos avançar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6082822994103350628?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6082822994103350628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6082822994103350628' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6082822994103350628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6082822994103350628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/02/qual-o-papel-do-autor-e-do-leitor-na.html' title='A distância entre  autor e leitor na cadeia produtiva do livro'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3558525804268331889</id><published>2011-01-19T12:17:00.002-03:00</published><updated>2011-01-19T12:17:54.842-03:00</updated><title type='text'>A relevância dos blogs para a poesia contemporânea</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Conforme N. Katherine Hayles, no livro Literatura eletrônica - novos horizontes para o literário, "a literatura do século XXI é computacional". Isso já diz muito acerca das reflexões que pretendemos neste artigo. Afinal, até mesmo os livros impressos são elaborados e revisados virtualmente. Talvez comece aí a desmistificação da importância do livro impresso neste tempo de velocidades virtuais. Houve uma inversão de valores para que se pudesse compreender alguns instrumentos de mídia virtual e a sua devida importância para a literatura. Não são poucos os canais de divulgação da poesia a partir de um instrumento que hoje podemos reconhecer como utensílio doméstico, o computador pessoal. São sites pessoais, canais de relacionamento, grupos de discussão literária. Tudo no espaço físico da sua residência destinado ao computador ou nos giros tridimensionais do lap-top. Todavia, nenhuma outra ferramenta se mostrou tão valiosa para os poetas e para a poesia que os blogs. Não chamaria isso de inversão de valores, mas até mesmo escritores consagrados mundialmente como José Saramago não abriram mão deste instrumento interativo, para uma relação mais aproximada entre o autor e a diversidade de olhares dos mais diferentes tipos de leitor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Inicialmente reconhecido como uma ferramenta criada para distrair adolescentes ou no máximo para despertar a criatividade de uma geração de nerds, os blogs foram pouco a pouco se transformando em importantes veículos de comunicação interativa, seja para escritores ou para jornalistas, muito especialmente. Nomes reconhecidos da mídia tradicional, nas duas vertentes do conhecimento aos poucos foram ocupando os melhores espaços na blogosfera com blogs dos mais diversos estilos. Podemos afirmar, sem risco de engano, que com o surgimento dos blogs a poesia foi o gênero mais beneficiado entre todos os gêneros da literatura. O fácil acesso e o fácil manuseio desta ferramenta foi naturalmente conquistando escritores reconhecidos ou desconhecidos. Eles foram percebendo que poderiam focar na sua produção ao invés de preocupar-se, também, com o equilíbrio das tags e das ranhuras de uma tecnologia que vem sendo pensada às fatias e desenvolvendo-se de forma surpreendentemente veloz. Certamente que dentro de algum tempo os blogs representarão uma linguagem superada. No entanto, no final desta primeira década do Terceiro Milênio representam a redenção, a democratização e compreensão dos novos caminhos da poesia contemporânea em qualquer parte do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Certamente ainda é muito importante lançar um livro. Os e-books, neste sentido, parecem longe da possibilidade de superação da “ácaro-mania”. A paixão pelos livros nos tempos em que a banalização inspira cada vez maiores cuidados com as formas e com os conteúdos ainda é a mesma dos tempos de Proust, quando este clássico francês chegou a afirmar que as melhores lembranças da nossa infância estariam nas imagens colhidas da memória dos primeiros livros que tenhamos lido. Mas, o debate acerca do real e do virtual também nos leva a refletir sobre o fato de ser menos danoso ao futuro da humanidade possuir um mau blog do que publicar um mau livro. (A natureza agradeceria o bom senso.) Ocorre que, a preço de hoje, os nomes mais respeitáveis da poesia contemporânea brasileira (e mundial), independentemente do número de livros que tenham lançado, não abrem mão de manter seus blogs literários. Claro que isso não é uma regra, mas evidentemente é uma realidade inquestionável. Isso não ocorreria se possuir um blog não oferecesse imensas vantagens ao escritor, muito especificamente ao poeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, como não existe fenômeno significativo que não gere outro igualmente significativo, destacamos um fator afluente do fenômeno dos blogs que também acende a nossa gula investigativa para uma próxima abordagem. Há uma evidente ascensão (talvez até mesmo uma forte influência) de escritores blogueiros sobre outros escritores ou candidatos a escritores também blogueiros. Especialmente poetas cuja produção foi consagrada publicamente através dos blogs chegam a alcançar níveis respeitáveis de trocas com outros poetas. Logicamente que daí não poderemos extrair interpretações óbvias. Não se trata de autores cronologicamente mais antigos influenciando escritores cronologicamente mais jovens. Trata-se de bons escritores, jovens ou não, influenciando ou trocando influências com outros escritores (jovens ou não) a partir das cartas de navegação oferecidas gratuitamente nos oceanos serenos e profundos da web. Este é um tema sobre o qual estudiosos devem estar se debruçando nos cursos de Letras onde o professorado, de um modo geral, não parou ainda para pensar nos efeitos que teria a internet para a época e para a poesia de Arthur Rimbaud, por exemplo, ou para o nosso condoreiro Castro Alves. Afinal, ambos produziram a parte mais significativa das suas obras com a idade da grande maioria dos jovens desbravadores das possibilidades da internet e das suas ferramentas. Portanto, um novo Rimbaud pode estar inaugurando seu blog exatamente hoje, no Acre, por que não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Este é um fator que não irá gerar uma demanda de pesquisa apenas daqui a dez ou vinte anos. Não haverá, dada a velocidade dos tempos, oportunidade para distanciamento científico. O próprio conhecimento acadêmico não poderá abdicar de um futuro que já começou para refletir sobre o que está em pleno processo e, até mesmo por isso, operando mudanças culturais bastante acentuadas e influenciando comportamentos nas mais diversas áreas. Sobretudo na literatura e mais ainda na poesia que vai, assim, rompendo a aura de marginalidade para se mostrar detentora de uma imensa camada de admiradores que, na grande maioria, são também militantes da invenção nas portas das milhões de fábricas de miolos onde se processa permanentemente a metalurgia da palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Logicamente que não queremos aqui desenvolver um raciocínio definitivo, mas apenas levantar questões relativas ao futuro da poesia a partir de um cânone cada vez mais desmistificado e a partir de uma solução ávida de novas soluções. Mais do que nunca precisamos lembrar a profecia de Cazuza: "o tempo não pára." Estamos no tempo em que trocar a roda de uma locomotiva em movimento pode ser um descaminho inevitável para a consolidação de uma geléia cujas expressões maiores devem ser esculpidas não apenas com os hálitos da delicadeza, mas principalmente com a certeza cada vez mais absoluta que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Esta é apenas uma "levantada de bola" para um assunto que nem de perto se esgota por aqui. Afinal, quem escreve e principalmente quem escreve um poema, seja na idade média ou na idade mídia, apenas inicia um processo que se revela e se traduz de diferentes formas no olhar de quem lê, estendendo-se para além das ferramentas mais avançadas e popularizadas, a exemplo dos blogs.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3558525804268331889?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3558525804268331889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3558525804268331889' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3558525804268331889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3558525804268331889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2011/01/relevancia-dos-blogs-para-poesia.html' title='A relevância dos blogs para a poesia contemporânea'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-505671123827978734</id><published>2010-09-09T21:08:00.000-03:00</published><updated>2010-09-09T21:08:27.146-03:00</updated><title type='text'>Os elos perdidos da infância</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Lau Siqueira &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Há mais de duzentos anos Rousseau afirmou que uma criança não é um adulto em miniatura. Ainda hoje alguns setores imprescindíveis para uma intervenção mais efetiva no drama vivido por crianças e adolescentes de um mundo abandonado possuem dúvidas profundas acerca desta afirmação. Sem eliminar outras interpretações, compreendo que Rousseau quis dizer que as especificidades de uma vida em formação, sem as proteções necessárias, fragilizam a construção dos dias e noites do futuro cidadão ou cidadã. A usurpação dos direitos (e o cínico desprezo pelos deveres) das crianças e dos adolescentes é, seguramente, um assunto que precisa ser encarado como uma calamidade pública nas pequenas e grandes cidades brasileiras. Pensar coletivamente e agir coletivamente é, sem nenhuma dúvida, o único caminho e a estratégia mais eficaz para buscarmos a contenção do tsunami social e existencial que este fato, ainda sem a devida atenção das mais diversas aldeias globais, precisa despertar. Talvez não tenhamos tanto tempo assim para reagir diante de uma realidade que se torna cada vez mais assustadora. Mas, se formos razoáveis o suficiente para refletirmos acerca do tipo de circunstância que estamos gerando e para a necessidade de responsabilidades compartilhadas, ao invés de terceirizadas, teremos alguma chance de reação no enfrentamento do problema. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Apesar da postura pouco atenta de boa parte da sociedade, não nos resta a menor dúvida: estamos diante de um abismo de proporções devastadoras e cujos efeitos já estão sendo revelados, cotidianamente, de forma crescente. São reais, infelizmente, as notícias de violência sexual contra crianças de até dois anos de idade, ou menos. É real, também, a apatia, a indiferença e (o que é pior), a banalização do que está posto. Esta violação de direitos é fruto de ações, muitas vezes de pais, tios, vizinhos, padrastos. O certo é que existem lacunas enormes na proteção aos pequenos localizadas exatamente onde a lei estabelece a centralidade dos seus benefícios, ou seja: a família. Se é verdade que a família é o mais adequado espaço para uma criança também é verdade que a família anda de tal forma transgredida que abriga também a maior quantidade de denúncias de violação de direitos. Alguma coisa, portanto, jamais dependerá das políticas públicas porque se refere à supressão de uma cultura de banalização da vida. Algo que passa pelas políticas de educação, saúde, assistência, turismo e, principalmente, das políticas públicas de cultura que são, evidentemente, onde se processam as mudanças de hábito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Os fatos que batem à nossa porta são inúmeros. Por esses dias a cidade de João Pessoa amanheceu escandalizada com a apresentação de imagens de uma criança de apenas dois anos fumando um baseado na presença da jovem mãe (19 anos) e outros jovens. Infelizmente, este não é um fato isolado. Não podemos fechar os olhos para a imensa degradação da condição humana que está posta no cotidiano. Já testemunhei na Lagoa do Parque Sólon de Lucena, uma adolescente amamentando e cheirando cola. Infelizmente não pude mais encontrá-la depois que consegui estacionar e ligar para o Conselho Tutelar. O espantoso é que a menina-mãe circulava em meio a pessoas absolutamente indiferentes ao nervo exposto da violação de direitos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;O uso de drogas por crianças (em idade sempre mais tenra) e o uso dessas crianças em atividades ilícitas com a irrestrita violação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) deverá aprofundar um quadro social de barbárie, caso não sejamos capazes de refletir mais profundamente acerca das responsabilidades de cada ente público, de cada organização social e de cada cidadão e cidadã. Não temos tempo para esperar o bom senso dos novos governantes. É bom que se pense nisso nesse momento pré-eleitoral. O que se faz urgente é a construção de um tipo de memória social que reflita a indignação ao invés da diferença. A mortalidade de crianças e adolescentes cresce porque a violência à qual são submetidas é cada vez mais precoce e eles próprios passam a ser agentes da violência que os destrói. Pesquisadores já constatam que se mata mais, proporcionalmente, em Mandacaru que no Afeganistão. Quando se busca os assassinos, segundo meu amigo Jorge Camilo, se encontra crianças de 12 a 15 anos. Os mais velhos já alcançaram divisas mais graduadas no pesadelo dos becos. Uma liderança comunitária da comunidade Santa Clara me disse outro dia que o bandido mais perigoso da comunidade, tinha apenas 13 anos e já contabilizava uma dezena de mortes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Portanto, reagir ao caos que está posto significa estabelecermos claramente as responsabilidades e não apenas transferirmos as culpas, como ocorre usualmente. Os limites do Poder Público, nas três esferas, já está vencido. Tristes daqueles que não percebem que a cratera é mais em baixo. Só para exemplificar: quando começarão as cobranças da responsabilidade social dos diversos canais de mídia abrigados em concessões públicas? Até quando os Estados se sentirão desobrigados de comparecer com contrapartidas nos programas sociais? Até quando as grandes fortunas do país entenderão que os investimentos não deverão acontecer apenas na blindagem das suas carruagens “mudernosas”? Há algo que ainda não foi feito porque os interesses, mesmo dos movimentos sociais que deveriam estar denunciando estas perversidades, ainda são muito localizados e partidarizados. Por outro lado, a mídia recolhida aos interesses da burguesia reconhece e repercute indefinidamente o escândalo a quebra do sigilo fiscal da filha do eterno presidenciável, José Serra. Entretanto, esquece que o escândalo social é infinitamente maior. Um escândalo que deveria nos preocupar por permitir que a esmagadora maioria do povo brasileiro permaneça à margem da Receita e das despesas do País. Os resultados dessa desigualdade, começam a repercutir na infância que se espalha como uma epidemia pelas ruas das cidades brasileiras. Inclusive e, principalmente, da nossa cidade. Tomara que o exercício de um pensar e agir de forma repartida, nos ajude a encontrar o elo perdido da infância, elemento imprescindível para impormos ao planeta uma cultura de paz e igualdade de direitos e deveres. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-505671123827978734?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/505671123827978734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=505671123827978734' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/505671123827978734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/505671123827978734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/09/os-elos-perdidos-da-infancia.html' title='Os elos perdidos da infância'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-5267407429247226254</id><published>2010-08-05T13:09:00.000-03:00</published><updated>2010-08-05T13:09:08.140-03:00</updated><title type='text'>O HÁLITO DO FOGO E A ANCESTRALIDADE TRANSGRESSORA DE FRANCC NETO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem banca a própria rebeldia diante da banalização do extraordinário, a experimentação&amp;nbsp;sempre significará um salto no abismo. É como se na hora do&amp;nbsp;salto estivéssemos chegando de uma alameda de dois caminhos que costuram eternidades na obra e no artista. Estas são algumas das senhas para a diáspora dos ímpares, dos que munidos de coragem futurista e densidade ancestral constroem o ato de criar novas estruturas para as sensações e demais significados da condição humana. A idéia do Belo, em Hegel, se refere à “manifestação do verdadeiro tomado em sua aparência sensível”. A obra de Francc Neto nos remete à incontáveis leituras, sobretudo, como “manifestação do verdadeiro em sua aparência sensível.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando possível, respeitada a natureza peculiar a cada uma das artes, tenderá a desaparecer a diferença de atitudes discernida muito bem por Mário Pedrosa entre poeta e pintor concreto: a fenomenologia da composição cederá lugar a uma verdadeira matemática da composição”, segundo Haroldo de Campos. Mas, nem é apenas isto o que está posto para nós, neste momento. O que veremos por aqui se refere ao impacto do oposto, do singular, da arte que suscita num só tempo, a barbárie, a plenitude e uma reflexão ética sobre o mundo e sobre a humanidade, com suas distorções e harmonias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona&amp;nbsp;o artista que troca os pincéis pelo maçarico e a tinta até mesmo pelo fogo intenso das fogueiras, para a feitura de uma alquimia de resinas, fuligens, espiritualidade, pigmentos, plotagens, vento, tempo, mais espiritualidade, madeira reciclada... Despido das impropriedades do ego, o artista mergulha num experimentalismo permanente e questionador das misérias microscópicas e macroscópicas do planeta. Parece-me ser desta veia que jorra o suor criativo de Francc Neto, um habitante do espanto e do encantamento, um artista paraibano que aciona seu passaporte para o time dos que tatuaram suas marcas na história da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A madeira extraviada e reciclada, as representações simbólicas do tempo e do silêncio, do corpo humano também.&amp;nbsp;A serragem, a cera de abelha ou de carnaúba, as imperfeições naturais do mundo, furos, riscos, ações de prego e martelo. Também tintas e vernizes, mas sobretudo o fogo é o elemento que coordena a impulsão criativa do artista. Muito fogo sobre compensado numa leitura da barbárie desses tempos corridos que tecem o terceiro milênio. Um tempo que nos atravessa a alma com as impropriedades da civilização. Francc realiza e expõe a amplitude dum universo que transita pela tradição e pela transgressão, sem negações de identidades nem apelos pasteurizantes. Certamente navegando na imersão dos espíritos livres que comandam a experimentação na história viva da arte. Estamos testemunhando aqui uma capacidade de invenção que se traduz para muito além da ancestralidade tecida no fogo, partindo para um estranho dadaísmo, com grande poder comunicativo. Um trabalho que jamais será condecorado pela indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor em sociologia da arte pela universidade de Tours (França) e em Literatura e Língua francesa pela universidade de Toronto, Derrick de Kerduckhove, numa investigação sobre a nova realidade eletrônica, afirma que “hoje as tecnologias são tão versáteis que nos dão poder para refazer aquilo que chamamos realidade.” Um pensamento que se aproxima por oposição extremada ao sentido da arte de Francc Neto que faz tudo isso apenas com as ferramentas mais primitivas, apostando nas revelações da intensidade, da insanidade, do contraponto à violência como instrumento de uma obra que aponta um gesto primordial numa exposição para quem a arte sempre será o melhor motivo. Afinal, como disse Fayga Ostrower, “criar é um processo existencial.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-5267407429247226254?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/5267407429247226254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=5267407429247226254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5267407429247226254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5267407429247226254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/08/o-halito-do-fogo-e-ancestralidade.html' title='O HÁLITO DO FOGO E A ANCESTRALIDADE TRANSGRESSORA DE FRANCC NETO'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-9195249690353177873</id><published>2010-05-30T20:08:00.000-03:00</published><updated>2010-05-30T20:08:01.842-03:00</updated><title type='text'>Pela descriminalização da infância e da juventude na Cidade das Acácias!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Na última semana de maio a cidade de São Luiz (MA) sediou o primeiro encontro regional para integração SUAS* /SINASE*. O evento tratou da municipalização das medidas sócio-educativas em meio aberto. Uma das palestrantes resgatou da mitologia um exemplo de punição educativa. O deus Apolo, símbolo da beleza, da juventude e da luz, uma das doze divindades do Olimpo, fruto da união de Zeus com Leto, amparou os signos da esperança propositiva no discurso da palestrante. Apolo, entre outros atos não menos desabonadores matou a flechadas um bando de Cicoples (personagens com um olho único, na testa) enviados por Zeus. Como punição, foi expulso do Olimpo e veio exilado para a Terra. Cumpriu sua pena trabalhando como pastor de rebanhos. O aprendizado da mortalidade transformou radicalmente o jovem Apolo. Os ensinamentos da punição educativa mostraram novos caminhos e Apolo descobriu que poderia determinar os dias, as noites e as estações do ano. Passou a ser conhecido, então, como o Senhor das Colheitas.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Apesar da forte simbologia mitológica aqui resumida, nossas reflexões partirão de outro tipo de Olimpo. Um lugar onde Zeus foi esquecido e o modo de organização das divindades vem gerando Apolos subnutridos, crescendo nos chamados aglomerados subnormais. Muito especialmente em cidades onde a riqueza de uns poucos ilumina avenidas e constrói suntuosidades arquitetônicas. Na bela, moderna e histórica São Luiz do Maranhão, onde a Governadora Roseana Sarney anunciou o investimento de vinte milhões de reais para os festejos juninos, os palafitas ainda cortam de sangue o olhar indignado dos que lutam pela partilha das colheitas de Apolo. Enquanto a modernidade ergue seus monumentos, pequenos deuses e deusas saem para as ruas das cidades brasileiras buscando conquistar o direito de viver mais um dia. Seja limpando os fumês de um Vitara no semáforo, suplicando caridade pelas esquinas, ou praticando os pequenos (e imensos) delitos que sobraram como opção para uma iniciativa autônoma de sobrevivência no Olimpo capitalista.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No momento que se inicia a municipalização das medidas sócio-educativas em meio aberto na cidade de João Pessoa, as reflexões que busco resumir neste breve artigo apontam para o fato de estarmos implantando uma política pública numa sociedade de desigualdades criminosas. Em tempos de disputa eleitoral - onde os escrúpulos geralmente escasseiam - jamais poderemos confundir ou minimizar as nossas responsabilidades que devem ser, obviamente, repartidas. A municipalização dos serviços, pois, não pode ser impunemente tratada como uma desova de obrigações. Os três níveis de governo e a sociedade têm atribuições intransferíveis na sua condução. Não existem modelos ou cartilhas. No máximo, alguns poucos exemplos dignos de atenção para uma imprescindível troca de saberes. As experiências bem sucedidas nos revelam a necessária delicadeza de estabelecermos um debate sincero acerca da parte que nos cabe neste latifúndio. No caso da Paraíba (e de outros Estados) convivemos com a mais soberba alienação do Governo Estadual quanto as suas atribuições tão claramente estabelecidas na Lei Orgânica da Assistência Social. Não apenas em relação às medidas, mas quanto à Política Nacional de Assistência Social como um todo. Da mesma forma, convivemos com uma profunda conivência do Ministério Público Estadual quanto a este fato que é, sem qualquer dúvida, determinante para o sucesso ou fracasso das políticas públicas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O fator cultural também deve ser compreendido como determinante até mesmo para a transformação do comportamento de determinados agentes da área social. A primeira experiência brasileira de “acolhimento” data de 1551, quando os jesuítas fundaram a primeira casa de recolhimento de crianças. O objetivo era “afastar as crianças negras e índias da má influência dos pais”. Portanto, partimos de uma herança nefasta que evoluiu por caminhos nada animadores e que desaguaram na estupidez do modelo desumano da FEBEM. Uma radical mudança de paradigma é, portanto, o que está em pauta. Não podemos esquecer que os jovens infratores da classe média e da burguesia passam ao largo das políticas públicas aqui tratadas. Acabam absorvidos pela imperativa hipocrisia social e, no mais das vezes - celebrando a impunidade -, acabam retornando à cena na idade adulta, em relevantes cargos públicos. Portanto, que fique claro: estamos implantando uma política pública que traz como cenário um profundo e covarde preconceito de classe. As medidas sócio-educativas em meio aberto estabelecidas pelo SUAS/SINASE não podem ter sua aplicação dissociada de uma reflexão acerca da profunda desigualdade social. Não podemos incorrer no erro de pensar essas medidas tão somente na perspectiva de contenção dos ímpetos e conflitos dos meninos e meninas da periferia, sem qualquer reflexão acerca da violência à qual são submetidos desde quando nascem, desprotegidos de tudo. Portanto, não há como não tratarmos do assunto de forma articulada com as demais políticas públicas que tem na justiça o princípio fundamental. Isso, não se espantem, é fundamento ideológico neste início de milênio. É necessário que este aspecto também seja levado em consideração pelos demais componentes da rede de proteção deste imenso trapézio que cerca o interesse público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os processos de reeducação, portanto, não irão surtir efeito se não oferecermos perspectivas, se não nos pautarmos pela universalização dos direitos de cidadania. Seja no âmbito das políticas habitacionais, das políticas de saúde, de cultura e de educação mais especificamente. De cultura? Sim, porque estamos tratando aqui, fundamentalmente, da necessária mudança de mentalidades. Este é o papel da transversalidade de uma política pública de cultura transformadora. Comecemos pela capacidade de reflexão dos profissionais da área, pelo comprometimento dos gestores e dos demais agentes públicos, pelo envolvimento dos movimentos no controle social e pela responsabilização das grandes corporações, passando pela mudança de hábito da mídia, com sua racionalidade apontada para o lucro imediato das imagens e das palavras. Afora isso, sobram os riscos do principal contraponto que é a zona de sombra do fascismo propondo a redução da maioridade penal como solução matemágica. A história nos mostra com muitas evidências que os confinamentos já experimentados não passam de uma espécie de industrialização em massa do crime. Ou seja: a sociedade dos porcos ainda se arriscará continuar chafurdando na lama para camuflar suas responsabilidades. Estranho que esse debate ainda esteja vivo num tempo em que o crime organizado transformou os presídios em privilegiados núcleos concentrados de operação. Esperamos um pouco mais do mundo. Por isso seguimos em frente, referenciados no que ainda virá, mas que possui enraizamentos inconfundíveis na luta e no pensamento de quem pretende ir muito além dos códigos abertos do conhecimento e de comemorações carnavalizadas da tragédia social que vivemos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*SUAS – Sistema Único da Assistência Social&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;SINASE – Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-9195249690353177873?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/9195249690353177873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=9195249690353177873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/9195249690353177873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/9195249690353177873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/05/pela-descriminalizacao-da-infancia-e-da.html' title='Pela descriminalização da infância e da juventude na Cidade das Acácias!'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6421093620649421098</id><published>2010-05-22T15:18:00.000-03:00</published><updated>2010-05-22T15:18:01.583-03:00</updated><title type='text'>A angústia do mundo numa bolha de sabão.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O desafio das políticas públicas neste início de século nos remete a nossa capacidade de reflexão acerca das práticas empreendidas, dos diálogos travados e da nossa imensa capacidade de compreender a necessidade de uma ação planejada, em rede, e que se propague infinitamente. Uma utopia possível? Talvez algo bastante além disso. Logicamente que falo aqui de uma radical mudança de hábito do poder público e dos movimentos sociais no trato com as políticas públicas. Tanto no que tange às relações de interesse político quanto nas relações de poder, mais propriamente, estabelecidas cada vez que um agrupamento de reúne periodicamente pensando, equivocadamente, se tratar de um grupo. Jean Paul Sarte é muito claro ao exemplificar as diferenças. Para Sartre, basta um grupo de pessoas esperando um ônibus na parada para conceituar agrupamento. O grupo é a possibilidade de um diálogo positivo dessas mesmas pessoas em torno de um interesse comum e coletivo. Por exemplo, protestar contra o imenso atraso do Expresso 2222 da Central do Brasil que partiu direto de Bonsucesso pra depois do ano 2010.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Recentemente participei de um debate acerca da violência sexual contra crianças e adolescentes. Um debate que deveria interessar milhares de pessoas, não reuniu uma centena. Por quê? A resposta é relativamente fácil. Há um relativo cansaço acerca do jogo de cena que muitas vezes se impõe como ação de política pública. Há uma certa incredulidade quando escutamos altas autoridades, como no lançamento do projeto Vira Vida, dos Sistema S, afirmando que não existe turismo sexual na Paraíba. É como se não devêssemos nos preocupar por estarmos no estado que ocupa o terceiro lugar no ranking nacional da exploração sexual de crianças e adolescentes, perdendo apenas para Pernambuco e Rio de Janeiro. Uma vergonha que preocupa os que desejam um mundo mais afinado com os valores humanos. Estamos, na verdade, diante de um jogo de cena que passa pelas vaidades pessoais e pela submissão de organismos públicos aos interesses localizados de segmentos alheio aos trilhos e ao trem da história. Particularmente, não gostaria de fazer parte dos elos cansados desta cadeia improdutiva da desesperança. O cotidiano não permite. Até porque neste imenso jogo de interesses que cercam a verdadeira colcha de retalhos que cobre o chamado interesse público, existe uma responsabilização, sobretudo, cidadã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sinto-me bastante a vontade para criticar os movimentos sociais porque neles tive a minha formação e para eles voltarei antes de virar poeira de vento. Sinto-me também a vontade para exercer criticamente um cargo público pelo mesmo e bom motivo. Na verdade, a carência de quadros, tão visível na aplicação das políticas, não é mais que no resultado do jogo de interesses e vaidades que perpassa a relação dos entes envolvidos neste cenário pouco animado – mas, ainda bem, não de um todo desanimador. Se a falta de quadros nos movimentos sociais é bastante visível por termos ainda os mesmos “melhores quadros” de vinte anos atrás, também é verdade que no olho do furacão desses movimentos existe uma imensa guerra de vaidades que sufoca as possibilidades de surgimento de novos quadros. Isso tudo se reflete nas mazelas da administração pública, onde a profissionalização ainda é um tabu a ser superado. Afinal, a luta pelo poder e, principalmente, pela partilha do poder, não se dá apenas no âmbito partidário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No exercício das políticas públicas, mais propriamente na administração pública exercida nos três níveis (municipal, estadual e federal), confesso que houve um inegável avanço (com ampla contribuição dos movimentos, reconheçamos) em termos de amparos legais e de vontade política de implementação. O governo Lula, com todos os erros cometidos, fez a diferença neste sentido. É inegável essa constatação. No entanto, a consolidação das políticas públicas ainda padece de uma radical mudança de cultura administrativa simbolizada pelo paletó na cadeira vazia. O parasitismo eleitoral ainda é uma sombra rondando os cargos comissionados em todos os níveis e desníveis. Afinal, foi a presença ausente do poder público durante décadas e décadas que permitiu, por exemplo, que o tráfico ocupasse o lugar do Estado nas periferias do mundo. Muito especialmente deste nosso sofrido mundo latino. Esse mundo que late aqui em João Pessoa, em comunidades como Taipa, Porto de João Tota e outras. Pelo visto, não estamos ainda perto de uma saída porque sempre que há uma luz no fim do túnel, parece, vem uma locomotiva e apaga a possibilidade de seguirmos em frente. Dominar os freios e a aceleração da locomotiva é o nosso desafio cotidiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não pretendo com isso determinar a desesperança. Muito pelo contrário. Apenas desejo lembrar que a esperança que acredito é aquela preconizada por David Cooper: “Não existe esperança. Existe uma luta. Esta é a nossa esperança.” E a minha esperança vai sempre ao encontro dos que lutam contra a impunidade que ainda coloca em xeque o jogral de interesses que se esconde por debaixo das togas e dos gabinetes de administração do Produto Interno Bruto, seja na área pública ou privada. Minha esperança segue em busca dos que ressurgem todo dia do topo de uma indignação que nada mais é que o mais profundo alicerce da cidadania acometida de lágrimas lúcidas. O cumprimento das leis está submetido aos interesses políticos. Os interesses políticos estão submetidos ao interesse econômico. E assim, “meus heróis morreram de over dose e meus inimigos estão no poder.” Nos governos, estão bons e maus executores, mas, reconheçamos que o poder não mudou de lugar nos últimos quinhentos anos de história brasileira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Para seguir em frente, um único combustível é necessário: o tesão de tomar o caldo de batatas das nossas incapacidades, refletir sobre a desesperança dos que não vislumbram sequer a luz da locomotiva ilusionista das mudanças radicais... E seguir em frente, “adelante siempre”, endurecendo sem perder a ternura jamais, desacomodando os acomodados. Dignificando os indignados. Tudo dentro dos limites sempre esgotados da paciência coletiva. Pensando que cada um e cada uma de nós, respira o mesmo ar rarefeito das mesmas impossibilidades que ressurgem a cada paradigma que se esvai pelo ralo das emoções fugidias, dos que não pediram para nascer e muito menos para estar expondo suas inocências nas rotas mais violentas da sociedade contemporânea. Se é verdade que avançamos, também é verdade que temos um longo caminho. Porque felicidade só vale quando repartida. Já estamos cheios das alegrias efêmeras e das encenações que buscam a mídia, não para responsabilizá-la quando às suas culpas no quadro das imutabilidades que precisam ser destruídas. Mas, no amparo de certas vaidades impúberes que precisam ser reconhecidas e desmascaradas para que o mundo avance em nossas aldeias, para um patamar menos injusto. É como se nossas angústias de mudar nossas pátrias comuns estivessem cercadas pela delicadeza de uma bolha de sabão imersa em valores visíveis e invisíveis. O jeito é seguir em frente. Manter a firmeza dos princípios e colher as certezas do infinito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6421093620649421098?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6421093620649421098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6421093620649421098' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6421093620649421098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6421093620649421098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/05/angustia-do-mundo-numa-bolha-de-sabao.html' title='A angústia do mundo numa bolha de sabão.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3348546520569907698</id><published>2010-05-09T11:03:00.000-03:00</published><updated>2010-05-09T11:03:30.703-03:00</updated><title type='text'>As representações sociais da decadência e a resistência cultural na Cidade das Acácias</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;"É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte." (Caetano Veloso)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Em outros momentos históricos talvez provocasse maior frenesi a proposta da vereadora Elisa Virgínia de submeter as ações de arte pública na cidade de João Pessoa à Câmara de Vereadores, transformando-a em departamento de censura. Cazuza até que tinha razão quando berrava “o tempo não pára.” Mas, parece que parou na Idade Média para alguns portadores de profecias deformadas, denunciados já na antiguidade pelo mestre Jesus Cristo. O fato me trouxe à memória alguns versos do famoso artista popular nordestino, o Cego Aderaldo: “Quem nasceu cego da vista/ E dela não se lucrou/ Não sente tanto ser cego/ Como quem viu e cegou.” A sabedoria milenar do cantador nos mostra a necessidade de vermos as coisas como elas realmente são.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Sem demérito algum aos que foram eleitos para tratar dos assuntos gerais da cidade, me pergunto se haveria condição real para um mergulho no conhecimento sobre arte moderna, arte contemporânea, arte pública, história da arte... E assim, minimamente informados, os vereadores pudessem dedicar um tempo precioso ao exercício da análise estética. (Aliás, um trabalho nada legislativo.) Logicamente que não! Todavia, o que ainda preocupa é o fato de uma pessoa com mentalidade tão desvirtuada, conquistar uma relevante representação social. É preocupante sabermos que o povo pessoense é representado, também, por esse patamar de incivilidade. A provocação que deixo aqui é a seguinte: o que leva um cidadão ou uma cidadã a votar em alguém que pensa de forma tão desfigurada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Por outro lado, tenho observado com indisfarçada alegria a reação dos artistas e dos consumidores de cultura da cidade. Reações justas e conseqüentes. É tranqüilizador quando se percebe que a sociedade está atenta aos desmandos. Na verdade, a vereadora ultrapassou todas as barreiras do bom senso e está recebendo o troco. Praticou um ato tendencioso tentando ludibriar setores da sociedade no jogo político conservador. Misturar política com religião tem sido o mais vergonhoso ato de desrespeito à diversidade das crenças. Afinal, o Estado é laico. Mesmo que em épocas eleitorais, muitos pais e mães de santo, padres, padrinhos e pastores caminhem juntos no gingado dos interesses pela hegemonia da sociedade. A vereadora, neste sentido, cumpre integralmente os ritos da decadência. Não sabe que os evangélicos já não se comportam como um rebanho. Como todo o povo, cada vez exercitam melhor a cidadania e repudiam o oportunismo patológico de algumas representações que insistem em tratar os interesses coletivos de forma tão obtusa. Concluo, portanto, que a vereadora Elisa Virgínia bebeu na taça do ridículo e dançou até cair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Lembro que há poucos anos, quando a Prefeitura colocou a internacionalmente reconhecida obra do paraibano Jackson Ribeiro, o Porteiro do Inferno, no giradouro da Universidade Federal da Paraíba, também ocorreram tentativas esdrúxulas para extrair dividendos políticos de uma polêmica vazia. Na época, representando a Fundação Cultural de João Pessoa, fui obrigado a intervir num programa de rádio para explicar que a uma obra abstrata, como o Porteiro, não poderia jamais ser dada qualquer conotação religiosa. A comunidade artística também reagiu e, felizmente, a polêmica não se sustentou. O que assusta, entretanto, é a condição a que foram alçadas certas pessoas em termos de representatividade social e política. O que preocupa é que uma pessoa como a vereadora Elisa tem a responsabilidade de analisar outras matérias de extremo interesse da cidade. Portanto, estamos ainda a mercê.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Em derradeira análise, observamos que numa sociedade que transforma as piores tragédias em espetáculos midiáticos é normal o ridículo virar notícia. Ainda chegará o dia que uma matéria assim não passará nos critérios editoriais de qualquer jornal de bairro ou blog sensacionalista. Este dia, deverá coincidir com a cobertura da dignidade das pessoas que vivem nas comunidades periféricas. Por exemplo, Mandacaru tem aparecido na mídia apenas como um bairro violento. Esquecem que se trata de um dos principais pólos de cultura popular da região. A notícia, geralmente, estabelece hierarquias de importância na construção das mentalidades. A submissão é uma marca da pobreza. As mentiras sociais, colocadas diariamente pelos (de)formadores de opinião como a vereadora, no entanto, já não encontram o eco que desejariam. Ainda bem. A cidade está mudando. O país está mudando. O mundo está mudando. Tudo porque estamos aprendendo a reagir com veemência contra os desacordos de uma nova ordem global. O mundo pode sim ser diferente. Depende sempre das nossas reações. Mentalidades oportunistas como a da vereadora pessoense, ainda bem, já causam mais riso que revolta. A comunidade artística, como se diz, deu uma merecida peia nos signos da ignorância travestida de moral. Como sempre diz Pedro Osmar, “arte ainda que tarde”. Tipo assim: estou gostando de ver a comunidade atenta e forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3348546520569907698?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3348546520569907698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3348546520569907698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3348546520569907698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3348546520569907698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/05/as-representacoes-sociais-da-decadencia.html' title='As representações sociais da decadência e a resistência cultural na Cidade das Acácias'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2871689158834909858</id><published>2010-04-14T22:51:00.000-03:00</published><updated>2010-04-14T22:51:26.598-03:00</updated><title type='text'>O mercado do livro e o silêncio das gerações</title><content type='html'>Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007 foi realizada a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, coordenada pelo Professor Galeno Amorim. Os resultados foram surpreendentes. Por exemplo, o escritor mais lido no Brasil é Monteiro Lobato e não Paulo Coelho. Entre os 30 mais lidos, encontramos Drummond, Raquel de Queiroz, Guimarães Rosa, Mário Quintana, Machado de Assis. Em suma, o melhor time da história da Literatura Brasileira. A Poesia chega a impressionar porque ocupa o terceiro lugar no ranking dos gêneros mais lidos e emplaca o poeta Vinícius de Moraes no quinto lugar entre os autores, de todos os gêneros, mais lidos. Em algumas regiões, como a região do Pajeú, em Pernambuco, a Poesia é o gênero de maior penetração. Logicamente que encantando com seus segmentos mais populares como o cordel e a cantoria de viola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que o mercado não responde no mesmo tom. Basta verificar as vitrines das livrarias e, pior, suas prateleiras. Na última sexta-feira, dia 9 de abril, estive em Brasília participando de uma atividade de trabalho e na hora do almoço procurei o shopping mais próximos para não ser esquartejado pelos preços do restaurante do hotel. Entre as lojas, havia uma filial (ou franquia, não sei) da Livraria Saraiva. Fiquei parado diante da vitrine, impressionado exatamente com o contraste em relação à pesquisa do Professor Galeno. Muitos livros sobre Chico Xavier, livros com títulos bisonhos que sequer busco na memória para uma citação neste momento e alguns best sellers, tipo Sidney Sheldon. Na vitrine inteira, um único título de Gilberto Freire. Não difere, aliás, das demais vitrines letais para a boa literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da loja me senti ainda mais desconfortável. Na estante de literatura estrangeira, o espaço concedido para a poesia internacional não passava de um palmo. Do outro lado, a poesia brasileira recebia o mesmo espaço. Somente os monstros sagrados tipo Fernando Pessoa e Carlos Drummond, para me deter na nossa pátria nossa língua, interbrasileira. No mais, os livros técnicos que toda livraria possui e um lixo insuportável. No canto, com decoração atrativa para as crianças, livros infantis a peso de ouro. Uns razoáveis outros intragáveis para o menino que ainda sou. No entanto, uma isca poderosa para o consumo dos pequenos e das pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico impressionado com os rumos que vem tomando o mercado do livro no Brasil. Um mercado, diga-se de pronto, com uma lucratividade crescente, com números que impressionam. Muitos livros que não podemos crer que sejam recomendáveis. Na verdade, a grande maioria. Mas, o que mais impressiona é que as grandes feiras e as bienais também apontam para esta tendência. Lembro que em 2008 estive na Bienal de Fortaleza e fiquei desanimado com a quantidade de lixo espalhado nos stands. Também ano passado, na Feira do Livro de Porto Alegre, notei que o gigantismo da feira obedecia a mesma lógica. A Feira do Livro já não era a mesma de 25 ou 30 anos atrás, quando se encontrava Proust, nos balaios, a preço de bananas, em edições da lendária Editora Globo, com tradução de Mário Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu espanto gerou um artigo que acabou sendo contestado por alguns professores e professoras de Porto Alegre. Eles confundiram o meu espanto com o gigantismo da Feira, com alguma atrocidade contra uma cidade que me abrigou por muitos anos e com a qual ainda hoje mantenho um caso de amor. Os debates nos comentários do “Pele Sem Pele” acabaram desvirtuados, infelizmente. Pouco se refletiu sobre o que eu realmente disse, preocupado com o impacto da Feira do Livro na vida cultural e na formação cidadã da população da capital dos pampas. Confio nas palavras de Roland Barthes quando afirma que “a literatura contém muitos saberes” e justifico meus argumentos quando vou discutir políticas de leitura. Afinal, um bom romance, muitas vezes, traz um conteúdo antropológico, geográfico, histórico, ético. É tanto conhecimento contido em certas obras que me ponho a pensar o que gera nas pessoas a leitura de uma Zibia Gasparetto, por exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo calar sobre o que parece uma degeneração influenciando gerações inteiras. Afinal, creio que da mesma forma que a leitura de um Alejo Carpentier, um Jorge Luiz Borges, um João Gilberto Noll enriquece a alma leitora, não é possível que títulos como “Casais que enriquecem juntos” não sejam concebidos apenas para difundir a Lei de Gerson, num refrão ideológico dos piores dias da ditadura militar. “É preciso levar vantagem em tudo, certo?” Um atentado ético que me faz pensar se, realmente, a ditadura realmente acabou. Claro que não! Vivemos hoje a ditadura do mercado. No caso do livro, principalmente porque são raras as livrarias que tratam os autores como seres humanos. Muito especialmente os independentes que deixam lá seus livros em consignação. Lembro do poeta Chacal dizendo que deixava seus livros nas livrarias e depois “era recebido à dentadas pelo livreiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente a maioria dos escritores odeia discutir esse tema. Mesmo assim, todos tentam sobreviver aos apelos da eternidade, publicando na maioria das vezes com enorme sacrifício e, praticamente, sem muito resultado do ponto de vista da reparação dos custos. Mas, acho que já começa a se fazer sentir uma mudança de atitude. O escritor, no mais das vezes, gosta de se esconder na pele do intelectual. São raros os que se assumem profissionalmente como tal. A maioria é jornalista, professor universitário, tradutor, etc. Lembro uma vez iriam publicar poemas meus em uma revista e eu assinei apenas como poeta. A pessoa responsável pela edição me perguntava: “Mas, apenas poeta?” E eu respondia: “E você acha pouco?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brincadeira guarda um punhado de verdades ocultas e alguma mudança no final do túnel. Por esses dias, a AGES – Associação Gaúcha de Escritores estará discutindo a profissão do escritor. Refletindo sobre os entraves do mercado para o escritor gaúcho contemporâneo. Guerreiros como, o poeta Ademir Assunção, exigem que as políticas públicas para o livro contemplem também o escritor. Mas, parece que isso ainda não comove muito o poder público e, principalmente, os dragões do mercado que declaram desespero ao constatar queda nas vendas de um ano para o outro, sem divulgar o quanto engordam suas contas independentemente das lamúrias dos caras e das minas que habitam o ponto de partida da cadeia produtiva do livro. Parece mais que o empenho dos gigantes do mercado do livro é destruir de forma acelerada a Amazônia, derrubando árvores raras para publicar livros de conteúdo ralo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse, entretanto, é um assunto do qual não podemos abdicar. Principalmente, porque muitos escritores não conseguem ainda pensar no fato da cidadania do escritor enquanto um profissional que gera economia, mesmo quando publica isoladamente e não vende um único livro. Afinal, seu esforço e suas economias geraram um investimento que irá, pelo menos, salvaguardar do abismo e do desemprego os funcionários da gráfica. Portanto, diante do apogeu do livro (e não da literatura) enquanto objeto de consumo, se faz sim necessário que escritores e bons leitores reflitam sobre o lixo do mercado e as suas implicações sobre a evolução do pensamento contemporâneo. É hora de reagir, de pensar coletivamente sobre o fator leitura/mercado. Antes que sejamos alijados da história da humanidade por tamanha inanição, por permitirmos que a gula da mediocridade resolva os desejos das novas gerações de acomodados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2871689158834909858?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2871689158834909858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2871689158834909858' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2871689158834909858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2871689158834909858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/04/o-mercado-do-livro-e-o-silencio-das.html' title='O mercado do livro e o silêncio das gerações'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2089733864920509235</id><published>2010-04-06T01:17:00.004-03:00</published><updated>2010-04-06T13:50:03.525-03:00</updated><title type='text'>Que a Paixão nos Oriente. (Uma breve leitura do espetáculo A Paixão da Sagrada Família)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" nt="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/S7q1Z_lYnwI/AAAAAAAAAso/h-E764Wfk7I/s320/Paix%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Um elenco homogêneo em cena. &lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(foto: Jeovan de Oliveira)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Quando ainda dirigia a Fundação Cultural de João Pessoa, em 2008, lembro de ter recebido um telefonema do jornal Diário de Pernambuco que estava preparando um caderno especial sobre as encenações da Paixão de Cristo em todo o Nordeste. Logicamente que fui às bancas saber o que haviam publicado. Surpreendi-me positivamente quando percebi que a encenação de João Pessoa era colocada em destaque, juntamente com a de Recife e a de Nova Jerusalém. Comecei, então, a ter a dimensão do que&amp;nbsp;a encenação&amp;nbsp;paraibana da Paixão&amp;nbsp;alcançara em termos de destaque regional, em tão pouco tempo. Sucesso de público e crítica em todas as encenações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Na verdade, a Paixão de Cristo, a partir de 2005, passou a ter uma proposta muito definida. O teatro paraibano passou a ser a maior estrela. Não mais os globais de talento duvidoso e o público espremido e em pé. Agora todas as pessoas assistiam todas as cenas confortavelmente sentadas, com um olhar especial quanto à acessibilidade para portadores de necessidades especiais e terceira idade. Também, afirmava-se diante do grande público pessoense, a qualidade do teatro local e uma concepção de espetáculo totalmente local. Cada ano uma encenação diferente, selecionada através de edital público. Uma democratização à qual os artistas não estavam ainda acostumados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Este ano, especificamente, creio que a Paixão de Cristo patrocinada pela FUNJOPE superou os seus próprios paradigmas. Uma&amp;nbsp;proposta cênica bastante&amp;nbsp;ousada do Grupo Graxa de Teatro, com direção e dramaturgia competente de Antônio Deol e direção musical de Marcílio Onofre. Destaco ainda a cenografia e a iluminação com rigor matemático e sensibilidade aguda de Jorge Bweres e a participação dos maquiadores Ailton Gomes, Dinart e Júnior Mermaid. Eles fizeram a diferença, com certeza. Tudo isso trouxe para a arena do Ponto de Cem Réis um espetáculo extremamente&amp;nbsp;audacioso que, mais uma vez, transgrediu a geografia do oriente médio, não mais em direção ao sertão nordestino. Era o país dos samurais contando a história mais antiga e mais encenada de todos os tempos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Como nos anos anteriores, a direção musical tem se mantido num destaque especialíssimo. Marcílio Onofre, o jovem maestro paraibano, confirma a tradição de uma cidade que se transformou no principal pólo brasileiro de produção de música erudita contemporânea. Uma produção que dialoga com a tradição, mas também se permite a invenção, incorporando elementos da música eletrônica, oriental, ocidental e popular universal, quando necessário. Tudo imensamente impregnado verdade e reinvenção do sublime. Marcílio, que ainda não completou 30 anos, integra uma legião de talentos do porte de um Eli-Eri Moura, Didier Guigue, Luiz Carlos Otávio e outros integrantes da COMPOMUS que se constitui hoje na principal grife da música erudita brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Penso que não é tarefa das mais fáceis criar circunstâncias estéticas originais alicerçadas na mais popular estória que a humanidade já produziu em todos os tempos. A ousadia de Antônio Deol, entrementes, permitiu que se conjugasse a universalização de um tema religioso, com elementos da tradição e da experimentação permanente, necessária a afirmação do bom teatro. A cultura oriental dialogou barbaramente com a proposta cênica do grupo Graxa. Talvez um dos momentos de maior tradução desta verdade, tenha sido a beleza com que foi concebida, por exemplo, a cena da Santa Ceia. Também a permanência do Jesus Menino e seus parentes coadjuvantes, na memória geral do espetáculo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A feição religiosa tornou-se mero elemento de composição do processo criativo. Como diria Fayga Ostrower, “”cultura são as formas materiais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais atuam e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas para a geração seguinte.” Creio que a transcendência em todos os sentidos alcançada pela encenação deste ano, nos permite uma análise bem mais decodificada, até mesmo sobre o fator cênico como elemento de transgressão permanente das culturas e dos costumes. Ao incorporar elementos audiovisuais muito bem instalados em cena, o Grupo Graxa inverteu a idéia de que seria o cinema a arte de maior profusão de linguagens. Talvez o assombro da vivência de um voyeur nos permita afirmar que o teatro, pelos diálogos que se permite, tenha assumido o status de maior plenitude entre as artes. Pelo que incorpora e pelo que escancara em termos de perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Não sei como seria hoje um caderno especial sobre as encenações da Paixão de Cristo em algum jornal brasileiro ou mesmo de fora do país. Mas, certamente, a Cidade das Acácias passou a ser uma referência inventiva das mais importantes para grandes espetáculos de rua. Logicamente que pelo alto grau de profissionalismo alcançado pelo teatro paraibano e certamente, também, porque o Curso de Teatro da Universidade Federal da Paraíba já começa a transbordar pelos palcos da cidade, com uma qualificação que não é mais apenas produto do talento e da labuta individual. Depois de um espetáculo como este, lotando a arena do Ponto de Cem Réis, podemos concluir que é possível ir ainda mais longe. Seja individualmente, seja coletivamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2089733864920509235?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2089733864920509235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2089733864920509235' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2089733864920509235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2089733864920509235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/04/que-paixao-nos-oriente-uma-breve.html' title='Que a Paixão nos Oriente. (Uma breve leitura do espetáculo A Paixão da Sagrada Família)'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/S7q1Z_lYnwI/AAAAAAAAAso/h-E764Wfk7I/s72-c/Paix%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8580932466853166794</id><published>2010-04-01T14:23:00.001-03:00</published><updated>2010-04-01T14:23:19.605-03:00</updated><title type='text'>Pensando sobre estética e ética em frente ao túmulo de Virgínius da Gama e Melo.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Por Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Sábado passado acompanhei o sepultamento de um vizinho e, na espera do cortejo, acabei descobrindo o jazigo perpétuo da família Gama e Melo, onde está sepultado o poeta e intelectual paraibano Virgínius da Gama e Melo, falecido em 1975. Nome respeitado historicamente nos meios pensantes da Paraíba, Virgínius da Gama e Melo acendeu uma polêmica que ainda hoje movimenta até mesmo as estratosferas políticas, com reações raivosas dos segmentos mais conservadores da cidade. Na verdade, tornou-se até internacionalmente conhecida a magnífica obra de Jackson Ribeiro, “O Porteiro do Inferno”, atualmente localizada num dos dois principais anéis de acesso à Universidade Federal da Paraíba. Apesar de se tratar de uma obra abstrata que justamente por ser abstrata não traz uma mensagem, “O Porteiro” vem sendo alvo de sucessivas e patológicas sanhas conservadoras. Alvo de ataques de descarada hipocrisia. Alguns segmentos buscam, abertamente, dar uma conotação de política eleitoral (usando a via da religiosidade) ao debate estético que a obra propõe. Que se entenda definitivamente: não há feição religiosa na obra mais conhecida deste grandioso artista paraibano de Campina Grande, Jackson Ribeiro. É uma obra de vanguarda, abstrata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Que não se aprecie arte de vanguarda até se admite. É normal, dado o caráter inevitavelmente provocativo de um tipo de arte que questiona a beleza em um mundo torto e injusto. Mas, buscar o sentido religioso para a análise estética, com objetivos claramente eleitoreiros é de um oportunismo patológico que não cabe mais no nosso tempo. Este tem sido o comportamento de alguns segmentos “deformadores de opinião” que prestam um desserviço ao desenvolvimento social e econômico do empobrecido Estado da Paraíba. Os absurdos que envolvem a existência consagrada da obra mais conhecida de Jackson Ribeiro é bastante emblemático. Ocorre que o título original era “O Homem Astronauta”. Numa observação mais atenta, você verá que se parece com os astronautas do projeto Apolo, que levou o homem na Lua, numa época pouco anterior a concepção da obra. Tudo ia muito bem, até que o poeta Virgínius decidiu, jocosamente, rebatizá-la como “O Porteiro do Inferno”. Pior (ou melhor): o apelido pegou mais forte que o nome de batismo. Desde então se iniciou uma injustificada perseguição não à memória de Jackson, também já falecido, mas à existência da obra em espaço público. Há décadas, acabou sendo arrancada do seu lugar original, com a desculpa infame de estar localizada nas proximidades de uma Igreja. Sabemos que os fiéis evangélicos não cultuam imagens sagradas. No entanto, estranhamente, alguns pastores parece que abominam uma obra abstrata. Seria problema dos evangélicos? Claro que não. O problema está no nível de desinformação ao qual o povo é submetido, por “deformadores de opinião” que na verdade apenas querem dar sustentação às posturas mais conservadoras e inadequadas à evolução dos tempos e a democratização da informação e da sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Recentemente, fiquei bastante estarrecido com declarações públicas do deputado federal Walter Brito Filho contra as obras de arte que estão sendo espalhadas pela cidade, pela Prefeitura, fruto de um edital lançado pela Fundação Cultural de João Pessoa, hoje ao comando do grande Chico Cesar. Numa ação fruto de um edital em homenagem a um dos maiores artistas plásticos brasileiros de todos os tempos, Jackson Ribeiro.Um jovem com idéias medievais o tal deputado. Não deve saber que Jackson foi um ícone da efervescência estética brasileira dos anos 60 e 70, com uma fina e segura influência da arte concreta e de outras linguagens futuristas. Um artista antenado com o seu próprio tempo e com o futuro da nossa cidade. Sua obra mais conhecida por aqui se referencia nacionalmente e até internacionalmente, mas é tristemente banida pela ignorância de alguns deformadores de opinião, como o deputado Walter Brito Filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Em plena era da comunicação, com novas mídias aflorando a cada dia, este deputado demonstra um enorme desconforto ético ao querer misturar arte com religião e, pior, com política partidária. Sabemos que interesses estão por trás disso: desgastar a imagem do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Estado, Ricardo Coutinho. Afinal, é a política que movimenta os processos econômicos. É na política que os interesses populares confrontam os interesses dos grupos econômicos locais que, nos casos mais agudos, são de formação familiar e oligarca. Na verdade, ignorante confesso quanto às questões estéticas o deputado me faz lembrar o pensador Jürgen Habermas quando afirma que “a economia política nasce da filosofia moral”, no livro “A ética da discussão e a questão da verdade”. Logicamente, não vamos crer que a rejeição do deputado à Arte Pública venha de princípios religiosos, uma vez que ele ,como outros oportunistas descarados, coloca a religiosidade no seu curriculum político. Como se os cidadãos e cidadãs da cidade de João Pessoa, evangélicos ou não, não tivessem a capacidade de discernimento que o ralo entendimento do deputado propõe. O que está em jogo, entenda-se, é uma coisa chamada “economia política”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Mas o foco principal continua sendo Jackson Ribeiro e seu consagrado “O Porteiro do Inferno”.Uma obra magistral colocada pela Prefeitura de João Pessoa no acesso à Universidade Federal da Paraíba. Sabemos que “O Porteiro do Inferno” foi um “apelido” para uma obra que se chamava originalmente de “O Homem Astronauta”. Uma brincadeira do poeta e intelectual paraibano Virgínius da Gama e Melo. Assim como com algumas pessoas, o pseudônimo inventado pelo poeta ficou mais conhecido que o nome. Quando dizem que o nosso povo precisa de Educação, concordo plenamente com os que acreditam que a Educação não é papel exclusivo da escola. No caso, os setores informados que detém parte significativa do capital pedagógico do Estado precisam se posicionar contra o que fede a feudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8580932466853166794?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8580932466853166794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8580932466853166794' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8580932466853166794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8580932466853166794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2010/04/pensando-sobre-estetica-e-etica-em.html' title='Pensando sobre estética e ética em frente ao túmulo de Virgínius da Gama e Melo.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7247965702994629671</id><published>2009-12-14T09:24:00.003-03:00</published><updated>2009-12-19T16:05:00.482-03:00</updated><title type='text'>Flávia Muniz - o canto além da voz.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A Literatura Brasileira nos remete aos tempos infinitos. Tempos que não começam nem terminam num código estabelecido. Aliás, toda boa literatura é atemporal, como sabemos.  Talvez daí venha a minha parcial discordância com a necessidade de catalogação dos escritores, por geração. Há que se perceber a literatura como um rio e seus afluentes. Por isso, não quero analisar este primeiro livro de Flávia Muniz, à luz da já denominada Literatura 00. Ou seja, a literatura que começa a despontar no século XXI. Exatamente porque não creio que as Teorias da Literatura funcionem como um tipo de autópsia do texto. Por um bom motivo: não se faz autópsia de organismo vivo. E a Literatura é um organismo vivo, antes e depois da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantora e compositora de boa cepa, transitando com personalidade na Música Brasileira Contemporânea, Flávia realiza a metalurgia dos seus textos numa poesia que poderia muito bem ser revertida ao estado de miniconto. Segundo o escritor gaúcho José Eduardo Degrazia, as prosas de Baudelaire representam o eixo fundamental na teoria do miniconto. Ao contrário do que pensam alguns, miniconto não tem limite de frases ou mesmo parágrafos. Pode ter uma única frase ou uma lauda.  Flávia sabe muito bem em que terrenos da linguagem está circulando. Sabe ainda do mundo onde mergulha suas emoções mais densas, mais afeitas aos impactos naturais da palavra.  Sabe que na literatura como na vida o direito à escolha é determinante e, algumas vezes, fatal. Das melhores palavras nem sempre se extrai os melhores caminhos. Por isso, Flávia vai conjugando uma literatura que dialoga cenicamente, plasticamente e musicalmente, com a palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu texto desponta carregado de significado. Denso que só uma estrela no céu de dezembro. Vai despertando assim para as leituras mais atentas, ávidas por novas descobertas. Um trabalho de muitas artesanias e acostumado a beber nas melhores fontes. Sejam elas contemporâneas ou clássicas. Temos aqui uma literatura que não se contém diante das distâncias e passa a cumprir uma estética de adensamento do vazio existente entre os diversos pólos criativos da mente. Enfim, um texto de leitura agradável e ritmo instigado. Como se o “maculelê” do verso ousasse a batida do eixo, no itinerário da imagem que se cria a partir dele. Flávia Muniz desafia paradigmas e estabelece, também, a sua própria teoria a partir de uma prática que se mostra nas suas escolhas para a construção do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, esta escritora não sofre do mal que Antônio Cândido chama de “ilusão antropocêntrica”. Seus textos esmiúçam a condição humana, trafegando da filosofia à poesia, do masculino ao feminino. No emocional e no racional. Tudo está contido na expressão do significado e da forma de organizar as palavras. Ela se reconhece múltipla e multiplica suas possibilidades ao demonstrar o que isso significa enquanto foco natural de uma narrativa. Quer um exemplo? Veja este fragmento:  “Desvendando os mistérios do homem que sou, procuro manter-me quieto. Sou fotógrafo de almas. Observo humanos: esquinas de gente e olhar de gente. Mão e antebraço antes mesmo de nomes. Solidariedade: meu lugar de palavra e oração. Ajoelho-me no sal da Terra.” (ESCRITOS ESPIRAIS NA ROTA DO AMANHECER, II). Essa noção de espaço deu à Flávia uma definição de que as literaturas são o que as solfeja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, eis uma literatura que reconhece, mas não se curva aos cânones. Tem autonomia e proclama seus próprios rumos elaborando frases curtas, de forte impacto acústico e ritmo acelerado. Bebe em Borges (com certeza) certo telurismo fantástico, absolutamente urbano e futurista. Ela nos chega num momento em que as mídias tradicionais estabelecem uma luta corporal, de vida ou morte com a cibercultura, tornando-se parte dela. “No século XXI, todo texto se torna um arquivo virtual”, nos diz N. kathetrine Hayles, em “Literatura Eletrônica – Novos Horizontes para o literário” (UPF Editora). Ela faz parte de uma geração que estabeleceu um novo tipo de relação com o saber em qualquer setor da vida racional ou transracional. Algo atemporal e ao mesmo tempo, enraizado num ponto equidistante entre o passado e o futuro. Um bom exemplo do quanto os jovens escritores e escritoras brasileiras estão construindo a memória de uma literatura que revela nomes expressivos, mas jamais demonstrou sinais de falência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para morder estrelas deve-se espanar a poeira do peito e afiar os dentes em pedras de amolar facas. Andarilhos das noites, descalçamos o chão dos céus. O sol é maior que a Terra. O infinito é maior que o sol. Os humanos carregam pequenas certezas. A dor hermana e funde o núcleo do ser – ele espreguiça.”  O  livro de Flávia Muniz, Vilarejo – pergaminho do fogo, revela uma escritora que soube estabelecer-se entre o delírio criativo e a ciência de compor um texto de reconhecida substância literária. Estamos diante de uma leitura que poderá ser realizada com todos os olhares que determinam a nossa condição de gente. Uma literatura que esmurra o comodismo de repetir fórmulas prontas, buscando consolidar-se nos próprios e múltiplos rumos.&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(Prefácio do livro Vilarejo - pergaminhos do fogo, da escritora, cantora e compositora carioca Flávia Muniz)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7247965702994629671?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7247965702994629671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7247965702994629671' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7247965702994629671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7247965702994629671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/12/flavia-muniz-o-canto-alem-da-voz.html' title='Flávia Muniz - o canto além da voz.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4485506301117079800</id><published>2009-12-05T09:19:00.003-03:00</published><updated>2009-12-07T13:11:55.196-03:00</updated><title type='text'>O pop e o rock  dos PoETs - Entre Manuel Bandeira e os Beatles</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A tradição musical do Rio Grande do Sul tem fornecido nomes importantes para a história da Música Brasileira que é, em suma, uma congregação de diversidades. Poesia e melodia para as possibilidades da cibercultura e do que vinga a partir dela. Isso tudo, num pampa mio que não é nada mais nada menos que a terra de Elis Regina, Lupicínio Rodrigues, Nelson Coelho de Castro, Edu da Gaita, Bixo da Seda, Jaime Caetano Braun, Nei Lisboa e, agora, também dos PoETs. Um grupo que nasce de um berço esplêndido: o acaso e suas provocações e que surpreende por, talvez, não estar preocupado em surpreender. Um grupo que agrada pela música e pela palavra, muito certamente por não estar preocupado em agradar. Poesia é palavra que vem do grego. Tem a ver com fazer. O poeta é o que faz. O poeta é o que soma virtude e atitude e faz linguagem. Nos PoETs, a origem de tudo é a poesia. (Permitam-me, não se trata de um grupo, mas, de uma tribo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caras já surpreendem, pela formação. São três poetas da melhor qualidade que no palco e no CD, entretanto, não reproduzem praticamente nada das suas obras em livro. (Ou, quem sabe, absolutamente tudo.) Ronald Augusto, Ricardo Silvestrin e Alexandre Brito, acompanhados por músicos do primeiro time, ousaram desafiar todas as teses e retorcer o eterno tumulto que há quando se tenta estabelecer fronteiras entre poesia e letra de música. Não vou entrar nesta seara, mas, fica a necessária provocação para um debate futuro. Eu já conhecia e admirava o trabalho dos três poetas. Conhecer o CD e poder curti-lo na diversidade do meu gosto pessoal, me permite, por exemplo, ter tido o prazer imenso de ouvir várias vezes o disco, curtindo muito sempre, mas terminar de escrever este texto ouvindo o piano de Arthur Moreira Lima interpretando Piazzolla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, confesso que me surpreendi muito positivamente com a capacidade dos caras em unir qualidade e swing pop em um CD que é pop, mas também é rock, também é MPG (Música Popular Gaúcha)... Como se tudo fosse fruto de uma Milonga tocada por Hendrix. Poesia é isso? Penso que é (também). Afinal, poesia é música. (E, como diria Décio Pignatari, algum gênero das artes plásticas.) Certamente que pautados antropológica e antropofagicamente pelos Beatles e por Manuel Bandeira, os PoETs passam a figurar no cenário musical brasileiro como expressão do que pode ser ouvido em Alegrete-RS ou Santarém-PA, com o mesmo nível de sedução do público e de instigação positiva do ouvido mais apurado, mais crítico. Há uma enorme complexidade em um trabalho, aparentemente, simples. Já participei da produção de grandes eventos, com artistas de calibre. Sempre me interessou muito mais as reações do público, nestes casos. Em relação aos PoETs, vejo que prepondera a capacidade de comunicação das letras e a beleza das melodias. Considerando que se trata de três poetas com uma obra literária, individualmente, bastante singular e, sobretudo, interessante sob todos os aspectos. No entanto, musicalmente os caras alcançam tamanho nível de sedução estética que chamam a atenção no primeiro acorde, dos ouvidos mais sensíveis aos mais desatentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco mais sobre eles? Bem, Ronald Augusto, certamente figura entre os poetas mais complexos e interessantes da nova safra brasileira. Escritor, compositor e crítico publicou, entre outros, o excelente “No Assoalho Duro”, pela Éblis. Ricardo Silvestrin também é um excelente poeta. É professor de literatura, editor do selo AMEOP. Publicou “O Menos Vendido”, pela Nankin (que torço para ser o mais lido). Alexandre Brito é poeta, editor da AMEOP, músico e produtor cultural. Um mano que duela incessantemente com as palavras e seus ritmos. Os três formam os PoETs. Certamente que todos têm currículos bem, mais intensos e imensos, mas cabe aqui apenas um breve perfil desses três artistas que bailam em palavras e melodias. Pelo jeito ainda sobrou tempo aos três para uma articulação de primeiro time, criando esta banda de poetas que o Brasil precisa conhecer para, de prima (como se diz), ouvir sem parar e gostar muito, sabendo que inteligência, em qualquer área, é o melhor legado do artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CD “Os PoETs” nos traz de volta uma reflexão acerca do que é, realmente, novo na Música Brasileira Contemporânea. Nos tempos de Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Chico Cesar e outras feras, cabe um tanto assim de ufologia. Parece que estamos longe dos busca-pés vanguardistas que estabeleciam a necessária tensão entre a arte e a atenção de uma sociedade desigual, escandalizada, não exatamente pela vanguarda, mas pela diferença. Pelo questionamento ao gosto estabelecido. Margarida Patriota escreveu com propriedade em “Modernidade e Vanguarda nas Artes” (Oficina Editorial), “as vanguardas se emasculam numa sociedade que as acata”. Os PoETs, surgem também de uma releitura disso tudo, mas, sobretudo, de uma contemporaneidade que se descobre a cada passo, a cada pássaro na garganta. Nos tempos de agora o exato é catar germe no trigal, onde tudo é vida e prolifera. Afinal, até do mangue, sai arte. Caso contrário, o Brasil e o mundo não teriam conhecido Chico Science.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despreocupados com a rotulação da música que fazem, os PoETs iniciam uma trajetória na música brasileira que, sem permissão de Nostradamus, podemos vislumbrar enquanto promissora do ponto de vista do mercado musical brasileiro e transformadora do ponto de vista da qualidade musical. Há uma empatia imediata com a audição do que esses meninos estão a compor lá pelas bandas de Porto Alegre. “Música bacana e letra legal”. É a fórmula para a sedução de um público que, certamente, está crescendo e se tornando fiel a cada instante, seja pelos canais cibernéticos, seja pelo tom frenético dos shows, seja pela credibilidade artística de três poetas da melhor safra gaúcha, numa varredura de conceitos que nos faz pensar como DJ Dolores: “que som é esse”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois vídeos dos PoETs:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jhNErVc3Ga0"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=jhNErVc3Ga0&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=A_2FcuPknjc"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=A_2FcuPknjc&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4485506301117079800?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4485506301117079800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4485506301117079800' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4485506301117079800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4485506301117079800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/12/pop-poesia-dos-poets-entre-manuel.html' title='O pop e o rock  dos PoETs - Entre Manuel Bandeira e os Beatles'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6871586772605303294</id><published>2009-11-21T11:58:00.000-03:00</published><updated>2009-11-21T12:00:25.888-03:00</updated><title type='text'>A Feira do Livro de Porto Alegre entre os interesses do mercado e os da sociedade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há 25 anos não pisava na Feira do Livro de Porto Alegre. Um hiato bastante significativo para uma observação diferenciada de quem foi testemunhando as transformações cotidianas deste grande evento. Fui habitante assíduo daquele espaço. Visitante diário. Um “rato de feira”, como se diz. Se bem que sempre preferi ser apenas mais um ácaro.  Na época não me parecia necessário refletir sobre os destinos da Feira, uma vez que eu era apenas um consumidor das minhas parcas possibilidades. Mesmo assim, notei que naquele tempo era possível encontrar Proust e Balzac nos balaios, coisa que nesta minha última visita pareceu absolutamente improvável. Até porque o gigantismo da Feira impediu uma investigação minuciosa em duas tardes de intenso “fuçamento” em balaios e stands.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me parece um primeiro e lamentável equívoco é observar-se a Feira do Livro de Porto Alegre apenas do ponto de vista do interesse econômico dos livreiros. Sim, a venda dos livros pode mesmo ter despencado 17%, conforme afirma a Câmara Riograndense do Livro. No entanto, dois aspectos precisam ser observados. O primeiro deles é a fuga do controle dos livreiros sobre a economia gerada pela Feira em seu entorno. Ou seja: precisamos observar o boom na área da economia criativa da cidade durante o evento, coisa que somente os incautos e os espertos entenderão que se resume à venda de livros. O segundo ponto a ser observado é comum na maioria dos eventos literários: a marginalização do autor e do leitor. Ou seja, o pecado da gula dos livreiros me parece que vem provocando um acentuado desprezo pelo início e pelo fim da cadeia produtiva do livro. Se isso é grave? É letal para um evento com a tradição da Feira do Livro de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes, não me parece que esse seja um problema específico da Feira do Livro de Porto Alegre. Ano passado, na Bienal do Livro de Fortaleza, participei de um debate com o “manda-chuvas” do Programa Nacional do Livro e da Leitura, José Castilho, sobre a circulação do livro no Nordeste. Tudo com um interesse, a princípio, radicalmente direcionado aos livreiros. Mais uma vez ao início e ao fim da cadeia produtiva do livro restou apenas o direito de levar um “cascudo”, em caso de questionamento. Foi o que aconteceu quando levantei o fato e recebi uma resposta bastante monossilábica e enjoada do Dr. José Castilho. O papo estava encerrado sem ter começado. Entrei na lista de discussões pela internet, acerca do mesmo tema, oriunda desse mesmo encontro de Fortaleza. No entanto, notei que os debates persistiam na filosofia da minhoca (sem cabeça e sem rabo). O autor e o leitor são detalhes insignificantes na lógica do mercado livreiro. Este fato me parece estranhamente consumado e lamentavelmente ignorado tanto pelos escritores quanto pelos consumidores de boa literatura. Podemos conferir, por exemplo, a insignificância de queixas nos Procons, contra livrarias e distribuidoras. E isso é péssimo porque qualquer mercado somente aceita o ajuste da marretada no cofre em nome dos direitos de cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras observações eu faria, mas ao abordar esses extremos, mesmo de forma jocosa (e não menos séria), o que eu quero dizer é que os problemas da Feira do Livro de Porto Alegre não são exclusivos deste magnífico evento que se sente sufocado pelo próprio gigantismo atingido.   Todavia, devemos entender que é a própria visão do mercado do livro brasileiro que sofre de um retraimento devido ao pecado da gula do empresariado do setor. Por exemplo, a Feira do Livro foi sendo espichada até o Cais, certamente que com nenhum objetivo de afundar no Guayba. No entanto seus organizadores esqueceram que estavam, com isto, subtraindo de forma pouco inteligente o espaço de estacionamento dos consumidores. Desta forma, ou a clientela da Feira precisava escolher o tipo de assalto a ser submetida antes de cair nos preços pouco convidativos dos stands. Ou deixava o carro a mercê dos  preços extorsivos praticados pelos estacionamentos do centro de Porto Alegre, ou aventurava-se deixando-o, por exemplo, no Alto da Bronze ou Parque da Marinha, arriscando-se em uma caminhada absolutamente insegura num centro charmoso, mas lamentavelmente abandonado pelas políticas de segurança pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não pensarmos que nada disso possa ter influência na queda das vendas, então podemos embarcar na canoa furada das opiniões vazias, como algumas que li nos jornais. Umas apontando para o conforto de comprar livros nas grandes redes de livrarias acopladas aos shoppings, outras citando até mesmo o “lamentável” progresso cibernético. Houve quem afirmasse, em um jornal local, que “há dez anos tinha conexão discada e que agora acessa tudo no Google”, como argumento à queda nas vendas dos livros. O mais lamentável disso tudo é que esse tipo de argumento pode levar uma reflexão sobre a Feira do Livro para um rumo inimaginável, historicamente falando, em termos de cultura livreira numa terra de grandes escritores como é o Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me coerente observar que a organização da Feira, assim como a maioria dos eventos literários, trata o autor (principalmente os emergentes), praticamente como intrusos e aproveitadores do mercado e os leitores, como uma massa a ser conduzida para os mais vagabundos caminhos da leitura fácil. Até porque o leitor crítico, ou seja, o amante da boa literatura é bastante chato e exigente. Não quanto a qualidade do ar rarefeito disputado pelas multidões da Feira, mas quanto a qualidade das obras à venda. Neste aspecto, sinceramente, achei mais cultural ser atendido pelos simpáticos atendentes do tradicional Cachorro do Rosário. A quantidade de stands da Feira, infelizmente, pouco respondeu em relação às necessidades básicas dos amantes da boa literatura. Em alguns, nunca vi tanto lixo impresso reunido. Parece que se optou mesmo em transformar a Feira num grande açougue de palavras. Não me pareceu importante refletir sobre a qualidade do produto oferecido. Me contaram que até mesmo os Jabutis e os Açorianos eram matéria rara (eu mesmo, nem vi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os stands das universidades gaúchas optaram por desconhecer completamente a realidade do tradicional público da Feira, optando pela exposição esmagadora dos chamados “livros técnicos”. Nas que visitei encontrei livros até mesmo de Educação Física (o que é muito bom), mas retratavam a completa desconexão da produção livreira das universidades gaúchas com a emergente produção teórica e criativa da terra de Moacyr Scliar, Carlos Nejar, Luiz Fernando Veríssimo e Donald Shuller. (Só para citar alguns dos grandes nomes gaúchos que orgulham a Literatura do Brasil.) Claro, impossível num contexto assim, repercutir o que vem sendo produzido pelos novos escritores gaúchos. Muito especialmente pelos de qualidade inquestionável. Esses, parece que já nem acreditam mais nas instituições e, muito menos, no chamado mercado do livro. A aventura dos blogs parece bem mais atraente que o Muro de Berlim das grandes editoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, analisando um evento como este, concluo que não há qualquer aposta do mercado do livro na Literatura. Mesmo os autores consagrados foram banidos dos planos deste lucrativo mercado. Isso não é privilégio da Feira do Livro de Porto Alegre. As vendas despencaram 17%? Sim, mas que tipo de reflexão isso pode gerar? Uma completa e covarde capitulação diante da lógica do mercado e do mau uso do conhecimento gerado pela cibercultura?   Como diria, talvez, Pierre Levy, o consumidor da Feira do Livro de Porto Alegre ou de qualquer outro evento do gênero espalhado pelo país, ainda é “o mesmo homem que fala, enterra seus mortos e talha o sílex. Propagando-se até nós, o fogo de Prometeu cozinha os alimentos, endurece a argila, funde os metais, alimenta a máquina a vapor, corre nos cabos de alta-tensão, queima as centrais nucleares, explode nas armas e engenhos de destruição.” Portanto, não venham justificar a queda na venda dos livros com balelas desgastadas e de reflexão suprimida. Afinal, é o próprio modelo selvagem do capitalismo da Feira que está em franca decadência. Em alguns países, como a Austrália e a Inglaterra, a economia criativa (ou seja, a economia do conhecimento) transformou-se num vetor de desenvolvimento. Tony Blair chegou a criar o Ministério das Indústrias Criativas (sem chaminés) para gerir um setor que já domina 8% do Produto Interno Bruto Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única saída para um evento do porte da Feira do Livro de Porto alegre é a Literatura. Da tradição à vanguarda. Dos clássicos aos contemporâneos. Parece que faltou cardápio num ambiente de intensa “degustação literária” como a praça da Alfândega.  A produção emergente, a cena atual, precisa ter lugar de destaque e não apenas o cumprimento de agendas espremidas. Finalizo com o cochicho de Cavalheiro, um militar aposentado que, diante do stand (maravilhoso) da Caixa, o Degustação Literária, durante a palestra dinâmica de Laís Chaffe, recitou Olavo Bilac no meu ouvido e se queixou: “os grandes escritores foram banidos da Feira. O que resta de Literatura nessa Babilônia é muito pouco.” Isto vindo de um homem que testemunhou o nascimento da Feira, precisa ter algum eco entre a confraria dos patronos que a Câmara Riograndese do Livro concebe como único fórum legítimo para este debate. Um debate, aliás, que precisa ser maior que o sufocamento ao qual a Feira foi submetida devido à supremacia dos interesses imediatos dos livreiros. Livreiros que, aliás, não se preocupam minimamente com os mínimos detalhes, como o treinamento dos seus vendedores. As vendas despencaram? Sim, mas o que é que havia de atrativo aos consumidores? Livro não se compra por quilo. Pelo menos isso os livreiros deveriam entender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6871586772605303294?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6871586772605303294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6871586772605303294' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6871586772605303294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6871586772605303294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/11/feira-do-livro-de-porto-alegre-entre-os.html' title='A Feira do Livro de Porto Alegre entre os interesses do mercado e os da sociedade'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3708889510399718317</id><published>2009-11-16T22:20:00.007-03:00</published><updated>2009-11-18T13:01:35.466-03:00</updated><title type='text'>A aventura mínima de Laís Chaffe e Marcelo Spalding</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O livro Minicontos &amp;amp; muito menos teve sua tarde de autógrafos no dia 12 de novembro, na Feira do Livro de Porto Alegre. Em todos os sentidos os seus autores buscaram a lógica dos pássaros: o máximo de canto no mínimo de corpo. Barbaramente ilustrado por Alexandre Oliveira, o livro de Laís Chaffe e Marcelo Spalding é apresentado por um design gráfico bastante criterioso chamado Auracebio Pereira. Tudo isso embalado pelo projeto editorial &lt;a href="http://www.casaverde.art.br/"&gt;Casa Verde &lt;/a&gt;que já podemos considerar bem sucedido. Somente a série Lilliput já alcança seu quinto volume. Numa proposta conjugada, Marcelo e Laís desafiam a teoria errante que cerca a história do miniconto. Lembro que, também em Porto Alegre, ano passado, ouvi José Eduardo Degrazzia levantar a hipótese de serem as prosas poéticas de Baudelaire, a possível origem desse gênero instigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo do raciocínio de Degrazzia podemos observar que o miniconto se aproxima mesmo da poesia em alguns aspectos. Principalmente quanto a impossibilidade de realizarmos uma leitura linear, tanto em um quanto em outro gênero. Na verdade, o miniconto também nos exige uma leitura em rede, algo que transporta o leitor na busca de uma completude, seja em leituras anteriores, seja em observações sobre a própria vida. Refletir sobre miniconto, nos carrega até o pensamento de Roberto Acíseo se Sousa em Teoria da Literatura (série princípios, Ed. Ática): “o que problematiza pela primeira vez a literatura é a própria literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, lendo este livro podemos afirmar que o que problematiza a teoria do miniconto é o próprio miniconto. Especialmente no caso específico de Laís e Marcelo. Pelo que pudemos perceber num primeiro olhar sobre a obra, a despeito das acentuadas diferenças de estilo, ambos vão construindo pequenos ensaios em textos curtíssimos (ou nem tanto), de profunda qualidade literária. Sobretudo pela imensa capacidade de causar espantos até mesmo no leitor mais atento, mais inclinado ao mergulho nas infinitas possibilidades de uma narrativa. Entre outras coisas, esse &lt;em&gt;Minicontos e muito menos&lt;/em&gt; nos revela a vigorosa capacidade de renovação de uma literatura que já produziu nomes como Érico Veríssimo, Mário Quintana, Moacyr Scliar, João Gilberto Noll, entre outros que preencheriam uma referência bastante substantiva dentro da História da Literatura de Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pequenas pancadas narrativas de Laís Chaffe, ora lúdicas, ora líricas, reveladoras de uma ironia suavemente machadiana, conjugada com uma tonalidade bastante descritiva do discurso jornalístico, abrem um dos lados de um livro de múltiplas faces. Uma escrita que nos trás pérolas como “Genuflexório”: (“- Irmã? / - Sim, padre? / - Não aconteceu nada aqui, está bem? / - Louvado seja Deus Nosso Senhor. / Amem.”). Crítica social, crítica de costumes, revelações da natureza humana. Tudo num texto muito bem composto em sua própria nudez. Por outro lado, parece-nos um natural contraponto o texto de Spalding, sugerindo-nos um olhar transversal que ao mesmo tempo integra, dando uma idéia de conjunto (como se cada miniconto fosse um parágrafo de um mesmo texto), ao mesmo tempo que tumultua a possibilidade de uma leitura lógica (ou seja: é isso e nada disso). O autor vai tramando, na verdade, um corte diferencial até mesmo de uma frase para outra. Ou na mesma frase: “Quando acordou, já não estava mais lá” (talvez este seja um dos menores contos do mundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar que houve uma natural afinidade entre Laís Chaffe e Marcelo Spalding, para a construção de um livro que se consolida tanto pela qualidade gráfica quanto pela complementaridade dos autores, em textos mergulhados numa compreensão comum de um gênero que sugere sua própria afirmação no jogo das transgressões mútuas. Desta forma podemos arriscar uma assertiva quanto a feliz conexão de dois estilos bem distintos, com identidades estéticas definidas, que vão nos jogando na volúpia de uma teoria do miniconto que se traduz na própria obra, abrigando um perau cuja própria condição íngreme vai propondo um conjunto de sensações que não se rendem à mesmice. Tudo isso transbordando de dentro de uma tradição literária que se sustenta no questionamento dos seus próprios processos de busca na sedução do leitor. De nada mais precisa a nova Literatura brasileira para afirmar-se no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estamos inventando nada. Na travessia do século XIX para o século XX, dizia-se que os estudos da literatura ancoravam-se nos aspectos mais científicos, onde o texto pouco importava, uma vez que havia uma determinação de explicar a literatura através das circunstâncias vividas pelo autor e suas ambientações inventivas. Neste início de século XXI, por alguns bons motivos, podemos especular a possibilidade de um texto ser, ao mesmo tempo, objeto de criação e de reflexão sobre ele mesmo. Por isso, Laís Chaffe e Marcelo Spalding podem estar inaugurando aqui uma nova era, uma nova perspectiva teórica para o miniconto. Elementos não nos faltam para a construção de um ensaio a esse respeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Adquira o livro Minicontos e muito menos, pelo site da Editora Casa Verde: &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.casaverde.art.br/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;http://www.casaverde.art.br/&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; . Literatura gaúcha contemporânea de qualidade.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3708889510399718317?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3708889510399718317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3708889510399718317' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3708889510399718317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3708889510399718317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/11/aventura-minima-de-lais-chaffe-e.html' title='A aventura mínima de Laís Chaffe e Marcelo Spalding'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-849124071862558133</id><published>2009-10-25T11:05:00.002-03:00</published><updated>2009-10-26T11:27:49.054-03:00</updated><title type='text'>O lirismo futurista na música de Flávia Muniz</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona sempre a capacidade de renovação da Música Popular Brasileira. Do universo pop às tradições da Bossa, do Metal ao Baião. Isso quando o olhar se torna mais amplo sobre conceitos de MPB. Não poderia ser diferente uma vez que as novas gerações, desde o Tropicalismo, permanecem cruzando a ponte da tradição aos chamados tempos modernos. Existem artistas que, historicamente, guardam singularidades que nos fazem tecer um olhar mais atento às suas obras e trajetórias. &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt; é uma dessas artistas. Leva ao palco as palavras mais exatas para o contexto de uma música que evoca, de certa forma, o que brotou no Lira Paulistana e outros palcos vanguardistas. Até mesmo no Tropicalismo, com um acentuado olhar sobre a figura do poeta Torquato Neto. Logicamente, o que vivemos agora é exatamente a configuração de todas essas teias em outro contexto histórico da MPB. Penso que Flávia expressa bem essas transcendências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, num primeiro momento, concluir que a palavra é o fator de determinação na música de Flávia Muniz. É exatamente a palavra e os rigores da poesia que determinam a musicalidade de uma artista inquieta, insubmissa frente ao que está esteticamente posto. Estamos diante de uma criadora absolutamente atenta às perspectivas da música mundial que respira fora das engrenagens sufocantes da cultura de massas. Assim, dentro da cena musical brasileira deste início de milênio, &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt; experimenta o transbordamento através da vertigem de beber em todas as fontes, parindo um som que não guarda segredos de si, pois fornece, integralmente, os mesmos elementos de sedução em cada nota, em cada palavra cantada. Ouvi-la instiga profundamente toda mente afeita aos manjares estéticos de qualquer espécie ou estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda não sabe, Flávia não é estreante. Ela vem de um contexto. Tive a oportunidade de conhecê-la como vocalista da ótima banda carioca, &lt;a href="http://www.luisamandouumbeijo.com/"&gt;Luisa Mandou Um Beijo&lt;/a&gt;. Cujo trabalho, aliás, guarda o respeito de músicos e pensadores bastante expressivos, da MPB. Bons músicos. Bom repertório. Letras instigantes. Na verdade a banda é uma provocação à vanguarda. É como se algo fosse brotar exatamente duma transversalidade provocativa entre o clichê e a experimentação. Entrementes é inegável, também, que &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz &lt;/a&gt;começa a destacar-se enquanto criadora, na cena musical do Rio de Janeiro e do Brasil. Principalmente por uma inegável personalidade artística que a conduz a um tipo de composição musical que não se rende aos apelos fáceis e, ao mesmo tempo, fecha as portas ao hermetismo estéril. Ela é construtora de um estilo que bebe nas melhores fontes da canção popular brasileira, sem negar a embriaguês necessária das vanguardas, sem abrir mão da possibilidade de construção de um lirismo absoluto e íntimo. Flávia parte de uma construção absolutamente pessoal para empreender uma leitura musical aberta às melhores influências do planeta. Ela habita uma certa plenitude quanto ao conceito de Obra Aberta, de Umberto Eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitora atenta, dos livros e do mundo, Flávia representa divinamente, em suas composições, o elo entre o poema e a música. Algo que se completa com uma performance de palco que, sem pirotecnias cênicas, guarda um grau elevado de elaboração. Uma elaboração que vem do instinto da artista, logicamente, mas também da sua formação acadêmica na área da Música Popular Brasileira. Ou seja: a artista construiu uma identidade tal que é praticamente impossível que seu trabalho solo não alcance, também, o respeito que &lt;a href="http://luizamandouumbeijo.com/"&gt;Luisa Mandou um Beijo&lt;/a&gt; ganhou e, talvez, até mesmo ampliando espaços na visibilidade musical brasileira. A tecnologia, neste caso, favorece a arte. Pela internet é possível ver seus clips em qualquer lugar do mundo. Certamente que a agradável experiência de ouvir essa cantora carioca se espalhará como o vento, pelos mais distantes rincões. Principalmente, despertará a atenção dos que pensam a MPB com um olhar mais contemporâneo, de Cartola à Itamar Assunção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas as ocorrências que nos fazem pensar a musicalidade absolutamente poética de &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz.&lt;/a&gt; Suas composições são suaves provocações aos sentidos. É uma música que chega como um alerta, seja ecológico, seja existencial, seja estético. Estamos diante de uma artista que, mais do que tudo, experimenta vestir-se inteiramente com a mesma identidade artística, com a mesma personalidade de encarar o palco como espaço de permanentes experimentações. Especialmente dentro de uma linguagem que é, também, teatral. Muito ainda haverá de se comentar e escrever sobre o trabalho de &lt;a href="http://www.myspace.com/flaviamuniz"&gt;Flávia Muniz&lt;/a&gt;, mas neste momento são as impressões que trazemos aos que buscam informações acerca desta cantora que encanta pelas suas interpretações de extrema singularidade e pelo seu inegável talento como compositora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-849124071862558133?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/849124071862558133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=849124071862558133' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/849124071862558133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/849124071862558133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/um-certo-lirismo-futurista-na-musica-de.html' title='O lirismo futurista na música de Flávia Muniz'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7086797337634815172</id><published>2009-10-17T20:48:00.004-03:00</published><updated>2009-10-22T23:54:43.283-03:00</updated><title type='text'>As oligarquias decadentes e seus ódios repugnantes</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Impressionante o artigo "A cidade de todos" publicado pelo colunista social Abelardo Jurema Filho, no Jornal Correio da Paraíba. Desta vez Abelardo extrapolou ao ocupar a coluna "Opinião" para demonstrar sua repulsa ao belíssimo monumento dedicado ao romance A Pedra do Reino. Uma justa homenagem da Prefeitura ao escritor paraibano Ariano Suassuna, nascido exatamente no Palácio da Redenção. A obra é assinada pelo consagrado artista plástico Miguel dos Santos e está instalada na Lagoa do Parque Solon de Lucena, num cenário de paraíso. O artigo é lamentável sob vários aspectos. Principalmente porque não se trata de uma crítica estética, mesmo que  inocentemente fundamentada. O texto limita-se a demonstrar o ódio familiar que alimenta o “coronelismo fashion” que ainda domina alguns dos setores privilegiados da sociedade paraibana. Um ódio que se esparrama pelos becos. Por motivos não menos lamentáveis, o conservador Ariano não pronuncia o nome da capital da Paraíba. Parece que nem o tempo está sendo capaz de banir tamanha estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inquestionável o valor da obra de Miguel dos Santos. Inquestionável o resgate de Ariano Suassuna para a cultura paraibana. Mas, o ódio oligarca que perdura por esses tempos modernos é um atentado ao bom senso. Afinal, com tanta violência permeando nossos dias, a cultura de paz precisa ser lembrada. Especialmente pelos formadores de opinião. Lamentável que pessoas públicas continuem disseminando um ódio histórico que em nada envolve a memória do povo. Um ódio que semeou através dos tempos uma única coisa: o atraso político e econômico do Estado. Não que seja preciso negar os episódios que culminaram com o assassinato de João Pessoa e levaram à morte uma das mais instigantes personagens da história do Estado, Anayde Beiriz. Certamente um nome que ainda perturba o sentimento medieval disfarçado em “mágoas de família” e que de tão enraizado, ainda perturba corações e mentes. O mais grave de tudo é que, mais uma vez, sobrou para uma obra de arte. Um totem que foi postado exatamente no chamado Cartão Postal da cidade com o objetivo de resgatar uma história que vem sendo, através dos tempos, sumariamente suprimida pelos interesses mesquinhos de uma elite que não se sustenta em idéias e princípios, mas em interesses muito particulares e ódios incendiários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incapaz de dimensionar a importância da obra exatamente pelos motivos acima expostos, Abelardo demonstra a sua incapacidade enquanto homem de imprensa ao se referir ao trabalho de Miguel dos Santos (artista que orgulha o povo pessoense), como “algo de gosto duvidoso”. Por que não explicita seu gosto? Seria digno entrarmos aqui num debate estético. Afinal, a arte existe exatamente para despertar o sentimento crítico e lúdico do povo. Uma arte que não provoca, não merece espaço na história. Por isso a obra de Miguel dos Santos em homenagem ao escritor paraibano (nascido numa capital que ainda não se chamava João Pessoa) ganha cotidianamente um fôlego novo para que uma nova ordem social e política seja estabelecida. Um tempo em que o ódio familiar não seja determinante no comportamento político de segmentos parasitários do poder. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Resgatar a cidadania paraibana de um dos escritores de maior consagração no Brasil e no exterior deveria ser algo inquestionável, uma vez que não raras vezes se diz que o povo paraibano ainda tem problemas de auto-estima. Por outro lado, apesar de ter retomado uma certa relação de amor com a Paraíba, Ariano ainda precisa se livrar de um acúmulo de ranços que já não nos dizem nada. Não há mais espaço para um ódio tão violento ainda expressado publicamente desta maneira. Os tempos são outros. A população é outra. A cidade é outra. Não importa o nome. Não sou favorável à mudança do nome. Mas, não sou favorável também que se jogue na lata de lixo da história, 424 anos de história, somente para acariciar a vaidade e a soberba de uma elite que, não raras vezes, nos envergonha por suas atitudes. Esse ódio atrapalha a Paraíba. E como atrapalha! Principalmente porque se reproduz nas micro-oligarquias que dominam politicamente o Estado. Um poder pouco democrático que a cada eleição coleciona cadáveres por sucumbir no jogo das idéias e do interesse público. O povo é apenas um detalhe para esses senhores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O texto do colunista social Abelardo Jurema é um tipo de pistolagem como os que ainda violentam a vida na Paraíba. São vertentes do mesmo ódio. Uma violência verbal que se justifica no injustificável. Como difundir uma Cultura de Paz fechando os olhos para tamanha ignorância histórica? Uma ignorância de lado a lado que não leva em conta o quanto é vergonhoso constatarmos tão solenemente que ainda precisamos desmontar a lógica vingativa do poder oligarca. A lógica das poderosas famílias que sustentam ainda hoje as enormes diferenças sociais que fazem da vida nesta bela cidade, não raras vezes, um abismo onde até mesmo o silêncio faz eco. O povo paraibano é infinitamente superior às suas elites e saberá dizer não ao descalabro de termos ainda os interesses e as vaidades familiares, tão simbolicamente ficadas na expressão de quem deveria, sem nada de novo para dizer, por uma questão de bom senso, calar-se diante da grandiosidade da história e de um povo enriquecido pela sua cultura e pela generosidade geográfica do seu território. Os tempos são outros, senhores! Que esse ódio oligarca não embarque um futuro que as novas gerações precisam construir. O Haiti, não é aqui. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7086797337634815172?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7086797337634815172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7086797337634815172' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7086797337634815172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7086797337634815172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/as-oligarquias-decadentes-e-seus-odios.html' title='As oligarquias decadentes e seus ódios repugnantes'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8235936342728207440</id><published>2009-10-10T16:05:00.002-03:00</published><updated>2009-10-10T16:16:34.700-03:00</updated><title type='text'>Economia criativa e o futuro das cidades</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes precisamos dizer o óbvio. Então, vamos lá: somente a inteligência poderá nos salvar da miséria. Pronto, está dito. E sigamos em frente: toda transformação política e social se dá, de forma majoritária, na estrutura dos sistemas econômicos. Sem mexer na ordem econômica, nada muda. Começo assim esta reflexão também por um motivo óbvio. O debate cultural brasileiro, a partir da gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, vem sendo instigado pelas potencialidades da economia da cultura em nosso país. Um setor que já ocupa 8% do Produto Interno Bruto Mundial. No Brasil, a cultura sozinha gera 5% dos postos de trabalho e paga salários acima da média nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidado para facilitar uma mesa sobre cultura e economia criativa na II Conferência Municipal de Cultura comecei a pensar sobre este conceito tão novo. Lembrei logo de Monteiro Lobato que, em termos de criatividade empreendedora, foi um mestre. Na década de trinta eram poucas as livrarias brasileiras. No entanto, o escritor não se rendeu diante do desejo de ver sua obra distribuída pelo Brasil. Então, conseguiu o endereço de mais de duas mil casas comerciais. Eram mercearias, farmácias, armazéns e outros estabelecimentos. Escreveu uma carta circular com a seguinte pergunta: “Você quer vender também uma coisa chamada livro?” E assim começou a distribuir sues livros para todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, as grandes redes de supermercado e as bancas de jornais que também vendem livros, não estão fazendo outra coisa se não seguir os passos de Lobato. Essa questão me veio na memória logo após o convite da Fundação Cultural de João Pessoa, por uma questão muito simples: como reagir diante de dificuldades tão imensas? Não se trata apenas de expor um novo conceito de economia, mas de recolher idéias que sejam absolutamente transformadoras. Como provocar, também, um debate que não esteja somente guardado em propostas para uma conferência estadual e outra nacional? Na verdade, interessa que a Conferência Municipal de Cultura não apenas envie propostas. Sobretudo é preciso sacudir a roseira e propor a permanência do debate local acerca das questões que envolvem direta e indiretamente os interesses de artistas, produtores e demais profissionais da área da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de pesquisar o conceito, percebi que a provocação era bem maior. Os artistas, setor majoritário nessas conferências, estariam sendo provocados para uma ação transformadora da ordem econômica. Principalmente pela certeza que não são apenas os artistas que estão sendo provocados, mas setores ligados à cultura e até então excluídos do debate econômico. (Como se aos artistas apenas interessassem as questões estéticas.) Parti para uma breve pesquisa e descobri outras obviedades. A proposta é muito mais ampla e o interesse não é nenhum pouco corporativo. Os incautos que se liguem. O país busca alternativas para a superação dos seus problemas neste início de milênio. É preciso abandonar o lugar comum da competição predatória marcada pela antropofagia capitalista. Desenvolvimento não pode ser sinônimo de destruição. Ou seja: se trata de algo que pode e precisa dialogar com idéias já estabelecidas de desenvolvimento sustentável e economia solidária, por exemplo. Esta pode ser uma das linhas do debate.  A economia da cultura, portanto, passa a ser um dos principais vetores de uma transgressão da lógica do capitalismo mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à Economia Criativa propriamente dita, os conceitos abundam. Dizem que tudo nasceu na Austrália no final dos anos 90 e se desenvolveu de forma mais elaborada na Inglaterra do primeiro ministro Tony Blair. É algo que se refere ao conhecimento e à produção intelectual de um modo geral. Compreendi melhor quando li o que escreveu o editor chefe do Business Week, Stephen B. Shepard: &lt;em&gt;“Assim como a moeda de troca das empresas do Século XX eram os seus produtos físicos, a moeda das corporações do Século XXI serão as idéias. A Economia Industrial está rapidamente dando lugar à Economia da Criatividade. Vantagens competitivas desfrutadas por grandes empresas no passado são agora totalmente disponíveis para novas empresas em formação, graças à enorme disponibilidade de capital e ao poder da Internet. Com a globalização ainda num estágio recente, a Internet promete afetar as corporações muito mais nos próximos 20 anos do que foi possível fazê-lo nos últimos 5 anos. Nós não esperamos nada menos do que uma transformação radical dessas organizações num cenário em que a economia global privilegiará a criatividade, a inovação e a velocidade.”&lt;/em&gt; Também um professor norte-americano chamado Richard Florida, da Universidade de Carnegie Mellon, chamou a atenção. Ele  adota o conceito da “Economia Criativa”, abordando questões educacionais e sócio-culturais. Mr. Florida desenvolve um conceito bastante amplo de Economia Criativa. Algo que envolve todos os profissionais e setores que oferecem serviços baseados no conhecimento. É isso ou deve ser isso que deve nortear o debate na Conferência e fora dela. Na verdade, a economia da cultura começa a ficar robusta diante do fantasma da globalização. Aqui no Brasil já é 5% do PIB. Um índice alto, mas que ao mesmo tempo nos revela uma coisa também óbvia: onde está esse dinheiro? Por que pensar a cultura somente a partir dos índices de governos? Qual o papel das políticas de cultura na transformação social? Estamos diante de um grande desafio, na verdade. Não há receita de bolo. Estamos apenas preparando a massa. Em última análise, voltamos a perceber o quanto Monteiro Lobato era mesmo um visionário. Também neste período ele escreveu o livro O Presidente Negro, prevendo que numa disputa entre um homem branco e uma mulher branca, um negro seria presidente dos Estados Unidos. No mesmo romance, ele já previa a transmissão de dados. Portanto, sigamos em frente! Quem sabe não descobrimos mais coisas relendo “As Reinações de Narizinho”?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8235936342728207440?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8235936342728207440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8235936342728207440' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8235936342728207440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8235936342728207440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/10/economia-criativa-e-o-futuro-das.html' title='Economia criativa e o futuro das cidades'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8257380906499578802</id><published>2009-09-26T09:56:00.003-03:00</published><updated>2009-09-27T15:25:54.904-03:00</updated><title type='text'>A poesia como ponto de partida.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos tenho acompanhado razoavelmente o debate acerca da importância da poesia, enquanto gênero literário. Em 2005 recebi uma provocação do Festival Recifense de Literatura. Fui “intimado” pelo poeta Pedro Américo, para falar sobre poesia e mercado. Na época, um período bastante atribulado da minha vida profissional, somente pude dar atenção ao assunto uns cinco dias antes da palestra. Fiquei um tanto atônito porque não existiam referências, praticamente. Encontrei apenas um texto de Geir Campos, de décadas e décadas passadas. Pois não é que em “Carta aos Livreiros”, o poeta relatava exatamente o mesmo drama vivido pelos poetas do século XXI, em relação mercado editorial? Acabei escrevendo um texto para orientar a minha palestra, que acabei publicando na revista Discutindo Literatura e em alguns &lt;a href="http://www.unigranrio.br/unidades_acad/ihm/graduacao/letras/revista/numero14/textolau.html"&gt;sites&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe aí uma questão que tem me instigado bastante. Apesar de ser um gênero considerado não comercial, os fatos nos mostram que a poesia é um dos gêneros mais lidos. Do ponto de vista do mercado editorial, os poetas desafiam os best Sellers através do tempo. Por exemplo, ninguém lembra quem eram os Best Sellers da época em que Baudelaire circulava pelas ruas de Paris. No entanto, o poeta francês continua vendendo nas livrarias do mundo inteiro. A coleção “Melhores Poemas”, da Global Editora, apresenta índices invejáveis de vendas. Somente o poeta Mário Quintana vendeu bem mais de 100 mil exemplares. Na margem do mercado, os cordelistas da Paraíba, num dos últimos festejos juninos da capital, chegaram a vender 800 exemplares em único final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recente pesquisa, já citada por mim no blog Pele Sem Pele algumas vezes, “Retratos da leitura no Brasil”, editada pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, traz dados atualíssimos (de 2007) e impressionantes. A pesquisa foi coordenada por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP e editada também sob sua orientação, com textos de dez especialistas. Entre eles, nomes de conhecidos como Moacir Sclyar. Esta pesquisa aponta a poesia entre os cinco gêneros preferidos dos leitores. Considerando-se entre esses gêneros o romance, os livros didáticos, os livros religiosos e a literatura infantil. Também segundo a pesquisa, seis poetas aparecem entre os 25 autores brasileiros mais lidos no país. Vinícius de Morais é o quinto autor na preferência dos brasileiros, somente para se ter uma idéia de uma lista que traz nomes como Monteiro Lobato (o primeiro de todos), Machado de Assis, Ariano Suassuna, Paulo Coelho, Bispo Edir Macedo, Clarice Lispector, etc. Não contabilizo aí o paraibano Ariano Suassuna como poeta, apesar de escrever poemas e ter na sua obra, segundo ele próprio, uma forte vertente poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente entrevista ao programa Letra Lúdica, da TV UFPB, falei sobre o livro Retratos da Pesquisa. No entanto, notei que o editor do programa o poeta paraibano José Antônio Assunção, forçava a barra para que eu falasse mais e mais dos números impactantes da poesia na pesquisa. Então, desenvolvemos muito mais uma boa prosa sobre o tema que sobre os desvendamentos da pesquisa enquanto diagnóstico da leitura no país. Observamos, por exemplo, que o jovem é o grande leitor brasileiro. De um modo geral, observa-se também que há uma empatia da juventude para com a poesia. Basta ver o imenso sucesso editorial do Livro da Tribo entre os jovens brasileiros, publicado anualmente pela Editora da Tribo(SP). Poetas como Paulo Leminski, Alice Ruiz e até mesmo Augusto dos Anjos, aparecem nitidamente na preferência da juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde quero chegar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se algo podemos comemorar nos últimos anos é exatamente a multiplicação de certa “militância” favorável às políticas de leitura. Militância esta que tem sido encontrada tanto no setor público, quanto em iniciativas particulares. Podemos citar entre estas, a de um catador de papel em São Paulo que montou uma biblioteca com mais de 16 mil títulos, num prédio abandonado. Detalhe: os livros foram todos apanhados em lixos residenciais. O projeto Dulcinéia Catadora, também em São Paulo, trabalha oficinas de artes plásticas, leitura e edição, a partir da poesia, principalmente. São inúmeros os exemplos brasileiros que nos levam a acreditar que a poesia é um dos principais vetores para uma política nacional de incentivo à leitura. Uma ação transformadora que não deveria se limitar ao repasse de verbas, mas fundamentalmente, às possibilidades de articulação intersetorial e transversal, principalmente das áreas de educação e cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa, logicamente, uma ousada transgressão ao que existe hoje em termos de política educacional. Roland Barthes já dizia que a Literatura contém muitos saberes. No entanto, segundo Afrânio Coutinho no Livro Notas de Teoria Literária, “o ensino da Literatura deve emancipar-se da história e da filologia, campos verdadeiramente distintos (...)”. Ele diz também que, “a Literatura vem sendo ensinada por professores, na maioria de português, de mentalidade predominantemente filológica, a Literatura é tornada um subsídio da língua, confundindo-se análise gramatical com análise literária, análise sintática com análise estilística.” O que estamos propondo é uma inversão nessa lógica para que a Literatura desfrute de um espaço próprio, trabalhando muito mais intensamente o que realmente nos interessa: o prazer da leitura. O caráter estruturante das políticas de leitura, seguramente, elevará os níveis de ensino. Afinal, um bom leitor dificilmente será um mau aluno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que temos aqui uma série de vontades íntimas. A maior delas é nos transformarmos em um continente de leitores. Não tenho a menor dúvida que a poesia cumpre, nesse aspecto, um papel introdutório de toda uma política pública para o Livro e a leitura. A boa poesia seduz o leitor para qualquer gênero literário. É muito mais fácil, por exemplo, um leitor de poesia entender obras como Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, ou mesmo Ponto de Mutação, do Fritjot Capra. Pelo imenso grau de popularização da poesia, não estaríamos inventando a roda, mas fazendo-a andar mais rápido, como se diz por aí. Aliás, não podemos esquecer que a roda já está andando. Por exemplo, devemos reconhecer que há uma geração de professores nos cursos de Letras do país inteiro, trabalhando a literatura contemporânea em sala de aula (não apenas poesia). Ainda que predomine o conservadorismo acadêmico. Recentemente ouvi de um amigo que um professor iria fazer sua tese de doutorado sobre a sua poesia e foi desaconselhado por ser o meu amigo, um poeta desconhecido. Portanto, há muito que se avançar ainda em termos de “mudança de hábito”. Mas, as cartas estão na mesa e, não se enganem os incautos, o jogo já começou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8257380906499578802?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8257380906499578802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8257380906499578802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8257380906499578802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8257380906499578802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/poesia-como-ponto-de-partida.html' title='A poesia como ponto de partida.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-1733996496275486030</id><published>2009-09-23T11:17:00.002-03:00</published><updated>2009-09-23T11:57:50.632-03:00</updated><title type='text'>Ponto de Cem Réis – apenas uma opinião.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Confesso que não me causam perplexidade alguma as reações acerca da restauração do Ponto de Cem Réis. A maioria, convenhamos, fruto de uma passionalidade tardia, ainda referente ao último pleito eleitoral. Mas, o despeito não merece contraponto. Deixemos de lado. Respeito, no entanto, algumas opiniões questionadoras do ponto de vista estético. Então me ponho a pensar: como seria uma simples e pura restauração daquele espaço nos moldes, digamos, da intervenção dos anos 70? O trânsito na Duque de Caxias seria reaberto? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fotografias históricas do Ponto de Cem Réis nos anos 30 e as fotos da grande reforma realizada nos anos 70 nos fazem crer que o que está posto para aquele ponto da cidade é exatamente a sua adequação às necessidades dos tempos. Afinal, não está em questão a imensa trasformação que se deu nos anos 70, em relação à origem da Praça Vidal de Negreiros, o popular Ponto de Cem Réis, datada de 1924. E isso não está em questão porque as necessidades urbanísticas da cidade do início do século XX realmente eram outras. Portanto enterramos aí o primeiro mito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fotografias antigas nos mostram que nos anos 30 o trânsito dos bondes era determinante quanto as necessidades funcionais do local. Já nos anos 70, eram os automóveis que davam as cartas às intervenções urbanas. Entretanto, em muito pouco tempo houve uma defasagem desse modelo. A prova disso foi o fechamento do viaduto Damásio Franca e a preservação daquele espaço para a circulação de pessoas. Tudo dentro de um ambiente da mais pura degradação, diga-se de passagem. Isso nos faz pensar no óbvio. (E como é imprescindível, tantas vezes, pensar no óbvio!) Logicamente que os saudosistas não reivindicam os bondes e o charme provinciano da velha Parahyba do Norte. Resta, portanto, essa realidade que se arrastou através dos anos no mais puro abandono. Abandono, logicamente, sustentado no silêncio de muitos dos que agora “protestam” contra a preservação transformada do Ponto de Cem Réis, sem levar em conta que nada mais havia do aspecto urbanístico da sua origem, datada de 1924. Sem levar em conta, inclusive, a sua total inadequação para aquela região da cidade no formato que estava posto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os novos tempos, todavia, nos fazem pensar uma cidade na sua integralidade. É certo que a memória deve ser preservada. Contudo, poucos ainda lembram e muitos sequer sabem que no lugar da Praça Vidal de Negreiros, popularmente conhecida como Ponto de Cem Réis, exatamente onde hoje existe o Parahyba Pálace, havia a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos que desapareceu na primeira intervenção. O que foi feito nos anos 70, pelo arquiteto Mário Di Láscio mostrou-se, com o tempo, de uma beleza inadequada ao uso do espaço. A alça do viaduto Damásio Franca, por exemplo, ligando a avenida Padre Meira à rua Duque de Caxias, tornou-se rapidamente inútil e seu fechamento foi inevitável. Para que se entenda o que é o Ponto de Cem Réis hoje, precisamos lembrar no que havia se transformado. No entanto, não se poderá pensar em preservação e revitalização do Centro Histórico da terceira cidade mais antiga do Brasil, sem que sejam criadas as condições necessárias para isso. Cabe ao poder público nas suas três esferas, por exemplo, criar os estímulos. À iniciativa privada cabe a visão de futuro, investindo nos locais onde as possibilidades de lucratividade já são evidentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por outro lado, devemos reconhecer que João Pessoa padeceu durante décadas da ausência de espaços adequados para a realização de manifestações e eventos públicos. Cada grande comício era um transtorno. Os grandes shows, por sua vez, não poderiam ser realizados no lugar mais democrático da cidade por absoluta inadequação do espaço. A Festa das Neves degradava-se através dos tempos e causava horror aos habitantes do bairro do Roger, com seus parques monstruosos, seus bêbados mijões, ou mesmo as barracas dos ambulantes em completo desacordo com a arquitetura do belo Centro Histórico. Até mesmo para que a Festa das Neves sobreviva com suas tradições, o novo espaço deve ser celebrado. Um breve deslocamento deverá torná-la menos danosa aos moradores e comerciantes, especialmente da rua Visconde de Pelotas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A verdade é que a cidade ganhou o seu primeiro espaço livre para a realização de eventos culturais e manifestações populares. Finalmente temos um largo. Um espaço onde a democracia é a principal linguagem. Se está tudo maravilhoso? Logicamente que não. O prédio do INSS continua abandonado e, mais uma vez, invadido por famílias “sem casa”. O Parahyba Pálace, hoje alugado ao Governo do Estado, carece de pintura, pelo menos. A mesma coisa acontece com o Edifício Nações Unidas e outros prédios do entorno que, convenhamos estão mesmo pedindo providências dos seus proprietários. Outra intervenção no calçadão da Duque de Caxias, já foi anunciada pela Prefeitura. Logicamente que a iniciativa privada se sentirá estimulada a investir e em breve o visual da área será outro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No mais, não me consta que o Sol fosse mais brando em meio ao abandono ao qual estava submetida a Praça Vidal de Negreiros. A bela arquitetura local, apesar de abandonada,  foi valorizada com a nova intervenção. A sua revitalização é urgente. No entanto, se trata de uma área que precisará ser retomada pela população, com a convicção de estarmos em 2009 e não mais na década de 30, de frágil lembrança para tantos. Ou mesmo nos anos 70, quando a cidade também era outra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para finalizar, a estátua de Livardo Alves não representa outra coisa se não o respeito e, principalmente, a celebração da cultura e do povo paraibano. Livardo, compositor de alguns dos sucessos da música nordestina, era um dos símbolos do parlamento popular em que naturalmente se transformou o Ponto de Cem Réis em todas as suas fases e, certamente, nesta nova etapa da vida pessoense. Sua lembrança, em bronze, eterniza o romantismo de uma região da cidade que soube cumprir seus ciclos. Mas, que transformação radical não causa espantos? Muito especialmente nos espaços urbanos, onde tantas vezes a degradação gera apegos doentios. Na verdade, espaços abertos assustam quem teme a força de um povo que caminha para o futuro. Muita história ainda haverá de ser escrita pelo povo pessoense no novíssimo e belo Ponto de Cem Réis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Indicação de leitura: Percepção e memória da cidade: o Ponto de Cem Réis (1)Jovanka Baracuhy C. Scocuglia, Carolina Chaves e Juliane Lins - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp349.asp"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp349.asp&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-1733996496275486030?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/1733996496275486030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=1733996496275486030' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733996496275486030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733996496275486030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/ponto-de-cem-reis-apenas-uma-opiniao.html' title='Ponto de Cem Réis – apenas uma opinião.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-5231473747207403036</id><published>2009-09-12T12:10:00.002-03:00</published><updated>2009-09-12T12:23:55.699-03:00</updated><title type='text'>O prazer da leitura e a coragem de mudar o mundo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não são raras as vezes que me pego pensando no que se deixa de fazer com a pálida alegação da falta de recursos financeiros. Algumas experiências colhidas ao longo da vida me provaram que para algumas das questões mais significativas para um ser humano e para a sociedade, não é preciso recurso algum. O que precisamos é de atitude. O principal recurso é a nossa vontade. Uma das experiências concretas que me faz pensar assim é a existência da Biblioteca Cactus. Uma instituição comunitária criada e mantida por duas mulheres, Nina e Edeusa, em Mandacaru, um dos mais tradicionais bairros populares de João Pessoa. Para montar o acervo, certamente, Nina e Edusa, contaram a com a responsabilidade social do maior sebo da América latina, o Sebo Cultural com sede na cidade. De lá para cá elas vem aumentando o acervo, articulando atividades que mantém viva uma das maiores e mais importantes Bibliotecas Comunitárias do Nordeste. Experiências assim abundam pelo Brasil, sem muita visibilidade, mas esbanjando coragem. Aqui e ali chegam histórias que impressionam e me fazem pensar nos oportunistas de carteirinha que mexem os quadris em suas articulações, atrás das “facilidades” dos recursos públicos para a execução de projetos culturais e educacionais de consistência duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei conhecimento de outra experiência que também me impressionou bastante. Um catador de papel, em São Paulo, conseguiu reunir mais de 16 mil títulos catados no lixo residencial da cidade. Ele montou uma biblioteca num prédio abandonado, onde atende milhares de adultos e jovens que, certamente, a partir da leitura vão traçando uma nova perspectiva e um novo horizonte para as suas vidas. Boas experiências abundam pelo país. Aqui em João Pessoa, os projetos Tome Poesia e Tome Prosa, coordenado pelo poeta Antônio Mariano, provoca a leitura de poemas e textos em prosa no bar Noites Cariocas. Já a atriz Suzy Lopes mantém o projeto Café em Verso e Prosa no Empório Café, um dos mais agradáveis bares da praia de Tambaú. Nara Limeira, mestre em literatura e mestre na vida, conduz o projeto Palavra Plantada no agradável Parque Arruda Câmara. Projeto semelhante é mantido pela poeta Idalina de Carvalho, em uma praça de Cataguases-MG. Em São Paulo, Andréa Schmitz mantém o blog “Nosso Clube de Leitura” e um grupo de leitura na região onde vive. Nestes dois primeiros parágrafos fiz questão de citar alguns projetos grandiosos que não dependem de recursos financeiros de qualquer ordem para uma existência de absoluta consistência e coerência. Então me pergunto: o que impede avançarmos ainda mais, sabendo como sabemos que a leitura gera cidadania?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um país com 16 milhões de analfabetos absolutos, ainda. Isso representa 9% da população. Brasileiros e brasileiras de até 15 anos ou mais que não conseguem sequer pegar um transporte público, sem ajuda de terceiros. Não quero ser catastrófico. É inegável que estamos avançando. Mas, tudo precisa ser pensado milimetricamente em termos de políticas públicas para, no mínimo, os próximos 20 anos. Não penso que possamos erigir políticas e comportamentos transformadores, em tempo mais curto. Se não pensarmos e não agirmos agora, nossos netos viverão a barbárie em toda a sua plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num olhar mais atento para os percursos da história, observamos que na última década do século XIX, enquanto o Brasil contava com 87% de analfabetos, a França tinha 90% do seu povo devidamente alfabetizado. A Inglaterra, em 1900, possuía 97% da sua população alfabetizada. Introduzo esses dados para que compreendamos melhor os aspectos culturais da leitura em nosso país. A nação que colonizou o Brasil, Portugal, possuía de 20 a 30% de alfabetizados neste mesmo período. Também os países que traçaram as linhas mais densas da imigração brasileira, como Espanha e Itália, contavam com 50% de analfabetos. Na formação desse quadro, lá pelo século XII, “para ser culto era preciso ter fé.” As universidades eram clérigas. O que acabou produzindo os mendigos mais eruditos da história da humanidade. Os que não se adaptavam à “carreira” religiosa e aos caminhos apontados pela Igreja acabavam perambulando pelas ruas. Como o poeta francês François Villon, considerado um dos precursores do romantismo, nascido em 1432 e sumariamente desaparecido em 1463.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro retratos da leitura no Brasil, organizado por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP, resulta de uma pesquisa que nos deixa bastante animados em relação ás políticas de leitura no Brasil. Nos últimos anos temos visto um significativo avanço em diversas regiões. Certamente que ainda temos um longo caminho a percorrer. Precisamos estrutura os avanços em dois dos principais pilares das políticas sociais: educação e cultura. O professor Galeno empreendeu uma experiência referencial em Ribeirão Preto, criando um sistema de bibliotecas públicas. Aqui em João Pessoa, o ano de 2010 vai ser marcado pela inauguração da sua primeira biblioteca pública municipal. Um feito extraordinário para uma cidade de 424 anos de existência. Antes arte do que tarde, já dizia Pedro Osmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa coordenada pelo professor Galeno nos revela alguns dados animadores e outros assustadores. Por exemplo, é animador o fato de ser Monteiro Lobato o autor mais lido pelos brasileiros. No entanto nos preocupa ser Paulo Coelho o segundo colocado. Isso revela que a leitura, no Brasil, é considerada como geradora de um tipo de status. Geralmente as pessoas procuram os títulos mais vendidos e não os melhores livros. Também é animadora a presença de seis poetas entre os 25 autores mais lidos. Mas, entristece sabermos que o Bispo Edir Macedo é mais lido que Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz e Clarice Lispector. É certo que estamos num bom caminho. No entanto surpreende-nos negativamente o fato de ainda contarmos com tantas vacilações em relação às políticas públicas para o livro e para a leitura. Ainda não se reconhece a importância estratégica dessa importante fonte de conhecimento que, na verdade, serve como suporte para qualquer política pública. A leitura possui importância estratégica para as políticas de desenvolvimento sustentável, por gerar uma melhor compreensão da realidade. Por gerar cidadania. As tentativas na área algumas vezes são confundidas até mesmo por “certa qualidade de escritores”, como a possibilidade de editar livros sem acesso ao mercado editorial. O que é lamentável sob todos os pontos de vista. Porque, em geral, se trata de autores que não valem uma publicação. O que deve ficar claro é que as políticas de leitura devem ser voltadas ao leitor e não ao escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetindo aqui Roland Barthes, “a literatura possui muitos saberes”. Logicamente que os códigos da leitura não se referem apenas à literatura. Muito menos da boa literatura ou, ainda, aos livros apenas. Não nos referimos aqui aos suportes em um artigo que será publicado virtualmente, em um blog. A realidade é que o livro mais lido no Brasil continua sendo a Bíblia. Ainda bem! Se trata de uma obra de importância inquestionável até mesmo para os “ateus-espiritualistas”, como eu. Sua linguagem carregada de simbolismos é referencial, não tenhamos dúvida, enquanto caminho para uma leitura de qualidade. O que nos surpreende positivamente, também na pesquisa aqui mencionada, é o fato de algumas regiões apresentarem um índice de interesse pela poesia, superior ao interesse pelas leituras religiosas. Isso serve como alerta aos educadores. É fato que a Poesia é porta de entrada para o leitor lúdico e crítico. Não é de graça que se trata de um gênero que conta com a preferência da juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que enquanto temos pessoas empenhadas e, de certa forma, introduzindo o interesse pela leitura enquanto política pública estruturante - até mesmo de uma nova ordem econômica - temos professores como um rapaz chamado Túlio, aqui em João Pessoa. Um “educador” que se notabilizou tristemente por chamar Clarice de Chatice Lispector, no espaço sagrado de uma sala de aula. Isso em uma das mais caras e conhecidas escolas particulares de João Pessoa. Ou mesmo estudantes de Letras que “odeiam” literatura, sustentando esta estupidez, inclusive, em comunidades na rede de relacionamentos, Orkut. Isso nos mostra o quanto é revolucionário defender com veemência o contraponto, nas universidades, nas escolas, nas associações de bairro, nas ONGs, nas ruas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mais do que na hora da Escola Pública (também a escola privada, por que não?) assumir definitivamente o seu papel neste doce e transformador empreendimento. É preciso que se desenvolvam cada vez mais as práticas pedagógicas promotoras da leitura enquanto prazer e não enquanto obrigação de ofício. O papel da escola é fundamental nesse aspecto. Programar políticas de leitura é o que de mais pedagógico pode ser empreendido pelas gestões públicas comprometidas com a formação cidadã das comunidades. Um homem e uma mulher de boa leitura, certamente saberão os melhores caminhos para, tenham certeza, salvar o mundo de uma catástrofe social, econômica, bélica e, sobretudo, humana nas próximas décadas. Para isso não podemos depender dos governos. Estando ou não dentro deles. Como dizia Vandré, “quem sabe faz a hora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota 1 – A maioria dos dados aqui apresentados foram extraídos do livro Retratos da leitura no Brasil, publicado pelo Instituto Pró-Livro em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, sob a coordenação de Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura, primeiro coordenador do Plano Nacional do Livro e da Leitura entre outras coisas (o currículum do homem é enorme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota 2 – Registro aqui a minha solidariedade ao poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto que teve trechos  inteiros do seu livro, Longe daqui aqui mesmo, resultado da su tese de doutorado sobre Mário Quintana, usurpados por uma professora da Universidade de Caxias do Sul. Citar a fonte das nossas pesquisas corretamente é uma questão de honestidade intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-5231473747207403036?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/5231473747207403036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=5231473747207403036' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5231473747207403036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/5231473747207403036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/o-prazer-da-leitura-e-coragem-de-mudar.html' title='O prazer da leitura e a coragem de mudar o mundo'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2417027203172650767</id><published>2009-09-05T08:28:00.004-03:00</published><updated>2009-09-05T10:43:22.203-03:00</updated><title type='text'>A antropofagia do próprio texto – voltando ao tema</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contraponto é sempre o melhor sumo do diálogo, no jogo asseado das idéias. Já escrevi para revistas de circulação nacional, sites, jornais e blogs. Aqui e ali lia alguém comentando a respeito. Na verdade, concordar ou não com algo escrito por outra pessoa pode ser considerado normal. Sempre considerei isso como alimento das minhas idéias. O que, convenhamos, não é muito normal é quando o autor do próprio texto acaba não concordando com o que escreveu e publicou. Não é esse exatamente o caso, mas pensei nisso quando recebi e-mail do escritor e professor Ítalo Moroconi acerca de um texto que divulguei no meu blog &lt;a href="http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/antropofagia-e-linguagem-poetica-no.html"&gt;Pele Sem Pele&lt;/a&gt; e distribuí para alguns e-mails da minha lista de endereços eletrônicos, recentemente. Na oportunidade me referi a professores que não apenas desconheciam, mas abominavam a literatura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade não era exatamente isso que o texto abordava. Esse elemento foi pinçado pelo escritor que contestou, afirmando que no Rio e São Paulo existem muitos professores atentos à produção contemporânea. Não duvido. Eu sei disso. Na verdade, este não é um privilégio do Rio e São Paulo que, convenhamos, nunca foi e agora mais do que nunca não é mais o centro nevrálgico do pensamento brasileiro. Existem professores em Minas (e eu citei Anelito de Oliveira), aqui na Paraíba (citei Amador ribeiro Neto), no interior de São Paulo, no Pará e em muitos outros lugares, atentos à produção contemporânea. Infelizmente, também, existem aqueles que simplesmente abominam qualquer movimento em direção à literatura contemporânea. Este é um fato inquestionável. Entrementes, não era este o foco do artigo. A menos que eu tenha perdido meu próprio foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abordava a produção contemporânea a partir da internet e seus veículos. Não citei, mas, por exemplo, muito me impressionou um poema de Luciana Marinho no meu Orkut. Por falar nisso, Luciana é professora do curso de Letras da Universo, em Recife. Uma universidade particular onde a literatura contemporânea também não é ignorada. Estarmos vivenciando uma relação midiática cujas reações são imediatas e o peso que isso tem na própria produção literária. Foi exatamente isto que aguçou meu pensamento. Para citar mais um exemplo, recentemente escrevi o prefácio do livro “Solacio”, da poeta Valéria Tarelho, de São José dos Campos-SP. O livro vai sair em edição nacional, pela editora Landy, dentro da coleção Alguidar, organizada pelo poeta Frederico Barbosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha reflexão partia de conversas com amigos na própria internet. Valéria, por exemplo, escreve poemas há sete anos apenas. É uma leitora voraz dos clássicos, uma pessoa culta, mas também é leitora da produção que circula na internet. Até mesmo a produção inédita como a sua. Será que isso não teve e não tem influência alguma na sua poesia? Duvido muito. Para os poetas que freqüentam o Orkut e o twitter, por exemplo, estes são também excelentes instrumentos para a veiculação de boa poesia e idéias sobre poesia. No meu Orkut, por exemplo, afloram textos de Helberto Helder, Nuno Júdice, Hopkins, João Cabral e outros poetas. Presentes deixados por amigos e amigas, cuja sensibilidade não foi suprimida pela tecnologia. São meus amigos de Orkut, nomes representativos da poesia brasileira contemporânea, como Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Cláudio Daniel, Frederico Barbosa, Antônio Mariano, Lucila Nogueira, a própria Valéria Tarelho e outros bons poetas da rede e da cama de palhas da realidade. Este artigo, bem como o anterior, tem como veículo o blog Pele Sem Pele e algumas colunas que possuo em sites, como El Theatro (&lt;a href="http://www.eltheatro.com/"&gt;http://www.eltheatro.com/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, creio que precisamos estar atentos ao que está em movimento. A internet, com certeza, revolucionou os métodos de divulgação da literatura contemporânea. E sem desconstruir o que os cordelistas já faziam há cem anos ou mais. Até mesmo as grandes editoras e as grandes redes de livrarias usam a web para a afirmação dos seus negócios e para a ampliação da sua lucratividade. Mas, não era exatamente a isto que eu me referia. Logicamente, sem a pretensão de esgotar o assunto num artigo de duas laudas e meia, no máximo três, um assunto de tamanha densidade e relevãncia, eu abordava a repercussão desse processo na própria linguagem poética do século XXI. Este é o fato central do meu raciocínio que, posso concordar, talvez não estivesse muito bem colocado. É certo que abomino a ignorância como método de estudo. O fato de alguém estudar Camões, por exemplo, não o impede de conhecer e admirar, por exemplo, as vanguardas que despontavam em regiões fora do eixo. Cito aqui a importância quase desconhecida do Rio Grande do Norte para a poesia de vanguarda brasileira, nos anos 60, 70 e mesmo nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a evolução da linguagem poética deve-se, muito especialmente, à capacidade de atenção dos pensadores desta produção aos menores movimentos da língua e seus afluentes na cadeia produtiva do conhecimento. Recentemente li uma reportagem sobre a influência do chamado “internetês” no ensino da língua portuguesa. Ou será que alguma espécie de germe erudito impede os professores de língua portuguesa do ensino fundamental, principalmente, de avaliar o fato de seus alunos passarem boa parte do dia no MSN, escrevendo coisas como vc tc de onde? (você tecla de onde?). É certo que as pesquisas ainda apontam opiniões desfavoráveis ao enriquecimento da língua com fatos desta natureza. No entanto, sinto uma vontade enorme de questionar as pesquisas (78% é o índice desfavorável) se não houver uma capitulação ao internetês. O que seria mais prejudicial ao estudo da língua portuguesa? O internetês ou a supressão do estudo do Latim nas escolas brasileiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que outras oportunidades deverão me remeter ao tema que, cá pra nós, muito me agrada pela sua capacidade de convulsionar o pensamento. Quando se trata de pesquisa da linguagem poética (ou de qualquer linguagem artística), não se pode suprimir absolutamente nada. Mesmo as questões ditas abomináveis. Neste tempo de velocidades no qual estamos mergulhados, muito especialmente as certezas são questionáveis. As verdades absolutas são atestados de incompetência teórica. Idéias calcadas em preconceito de qualquer espécie, penso eu, não combinam com o distanciamento histórico (e não estético) das idéias de Aristóteles, Longino e Horácio. Estamos praticamente concluindo a primeira década do século XXI. Posso estar enganado, mas tenho visto ainda uma preocupação despreocupada das universidades com o pensamento contemporâneo. Ou pelo menos, penso que a universidade continua com a velha mania de produzir para seus próprios ambientes. Não sei se isso é bom ou ruim, mas a produção do pensamento contemporâneo já não possui tanto assim o campus como limite geográfico da produção intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que me submetam a uma pregação metodológica, este texto - tanto quanto o anterior -não tem pretensões ensaísticas. Apenas levanto uma lebre sem pele sobre as agonias que perpassam um mundo que vive hoje outros dramas, outras inquisições. Uma delas é a abolição do pensamento enquanto vetor principal para o trem da história.&lt;a href="http://lau-siqueira.blogspot.com/2009_08_01_archive.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2417027203172650767?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2417027203172650767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2417027203172650767' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2417027203172650767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2417027203172650767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/antropofagia-do-proprio-texto-voltando.html' title='A antropofagia do próprio texto – voltando ao tema'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7926616439113992799</id><published>2009-09-02T01:09:00.001-03:00</published><updated>2009-09-02T06:45:48.878-03:00</updated><title type='text'>As teias geométricas de Dênis Cavalcanti</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Toda obra de arte traduz seu próprio tempo. No entanto não há, para a obra de arte, um tempo linear. Como diz o poeta Manuel de Barros no Livro das Ignorãnças, “Não sei mais calcular a cor das horas. As coisas me ampliaram para menos”. Assim, numa primeira leitura da obra do artista plástico paraibano Denis Cavalcanti já se revela a atitude racional, precisa, rigorosamente futurista, vocacionada às imensidões do acaso. O artista constrói uma equação devotada ao mergulho num rio de mutações cores e formas. Na imprevisibilidade de um salto seguro que se traduz na ambivalência e nas especificidades do fator humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista convulsiona e ambienta suas influências de modo a construir a singularidade de uma linguagem capaz de amparar a permanência do abstrato. Todavia, espelha-se na concretude de uma era de velocidades, onde a arte que se cumpre vai também compactuando com a mais densa sensibilidade. Mas, que outra função teria a arte que não a de aflorar as imensidões e cometer as incertezas que permitem o ato inventivo? A perenidade, portanto, risca seus mapas na íris de cada leitura, de cada olhar com suficiente alcance para os desenredos da imaginação. E assim Denis Cavalcanti vai tecendo suas evocações ao silêncio. Entrementes, o que se revela é a plenitude de um grito. Na verdade uma obra que nos traz ao mesmo tempo o posto e o seu oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de um artista cujas metáforas construídas nos remetem às emoções mais densas e ao mesmo tempo às premissas de uma ausência absoluta. Um vácuo onde a permissividade libertária une o veio criador aos relatos de uma reengenharia do tempo. Um lugar onde apenas o desconhecido é linear. Denis desobstrui as insígnias do que poderia enquadrá-lo, por exemplo, num neoplasticismo. Ele respira um hábito criador que se estende do clássico aos infinitos conduzidos pela experimentação permanente. Coisa que se reconhece no hálito de toda boa arte de vanguarda, num tempo que o próprio tempo determina.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto de apresentação do livro e site do artista plástico paraibano Dênis Cavalcanti.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7926616439113992799?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7926616439113992799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7926616439113992799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7926616439113992799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7926616439113992799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/09/as-teias-geometricas-de-denis.html' title='As teias geométricas de Dênis Cavalcanti'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8316530526153155637</id><published>2009-08-29T10:41:00.000-03:00</published><updated>2009-08-29T10:42:08.641-03:00</updated><title type='text'>Antropofagia e linguagem poética no século XXI</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; .&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia que vem sendo produzida nesses tempos de blogs, sites, orkut e twitter começa a revelar características muito particulares. A internet desencadeou um processo que ainda está em fase de assimilação pelos pensadores da história e da teoria literária do nosso tempo. A princípio, havia uma inexplicável desconfiança e um parcial desinteresse em relação a esses meios por parte significativa dos escritores. Muito especialmente pelos poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros momentos houve uma tentativa de desqualificar esta produção. Como se a facilidade de veiculação e a interatividade da internet somente permitisse a divulgação de poetas de águas rasas. Certamente que havia um fundo de verdade nisso todo. A internet servia e ainda serve para divulgar muita coisa de qualidade bastante duvidosa. Nos primórdios da rede, as desconfianças eram muitas e a mitificação da nova mídia nos remetia sempre às reflexões de Umberto Eco e seus apocalípticos e integrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pleno agosto de 2009, me pego pensando nisso em frente ao meu computador. Naturalmente, com uma necessidade enorme de compreender esse processo e refletir um pouco sobre a influência que essa verdadeira revolução nas mídias tradicionais possa ter provocado não apenas na forma de divulgação da poesia, mas também e principalmente nas perspectivas para a construção de uma nova linguagem para a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o virtual passou a se aproximar com maior intensidade do cotidiano, confundindo-se com ele exatamente através da escrita. Para Pierre Levy, “a tela informática é uma nova ‘máquina de ler’ o lugar onde uma reserva de informação possível vem se realizar por seleção, aqui e agora, para um leitor particular. Toda leitura em computador é uma edição, uma montagem singular.” Segundo o próprio Levy, seria um erro fatal considerar o computador apenas uma máquina de escrever e de ler. Existe toda uma cultura sendo formulada através dessa nova forma de conhecimento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade o que se pode perceber é que no meio de um lixo acumulado e natural, produzido por milhões de seres humanos sedentos de expressar publicamente suas angústias (e confundindo isso com poesia, tantas vezes) foi transbordando uma poesia de qualidade, densa, amparada no respeito às tradições, mas também sem medo de experimentar e não ser exatamente como o que já se dava por estabelecido na circunstância poética brasileira e pelo mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desmistificar esse rolo compressor inicial, eu pergunto: que mal faz um mau poeta ao escrever versos ruins? Ou que mal há, por exemplo, em publicá-los nos sites e nas ainda existentes listas de discussões sobre literatura e poesia? Certamente que nenhum. O bom leitor haverá de saber selecionar os bons textos. Há, com certeza, uma seleção natural e os poetas, sejam eles novos ou já reconhecidos, foram e continuam sendo naturalmente peneirados. Agora não mais pelos cânones e pela crítica fardada. Quem começa a dar as cartas é, também, esse mau poeta que, muitas vezes, acaba sendo um bom leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos observar com certa clareza que existe um fato novo na poesia contemporânea que precisa ser analisado com maior profundidade. Os poetas que foram surgindo, muito especialmente após o início do século XXI, são poetas que também são leitores da poesia que circula na rede. Isso gerou algo extraordinário, pois aniquilou as “verdades absolutas”. Ser louvado publicamente por A ou B possuía um valor inestimável que hoje já começa a gerar profundas dúvidas. Não que isso tenha aniquilado a crítica. Muito pelo contrário. Agora basta ter um blog para que o exercício da crítica possa receber as atenções devidas. Ou seja, em tempos de capitalismo selvagem, aumentou a concorrência e só se estabelece quem tem competência. Até mesmo a pseudo-crítica peçonhenta ganha a oportunidade de trocar de pele, de se renovar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas que nunca publicaram um livro impresso ou mesmo os que somente conseguiam publicar edições com distribuição regional, passaram a disputar palmo a palmo os espaços e as atenções dos críticos e leitores do país e do mundo. Uma disputa que os coloca em pé de igualdade com nomes que vinham sendo incensados de forma pouco justificada pela mídia burguesa. Tanta vez pagando caro para ter livros distribuídos nacionalmente (com pouca racionalidade)  pelas grandes redes de distribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora as coisas estão em maior ou menor escala, no mesmo ponto de partida. Passamos a perceber o surgimento de poetas que são, na verdade, leitores e leitoras da produção poética de ilustres desconhecidos que abundam na rede. Com alguma qualidade alguns, com muita qualidade uns poucos e uma grande maioria com pouca qualidade. Ainda valem, logicamente, as indicações dos grandes mestres. Essa nova lógica não exclui a tradição. No entanto, naturalmente, cada um de nós foi tecendo as próprias leituras e com elas infringindo todos os códigos do comodismo pálido de uma cultura acadêmica dominante. Tudo precisou ser novamente observado, analisado, pesquisado e, finalmente digerido por todos. É claro que isso não determina o fim da cultura acadêmica, mas certamente que a coloca na obrigatoriedade de refletir sobre ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensaio “Poesia nova – uma épica do instante”, em “O poeta e a consciência crítica” (Editora Perspectiva-SP, 2008), Affonso Ávila escreve um pouco sobre tudo isso. Segundo ele, “a situação atual da poesia no Brasil reflete, entre afirmações criadoras e perplexidades críticas, a mudança radical de concepção do fato poético que, nos últimos dez anos, se operou em nosso país. Essa transformação, intimamente vinculada à modificação mais abrangente das estruturas de conscientização de nosso povo, não se restringiu a um fenômeno de linguagem como parecerá à primeira vista. Suas implicações são mais profundas e traduzem simultaneamente, uma nova atitude do poeta diante da realidade que suscita o ato criando e a adequação do seu instrumento ao imperativo das modernas técnicas de comunicação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser uma das mais representativas expressões da arte de vanguarda no Brasil, Affonso Ávila nos remete a reflexões que certamente deverão retorcer os ferros da crítica tradicional, mesmo aquela que usa a internet não como um poderoso instrumento interativo, mas como mais um veículo para difusão de uma tendência da “política literária”. Todavia, lamentavelmente, abrindo mão de receber a imensa carga de informações da novíssima produção poética e crítica que aflora também a partir das universidades, embora extrapolando limites geográficos e metodológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova poesia, portanto, passou a contar não apenas com a sua  natural evolução a partir da perda total do controle das informações pelos “babalorixás”, mas também com a análise lúcida de pensadores e teóricos da poesia que, na verdade, sempre estiveram mergulhados para muito além do nosso tempo. Como Affonso Ávila, Amador Ribeiro Neto, Anelito de Oliveira e outros poucos que sabem que a poesia não sobreviveria se todos os olhares estivessem fixados no passado. Aqui na Paraíba, por exemplo, existem “doutores” que se negam a reconhecer inclusive a produção literária do século XX. Isso me faz ter dúvidas acerca do mau cheiro exalado pelos banheiros do CCHLA. Seriam necrotérios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, boa parte dos estudiosos da poesia não passa de funcionários públicos preguiçosos que não ousam sequer realizar uma única leitura conseqüente da evolução da linguagem poética. Para eles, a cena atual não existe. Triste dos que pensam assim. Morreram para um mundo que os torna naturalmente desnecessários. O que se conclui é que a nova poesia é leitora dela própria. Pratica naturalmente a antropofagia oswaldiana que designou os destinos de um modernismo que não estancou na semana de 22. A nova poesia foi beber nos mestres, certamente. Mas, não cometeu o suicídio de desconhecer o surgimento de novos horizontes a partir das janelas abertas pelo futurismo deflagrado no final do século XIX, pelas vanguardas. O caminho é continuar experimentando, arriscando, buscando compreender o presente. Traduzindo de forma mais apurada as idéias de José Paulo Paes: “somente não envelhece o que já nasceu velho.”&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8316530526153155637?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8316530526153155637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8316530526153155637' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8316530526153155637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8316530526153155637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/antropofagia-e-linguagem-poetica-no.html' title='Antropofagia e linguagem poética no século XXI'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-189582053276886095</id><published>2009-08-22T09:52:00.001-03:00</published><updated>2009-08-22T09:54:10.866-03:00</updated><title type='text'>O que é que o governador Maranhão tem contra a cultura?</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não foi nenhuma surpresa a saída do artista plástico Flávio Tavares da Subsecretaria de Cultura do Estado. Afinal, somente os acomodados não se incomodam com circunstâncias comprovadamente criadas por mera pirotecnia política. A insatisfação de Flávio no governo era de uma pulsação impressionante. Artista de amplo reconhecimento e cidadão exemplar, Flávio Tavares deve ter percebido que a mentalidade do governador em relação às políticas de cultura permanecia exatamente a mesma dos seus dois primeiros governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De perfil conservador, o arcaico José Maranhão já fez escolhas acertadas para dirigir a cultura do Estado. Não se pode negar. Isso no caso de Flávio e, anteriormente, do poeta Sérgio de Castro Pinto. Entretanto, também Sérgio percebeu que tinha um nome a zelar e que as políticas de cultura estavam desvinculadas das ações prioritárias do marqueteiro Zé, o proclamado mestre de obras. Entre Sérgio e Flávio, nos seus três períodos de governo, Maranhão encontrou o nome adequado para o seu nível de mentalidade. O também artista plástico Chico Pereira. Chico notabilizou-se por chamar os artistas de “mendigos” e por conduzir a consagrada inanição do Estado no setor. Foram anos de mediocridade, pedantismo e parcos investimentos. Mas, não há nome que represente melhor a relação do governador Maranhão com a cultura da Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da indicação de Flávio Tavares cheguei a ficar um tanto quanto esperançoso. Em primeiro lugar porque jamais torço contra. Segundo porque Flávio (assim como Sérgio) é, em todos os sentidos, um exemplo de dignidade e inteligência na terra de Augusto dos Anjos. Uma das melhores antenas da nossa raça. Pensei até que talvez as coisas tivessem mudado na cabeça dura do governador, nos últimos anos. Afinal, eu próprio em 2006 participei do guia eleitoral maranhista, através do meu partido, o PSB. Lembro que fomos convidados a participar. Predominava, naquele momento, o desejo de avançarmos dentro do governo do Estado em direção a construção de políticas públicas. Eram inegáveis os avanços na prefeitura. Fomos, então, “mostrar a cara” no guia. Entregamos nossa proposta ao então candidato que, assim, assumia um compromisso público que, certamente, agora vai para o tambor de lixo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro muito bem que levamos dois ônibus lotados de artistas plásticos, escritores, atores, músicos, produtores, segmentos como hip-hop, cultura popular e outros. Pensei que lá chegando encontraríamos os partidários do governador para juntos realizarmos a gravação. Ledo engano. Não havia uma única alma consagrada da espiral maranhista. Fomos nós e apenas nós, socialistas, que gravamos o programa eleitoral do então candidato José Maranhão. Ainda assim acreditei que a demonstração de força com aquela mobilização, sensibilizaria o nosso então candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da escolha de Flávio Tavares, cheguei até mesmo a pensar que tínhamos dobrado o conservadorismo do ex-senador. Cheguei a acreditar que Maranhão havia, finalmente, reconhecido que a cultura tem um papel estratégico, inclusive na economia e na construção de políticas transversais e intersetoriais. Afinal, um setor que movimenta 5% do Produto Interno Bruto brasileiro não pode passar despercebido num governo minimamente democrático e que tenha compromisso com o desenvolvimento integrado e sustentável. Em Toronto, no Canadá, as estratégicas econômicas se orientam a partir da política de cultura. Em Paris, a cultura é um dos pilares da economia. Até quando a terra de Ariano Suassuna suporta ser relegada ao estágio de colônia de Pernambuco? Para mudar a vida é preciso mudar de atitude, transformando a mentalidade imposta pelo neo-coronelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero aqui declarar nenhum arrependimento por ter participado e incentivado a participação de artistas e grupos de cultura na eleição de 2006. Afinal, as políticas de aliança são importantes estratégias para o avanço do campo democrático e popular. Não devem jamais ser confundidas com adesismo se conduzidas de forma madura e transparente. A participação política dos artistas e dos fazedores de cultura de um modo geral é uma questão de cidadania. Como dizia Gramsci, “viver é tomar partido”. No entanto, percebo agora o quanto o governador Maranhão exige-nos uma reação. Nem mesmo com o seu vice-governador, Luciano Cartaxo, sendo também um produtor cultural a visão maranhista para a cultura foi alterada. O mais interessante é que o abalo que qualquer governo teria com a saída de um quadro imprescindível como Flávio Tavares se dá exatamente no momento em que é anunciada a criação da Secretaria de Cultura. No entanto, para quê criar uma Secretaria de Cultura se o governo se empenha em consolidar uma “subpolítica” de cultura? O injustificável descaso do governador, certamente, tem sérias implicações no processo de desenvolvimento do Estado. Um bom mestre de obras deveria compreender que não é exatamente com marqueting de cimento e cal que se produz desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que não trago aqui um discurso de imparcialidade. Nunca fui imparcial. Não acredito em imparcialidade. Sempre tive lado. Afinal, somos produto das nossas escolhas. Pautei minha vida inteira na construção de ideais estéticos, do ponto de vista da arte e políticos, do ponto de vista humano. Também não quero dizer que o governador Cássio Cunha Lima tenha sido generoso com a cultura. Muito pelo contrário. Cássio praticamente desmoralizou o FENART, um dos mais importantes festivais de cultura do Nordeste. Maranhão ratificou essa desmoralização. Iguala-se a Cássio ao cancelar o FENART 2009 e anunciando o FENART para o ano eleitoral de 2010. (Isso se chama oportunismo patológico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todas as limitações impostas pelas regras do poder público, entre erros e acertos, o fato é que a Prefeitura Municipal de João Pessoa avançou na democratização das políticas da cultura a partir de 2005. Não quero dizer aqui que atingimos o Ponto G das nossas necessidades. O fato é que estabeleceu-se um processo de inclusão nunca antes vivenciado. Sobrou gás, inclusive, para uma relação de proximidade com o interior do Estado. Não foi por acaso que, em 2008, estivemos em Cajazeiras e Sousa, apresentando as ações da Fundação Cultural de João Pessoa, a convite do Fórum de Cultura do Alto Sertão. Também em Campina Grande, onde a política de cultura tem se resumido ao “Maior São João do Mundo”, participamos de debates com o segmento cultural. Logicamente que isso foi o reflexo de uma ação desenvolvida por um grupo de militantes e não por prestígio pessoal. Lembro que em Cajazeiras, os artistas destacavam duas políticas sólidas da Prefeitura de João Pessoa: o Empreender-JP e o Circuito Cultural das Praças. Em Sousa, no meio do debate um artista levantou e disse: “isso só vai acontecer por aqui quando Ricardo Coutinho for o governador.” E agora, José? O sonho está apenas começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é pagar para ver. Nossa esperança está no setorial de cultura do PT que, neste momento, passa a assumir a responsabilidade de abalar a mentalidade medieval de um governador que, provavelmente, acha que política de cultura se resume na liberação de recursos para os artistas. Não, governador! O objeto de uma política pública de cultura não é o artista, mas a memória (passada e futura) do povo. O grande desafio é conjugar tradição e modernidade, integrando a cultura nos processos de desenvolvimento. Mas, cá pra nós, precisamos definitivamente reconhecer que os artistas são os principais parceiros para a implementação de ações que visem edificar o espírito crítico e lúdico nas futuras gerações. Ou seja: o espírito transformador que haverá de melhorar a nossa sociedade. Acolher, incluir, criar, trabalhar, superar. Estes são alguns dos verbos que movimentam a cena e que do discurso maranhista parecem ter sido suprimidos. Na prática, sumariamente aniquilados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa esperança permanece intacta. Todavia, quando falo de esperança não falo de inércia. Falo de uma esperança que constrói e que busca estabelecer uma relação das três esferas da área pública (municípios, estados e união), com a sociedade civil e com a plenitude cidadã. É lógico que isso não é fácil. No entanto, como diz o poeta Chacal, “só o impossível acontece. O possível apenas se repete.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, destaco a elegância com a qual Flávio Tavares soube se retirar da cena, desligando sutilmente os aparelhos de uma agonia. Flávio deu para todos nós, um exemplo de dignidade e coerência. Que este ato cidadão do artista não passe impune pelo nosso aprendizado. Nem pela composição e pelas diretrizes dos próximos governos. O que nos preocupa é que não se trata de um governo novo, mas de um governo que já passou oito anos ignorando completamente os processos culturais na terra de Sivuca e Jackson do Pandeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-189582053276886095?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/189582053276886095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=189582053276886095' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/189582053276886095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/189582053276886095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/08/o-que-e-que-o-governador-maranhao.html' title='O que é que o governador Maranhão tem contra a cultura?'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7045835773747288952</id><published>2009-07-26T17:27:00.001-03:00</published><updated>2009-07-26T17:27:55.174-03:00</updated><title type='text'>Parrá – a elegância do ritmo.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boemia pessoense ainda preserva seus mais alinhados personagens. Principalmente no anonimato turbulento das ruas da Cidade Antiga. Na Ladeira da Borborema guardamos boas memórias do poeta Manuel Caixa D’água. Nos escambos temporais deste início de século, ainda há quem nos faça sonhar com a velha Parahyba do Norte - “morena brasileira”.  A eterna Cidade das Acácias. Um lugar onde os sagüis pululam pelos resquícios da Mata Atlântica e onde as prostitutas retomam o simbolismo histórico da luta pelo reconhecimento da profissão. Assim a cidade vai se organizando politicamente no movimento das águas e dos tempos. Convulsionando uma urbanidade que nasceu nas margens de um rio para desaguar nas memórias do futuro.&lt;br /&gt;Foi numa cidade assim, ali no Roger - mais exatamente na Rua Anísio Salatiel número 60 - que nasceu Severino Ramos de Oliveira. Isso foi no ano de 1938. Ainda na primeira infância o irmão lhe conferiu o apelido de Parrá, sem saber que estava realizando um batizado artístico. Nascia um personagem da cultura de uma cidade absorvida, naquele momento, pela era do rádio. Um tempo em que as ondas médias e as ondas curtas determinavam o todo poderoso veículo da comunicação popular. Um talho de modernidade no provincianismo de uma cidade que presenteou o Brasil e o mundo com personalidades importantes da cultura brasileira. Como o cidadão do mundo, Ariano Suassuna. Um litorâneo de alma sertaneja. Um homem que trafega sua existência nas raízes da expressividade cultural do povo nordestino. Tudo dentro de uma rotina de invenções. Numa plasticidade de cores e ritmos. Elementos para o cenário de uma vida dura que gerou a alma delicada dos seus artistas.&lt;br /&gt;Parrá representa o glamour e o estigma de uma geração que construiu os maiores referenciais da chamada Música Popular Brasileira. Na verdade, uma geração que abriu as comportas para o nascedouro da MPB enquanto conceito, dentro da universalidade natural da música de qualquer região do planeta. Um tempo de grandes ritmistas como Jackson do Pandeiro que esteve para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na mesma proporção que Parrá esteve para a época de ouro da Rádio Tabajara, aqui na Paraíba. Com absoluta convicção do seu destino, Parrá soube traçar (na base da “marmota”, tantas vezes) os seus próprios caminhos. Sempre com a simplicidade de um homem que fez da música a sua forma de transcendência no tempo. Preservando-se enquanto menino, em cada leitura do mundo que o cerca. Tudo isso compõe o inventário de uma vida que não guardou espaços para a tristeza, mesmo que estas tenham sido tantas e muitas vezes, tão profundas.&lt;br /&gt;Parrá está situado na história da música nordestina, entre os grandes nomes do seu tempo. É certo que não teve o seu trabalho reconhecido lá fora, principalmente no vigor da juventude. Até porque muito pouco saiu da Paraíba. Principalmente porque nunca saiu do Nordeste. Somente este detalhe apartou o cantor de um reconhecimento público muito semelhante aos artistas que foram consagrados nacionalmente pela mídia, abrindo os olhos do país para a efervescência cultural da Paraíba. Mesmo assim, Parrá influenciou e influencia as novas gerações de músicos paraibanos. Com sua elegância, com suas convicções estéticas, com suas marmotas, com sua alegria perene e sua dignidade. Ele faz parte de um grupo seleto que reúne nomes como Livardo Alves e outros que, mesmo sem sair da cidade, conseguiram uma consagração e um reconhecimento raro para os chamados “santos de casa”. Parrá não é e nunca foi santo. Todavia, está na área e “obra milagres” - como se costuma dizer por aqui - com a inventividade  da sua arte. Sua natureza é criativa e musical. Um artista que soube eternizar-se na memória da cidade. Seja pela sua simplicidade conjugada com sua irreverência, mas principalmente pelo seu inquestionável talento e pela organicidade da sua atividade intelectual.&lt;br /&gt;Logicamente que se torna um tanto quanto redundante ressaltar as influências jacksonianas. Aliás, essas influências do grande mestre de Alagoa Grande chegaram também para Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, Chico Cesar e até mesmo aos roqueiros conterrâneos do Rei do Ritmo da banda Jackson Envenenado, de Alagoa Grande. Mas, com Parrá, foi diferente. Não se trata apenas de uma influência. Trata-se da absorção geral de todos os mimos, trejeitos, manejos e traquejos de uma tradição rítmica bem nordestina e, sobretudo, genuinamente paraibana. Algo que esteve representado na existência artística de Jackson, mas que também está em Parrá, Biliu de Campina e outros artistas importantes desta terra de grandes artistas. Este é o diferencial que coloca o nome de Parrá sempre na vanguarda quando o assunto é Jackson do Pandeiro. E é exatamente isso que diferencia o nosso Severino Ramos de Oliveira. Não seria ele um cover do mestre. Falando assim, num tom bem nordestino, o morador da Rua Anísio Salatiel número 60, no Roger, seria a mais perfeita “parêa” musical e existencial do velho Jackson do Pandeiro.&lt;br /&gt;Na cena musical contemporânea do Estado, o cantor e compositor ainda resiste ao lado de grupos como Burro Morto, Chico Correa, Cabruêra, cantores como Escurinho, Erivan Araújo e Gláucia Lima que, com certeza, souberam e sabem beber na fonte inesgotável que é a musicalidade deste artista cujas levadas e cujo suingue transpiram no cotidiano da cidade, de onde ele sempre arrancou o barro, o fogo e a água, para esculpir canções que marcaram a história musical do Nordeste. A musicalidade de Parrá está muito mais viva que nunca!&lt;br /&gt;Em 2006, na festa de aniversário da cidade, a homenagem foi para Jackson do Pandeiro. As escolhas da Fundação Cultural de João Pessoa não poderiam ser mais exatas. A Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa, criada e regida pelo maestro argentino radicado na cidade, Gustavo de Paco, tocou 11 músicas de Jackson. Todas interpretadas de forma impecável pelo irreverente Parrá. Um show de competência e identidade cultural. Na verdade aquele show representou certo redimensionamento da relação entre a música erudita e a música popular. Naquele momento, Parrá se mostrava digno da consagração na memória do seu povo.  O público cantava entusiasmado os sucessos de Jackson, como se o show fosse com o próprio.  O Canto da Ema, Sebastiana, Um a Um, Forró em Limoeiro e outras. Naquele momento Parrá selava em sua carreira um reconhecimento que vinha sendo, injustificadamente, sonegado. Em um show realizado anteriormente, no São João, ele fez uma declaração pública que vale como alerta para os gestores de cultura que não se preocupam com a preservação da memória dos seus artistas: “eu estava morto e vocês me ressuscitaram”, disse Parrá.  Na verdade, Parrá, a cidade é que andou entorpecida, desmemoriada, fora do eixo... Você representa o espírito e o corpo de uma cultura que não se rende, independentemente da sensibilidade de quem a governa. Uma cultura de resistência que transita soberanamente entre a tradição e a modernidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7045835773747288952?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7045835773747288952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7045835773747288952' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7045835773747288952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7045835773747288952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/07/parra-elegancia-do-ritmo.html' title='Parrá – a elegância do ritmo.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7663221903050413429</id><published>2009-07-16T02:08:00.001-03:00</published><updated>2009-07-16T02:10:21.050-03:00</updated><title type='text'>A alma fêmea do poema.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt; Lau Siqueira&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que a poesia brasileira vem conquistando - cada vez mais - leitores e leitoras. Na mesma proporção, seguramente, vai suscitando espaços respeitáveis no mercado do livro. Este é um fenômeno que se faz sentir de forma acentuada a partir da segunda metade dos anos 90. Entrementes, não é um fenômeno brasileiro. No mundo inteiro a internet passou a exercer um papel determinante na difusão da poesia. Mas, não apenas isso. Sem romper com a necessidade precisa dos clássicos, a poesia contemporânea passou a se alimentar dela mesma. Talvez esta seja a melhor tatuagem de um tempo de contrapontos bravios quanto aos conformismos decadentes. Verdadeiras porradas no baixo-ventre dos eunucos saciados, fiéis devotados aos cleros e reinados da literatura e, principalmente, da ausência de literatura.&lt;br /&gt;Foi nesse contexto que o Brasil descobriu Valéria Tarelho. Uma escritora que traduz e ao mesmo tempo constrói sua artesania,  na multiplicidade das suas leituras. Da mais plena percepção dos trovadores medievais, dos simbolistas, dos barroquistas, dos concretistas... aos poetas marginais de poesia sem pele. É como se estivesse reafirmando Jorge Luiz Borges: “todas as teorias poéticas são meras ferramentas para a construção do poema”.  Uma poeta que estréia em livro com uma poesia que é pura pulsação. Seja de linguagem ou da existência. Uma poesia que soube construir seus próprios caminhos sentenciando-se dentro de um rigor que se traduz num jogral de iluminuras. Percorrendo de Rimbaud à Rodrigo de Sousa Leão, de Kaváfis à Márcia Maia... Por isso estréia com substância e ousadia. Questões que se interpenetram na abordagem de temas resgatados a partir de um mergulho profundo no raso da condição humana. Um foco indissociável cravado no universo da alma fêmea. Uma poesia radicalmente mulher. É o cotidiano que emerge com  sua sensualidade, suas opressões, suas desditas e, sobretudo, com suas linguagens de eternidades construídas na perenidade do acaso.  Valores tão fundamentais à metalurgia do poema.&lt;br /&gt;Em uma das suas últimas entrevistas, Haroldo de Campos dizia que não era mais um poeta concreto, mas um poeta da concretude. Não há nada mais pertinente nesta apresentação que esta leitura avessa da profecia de um mestre. Valéria Tarelho é, também, uma voz da concretude. Dona de uma dicção que se reconhece na fala dos silêncios. Da imensidão de silêncios que inundam esse tempo de velocidades e usuras midiáticas. Uma voz que não precisa de outras e ao mesmo tempo se multiplica em tantas. Por isso, não pede licença para que reconheçamos sua nitidez dentro de um palheiro de agulhas esquecidas num soberbo disfarce pessoano. Concisa na sua sensibilidade inteligente. Uma explosão de prazer que sacode o hímen das palavras para a construção de uma poesia de consistência e derme arrancada dos anseios e dos devaneios.Tudo isso ancorado numa lucidez visceral.&lt;br /&gt;Escrevendo poemas há sete anos apenas, sem pedir licença aos babalorixás de crachá que se fecham em círculos cada vez mais contritos, inflados de suas substâncias desgastadas e pastiches purulentos. Este livro conta uma história de poemas que descem da estopa para a laje fria da expressão. Ardendo coisas ditas e não ditas. Como nos contou Leminski em seus Anseios Crípticos, o mestre Mishima já sentenciava: “Não sigam as pegadas dos antigos. Procurem o que eles procuraram.” Assim é Valéria Tarelho, dona de uma poesia que não segue pegadas. Uma poesia cuja certeza é uma busca e a universalidade da dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(apresentação do livro de Valéria Tarelho, a ser lançado em agosto, pela Editora Landy, SP - Brasil)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7663221903050413429?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7663221903050413429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7663221903050413429' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7663221903050413429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7663221903050413429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/07/alma-femea-do-poema.html' title='A alma fêmea do poema.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8681424077882293885</id><published>2009-06-30T08:34:00.001-03:00</published><updated>2009-06-30T08:37:14.903-03:00</updated><title type='text'>A cultura dos que dominam pelo asco e as gerações abandonadas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“O mundo comum acaba quando é visto somente sob um aspecto e só lhe permite uma perspectiva.”    (Hanna Arendt)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convivência com os movimentos da vida nos vai capacitando para pensar o mundo que nos cerca e o que nele pulsa. Seus dinamismos e perplexidades a partir de uma industrialização não apenas da cultura, mas também do pensamento e, principalmente, dos comportamentos da sociedade e suas representações. Não serão, pois, apenas os bons livros que nos salvarão da ignorância. O pior de tudo é, talvez, ler bons livros e continuar ignorante por incapacidade de reflexão. Pensando soberbamente, talvez, que a compartimentalização dos interesses sociais e dos saberes podem sustentar a credibilidade de um discurso maniqueísta por natureza e ausência de princípios. Claro que é através dos livros que o pensamento reflexivo sobre as mais diferentes abordagens cumpre o seu papel. Colabora sim, mas geralmente de um ponto eqüidistante entre o oceano e o pacífico.  Por isso a leitura da realidade interessa como ponto de partida para qualquer impulso crítico acerca da aldeia globalizada onde se estabelece o germe urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero com isso diluir o direcionamento das reflexões já realizadas em estudos de grande relevância que foram produzidos pelos mais diversos meios - universitários ou não. Que fique claro! Somente alerto para a insensatez dos que defendem questões específicas de forma descontextualizada. Até porque pensar universalmente significa estabelecer laços sutis, mas seguros, com uma teia incapaz de diluir-se porque guarda os mistérios da existência humana. Fato que muito interessa no debate da realidade, por exemplo, de uma cidade como João Pessoa. Uma cidade tão igual a tantas, litorâneas ou não, com acrobatas violentados pela lógica capitalista da sociedade, exibindo pelas esquinas um futuro atomizado. Uma cidade que ruge pelos becos, cuja cartografia social preocupa os que preferem pensá-la com dignidade e respeito. Mas, a realidade está aí, batendo as tamancas, como se diz. Tudo a ser transformado, transborda. Lutamos contra a impunidade num país onde um juiz criminoso, não vai para a cadeia. É condenado ao prêmio de uma aposentadoria com vencimentos integrais. Lutamos por políticas públicas para a criança e o adolescente, com conselheiros tutelares sendo acusados pelas esquinas de violar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Lutamos em defesa da vida, muitas vezes, quando se pretende mascarar a violência sofrida, com a religiosidade ditando diretrizes onde o que deveria se fazer valer era o direito justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho me deparado com questões relativas à criança e ao adolescente em situação de vulnerabilidade social no meu cotidiano. Penso nisso com muita preocupação e partilho meus pensamentos. Não amparado no que ainda não foi feito para sanar essa imensa ferida social que vem de um percurso histórico. Penso que não há como pensar qualquer processo histórico apenas na perspectiva institucional. Porque nesse sentido a cidade já possui parâmetros para gesticular contra um passado em que até o auxílio funeral para famílias carentes era motivo de uma partilha macabra entre os vereadores da bancada servil. Aquela que serve a todos os governos, independentemente do matiz ideológico dos ocupantes dos divinos tronos nas salas refrigeradas, geralmente muito distantes da realidade anterior ao portão de acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa cidade como tantas. Uma cidade com um universo arquitetônico diversificado, mas que apresenta um traçado histórico do poder tanto na sua área urbana, com seus latifúndios de concreto (em contraponto aos casarões tombados e caídos), quanto numa zona rural perdida no sumidouro de um tempo onde a tecnologia colhe mais batatas que as mãos campesinas, rachadas como a terra seca. Não podemos conceber uma política pública para a criança e o adolescente que lave as mãos quanto à desestruturação da família moderna, não mais amparada pelo patriarcalismo. A modernidade comeu os olhos do pai, do filho e do espírito samba. A estrutura familiar das ruas e das periferias, junta (no mais das vezes) a violência com a inocência nos mesmos espaços já violentados pela miséria. Sem a possibilidade de uma reação imediata para uma proteção mínima. Para isso, na cidade, até mesmo alguns setores dos movimentos sociais colaboram com o infortúnio, comercializando apoios políticos e interesses afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o contexto aproximado de onde hoje se discute políticas públicas nas cidades brasileiras. Uma caminhada com pegadas recentes, cujas mazelas sempre contaram com conivências de todo tipo para sustentação de um coronelismo com cabine dupla e GPS, pintado de modernidade, mas ainda escancarado diante dos fatos que transbordam pelas esquinas e que fermentam nas comunidades periféricas - e nem tão periféricas assim. O debate frio acerca do preço de cada compartimento relativo às questões sociais, muitas vezes não passam de apelo midiático para quem faz do abandono de gerações inteiras um espelho para vaidades pessoais incompatíveis com o interesse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de um lago, com águas rasas, algo turvas,  mas correntes. O que espelham essas águas reflete-se na areia do fundo. Por isso penso que cabe tudo nesse debate, menos a hipocrisia que pula a cerca e se agiganta num país que de dois em dois anos vai às urnas na tentativa de construir uma democracia real, esquecendo de jogar luz sobre todos os atores e todos os interesses que existem por trás das tradições burguesas, profundamente enraizadas no Nordeste e em capitais como João Pessoa que, neste artigo, vem sendo citada como referência de uma circunstância global que atinge de La Paz e Feira de Santana à Teerã, onde grupos comandados por aiatolás fascistas e assassinos saem pelas ruas vitimando pessoas inocentes de todas as idades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente que não se esgotam por aqui as possibilidades de análise da questão. Existem outros vetores do mesmo naipe, como os canais que são concedidos por interesses que raramente levam em consideração o papel da comunicação na educação das populações acerca dos seus direitos. Porque o que irá transformar a sociedade não é governo algum. Os governos podem, no máximo, atrapalhar pouco para que a sociedade se organize melhor em busca dos seus direitos e deveres. A cesta básica cuja falta exibe a desnutrição de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, banca a sustentação do luxo e da ostentação como princípio de vida em algumas casas grandes e mesmo em confortáveis senzalas. Este é o meu ponto de partida para pensar qualquer questão relativa às mazelas cuja responsabilidade é de todos e todas. Até mesmo dos irresponsáveis que nada mais fizeram que maquiar uma realidade social que cada vez se degrada com maior virulência e velocidade. Marx dizia que só a verdade é revolucionária. Cristo dizia que a verdade é a vida. E isso não é outra coisa se não a tentativa de elucidação permanente do próprio conceito de verdade. Mais do que sempre se faz necessário ao enfrentamento dos que defendem a cultura dos que dominam pelo asco, o contraponto de uma realidade que vem produzindo gerações e gerações abandonadas ao relento de mudanças de moscas em cenários fétidos que, comumente, não mudam de lugar para não mudar absolutamente nada. Como diz Caetano Veloso*, “eu não sou religioso. Mas desejo mudanças do tamanho de milagres. As mudanças que tenho visto desde a minha adolescência são muito rápidas e muito grandes para que os mais letrados entre nós só repitam que não andamos”. É um erro grosseiro pensar que na base da pirâmide social essas mudanças dependem fundamentalmente dos governos. O que a sociedade produz em termos de mudanças vem dela própria, dos abalos sísmicos das suas próprias diferenças e da capacidade cada vez maior de movimentos sociais amparados no pensamento, na reflexão e não apenas em interesses, no geral, muito particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* em entrevista à Revista Cult número 135&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8681424077882293885?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8681424077882293885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8681424077882293885' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8681424077882293885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8681424077882293885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/cultura-dos-que-dominam-pelo-asco-e-as.html' title='A cultura dos que dominam pelo asco e as gerações abandonadas'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4398865302259964057</id><published>2009-06-12T00:51:00.001-03:00</published><updated>2009-06-14T22:47:32.606-03:00</updated><title type='text'>12 de junho – Dia do Namoro com Políticas Públicas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A virada do milênio vem sendo marcada com a propositura permanente de políticas públicas integradas. Intersetoriais e transversais. Um pensamento que avança na perspectiva do ser humano. Não mais das corporações, como nos regimes totalitários. Na verdade se trata de uma concepção democrática para os nossos dias e para os dias do futuro. Nenhum dos problemas da nossa sociedade pode ser tratado isoladamente. Menos ainda do ponto de vista histórico. Todos (sociedade, corporações e governos) somos responsáveis, por exemplo, pela qualidade do ensino público. Também pela saúde pública, pelo desenvolvimento cultural e pela qualidade de vida nas cidades. Tudo isso compõe um cenário onde a criança e o adolescente, podem (ou não) vislumbrar algo diferente do que se vive nos becos de comunidades como a Maria de Nazaré, em João Pessoa. Uma área de alta vulnerabilidade social e, ao mesmo tempo, de bom nível de organização dos movimentos populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mobilizações no país inteiro nos lembram o dia 12 de junho como marco da luta contra o trabalho infantil. Acho importante destacarmos que o que se pode comemorar nesta data é a luta de alguns abnegados - no serviço público ou no voluntariado - abraçando a responsabilidade de fazer prevalecer a inteligência, o talento, a dignidade e o esforço pessoal como valores fundamentais do desenvolvimento humano. É isso que temos a ensinar e aprender o tempo inteiro. No caso específico do trabalho infantil, existe um fator cultural determinante. Em várias sociedades, o limite de dez anos para o trabalho infantil é considerado parte das necessidades da família. Seja ele doméstico ou não. Recentemente, em seminário realizado na UFPB, vi um representante do povo Potiguara explicar que o menino índio acompanha os pais para até a roça, para aprender um ofício que garantirá a sua sobrevivência. Portanto, a visão criminalista do assunto deve dar lugar para a ação pedagógica continuada, focada na evolução cultural dos povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, o que determina realmente o trabalho infantil (não podemos esquecer) é o grau vulnerabilidade social em que vivem milhares e milhares de famílias nesta e em outras cidades. Famílias, muitas vezes, geradas fora da tradicional cultura patriarcal, mas ainda com pesadas influências. Tudo isso sob a regência de um sistema monopolista e padronizador de valores. Sobretudo, concentrador de riquezas. Por isso acreditamos que todos os processos de desenvolvimento de políticas públicas para a criança devem ser observados e planejados a partir dos processos de consolidação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS que abriga várias políticas públicas. Entre elas o Programa de :Erradicação do Trabalho Infantil - PETI, o Bolsa Família, o Centro de Referência em Assistência Social – CRAS e outras não menos importantes. Certamente que o CRAS aparece como articulador estratégico de toda lógica do SUAS. Uma vez que trata dos problemas sociais das cidades a partir das realidades locais vivenciadas pelas comunidades. Além de ser a porta de entrada das políticas de assistência, os CRAS devem cumprir o papel de elemento catalisador de toda política de assistência e seus laços intersetoriais. Tudo a partir do acompanhamento individualizado da situação e das perspectivas das famílias referenciadas em sua área de atuação, como já vem sendo feito com 8 mil famílias em 8 unidades do CRAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A duras penas o PETI tem cumprido o seu papel de política pública de proteção da criança em vários sentidos. Na verdade se trata de um programa que deveria ter um diálogo mais aprofundado com as políticas de educação porque focaliza exatamente de um dos grandes desafios da Escola Pública neste início de milênio, que é o atendimento ao aluno em tempo integral. Aqui em João Pessoa, o atendimento do PETI já chega a 2440 crianças em 28 núcleos espalhados pela cidade. Uma boa amostragem para avaliação do programa. Até mesmo como complemento dos processos da chamada educação formal. Não são poucas as histórias de sucesso que fazem parte do cotidiano do PETI. Como a recente medalha de bronze recebida por um aluno residente na comunidade Ana Clementina de Jesus, no conjunto Valentina de Figueiredo. Uma conquista obtida no campeonato nacional de judô sub-13, realizado em Vitória, no Espírito Santo. Os alunos do PETI da capital da Paraíba arrastaram o 3º e o 5º lugar. Ainda este ano, chegaremos a marca de 100 alunos de música lendo partitura. Teremos ainda o lançamento de um CD que deverá referenciar-se nacionalmente. Estes, entre outros fatores, nos obrigam a manter um olhar muito carinhoso para com este programa. Bem como para com os aguerridos educadores e oficineiros que nos permitem sonhar com a ampliação planejada do programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PETI, na verdade, enquanto política de Estado centrada nas normas estabelecidas pelo SUAS representa a articulação global das políticas públicas que partem de procedimentos estruturantes para as necessárias melhorias da qualidade de vida do nosso povo. Certamente que o que devemos entender é que um programa tão novo (criado em 1996) começa a surtir seus efeitos na sociedade e, portanto, não pode passar despercebido, por exemplo,  nos planejamentos escolares que pensem o aluno para além dos muros escolares numa prática efetiva da intersetorialidade. Aliás, podemos citar um bom exemplo de ação intersetorializada. A que atende o PETI e seus objetivos, com as oficinas de leitura oferecidas nos bairros São José e Chatuba. Uma ação da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE, articulada a partir do CRAS.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Um programa que busca estabelecer laços com a família para a sua execução, atende os anseios de quem luta por uma sociedade mais justa. Uma vez que se trata de uma ação empreendida no mais profundo enraizamento dos valores que sustentam uma sociedade em lenta - mas, segura - transformação  como a sociedade do nosso tempo. Portanto, não há como desvinculá-lo de outros programas. Até porque além do trabalho sócio-educativo o PETI trabalha também a transferência de renda para as famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, estamos apenas começando a pensar o Brasil a partir da realidade do povo. Estamos começando a pensar a cidade de João Pessoa a partir de uma realidade que será revelada em breve pelo Mapa da Exclusão e da Inclusão. Instrumento fundamental para o planejamento de políticas públicas. Será possível visualizar melhor as demandas, por exemplo, referentes ao trabalho infantil e a outras situações às quais estão expostas não apenas as crianças, mas as pessoas de um modo geral. Pensar situações específicas significará igual proporção de esforços para relacioná-las com outras situações, dentro de uma rede de atendimento integral ao cidadão, conforme (na prática) propõe o SUAS. Uma política de Estado tão importante e necessária quanto o Sistema Único de Saúde – SUS. Isso precisa estar permanentemente em pauta, pois pensar o desenvolvimento da sociedade significa democratizar esta sociedade. Como dizia o poeta Mário Quintana, “democracia é dar à todos o mesmo ponto de partida. A chegada, depende de cada um.” A consolidação do SUAS e seus programas significa, sobretudo, o avanço da sociedade em direção à uma democracia referenciada na universalização dos direitos essenciais do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4398865302259964057?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4398865302259964057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4398865302259964057' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4398865302259964057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4398865302259964057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/12-de-junho-dia-do-namoro-com-politicas.html' title='12 de junho – Dia do Namoro com Políticas Públicas'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8115037080217235645</id><published>2009-06-02T02:24:00.001-03:00</published><updated>2009-06-02T08:23:58.757-03:00</updated><title type='text'>O caminho das borboletas...</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século VI a.C., o legislador grego Sólon, criou muitas leis. Uma delas considerava crime se acovardar diante de uma discussão. Mas, ele não parou por aí. Entre outras coisas, institucionalizou a distinção entre “boas mulheres” e “prostitutas”. Um fato jurídico que simboliza até hoje o patriarcado. Certamente que vem daí também o casamento civil. Pois as “boas mulheres” eram aquelas que procriavam e constituíam família. Certamente, também, a engrenagem que estabelece os diversos níveis (ou seriam desníveis?) sociais da prostituição. Uma força estranha que atravessou os milênios e se espalha pelas calçadas e pelos prostíbulos de João Pessoa e do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prostituição era um componente fundamental na vida social da Velha Grécia. Nas cidades mais desenvolvidas - geralmente localizadas nos portos - o ‘setor’ empregava boa parte da população. A profissão era considerada uma atividade comercial de relevância. Dizem que Sólon também institucionalizou em Atenas, os primeiros bordéis. Os preços dos serviços eram regulados pelo Estado. Havia até cobrança dos impostos do que chamavam de “comércio de carne”. As prostitutas, nesse tempo eram classificadas segundo os impostos que pagavam. Havia prostitutas baratas (pornai), as “peripatéticas” e as prostitutas (hetaera*) de nível alto também chamadas de “companhia feminina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antiguidade também guarda um espaço sagrado para a prostituição. A deusa Isthar, nascida na Suméria, foi revelada pelo historiador grego, Herótodo, quando este escreveu a respeito da Babilônia. Ela era o símbolo da hospitalidade com um preço simbólico. Ishtar tinha alguns rituais de carater sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade. Alguns dos rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. Já a deusa Vesta, do Império Romano, exigia a virgindade total ou a entrega total. E todo o culto às deusas era feito através de rituais. Até mesmo na Bíblia o nome de Madalena coloca os fiéis de Jesus Cristo frente a uma grande contradição. Desta época, destacamos Herodes que também era chegado a um cabaré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas prostitutas de luxo acabaram virando mito. Como Messalina, por exemplo. Ela casou com o imperador romano, Cláudio, aos 16 anos (Ele tinha 49). Na Roma Antiga a depravação não era privilégio dos homens da corte. Algumas mulheres eram ainda mais chegadas ao excesso sexual. Messalina imitava as prostitutas profissionais da noite romana. Ela copiou as prostitutas, até mesmo ao receber no palácio todos os homens que a desejassem. Chegou a competir com outra prostituta profissional, apostando e vencendo uma maratona de sexo com 25 homens em uma única noite. Quando não se dava por satisfeita, saía pelas ruas à procura de amantes, mandando matar os que a recusassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, são vários os exemplos. Mas, podemos citar Adriene Legay, personagem central no conhecidíssimo conto de Maupassant, Bola de Sebo. Conto, aliás, que foi adaptado de forma genial por Chico Buarque de Holanda. Bola de Sebo passou a chamar-se Geni, personagem da Ópera do Malandro, em música de sucesso nos anos 80. Nesse conto, Guy de Maupassant não poupa críticas ao cinismo e a hipocrisia da sociedade francesa do século XIX. Chico repete a dose em relação á sociedade brasileira dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias iniciais do século XXI não mudou muita coisa. Em alguns casos, nem mesmo a relação com o Estado e com a sociedade. Os preços variam. Ora vale um emprego, ou uma ascensão profissional. Ora vale um casamento por interesse, com as benesses e títulos de madame. Ora vale nota em alguns cursos ditos superiores. As profissionais que cercam os hotéis gostam de ser chamadas de “acompanhantes executivas”. Mas, também são chamadas de rameiras, quengas, putas, pitombas... seja qual for o nome. Na realidade todas elas são apenas prostitutas. As meninas da Associação das Profissionais do Sexo – APROS, não gostam da nomenclatura “politicamente correta” de profissionais do sexo. Preferem mesmo ser chamadas de prostitutas. Mas, apenas são mulheres que lutam com determinação por seus direitos constitucionais ao exercício da cidadania plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ditas “de família”, não raras vezes, se sentem incomodadas com a proximidade de pontos de prostituição e bordéis. Algumas das meninas afirmam que alguns desses “incomodados” são usuários dos seus serviços. Não podemos esquecer que o imposto que a classe média paga para morar em casas confortáveis, não chega aos pés do imposto social que a grande maioria das prostitutas sempre pagou pelo direito à sobrevivência. Outro dia, em trabalho de campo na praia de Cabo Branco, juntamente com a APROS e a Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher, conversando com uma jovem prostituta, soube que tinha um filhinho de seis meses em casa, sendo guardado pelo marido desempregado. Percebe-se, então, o quanto muitas vezes somos cruéis quando viramos o rosto para a realidade que nos cerca. Impossível, pois, não termos este assunto no centro do debate no momento em que se comemora o Dia da Prostituta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que precisa ficar claro é que as prostitutas, em busca de reconhecimento profissional, deverão necessariamente manter uma postura profissional. Inclusive sem beber ou se drogar no trabalho. Sobretudo, buscando uma convivência harmoniosa com a comunidade onde vive ou onde trabalha. E por uma questão de sobrevivência, até mesmo com as engrenagens de consumo da sociedade capitalista que, sabemos, ao mesmo tempo em que condena, hipocritamente sustenta a prostituição nos mais diversos níveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;*hetaera quer dizer prostituta, em grego. Mas, também é o nome de uma borboleta brasileira, hetaera-esmeralda. Foi descoberta na Amazônia em meados do século passado por um inglês.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8115037080217235645?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8115037080217235645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8115037080217235645' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8115037080217235645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8115037080217235645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/06/o-caminho-das-borboletas.html' title='O caminho das borboletas...'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7161313687515213747</id><published>2009-05-30T18:09:00.002-03:00</published><updated>2009-05-31T13:51:30.089-03:00</updated><title type='text'>O carnaval de João Pessoa: acertos e equívocos entre a tradição e a “mudernagem”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas questões me ocorreram após participar de uma mesa de debates no Tributo ao maestro Vilô, esta semana, no SESC. Na mesma mesa, a pesquisadora Ignez Ayala e Pedro Júnior, representando a Federação Carnavalesca. Em pauta a identidade cultural do carnaval da capital da Paraíba e a sua relação com o poder público. Questões de importância fundamental foram colocadas. Espero, possam servir para subsidiar um debate mais qualificado e aprofundado acerca da consolidação das políticas públicas para a cultura na cidade. Muito especialmente para as tradições e as modernidades que cercam o espírito carnavalesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate gerado em torno das três palestras proferidas pode-se dizer, justificou plenamente a nossa participação em um evento que tratava exatamente da preservação da memória de um personagem que é determinante para o estabelecimento de uma identidade para o nosso carnaval. Falamos do maestro Vilô! Não foram poucos os depoimentos que, no debate, fizeram questão de testemunhar essa relação direta do maestro com a raiz do carnaval da cidade. Algo que o imortaliza, indubitavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas questões levantadas me parecem bem pertinentes. Por exemplo, a relação existente entre a “ordem” e a organização do carnaval. Leia-se como “ordem”, o poder de intervenção do poder público aliado aos interesses das organizações carnavalescas que, formal ou informalmente constituídas, levam as suas representações de cultura comunitária, com viés popular, para a avenida Duarte da Silveira todo ano. Uma ação, aliás, que transforma o carnaval não em uma festa popular, mas em um espetáculo popular confinado por esse ordenamento na avenida Duarte da Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate teve um poder imenso de nos conceder a possibilidade de, através do diálogo cordial, não deixar de ser contundente. Questões centrais do carnaval estiveram no centro do debate. Tais como a identidade cultural e a relação das agremiações carnavalescas e suas proximidades com os interesses partidários. Uma coisa formulada diretamente ou intermediada pelo poder público. Convenhamos, uma relação que vinha sendo historicamente entorpecida pela equação eleitoral estabelecida no jogo de poder, dentro e fora das agremiações. Uma questão que, diga-se de passagem, criou tamanha relevância na discussão do carnaval que até mesmo a captação de recursos, segundo pensam os carnavalescos, deve necessariamente passar pela batuta imantada do poder público. Não se fala em empoderamento das agremiações. Mesmo com editais pipocando em todo canto. Ou seja, as direções precisam abandonar o abandono e determinar o sopro dos ventos que trarão novos fôlegos para o carnaval. Isso lembra um pouco uma frase pronta que ouvi dia desses: “A culpa é minha! Eu coloco ela em quem eu quiser.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade a discussão sobre carnaval ou qualquer outro segmento cultural não deveria, absolutamente, passar por ingerências do poder público. Ainda que não existam apropriações indébitas dos louros de um financiamento público. Seja pelo desvio tolerado e não comprovado, em alguns casos, referentes às subvenções. Seja pela intolerável ação do poder político se apropriando indevidamente de bens materiais e imateriais de caráter eminentemente público. As questões em pauta aquecem o debate e retiram de cena aqueles que transitam na injúria e no infortúnio da mentira como formas de perenidade nos mais diversos nichos da cadeia de interesses que envolve o poder político e econômico. Que fique entendido que poder político e poder econômico nem sempre possuem interesses compatíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se coloca em questão é a necessidade ou não de confinamento do carnaval. Seja numa avenida e dentro de regras pré-estabelecidas para o que é, na verdade, um concurso de Ursos, Blocos, ;Escolas de Samba, Clubes de Frevo e Tribos Indígenas, entre outras manifestações de menor expressão. A necessidade de fazer com que sobreviva a espontaneidade popular do carnaval, com o desordenamento sendo, logicamente, compreendido por todos os atores envolvidos, sejam eles instituições ou pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar corporativista, muitas vezes, afasta o carnaval do que seria talvez a sua melhor solução. Falo da convivência com outros fatores determinantes da cultura da cidade e a compreensão da diversidade. Esta foi a sustentação, por exemplo, de Beto do Bandeirantes da Torre que ressaltou como avanço o fato do ex-prefeito de Sousa, Salomão Gadelha ter concedido uma subvenção de R$ 10 mil às agremiações, deixando todas as demais expressões culturais da cidade sem qualquer perspectiva orçamentária no resto do ano. A relação não pode ser esta. Os recursos públicos são raros e finitos. Penso que o carnaval, para suas soluções deve abandonar o ufanismo de se considerar maior do que realmente é. O carnaval deve ter clara a sua identidade para poder medir o seu próprio valor diante das outras expressões que, naturalmente, habitam os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos referimos também ao Folia de Rua e sua identidade diluída. Da necessidade ou não de financiar blocos que guardam em si um anseio micaroanesco, apresentando foliões ensacados em abadas ou camisetas, guardados por cordas limitadoras. O que é, no mínimo, um estranho uso privado do espaço público. Afinal, eles também fazem parte das reivindicações da Associação Folia de Rua. Também veio à tona a necessidade ou não de intervenção do poder público, ordenando comportamentos, seja para impedir que blocos infantis como o Muriçoquinhas volte a tocar absurdos como “Beber Cair Levantar” ou que o último trio do Muriçocas entre na avenida tocando absurdos como “Eu gosto é de putaria”. Qual é o custo disso tudo? Qual o limite da liberdade de escolha? De quem é a responsabilidade de estabelecer o limite? Nos casos acima, devo reconhecer que nos faltou a busca pelo acordo prévio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos ainda que as distâncias entre o poder público e a relação política com as agremiações sofria de obscuridades que, por exemplo, nunca deixavam claro quanto cada agremiação recebia. Havia uma injustificável falta de transparência e, certamente, alguns favorecimentos absurdamente indevidos. Lembrei por ocasião do debate, de quando em uma negociação difícil em janeiro de 2005, quando as agremiações se negavam a receber apenas R$ 2.000,00 e o representante da Escola de Samba Mirassol levantou-se dizendo que aceitaria porque no ano de 2004, havia recebido apenas R$ 300,00. Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última análise, esperamos ter contribuído com algo positivo para o futuro de um carnaval que precisa, sobretudo, despir-se da própria hipocrisia e dos “protecionismos” predadores dos interesses coletivos e identitários. Louvo o professor Marcos Ayala defendendo a liberalização das expressões culturais do carnaval. Afinal, o carnaval é uma festa popular e deve mesmo ser feita e dirigida pelo povo. Ano passado, no período carnavalesco, antes do desfile na Duarte da Silveira, fui buscar minha filha na Semana da Nova Consciência, em Campina Grande. Na passagem por Cajá, vi que brincantes de um Boi atravessavam a BR, rumo aos campos libertos dos apelo midiáticos. Pensei, então, acerca do que poderia ainda vir a ser o nosso carnaval. No quanto, talvez, ainda houvesse que se revelar nesta importante festa popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que entre erros e acertos, avançamos bastante em relação ao que era, na verdade, um encruado caldo de batatas, cheio de elementos estranhos ao que verte da melhor verve do nosso povo brasileiro. Reconheço, principalmente, que muito ainda temos que avançar. Afinal, estamos tratando de cultura numa terra onde grande parte da população vive numa total vulnerabilidade social, excluída historicamente dos processos de desenvolvimento econômico, social e político. Uma exclusão que revela seus poros e a pulsação da resistência nas expressões mais autênticas da cultura popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axé, Balula!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;* Dedico esse texto ao mestre João Balula, que me ensinou o pouco que sei sobre o Carnaval de João Pessoa.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7161313687515213747?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7161313687515213747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7161313687515213747' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7161313687515213747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7161313687515213747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/05/o-carnaval-da-cidade-acertos-e.html' title='O carnaval de João Pessoa: acertos e equívocos entre a tradição e a “mudernagem”'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-1733497061072861908</id><published>2009-05-17T22:34:00.000-03:00</published><updated>2009-05-17T22:35:36.812-03:00</updated><title type='text'>A poesia das enxadas em Babilak Bah</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro. Paraibano. Artista. Um cara com uma carga ancestral imensa. Assim é Babilak Bah. O menino cuja inquietude, um dia, chamou a atenção de José Américo de Almeida. Num dos muitos começos dos anos oitenta, ele me disse: “Vou embora! Vou andar pelo mundo. Vou trabalhar com percussão e poesia!” E lá se foi meu amigo, com seu sorriso sempre tão imenso. Anos depois soube do seu reconhecido trabalho de percussão com enxadas. Uma radicalidade experimental erigindo sonoridades inventivas nos ruídos da capina cotidiana. Uma busca concreta para a feitura de signos musicais que, algumas vezes, transpunham-lhe os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Babilak passou, então, a compreender o enigma dele próprio. Dos olhos fixos do menino, encantado com uma biblioteca imensa na casa de José Américo, nascia o diálogo do artista com o mundo. Ele sabia que, independentemente das suas vestes, seus sapatos seriam de palavras. Ainda que muitas vezes caminhasse pelo silêncio. Babilak Bah, com sua transgressão, criou para o universo lúdico dos nossos dias, a poética das enxadas. No simbolismo de quem passou pelos sonhos de uma reforma agrária da sua própria condição quilombola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tudo isso transborda pelos palcos do Brasil. A orquestra de enxadas é a mais intensa procura pela “batida perfeita”, como diria Marcelo D2. Babilak parece dialogar com Arthur Rimbaud, que disse: “Tua memória e teus sentidos serão o único alimento do teu impulso criativo.” Compreendo-o assim. Percebo que o seu talho no destino foi o componente fundamental da formação do artista que é. Tudo numa integralidade que passa necessariamente pela música, pela poesia, pela tecnologia, pela patologia humana e, sobretudo, tão intensamente pela sacudida no esparramo que é a ilusão do conceito fechado sobre as coisas. Na arte de Babilak, navegam vertentes audiovisuais que passam pelo cinema novo e pela nova TV que é o PC nosso de cada um. Ele reconhece o poder das novas mídias e das novas possibilidades de realizar o baile do futurismo primitivo. Tudo isso inscrito numa contemporaneidade que aos poucos vai despertando de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente que faço aqui um esforço enorme para não embarcar numa análise da sua obra. Seria, certamente, uma análise de forma fragmentada. Simplesmente porque o trabalho deste artista é um complexo jogo de memória. E tudo ocorre numa área determinada, num plano onde as inflexões mínimas e máximas da sua existência, refletem-se num elo de imagens vivas, pulsantes dentro da sua capacidade de reagir aos infortúnios de uma sociedade prevaricadora da dignidade alheia.  Coisa que tantas vezes se reflete até mesmo em leituras que não passam de grossuras da vaidade alheia ou inveja dos que não arriscam a pele no erro. Como dizia James Joyce, “um homem de gênio não comete erros. Seus erros são voluntários e são os portais da descoberta.” Babilak é um artista mergulhado nos “portais da descoberta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte de Babilak Bah é, portanto, reflexo direto de um conjunto de reações íntimas do artista diante da experiência esmagadoramente bela e ácida que é viver. Do Enxadário ao Trem Tan-tan (trabalho terapêutico de musicalização, com pessoas portadoras de distúrbios mentais), onde seu diálogo é direto com a loucura, num mundo de uma racionalidade absolutamente insana. Preciso dizer que Babilak Bah, hoje radicado no Belo Horizonte das Minas Gerais, realiza um dos trabalhos estéticos mais instigantes neste início de milênio. Misturando as cores dum arco-íris de possibilidades, captado por uma mente que sabe o momento da colheita porque tem suas convicções sobre todos os processos do plantio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do simbólico ao sonoro, o trabalho que desaguou no Enxadário tem rodado por aí. Com amplas possibilidades no mercado alternativo europeu. E é exatamente onde deverá conjugar-se com o oceano das suas próprias possibilidades. Tudo exatamente a partir da distância que guarda, solenemente, dos apelos ao senso-comum. Coisa corriqueira em páginas consideradas nobres, muitas vezes, pela miopia cultural à qual resistimos no crematório da inteligência brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua poesia, de tão sólida, parece que não desmancha no ar. Ganha novas formas. Vai acoplando-se aos tempos passados e futuros. E prossegue transmutante de si mesma, viajando pelos véus do invisível. Incorporando saberes. Babilak é um artista que encontrou o seu processo nas ribaltas da própria circunstância. Por isso não subtrai nunca a integralidade das suas matilhas criativas. Vai assim produzindo uma arte madura. Uma arte que transita por universos capacitadores da sua própria condição. É poesia, na plasticidade dos motivos. É música, na medida do que impõe aos rumos da arte contemporânea. É arte... é arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P S &gt; Assista Zen Preto, de Babilak Bah, no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=bYBIj4qUVTQ&amp;amp;feature=related&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-1733497061072861908?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/1733497061072861908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=1733497061072861908' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733497061072861908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/1733497061072861908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/05/poesia-das-enxadas-em-babilak-bah.html' title='A poesia das enxadas em Babilak Bah'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2891968379095462488</id><published>2009-04-26T23:34:00.005-03:00</published><updated>2009-04-27T00:39:23.946-03:00</updated><title type='text'>A esparrela de Fernando Teixeira</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s1600-h/fernando5.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329210323898865666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s200/fernando5.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;por Lau Siqueira&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um vôo sobre a condição humana. O enfrentamento do homem com a fragilidade das suas certezas. A esperança contida na ansiedade do artista em sua relação direta com o público. O povo feito protagonista no cenário das ruas. A realidade mordendo os calcanhares dos nossos sonhos. Uma porção de frases semelhantes partiriam de uma leitura muito pessoal do monólogo Esparrela, escrito, dirigido e encenado por um artista que selou a própria existência, em todos os sentidos, com os signos do teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para compor esse texto, Fernando Teixeira foi buscar uma linguagem formulada a partir da relação direta do ser humano consigo mesmo. E é como se tivesse estabelecido um pacto com a universalidade da alma sertaneja. Tudo ambientado num cenário de aridez utópica. Um cenário que se compõe a partir dos mitos diluídos pela lucidez e pela desesperança. Um cenário sutilmente estabelecido a partir do imaginário do público. Tudo isso ocorre numa relação direta do ator com o ato supremo de representar. Na verdade, uma aula de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando dá uma expressividade aos personagens ocultos deste monólogo, que provoca reações imediatas da platéia. A realidade cênica fica, então, transposta pela extensão plástica do texto. Diálogos e narrativas muito bem elaborados, revelando que a ousadia de um artista não está, exatamente, num hermetismo revestido com falsas miçangas. Não está em erudições postiças. Mas, na capacidade de conturbar-se diante do silêncio e das vozes dissonantes de uma cultura de supressões e desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo encanta em Esparrela. Principalmente a certeza do melhor teatro. Tão perto, tão disponível. Um teatro que realmente interessa. O que parte de uma integralidade absoluta e se esparrama pela eternidade difusa do instante. É quando o artista suprime de si qualquer distância entre a técnica e o instinto. Fernando Teixeira nos mostra que é preciso e necessário reinventar-se o tempo todo. Transgredir-se, eu diria, em uma palavra. E faz da sua arte uma especiaria estética de contenções e erupções colhidas no aprendizado do mundo. Em uma leitura kafkiana da irrealidade pulsante que atravessa os tempos e se estabelece enquanto fluência crítica na poética do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salto sobre si mesmo, por parte de um artista de trajetória brilhante. O enfrentamento com suas próprias coragens e medos. Parece-me que nesta montagem de Esparrela, Fernando Teixeira construiu a concisão necessária, a condensação da sua própria história nos palcos do mundo. E joga tudo em suor e signo. Virtudes que constituem a magia e a emoção do teatro. Ele escreveu, ele dirige, ele atua. Se impondo absoluto nesta nova montagem de um uma espetáculo que espeta a nossa inquietação diante de um mundo de convulsões estabelecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma comemoração dos quarenta anos do Grupo de teatro Bigorna onde quem recebe um grande presente é exatamente o público. Primeiro e muito especialmente pelo privilégio de contar com um teatro de altíssima qualidade estabelecido num mesmo sujeito, numa mesma circunstância. Depois, pela ousada e muito bem elaborada descoberta de um novo e absoluto espaço para o teatro paraibano, num lugar que precisa ser descoberto pela cidade e pela própria classe teatral. Tudo isso é Esparrela. Na verdade, uma arapuca necessária aos nossos sentidos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Visite o blog do espetáculo: &lt;a href="http://www.esparrela-esparrela.blogspot.com/"&gt;www.esparrela-esparrela.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2891968379095462488?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2891968379095462488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2891968379095462488' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2891968379095462488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2891968379095462488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/esparrela-de-fernando-teixeira.html' title='A esparrela de Fernando Teixeira'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SfUojeFWGAI/AAAAAAAAAnc/mI-2ps-JFCc/s72-c/fernando5.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-8820623165767656795</id><published>2009-04-21T11:26:00.004-03:00</published><updated>2009-04-21T11:33:43.819-03:00</updated><title type='text'>Um olhar iluminado sobre as sombras</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escritor não se traduz ao mundo apenas a partir da sua relação com a palavra. Seus caminhos na literatura, fatalmente, são trilhados a partir da sua circunstância. Consta, por exemplo, que James Joyce teve seu estilo influenciado de forma significativa pelo meio conturbado ao qual esteve vinculado. Especialmente pelo seu pai, beberrão e perdulário, perseguido por credores, mas também homem amante das artes. Conheci Ailton Ramalho como artista plástico e militante das boas causas humanas. Um homem suave, sensível, mas ao mesmo tempo firme nas suas convicções. Mais tarde, pude observá-lo enquanto poeta. Um poeta que radicalizava na experimentação. Uma experimentação que iria da palavra ao suporte editorial. (Talvez sejam exatamente estas as conexões ocultas às quais se refere Fritjof Capra.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que assisti sua prosa veloz desembarcar no projeto Novos Escritos, da Fundação Cultural de João Pessoa. O projeto viabilizou a revelação de bons nomes para a nova prosa paraibana. Nomes como Roberto Menezes, por exemplo, hoje integrante do badalado Clube do Conto. Foi no Festival Agosto das Letras que Ailton Ramalho desembarcou com um título instigante: Beco de Morar no Medo. Sua prosa se impôs, então, diante de um silêncio infeliz da crítica, mas arrancou comentários elogiosos em diversos setores de boa leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o escritor nos presenteia com O Herói Que Encolheu. Um livro que é, na verdade, uma metáfora da nossa história mais recente. Um resgate da tempestade fascista que se abateu sobre o País do Futuro. Tudo construído dentro de um olhar iluminado sobre as sombras da nossa memória. Um olhar que se estende sobre as hipocrisias vivenciadas por uma sociedade decadente, mas com ampla hegemonia conservadora. Ramalho não teme a pecha de panfletário. Isto porque seu duelo, o tempo todo, é com a linguagem e com a construção de enredos que prendem o leitor da primeira à última linha. Sua prosa cria ambientações de cumplicidade com o leitor. Uma escrita com altíssimo poder de comunicação. O que, silenciosamente, desafia a empáfia dominante no meio literário, especialmente acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica social aguda, no entanto, dentro de uma prosa muito bem elaborada afasta Ailton Ramalho de qualquer indício de apelação engajada. Ao contrário do que se possa supor, trata-se de um texto que parte de um realismo imperativo. Com índice próprio de identidades colhidas, certamente, em boas leituras (dos livros e do mundo). Um realismo aproximado do que Nikolai Vassilievitch Gogol impôs na Rússia do século XIX. Leituras cruas de uma estratificação social que estrangula a condição humana, aniquila as potencialidades emocionais de individualidades diluídas em valores absolutamente vencidos, vocacionados para as orações de silêncio erigidas pelos totalitarismos “mediocráticos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta leitura da realidade se mostra mais nítida em O Herói que Encolheu. O autor nos mostra que o exercício da memória nos conduz para o exercício da lucidez. Um livro que resgata o passado em forma aguda de protesto, mas sem lamentações. Resgata o passado exatamente para uma perspectiva de futuro. Futuro de gerações que não compreendem, muitas vezes, a extensão e o limite da “liberd’arde” conquistada numa democracia burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Ramalho traz ao seu público leitor os relatos vividos de quem sobreviveu aos porões e ainda sobrevive aos cárceres de um apartheid social, tantas vezes banido de uma teia literária predominantemente conservadora, tanto estética quanto politicamente. Ele nos mostra o quanto essas diferenças (com os violentos embates revelados em seus textos) ainda ditam uma nação de sombras e omissões. Sua literatura é de pura resistência&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;....................................................................&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Texto de apresentação do livro O Herói que Encolheu, do meu amigo Ailton Ramalho. com um insuportável atraso, pelo qual solicito minhas mais humildes e mais safadas desculpas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-8820623165767656795?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/8820623165767656795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=8820623165767656795' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8820623165767656795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/8820623165767656795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/um-olhar-iluminado-sobre-as-sombras.html' title='Um olhar iluminado sobre as sombras'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2506595060903005920</id><published>2009-04-19T11:23:00.002-03:00</published><updated>2009-04-20T07:00:34.191-03:00</updated><title type='text'>Diário de um louco no Palco Giratório</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encenado por André Morais e dirigido por Jorge Bweres, o monólogo Diário de um louco vai percorrer 48 cidades brasileiras, do Rio Grande do Sul ao interior da Amazônia. O grupo paraibano Lavoura foi um dos selecionados pelo projeto Palco Giratório, criado pelo Departamento Nacional SESC, com o objetivo de difundir as artes cênicas no Brasil. O outro espetáculo é Silêncio Total, com o palhaço Chuchu, criação do também paraibano, ator Luiz Carlos Vasconcelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Diário de um Louco podemos perceber a transtemporalidade de um texto clássico. Nikolai Vassilievitch Gogol, nascido em 1809 teve uma infância abastada, mas tornou-se um modesto funcionário público na fase adulta. Talvez esse tenha sido o fator invisível a transformá-lo no introdutor do realismo na literatura russa. No encontro do teatro com a literatura em Diário de um Louco, percebemos a atualidade de um texto datado de 1830 e encenado para um público que, supostamente, passou por uma radical mudança de costumes. A tradução desse mistério é que faz de uma obra um clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto fala dos sonhos e das desesperanças de um funcionário público apaixonado pela filha do chefe. O impacto ferino da desigualdade social sobre os sentimentos desse personagem começam a impulsioná-lo para um enorme abalo emocional. Uma tristeza e um sentimento de impotência capaz de dimensioná-lo dentro de uma abordagem da loucura, sem estereótipos, na sua forma mais crua, mas ao mesmo tempo reveladora de uma imensa expressão de humanidade. A loucura aparece, então, como ponto de partida para o abandono de uma existência marcada pelo sentimento de impotência diante do estabelecido. O personagem cria para si um trono e uma coroa, na tentativa de superação das suas impossibilidades. A configuração da loucura na temática do espetáculo é de tamanha realidade que, segundo Jorge Bweres, em uma das apresentações uma pessoa teve um surto esquizofrênico na platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço um grande ator quando percebo a sua capacidade de transgredir a própria identidade na criação de um estilo. A capacidade de introduzir-se na construção de um personagem que relata a agonia do homem comum e seus sentimentos, diante dos muros supostamente intransponíveis da desigualdade social. Em Diário de um Louco, André Morais soube realizar esse traçado, com uma interpretação de absoluto equilíbrio entre circunstância original do texto e a sua transcendência para esses tempos inaugurais do século XXI. Depois da declaração de Jorge acerca do surto esquizofrênico em uma das apresentações, compreendi melhor a reação de duas jovens sentadas no chão da primeira fila que riam freneticamente nos momentos de maior densidade do texto. Isso me fez crer que se trata de um espetáculo do qual não saímos impunes. Tamanha é a capacidade de envolvimento com todos os elementos do espetáculo, criada pelos artistas. Tudo amarrado sutilmente com uma trilha sonora muito bem acolhida pela concepção geral do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diretores de teatro experimentam a noção mais acabada de poder absoluto. Mas, seria mesmo necessário exercer este poder com autoritarismo e de forma personalista? Jorge Bweres nos mostra que não. Ele deixa sua marca no espetáculo exatamente por exercitar o oposto. Construiu um estilo delicadamente absoluto. Soube conjugar a imensa capacidade interpretativa de André Morais, com o que eu chamei de transtemporalidade do texto. Sua presença, no entanto, paira sobre cada cena. Sobre um cenário que impressiona pela capacidade de introduzir os personagens ocultos do monólogo, ou numa iluminação que contracena o tempo todo com os inúmeros elementos colocados em cena (ou fora dela). São os detalhes que fazem de Jorge Bweres um diretor diferenciado. Parte dele a provocação para um altíssimo grau de interação com a platéia. Reafirmo a impressão de Altimar Pimentel: “o cuidado meticuloso e criativo como o espetáculo havia sido construído por Jorge Bweres e André Morais revelava íntima cumplicidade entre o primeiro e o segundo também ator único”. O espetáculo é de uma unidade impressionante! Tudo no lugar. Tudo meticulosamente cuidado. Daí o sucesso que tem alcançado por onde se apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o grupo Lavoura irá percorrer o país. Do extremo norte ao extremo sul. Certamente que tamanho percurso vai exigir do grupo uma capacidade de resistência que precisaria ser transformada em cadernos de viagem. E assim será. Jorge e André criaram um blog para que pudéssemos acompanhar à distância o traçado das emoções vivenciadas com os mais diferentes públicos deste país. Assim, você saberá quando o espetáculo estiver por perto e poderá tirar suas próprias impressões acerca do melhor teatro brasileiro contemporâneo. Um teatro que pulsa pelo Nordeste inteiro e que tem na Paraíba um dos seus principais vetores. Acompanhe pelo blog &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.teatrolavoura.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.teatrolavoura.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; a aventura do grupo Lavoura nos palcos brasileiros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2506595060903005920?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2506595060903005920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2506595060903005920' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2506595060903005920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2506595060903005920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/diario-de-um-louco-no-palco-giratorio.html' title='Diário de um louco no Palco Giratório'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2457271680062685565</id><published>2009-04-09T22:43:00.006-03:00</published><updated>2009-04-13T21:15:26.495-03:00</updated><title type='text'>Poesia é risco em Constança Lucas.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia se revela sempre despida e vestida por todas as linguagens. Quando menos esperamos, lá está ela. E é algo que nos espeta as áreas de abandono do coração e da mente. Poesia é, na verdade, o elemento condensador de todas as linguagens. Uma arte que é o pulsar da existência humana na sua total densidade. É esse o meu olhar sobre a poesia que habita o traço desta artista nascida na lusitana Coimbra que, para sorte dos brasileiros, decidiu colocar seu atelier e sua morada em algum lugar da imensa São Paulo. De lá ela faz arte para o mundo. Circula seu trabalho em diversos países. Tem publicação em catálogo e participou de exposição, por exemplo, na Coréia, no Japão. Isso nos mostra o peso da poesia enquanto linguagem, em qualquer outro suporte, seja estético, seja estilístico, seja humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens concebidas por &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;têm algo de palavra não silenciada. O não dito é mostrado. Cada expressão calcula o espaço pela delicadeza e pelo peso do braço da resistência às culturas que não dialoguem com a atemporalidade da arte. O detalhe do provocado e do ato suprimido. Tudo isso leva o leitor da obra visual dessa artista a uma leitura da palavra pétala quando o desenho é arbusto. Ou seja, há uma lírica paisagem por trás de um diálogo profundo com a existência, com as causas humanistas e de paz. É desta forma que Constança Lucas dialoga com o mundo. Trafegando de forma libertária entre o abstrato e o figurativo. É a “poesia como objeto do olhar”, conforme o baiano Almandrade classifica a Poesia Visual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cores são delicadamente escolhidas. Quando não é o preto que domina sobre um branco imponente, compondo o cenário vivo da criação. Sentimos que a artista persegue algo que talvez possamos chamar de transposição do cotidiano e do épico. Tudo num mesmo tempo/espaço do branco/leque de sensações quentes, úmidas, doloridas, coloridas, ocas, profundamente vividas. Sobretudo, na experiência de colher suavidade numa arte que se impõe pela universalidade e pela capacidade de diálogar com a diferença. Algo que nos permite continuar sonhando com a realidade, dentro e fora dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem participado de salões de artes plásticas pelo país inteiro e por algumas dezenas de países. Militante ainda da arte-correio, a artista nos provoca permanentemente o dilema do útil e inútil, da arte e da vida, do estudo e da criação. É uma criadora que reflete muito profundamente sobre tudo que produz. Por isso busca sustentação teórica na academia para suas certezas mais primitivas. Uma estudiosa dos caminhos da arte no Brasil e no mundo. Mantém um diálogo vigoroso com a Europa, com países do oriente e das Américas. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;dispensa apresentações. Sua arte criou seus próprios espaços, com talento e sapiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma arte que seduz o imaginário de quem se permite um olhar sem dolo, num tempo global que não nos permite conceber uma estética predominante. (Se é que em algum tempo alguma foi.) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt; dialoga muitgo bem obrigado com a tradição e com a modernidade. Sua arte comunica numa perspectiva futurista. Ela reconhece todas as linguagens nos duelos da luz com as sombras. Fator de risco imprescindível para uma arte íntegra e integral. Uma arte que não se poupa diante da beleza e não se rende aos modismos. Uma arte que despe e conduz o espetáculo de um cotidiano rico em plasticidade. Algo pulsante, vibrando as artérias de um público que sente o que pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: não se trata de uma relação glacial com quem a observa atentamente. A arte de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;nos provoca calorosos debates íntimos sobre as percepções de infinito que existem nas impermanências conceituais. No entanto, algo longe do que se poderia classificar como diluição. Sobretudo porque é de uma suavidade que estilhaça nosso senso de transgressão. Ela constrói metáforas em traços. Seja com lápis, pincel ou mouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constança Lucas construiu uma trajetória na arte que se sustenta com os próprios pés. Uma trajetória que não desperdiça a acelerada pontuação das horas no dia que passa. É uma artista que sabe reconhecer seus mestres. Sabe respeitar a história dos seus iguais e dos ícones das artes no mundo. Sua aparente calma é um eterno movimento. Uma volúpia de uma arte viva presente nos salões, nas galerias e nos espaços alternativos que ainda abrem suas portas para um conceito de grande arte que passa, diretamente, pela construção de uma identidade, de um estilo absolutamente singular. Assim penso a arte de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.constanca.lucas.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Constança Lucas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;, cujo nome no Google, apresenta uma fartura de belas imagens que vale a pena conferir. É a poesia em estado de risco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2457271680062685565?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2457271680062685565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2457271680062685565' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2457271680062685565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2457271680062685565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/04/poesia-e-risco-em-constanca-lucas.html' title='Poesia é risco em Constança Lucas.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-2002873735324593326</id><published>2009-03-17T01:16:00.005-03:00</published><updated>2009-04-05T17:19:24.465-03:00</updated><title type='text'>Passando em ‘revista’ uma história de muitas leituras</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Especialmente no século XIX a imprensa teve um papel determinante na formação do leitor e no gosto pela Literatura em nosso país. Era nos jornais que os nossos grandes autores encontravam o espaço mais imediato para a divulgação de suas obras. Ainda que de forma fragmentada. Mas foi em 1812, na Bahia, que surgiu a primeira revista literária brasileira. Chamava-se &lt;i&gt;As Variedades&lt;/i&gt;, ou Ensaios de Literatura. Desde então se estabeleceu um elo muito consistente entre a imprensa literária e a Literatura. Através dos tempos as revistas e jornais literários passaram a ocupar uma posição estratégica na evolução e na história da Literatura brasileira. &lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem antes disso, o primeiro jornal literário editado no planeta Terra nasceu em Paris, no ano de 1631. Nunca é demais lembrar. Chamava-se &lt;i&gt;Le Journal des Savants&lt;/i&gt;. Um veículo com um caráter científico e literário, fundado em Paris por um cara chamado Dennis de Sallo. Infelizmente o jornal e teve a heróica duração de 13 edições, apenas. Foi encerrado pelo torniquete da censura no reinado de Luis XIII, ironicamente chamado de O Justo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Revistas e jornais literários sempre foram fundamentais na divulgação da produção literária. Não é possível imaginar, por exemplo, a Semana de Arte Moderna e mesmo o modernismo brasileiro, sem a presença ostensiva do mensário Klaxon. Era um veículo dedicado integralmente à veiculação das idéias e da produção modernista. Marcou seu tempo e encerrou suas atividades quando, dizem, “deixou de divertir, entre outros, o poeta Mario de Andrade - um de seus idealizadores e editores”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Anos mais tarde, com o advento da Poesia Concreta, outra revista toma conta do cenário no início dos anos 50. Nascia a Noigandres (1952), veículo criado e dirigido pelos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Decio Pignatari. A partir da fundação desta revista a história nos mostra o calibre vanguarda brasileira. Não se tratava apenas de três jovens poetas inconformados com o conservadorismo da Revista Brasileira de Poesia que representava, na verdade, as vozes da Geração 45.&lt;br /&gt;A Noigandres passou a incorporar, desde então, as idéias que fariam explodir para o mundo a estética e, principalmente, a ética do concretismo. (Diga-se de passagem, o único movimento literário genuinamente brasileiro.) A repercussão do concretismo no mundo certamente que ainda não tem dimensionada a sua importância. Da mesma forma não pode ser medida a importância - para a consolidação do concretismo - deste veículo cujo nome tem origem provençal. Nem mesmo Ezra Pound tinha lá tanta certeza do seu real significado. Mais tarde o critico alemão Hugh Kenner traduziu por “antídoto contra o tédio”. O que nos parece bem adequado para o dimensionamento dos impactos da porrada concretista, diante de um certo acomodamento pos-modernista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente citando essa ‘meia dúzia de três ou quatro’ veículos, podemos afirmar que nenhuma outra revista ou jornal literário, posterior ao feito baiano de 1822 ou mesmo sem a reverberação histórica da Klaxon e da Noigandres, teve menor importância. As revistas e jornais literários passaram a cumprir um papel que ainda hoje é determinante para pesquisadores e leitores da produção contemporânea. Na cena brasileira atual, objeto central deste artigo, as revistas (ainda que de forma, muitas vezes, pulverizada) asseguram aos autores dos mais diversos rincões a circulação das suas produções. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na última década e meia principalmente, com o aparecimento e a popularização da internet, houve uma revolução na divulgação da literatura. Não são poucas as revistas de grande qualidade que circulam no espaço virtual e que, na verdade, continuam mapeando a produção contemporânea e resgatando a tradição. Assim como as revistas e os jornais impressos, os sites, blogs e portais literários continuam abrindo espaços para os novos e reordenando a historiografia literária brasileira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o avanço tecnológico representado, especialmente, pelo aparecimento e pela popularização da web, a Poesia passou a ter um espaço midiático que nunca teve anteriormente. Isso não representou, absolutamente, um recuo no que se refere às edições impressas. Muito pelo contrario. Até mesmo a - antes careta - revista da Biblioteca Nacional, Poesia Sempre, passou a ter uma programação visual, uma editoração e uma linha editorial infinitamente mais atraente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Revistas como A Cigarra, editada bravamente &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em Santo Andre"&gt;em Santo Andre&lt;/st1:personname&gt; (SP), por Jurema Barreto e Zho Bertholini avançavam na descoberta de novos olhares poéticos e na preservação dos espaços destinados à “poesia como objeto do olhar”, como disse o poeta e artista visual baiano, Almandrade. Hoje a Cigarra divulga suas edições e se faz distribuir também pela internet. Na mesma linha editorial existem outras espalhadas pelo Brasil que dialogam entre si de forma admirável. Na verdade, ampliam consideravelmente seus raios de abrangência. Um exemplo é a revista Dimensão, de Uberaba(MG) que durante a sua existência teve circulação em mais de 30 países, proporcionando um intercâmbio fundamental, muito especialmente entre os praticantes da Poesia Visual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Inimigo Rumor, da Editora 7Letras, pode ser encontrada pelas principais livrarias brasileiras e costuma apresentar pequenas antologias, abrindo também espaços generosos para a produção brasileira emergente, seja de ensaístas, seja de poetas. Da mesma editora podemos encontrar a revista Ficções que, conforme sugere sua nomenclatura, costuma abrir espaços para a produção dos ficcionistas brasileiros e de outros países de Língua Portuguesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Aqui e ali somos surpreendidos por edições de luxo, como a paranaense ETCtara, editada inicialmente pela poeta pernambucana radicada em Curitiba, Jussara Salazar e pelo poeta e tradutor paulista Claudio Daniel. Ou mesmo por revistas como a também paranaense Coyote que surpreendem pela conjugação da economicidade editorial com uma programação visual impactante e um conteúdo que mistura irreverência e bom humor com um necessário rigor estético. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar, atualmente, que tanto faz ser virtual ou impressa. O que importa é a qualidade e/ou diversidade dos conteúdos. Neste caso, não temos mais como desconhecer a importância do Jornal de Poesia (www.secrel.com.br/jpoesia) editado pelo gladiador solitário, Soares Feitosa. Ou mesmo o Portal Cronopios, do poeta Edson Cruz, (www.cronopios.com.br) que abriga em suas paginas alguns dos autores mais importantes da atualidade. Na mesma linha seguem as virtuais Errática (www.erratica.com.br) , Zunai (www.zunai.com.br) , Germina Literatura (www.germinaliteratura.com.br) e outras não menos importantes que passaram a compor os canais de pesquisa para profissionais da área e para os apaixonados pela Literatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que num texto (e contexto) como esse, a certeza de naufragar na memória é inevitável. Por exemplo, quem não se lembra de Nicolau, editado pela imprensa oficial do Paraná? E a maravilhosa Porto &amp;amp; Virgula - infelizmente extinta – publicada pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre? E outras tantas como O Galo, de Natal, Brouhaha, também de Natal, O Capital, de Aracaju, os imprescindíveis Suplemento Literário de Minas Gerais e Suplemento Literário de Pernambuco. Também as virtuais Garganta da Serpente e Cisco Tronituante. Enfim, esses veículos não valem pelo número de acessos ou de exemplares publicados, mas sim por terem tornado a Literatura Brasileira Contemporânea um fato nacional (ou mesmo internacional) e irreversível. Apesar dos tropeços éticos na publicação de alguns textos que nada tem a ver com critica literária, não poderia deixar de registrar a existência tantas vezes lamentável do Jornal Rascunho, do Paraná.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;A produção encontrável nas bancas, passa pela extinta Discutindo Literatura e pelos caminhos da Escala Editorial. A Bravo tem um defeito grave: obedece rigorosamente o conservadorismo editorial da Abril. Aqui no Nordeste, entretanto, temos a mais importante revista literária do país no âmbito da circulação comercial. Trata-se da Continente Multicultural, que abre espaços também para as outras linguagens artísticas com as quais dialoga a Literatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tradição literária da terra de Jose Lins do Rego e Augusto dos Anjos, não deixa por menos. Além de ostentar o mais antigo e um dos mais dinâmicos veículos ainda em circulação no Brasil, o nosso Correio das Artes, a cena literária local já contou com uma história que trouxe até nossos dias uma revista importante como a campinense Garatuja que, antes de sua extinção, mostrou-nos caminhos da Literatura Paraibana que ainda hoje repercutem. Não foi diferente com o projeto Ler, da Editora Idéia. Muito menos com a nuvem passageira que foi o excelente jornal Olho D’água.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;Nem de longe tentei estabelecer hierarquias nas minhas citações. Cometi omissões voluntárias e esquecimentos lamentáveis. Sei disso. Mas, o que eu quero dizer de forma definitiva é que seja por onde estejam sendo publicadas, as revistas literárias e os jornais literários, além de apontar caminhos e estabelecer critérios para uma boa leitura, aparecem neste início de milênio como uma explosão de boas novas, capazes de acender as esperanças de milhares de poetas, romancistas, ficcionistas, cronistas... Enfim, gente que sabe o quanto é importante estabelecer uma relação bastante determinada com a linguagem e com o publico leitor, num mesmo espaço capaz de absorver nossos defeitos e nossas mais terríveis qualidades. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-2002873735324593326?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/2002873735324593326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=2002873735324593326' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2002873735324593326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/2002873735324593326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/passando-em-revista-uma-historia-de.html' title='Passando em ‘revista’ uma história de muitas leituras'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-7015276677691545034</id><published>2009-03-11T23:35:00.002-03:00</published><updated>2009-03-13T00:54:26.098-03:00</updated><title type='text'>Entre a suavidade e o abismo - a poesia de Adair Carvalhais Júnior</title><content type='html'>Lau Siqueira &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Em “A Arte Poética”, Horácio (68-8 aC) deixou um recado bastante contundente: “a pintores e poetas sempre assistiu a justa liberdade de ousar seja o que for”.  Sempre colhi infinitas leituras desta frase.   Penso que a ousadia de construir versos, sejam eles tatuados na garganta ou rabiscados desde a eternidade das rochas até a falsa efemeridade dos suportes virtuais, é o risco dos poetas. Desde os tempos extraviados pela memória do mundo, privilegiando o ritmo ou a imagem, subtraindo vozes do silêncio ou arrancando o hálito do futuro, os poetas reinventam-se numa solidão de olhos invisíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O tempo poético nunca correu em linha reta para encontrar pelo caminho as pancadas amorosas de Safo; as imagens exatas transcritas pelos poetas da Dinastia Tang; os poemas suspensos dos beduínos, espalhados pelo deserto; os inventos dos poetas provençais e o desaguadouro de uma modernidade que já não cabe na cronologia do esquecimento. Vivemos um tempo multifacetado onde a poesia revela sua inutilidade imprescindível numa permanente reverberação de novos caminhos. Agora, já sem as angústias de engajamentos e acorrentamentos em vanguardas ou nos saudosismos desesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desde seu livro anterior (Desencontrados Ventos) que o poeta mineiro Adair Carvalhais Júnior vem, notadamente, trafegando por uma relação com a linguagem poética que perpassa as mais densas leituras. Leituras que não eliminam da mesma estante as diferenças estéticas recolhidas nos embates profusos intensificados no limiar do século XX, um tempo de fartas colheitas para a contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em “Todo poema é um risco lançado sobre o nada” Adair nos parece muito mais convicto do que nunca de sua relação com as linguagens do mundo e com a transcrição dos seus hábitos de comungar com uma singularidade absolutamente despojada na invenção dos seus textos. Na construção de uma dicção absoluta, aliás, sobre sua própria condição de arriscar-se num mergulho pelo infinito das suas próprias impossibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Explorando temáticas que vão dos seus mais íntimos conflitos de estar num mundo em constante ebulição, com a sensualidade das relações que fluem no conflito entre a palavra e o sentimento racionalizado, erigido a partir de intensas reflexões sobre um cotidiano onde a linguagem pulsa cálida em poemas assim:    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ecos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;umidade pálida nas &lt;br /&gt;paredes vozes oblíquas um &lt;br /&gt;pouco de &lt;br /&gt;poeira no criado &lt;br /&gt;mudo teu &lt;br /&gt;sorriso em meus &lt;br /&gt;olhos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dias seguindo as &lt;br /&gt;noites    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes trocando o escrito pela sutileza de uma expressão sugerida. Algumas vezes provocando o leitor na sensação múltipla do corte de versos que multiplicam seus sentidos no inesperado, no mergulho ao mesmo tempo convicto e distraído em direção a um estilo que cada vez mais se consolida num exercício cotidiano com a palavra. Um exercício que venho testemunhando através do tempo, ao receber suas impulsões de natureza muitas vezes visceral, mas absolutamente racionalizadas no espelho d’água da criação literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que Adair Carvalhais Júnior parte agora em definitivo para a configuração de uma maturidade na lida com a linguagem que margeia um certo espírito aventureiro, essencial aos procedimentos criativos, correndo em fluxo contínuo para as sensações que se completam no que se refere a cada poema, com o olhar atento do leitor ou da leitora deste  belo “Todo poema é um risco lançado sobre o nada”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia aparece em Adair  como um estranho sumidouro de coisas não ditas. Como uma especiaria ao mesmo tempo inebriante e suprimida dos sentidos. Uma explosão de ventanias levantando as areias de um tempo presente vivido entre as lições do passado e as intenções do futuro. O poeta confessa, inclusive, não temer o esquartejamento crítico de uma leitura desatenta. Ele mergulha consciente no oco da invenção e nos relata isso com os próprios trajetos da sua imersão:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;confissão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todo poema é um risco &lt;br /&gt;lançado sobre o &lt;br /&gt;nada todo &lt;br /&gt;poema ceifa completamente o &lt;br /&gt;corpo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em cada angústia &lt;br /&gt;vespertina arrisco todos&lt;br /&gt;meus poemas naufrago na &lt;br /&gt;carne &lt;br /&gt;devastada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me ocorre o silêncio diante de uma leitura que, apesar de concluída, jamais será objeto de um único e esparso entendimento. Outras colheitas, certamente, haverão de advir do inesgotável e do imprescindível que se guarda na inteligência humana ao acompanhar até mesmo a razão das nuvens que se transformam sob o olhar desolado dos que sabem que o mundo não gira exatamente a partir do que pensamos sobre ele. Da mesma forma que as nuvens, a poesia não precisa de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-7015276677691545034?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/7015276677691545034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=7015276677691545034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7015276677691545034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/7015276677691545034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/entre-suavidade-e-o-abismo-poesia-de.html' title='Entre a suavidade e o abismo - a poesia de Adair Carvalhais Júnior'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-3612535446750042644</id><published>2009-03-01T11:16:00.003-03:00</published><updated>2009-04-05T17:20:53.436-03:00</updated><title type='text'>A universalidade amazônica no canto de Érica Maria</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s1600-h/erica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308224325712539570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s200/erica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sempre me ocorre pensar no que representa possuir a alma vestida com a epiderme da arte. Ou seja: vivenciar a integralidade da condição artística. Uma espécie de nudez que protege nosso outro mesmo lado. Transcender assim num mundo de distâncias coisificadas e diferenças não suficientemente revolvidas é uma provocação necessária. E é exatamente este o caminho que vem trilhando Érica Maria, com seu canto e com a expressão uma de nudez existencial que transcende os limites da voz.&lt;br /&gt;Seu canto amazônico (ela nasceu em Boa Vista-RR) está exatamente situado nas margens de um tempo de diluições consagradas, mas também de uma ebulição muito singular na Musica Brasileira Contemporânea. Uma efervescência que, no mais das vezes, não alcança os olhos arregalados da mídia conservadora para uma menção consagrada em termos de popularidade. No entanto, o represamento formal e decadente da indústria fonográfica começa a sofrer revezes com o aparecimento de novas formas de divulgação que produzem uma relação direta do artista com o público. Uma reação, por exemplo, que trouxe da informalidade de um apartamento paulistano para as páginas da revista Bravo, aos 16 anos, a cantora Malu Moraes.&lt;br /&gt;Independentemente do que possa consagrar em termos de qualidade artística para o fenômeno internauta que transformou a vida adolescente de Malu Moraes, me refiro ao poderio midiático da internet. Os mesmos meios estão disponíveis para que possamos conhecer também o trabalho de Érica Maria. Um timbre que nos chega universalizado pelos sabores da pesquisa musical e do estudo como método de amadurecimento artístico. Uma voz que tem sido ouvida e admirada no vizinho estado de Pernambuco (e em outras paragens), começa a buscar a legitimidade dos seus espaços na terra do mestre Sivuca.&lt;br /&gt;Uma vez Érica me falou que não lia música, que era intuitiva. Essa afirmação me remete ao que diz Fayga Ostrower (renomada artista plástica brasileira, nascida na Polônia) no livro Criatividade e Processos de Criação: “A intuição vem a ser dos mais importantes modos cognitivos do homem. Ao contrário do instinto, permite-lhe lidar com situações novas e inesperadas. Permite que, instantaneamente, visualize e internalize a ocorrência de fenômenos, julgue e compreenda algo a seu respeito. Permite-lhe agir espontaneamente.”&lt;br /&gt;Este conceito pode ser plenamente visualizado no site de Érica Maria, &lt;a href="http://www.ericamaria.com.br/"&gt;www.ericamaria.com.br&lt;/a&gt; onde além de algumas músicas, também podemos conferir a expressividade visual do canto desta cantora brasileira, em vídeos lá expostos. Podemos observar, por exemplo, que a sensualidade se revela numa expressão corporal densa, mas sem qualquer indício apelativo. Com muita técnica, mas, sobretudo com a naturalidade determinando um equilibrado domínio dos espaços do palco. Na verdade, é o canto extrapolando os limites da voz, saltando pelos poros, transbordando de uma alma desacostumada ao silêncio que não seja exatamente o silêncio das pausas melódicas e dos gestos necessários aos veios interpretativos na construção de um espetáculo.&lt;br /&gt;A expressividade musical em seu estado absoluto. Eis o que se revela nesta jovem cantora que aos poucos vem conquistando seus espaços no cenário nordestino. Atropelando delicadamente o acomodamento e até mesmo certa estagnação muito comum em artistas amadurecidos pelo desconforto do esquecimento. Tudo isso ocorre no epicentro de uma nova cena musical brasileira que nos traz expressões como Dona Zica, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz e o talentoso e jovem cantor e compositor paraibano, Chico Limeira, entre tantos e tantas artistas que crescem antenados com o seu tempo, com a historiagrafia e com os mistérios da arte.&lt;br /&gt;Enfim, aos que se encantam com a descoberta de novos caminhos para a musica brasileira contemporânea, ouso afirmar que estamos diante de uma nova possibilidade de encantamento. Aos que acreditam na permanente renovação da resistência artistica brasileira, nada melhor que conferir a arte reveladora de Érica Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira, poeta&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lau-siqueira.blogspot.com/"&gt;http://www.lau-siqueira.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/"&gt;http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-3612535446750042644?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/3612535446750042644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=3612535446750042644' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3612535446750042644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/3612535446750042644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/03/universalidade-amazonica-no-canto-de.html' title='A universalidade amazônica no canto de Érica Maria'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ViBceX3zSrU/SaqZ5mou77I/AAAAAAAAAYM/2_61rzhoI-A/s72-c/erica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-4588930554991829969</id><published>2009-02-01T18:43:00.001-03:00</published><updated>2009-02-02T00:46:54.418-03:00</updated><title type='text'>Aguaúna - a ancestralidade transgressora</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Música do Mundo é um evento que vem sendo realizado em João Pessoa(PB), nos últimos quatro anos. Sempre na última semana de dezembro, na divisa paradisíaca das praias de Tambaú e Cabo Branco. O festival apresenta, basicamente, a diversidade da música instrumental produzida na região. Contando, entretanto, com convidados especialíssimos como, Manassés, Rivotrill, Gilson Peranzeta, Tarancón e outros. Um verdadeiro deleite para a população local e para milhares de turistas, de gosto musical apurado, que invadem a cidade nesta época do ano. Na verdade, uma provocação aos padrões culturais da cidade, inventados por uma ação midiática impulsionada por um mercado de predominância grotesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, exatamente no dia 26, lembrei o poeta Maiakovski em O Poeta Operário: “nós polimos as almas com a lixa do verso.” Foi exatamente no dia 26 que tocou o grupo Aguaúna, composto por cabeças de Sampaulistas e cabeças pessoenses, da Nação Jaguaribe Carne. Lembrei Maiakovski porque senti que a função do Agaúna é polir as almas com a lixa do som. O grupo trabalha com a sonoridade recolhida dos becos, dos ferrolhos, das cítaras, das vozes primitivas escondidas na ancestralidade das ruas. E tudo acontece num cenário estabelecido entre os desertos do mundo, a urbanidade e a sangrada existência humana. Fatores recolhidos dum cotidiano de perversidades percebidas e ternuras devolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experimentação permanente do grupo vem explorando todos os elementos da atonalidade. Porém, vai muito mais longe, reinventando uma modernidade que, parece, desistiu do futuro. A música de invenção produzida pelo Aguaúna reconduz a transgressão soprada ao mundo em todos os campos das artes. Tudo isso resgatado de uma memória de profanação da história oficial da música e da história real dos povos do mundo. Fiquei observando o público, por um momento. Alguns preferiram deixar a praia. Normal. Afinal a experiência Aguaúna é densa demais e ao mesmo tempo, áspera demais. No entanto, um bom público permaneceu e testemunhou uma provocação poucas vezes vista nesses tempos cibernéticos. Marimbau, Cítara, violão, zabumba, flauta, voz... Tudo compondo uma circunstância sonora aproximada de um dadaísmo reinventado. Uma absoluta vocação transgressora num tempo de modernidade diluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aguaúna aborda uma estética que passa por releituras de realidades passadas e futuras, jogando-se no abismo da experimentação permanente, da experimentação como forma de perenidade de uma obra que vem sendo construída a partir dos seus elos mais contundentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta-multimúsico Pedro Osmar rege esta ciranda estética. Pedro tem chão para fazer o que faz. Ele vem de uma safra que jogou no panelão cultural do Brasil, nomes como Zé Ramalho, Lula Cortes, Elba Ramalho, Lenine, Chico Cesar e muitos outros. No entanto Pedro sempre buscou a contramão, criando o grupo de transgressão musical e discussões filosóficas, Jaguaribe Carne. Isso quando ainda estava estabelecido no tradicional bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, na Paraíba velha de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, foi bem fácil perceber logo que o que parecia ser o clube de frevo Piratas de Jaguaribe ensaiando algo de John Cage era, na verdade, uma junção de experiências musicais, poéticas e plásticas para uma transfusão estética permanente que revela uma necessária permanente inquietação. Aliás, uma postura imprescindível para uma reinvenção desse futuro horroroso que aos olhos da Rede Globo de Televisão, já começou. O Aguaúna se posta e se comporta como os que estabelecem uma disciplina intransigentemente definida na busca de uma nova ordem musical. Uma ordem que passa por Frank Zappa e Hermeto Paschoal, mas também pelo frevo, pelo caboclinhos, pela música indiana, música árabe e pela afro-nordestinidade que pulsa na cultura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao apresentar nos espaços por onde circula sua proposta radicalmente transgressora, o grupo escancara-se aos palcos do mundo na intensa aventura de desobstruir sua eterna capacidade de reinvenção. Se em João Pessoa estiveram no palco compondo o grupo, Paulo Ró, Soraya Bandeira e Fernando Pintassilgo. Em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre ou Macapá, serão outros rostos, outras mãos, outros instrumentos, outras influências. Sejam elas indígenas ou nórdicas, xamãs ou umbandistas. O grupo apresenta-se numa proposta de permanente mutação. É como se repetissem Hugo Ball, fundador do dadaísmo, dizendo: “Jamais darei boas vindas ao caos.” Assim, repleto de conhecimentos formais, o grupo Aguaúna dá um salto em direção ao desconhecido cada vez que sobe ao palco. Estamos, pois, diante de um pós-tropicalismo revelado em uma cena que se coloca em permanente contraponto ao deleite alienado. Tudo num caldeirão que conjuga tradição e modernidade numa atitude de ancestralidade transgressora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao Música do Mundo, lembro de alguém comentando sobre uma certa pessoa ter dito: “Vocês tocam tanto essas merdas que a gente vai acabar gostando”.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-4588930554991829969?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/4588930554991829969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=4588930554991829969' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4588930554991829969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/4588930554991829969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2009/02/aguauna-ancestralidade-transgressora.html' title='Aguaúna - a ancestralidade transgressora'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6904702745063207113</id><published>2008-12-08T13:49:00.004-03:00</published><updated>2008-12-10T08:11:39.353-03:00</updated><title type='text'>O porquê das nossas escolhas.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Lau Siqueira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desde que assumimos a gestão cultural da cidade de João Pessoa temos escutado vozes (cada vez mais diluídas no silêncio) reclamando atrações musicais tipo: Calcinha Preta, Aviões do Forró, Ivete Sangalo e coisas do gênero. Algumas dessas vozes, aliás, injustificadamente nas sombras. Com vergonha de mostrar a cara para um debate público. Ou seja: gente posando de cult, mas com o rabinho conceitual preso ao créu. Somente o fato de termos esse debate estabelecido a partir de uma ação de política pública já vale o queijo do reino e o vinho das festas de final de ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a escutar pérolas tipo: “Vocês deviam trazer Calcinha Preta, porque dá voto!” Entrementes, se tivéssemos implantado uma política meramente eleitoreira estaríamos esquecendo o compromisso que assumimos com a cidade em janeiro de 2005. Afinal, o que realizamos fez parte de um programa de campanha que, no segundo semestre de 2004, foi amplamente discutido com artistas e produtores culturais da cidade. Fazer diferente seria uma traição lamentável. Seria uma política de pão e circo, sem pão e sem circo. Até porque pão tem a simbologia cristã do alimento repartido e circo é uma cultura milenar que merece o nosso mais profundo respeito. Portanto, não é apenas uma “questão de gosto” que está em pauta. O debate de fundo e que deve vir à tona é econômico e político. Toronto, no Canadá, considerada a capital mundial da cultura, movimenta um PIB de nove bilhões de dólares americanos, para uma população 2,5 milhões de habitantes. Lá a cultura e a criatividade determinam o eixo nos planos de desenvolvimento da cidade. Por que a produção cultural de João Pessoa deveria aceitar um papel de coadjuvante na área do entretenimento e das surradas políticas de turismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, por falar em Toronto (e seu exemplo) aqui e ali escuto vozes saudosas da Micaroa. Um evento que bate de frente com a lógica canadense. Além do seu caráter diluidor dos valores culturais este evento se configurava num crime contra a economia da cidade. As bandas eram de fora - portanto a grana dos cachês era investida fora daqui. Os abadás vinham da Bahia. Não empregavam uma única costureira de Mandacaru ou Porto do Capim. E, pasmem: até mesmo as cervejas e outras bebidas vendidas nos blocos, vinham da Bahia. Esse conjunto de afasias provocava uma evasão enorme de recursos, logicamente que com o desfrute pessoal de meia dúzia de dois ou três paraibanos. Falo em afasia tal como conceitua Antônio Houais: “abstenção consciente de qualquer juízo originada pelo reconhecimento da ignorância a respeito de tudo que transcenda as possibilidades cognitivas do ser humano”. Além da gravidade de termos um evento eminentemente privado e socialmente excludente, ocupando as vias públicas e os serviços públicos pagos com recursos do município. Portanto, ao invés de divisas, gerando uma perversa evasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez ouvi um dono de posto de gasolina reclamar que, depois da Micaroa, a economia da cidade sofria um enorme refluxo. (Na verdade, um Ciçunami.) Portanto, precisamos dizer com todas as letras que por detrás de uma discussão sobre “bom gosto musical” existe uma gama de interesses nada inocentes. Existe o interesse político e econômico, de forma determinante. Afinal, as políticas públicas de cultura irão se tornar incômodas exatamente por instalarem-se naturalmente no centro da questão propondo uma mudança de comportamento da sociedade. Inclusive no que diz respeito à inclusão da arte como fator determinante na afirmação política desta sociedade, tendo as ações de cultura como fator de propulsão econômica. Uma mudança que passa, logicamente, pela troca dos hábitos no consumo cultural, colocando em risco a lucratividade exorbitante de meia dúzia de empresários imensamente capitalizados, mas sem escrúpulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que esse debate não interessa aos poderosos de plantão. A maioria mandando sem mandato. Não é segredo que a mídia está na mão de grupos políticos e econômicos que continuam renovando seus projetos de dominação com a conivência surda das suas bases legislativas. Uma dominação formulada pelo entorpecimento mental das ditas “massas populares”. Ironicamente, todavia, quem mais consome o lixo cultural oferecido às “massas” é exatamente a classe média mais abonada. Basta verificar a marca e o ano de fabricação dos carros com porta-malas sonoros para ver que não se trata de uma cultura “do povo” e muito menos para o povo. Pelo menos não para o povo pobre que vive nas periferias, com seus comportamentos padronizados pelo único canal de acesso a cultura que possuem: as TVs comerciais. Aos poderes públicos cabe exatamente dar a esse povo o direito de escolha, despertando nele o espírito crítico e lúdico somente encontrado no contato com as melhores produções artísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um ponto que não pode deixar de ser considerado, porque a cultura gera 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, a indústria cultural produz uma terrível concentração de renda, gerando as mais profundas desigualdades no setor com amplos reflexos na sociedade. Desigualdades que passam, logicamente, pelo comportamento das mídias. Por exemplo: dizem que brasileiro não lê, mas somente o mercado livreiro nacional faturou 200 bilhões de reais no ano passado, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro. Será que os barões do livro estão preocupados com as políticas de leitura? Da mesma forma que o mercado do livro, o mercado fonográfico está na mão de dois ou três tubarões. Portanto, reafirmo que o debate gerado em torno do assunto não se resume apenas ao debate estético. O que precisa ficar evidente é a atitude política em defesa de uma economia historicamente abalada pelas degenerações de um sistema econômico cada vez mais concentrador e castrador das regiões periféricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lógica absurda do mercado da música, uma banda de axé da cidade (do Castelo Branco) quis justificar a necessidade da sua contratação por um cachê dez vezes acima do cachê médio que pagamos aos artistas locais sob o argumento que “o axé era outro mercado”. O que eu expliquei, pacientemente, é que não trabalhamos na lógica do mercado, mas na lógica das políticas públicas. E qual é esta lógica? É a lógica do respeito à diversidade, da identidade cultural, da preservação do direito à criação e o respeito à diversidade humana. A Por exemplo: a Prefeitura tem uma política pública em defesa dos direitos das mulheres. Então, seria uma contradição a FUNJOPE contratar bandas que vilipendiam a imagem da mulher. Outro exemplo: temos uma política de defesa da diversidade humana que nos arrasta para o confronto com os menores sinais de homofobia. Isso é o básico! Na prática, o que temos vivido é um aprendizado coletivo no imenso desafio de compatibilizar tradição e contemporaneidade nas políticas de cultura da cidade. No entanto, nesse jogo nos cabe deixar claro a separação do joio e o destino do trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre é que a indústria do entretenimento ditada pelas mídias faz exatamente o contrário. São pregações oligopolistas guiadas unicamente pela lógica do lucro concentrado, com um forte marketing para arrastar seguidores de baixo teor reflexivo, mas com capacidade de formar opinião em qualquer escala de mídia, incluindo as redes sociais da internet. Podemos afirmar ainda que consideramos inescrupulosos os produtores desses gêneros musicais infiltrados na esfera pública e que fazem “a ponte” para esse mercado de horrores. O que expliquei ainda aos representantes do axé-paraíba é que ao pagar um cachê dez vezes maior que a média local seria, sobretudo, um estupro administrativo sem justificativa no Tribunal de Contas do Estado que nos solicita clareza na justificativa de preço dos cachês. Portanto, são tantas coisinhas miúdas envolvidas em nossas escolhas. São tantas responsabilidades que o que precisamos fazer é exatamente preservar os nossos princípios. Precisamos estabelecer a ruptura dos monopólios midiáticos que estabelecem praticamente a totalidade do consumo na produção cultural. A gestão dos recursos públicos de cultura precisa ter claro que além do verão de Tambaú, existe o inverno de Engenho Velho pra ser administrado. A cidade é uma só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, em se tratando de cultura tudo é incipiente. Não temos uma grande tradição em política cultural no Brasil. O primeiro gestor de cultura do país foi o poeta Mário de Andrade que assumiu o recém criado Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, em 1937. Ele ficou apenas um ano no cargo e foi demitido, mas as políticas identitárias que defendeu ainda estão em pauta. A secretaria de cultura mais antiga do país tem apenas 40 anos (do Ceará). A própria FUNJOPE tem uns 15 aninhos, somente. Embora algumas pessoas da cidade pensem que foi criação do governo Ricardo Coutinho. (A cidade não sabia que existia, por exemplo, um Fundo Municipal de Cultura.) Hoje temos projetos aprovados no Valentina, na Torre, em Gramame e outros setores da cidade carentes de arte e cultura e que agora passam a assumir um papel no diálogo sem fronteiras que deve nortear as políticas culturais, como protagonistas e não como figurantes ocasionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que fazer circular os bens culturais produzidos na cidade, é importante ampliarmos permanentemente esse debate sobre a estética do mercado. Por que fazemos as coisas de uma maneira e não de outra? Por que não nos preocupamos em elaborar programações que “agradem todo mundo”? Devemos fazer o que o povo quer ou o que o povo precisa? Este ano, numa mesa do projeto “Valentina com arte III”, escutei da parte de um músico, coisas do tipo: “eu faço forró de plástico, mas eu faço forró de plástico autoral”. É como se houvesse na sua frase e no brilho dos seus olhos, além de uma justificativa, um pedido de perdão. Estás perdoado, amigo, mas aprofunde mais suas pesquisas musicais que você vai encontrar bem perto de você, pérolas necessárias à lapidação das nossas almas. Senti naquele momento, o valor de uma simples reflexão sobre o fazer cultural da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses quatro anos estabelecemos um debate sincero com os bairros, através não apenas das palavras, mas de ações concretas que se conjugaram com ações de políticas públicas intersetoriais focadas no interesse público. Esta é uma condição que trazemos à tona para a formulação de um discurso que busca, incessantemente, a democratização dos espaços para as expressões culturais e artísticas da cidade e a devida acessibilidade a esta produção pela própria cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6904702745063207113?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6904702745063207113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6904702745063207113' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6904702745063207113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6904702745063207113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2008/12/o-porqu-das-nossas-escolhas.html' title='O porquê das nossas escolhas.'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-352968623102538891</id><published>2008-09-27T10:38:00.000-03:00</published><updated>2008-09-27T10:40:57.000-03:00</updated><title type='text'>A literatura como método</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Breve memória das oficinas de leitura nos bairros da velha Parahyba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na verdade, nem sabíamos exatamente como seria. Apenas tínhamos percepção da necessidade de um projeto de incentivo à leitura na cidade de João Pessoa. Jamais esqueço o sorriso budista e o brilho nos olhos do multi-artista e arte-educador, Zé Guilherme, um guerreiro da espécie. Foi ele o precursor da boa nova: Oficinas de leitura nos bairros! Tudo muito pé-no-chão. Sonhos apontando para o futuro e uma disposição enorme para determinar uma nova realidade. Um articulador do próprio bairro para juntar a meninada. Um oficineiro ou oficineira com capacidade profissional e sensibilidade para tornar a leitura um ato de sedução. Pronto. Estávamos no ponto de partida. O fator humano era o nosso trunfo. Pessoas apaixonadas por esse processo contínuo de “aprender a aprender” semeado no mundo por educadores como Paulo Freire. No amparo estrutural do projeto, a Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE. Profissionalismo é a palavra chave desta ação. Todas as oficineiras e oficineiros estão “mestrando a língua” no curso de Letras da UFPB, ou mesmo já possuem título de mestre. Mas, o fundamental é que conseguimos reunir um grupo de pessoas qualificadas profissional, ética e moralmente. Pessoas apaixonadas pela leitura.&lt;br /&gt;            Após dezoito meses de uma vivência das mais ricas do ponto de vista pedagógico, político, poético e mesmo existencial, aprendemos a acolher rodas de leitura onde se misturam muito naturalmente um Machado de Assis, um José Paulo Paes e um Paulo Sérgio. Paulo Sérgio? Quem é? Perguntei ao menino-leitor numa das rodas de leitura. “Ele mora lá no bairro”, disse. Não tenho memória dos versos de Paulo Sérgio e nem me caberia comentá-los aqui. Soube depois que é um guarda municipal e atua num grupo de teatro amador que encena a Paixão de Cristo pelas comunidades há três décadas, o grupo Arte-Povo, do tradicional bairro popular de Mandacaru.&lt;br /&gt;A descoberta saudável da poesia de Paulo Sérgio nos levou a duas conclusões lógicas e imediatas. Numa delas constatamos o prazer de termos encontrado o fio condutor do projeto. Ou seja: o jovem trouxe de casa sua própria leitura. De outro lado coube-nos a angústia por identificar com tamanha brutalidade a dificuldade de acesso ao livro. Paulo Sérgio, jamais publicou seus poemas. As políticas da leitura e do livro na capital da Paraíba vivem da guerrilha imprescindível de uns poucos. Atos que convergem para espaços como a biblioteca Comunitária Cactus, conduzida por duas mulheres fantásticas, Nina e Edeusa, absolutamente envolvidas numa ação militante e cidadã pelo direito à leitura num bairro de trabalhadores. Uma ação parceira das nossas oficinas de leitura que nos faz lembrar Antônio Cândido: “a literatura é um dos direitos humanos.”&lt;br /&gt;Tudo é pensado integralmente, como deve ser um processo educativo que prima pela qualidade. O aluno, o oficineiro, a instituição, a sociedade e suas estratificações. Na verdade, estamos realizando um projeto de inclusão que trabalha o acolhimento através do livro e da leitura. Desde as primeiras idéias trocadas com Zé Guilherme até hoje, tudo me remete as palavras de Roland Barthes: “a literatura contém muitos saberes”. Uma coisa fácil de constatar. A leitura de “O Século das Luzes”, do cubano Alejo Carpentier, muito mais que o prazer de um bom romance, nos ensina a ler uma conjuntura importante na história do mundo. Também, não há como estudar mais profundamente a história do Rio Grande do Sul sem uma leitura atenta e prazerosa de Érico Veríssimo. Que estudioso da história brasileira pode abrir mão de Guimarães Rosa? Como entender o massacre de Canudos sem Euclides da Cunha?&lt;br /&gt;Mas tudo é assim, tão maravilhoso? Não! Como política de educação fora dos muros, o estímulo à leitura deveria ter alguma visibilidade. No entanto, afora o entusiasmo de quem está diretamente envolvido, a apatia e a indiferença é grande. De quem é a culpa? Bem, essa conclusão me parece muito próxima de um comentário que ouvi de uma amiga em uma reunião, dia desses: “A culpa é minha. Eu a coloco em quem quiser”.&lt;br /&gt;Uma coisa é concreta. As escolas desestimulam a leitura, mantendo muitas vezes suas bibliotecas fechadas para “proteger os livros dos alunos”. Lembro-me de quando fui solicitar autógrafo do saudoso João Alexandre Barbosa, em “A Metáfora Crítica”. O livro estava bastante surrado e sublinhado. Ele disse: “isso é um ótimo sinal. O livro está sendo aproveitado”. Claro que a propriedade coletiva de um livro requer cuidados. Só que um livro não pode ser tratado como algo inacessível, mas como algo imprescindível. Ler não pode ser privilégio de intelectuais. É um direito do povo.&lt;br /&gt; O ensino formal da literatura (de modo geral) não oferece escolhas ao aluno. Impõe um pacote do que supõe importante. A literatura contemporânea em sala-de-aula, por exemplo, é uma exceção. A solução está, pois, fora dos muros escolares. Mas, quem duvida que um jovem leitor tenha maiores possibilidades de sedução com Leminski do que com Cláudio Manuel da Costa? A linguagem contemporânea, com certeza, levaria o aluno a uma identificação mais imediata com o texto. E foi isso que fomos buscar.&lt;br /&gt;As nossas oficinas foram denominadas “Uma Janela Para o Mundo”. Percebemos logo a pertinência do título quando ouvimos de uma adolescente do bairro São José, que “aquilo estava abrindo uma coisa no seu peito”. Era, pois, a janela! Percebemos que havia um crescente interesse por aquela experiência quando, num sopro, já envolvíamos mais de 90 jovens. Criamos em João Pessoa uma ação cultural ainda embrionária, mas estruturante e necessária para uma mudança de hábito. Afinal, não estamos formando leitores para Lair Ribeiro e Paulo Coelho, mas apreciadores da boa literatura.&lt;br /&gt;Dos clássicos aos contemporâneos, os livros funcionam como uma espécie fetiche para um processo educativo e cidadão. O projeto “Uma Janela para o Mundo” demonstra que é possível sim uma política de leitura em nossas cidades, cuja meta principal seja mesmo a fruição proporcionada pela boa literatura. Aqui em João Pessoa, por exemplo, caso um processo desses fosse iniciado nas escolas públicas, haveria a possibilidade de atingir imediatamente mais de 10 mil jovens e chegar à, pelo menos, 100 mil leitores em menos de 4 anos. Não há mistério. Trata-se de uma ação que depende unicamente de uma decisão política e disposição militante dos que estarão a implementá-la.&lt;br /&gt;            As formas de sedução são as mais diversas.    A experiência de Mandacaru envolve também a música. A experiência de Muçumagro (outro bairro periférico da velha Parahyba) trabalha o gosto da leitura a partir dos signos do teatro. Vale a criatividade de cada grupo. Vale, sobretudo, a liberdade de escolha dentro de um cardápio literário bastante criterioso e ao mesmo tempo aberto para novas descobertas feitas pelos jovens que são, naturalmente, nosso público alvo. No entanto, há grupos de leitura onde é possível encontrarmos neta e avó. Há grupo em que uma adolescente trouxe a mãe para participar, logo depois o irmão e o pai. Por não trabalhar com avaliações formais e por não estabelecer limites, as oficinas de leitura acabaram produzindo elos que vão muito além do ato de leitura.&lt;br /&gt;            Outro caso  singular é a participação do poeta Ronaldo Monte. Aposentado do curso de Psicologia da UFPB, intelectual respeitado na cidade e fora dela, o poeta nos oferece um capítulo especial nas oficinas de leitura. Ele atua como voluntário em Mandacaru e nos revela a importância da participação apaixonada também dos escritores para a consolidação de uma política de leitura. Tudo ainda está em formação e esse é o critério. O método? A literatura é o método. E ponto. Não queremos um projeto “pronto”. Queremos uma política pública onde o jovem será atraído pela liberdade de escolha e pela vocação para o acolhimento semeada no grupo. Tanto em relação à participação nas oficinas quanto sua liberdade de escolha das próprias leituras. Senti vontade de relatar um pouco dessa nossa experiência aos leitores cronopianos. Aqui, temos apenas uma breve notícia das oficinas de leitura. Um projeto cujos resultados serão colhidos pelo tempo, dentro de um processo de formação continuada. Algo plenamente possível e  que somente poderá acontecer através de uma política educativa integral, transformadora para  uma sociedade ideologicamente amestrada, acatando a exclusão com naturalidade cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. S. – Parahyba era o nome da capital da Paraíba até a revolução de 30, quando num golpe oligárquico, colocaram na cidade o nome de um político sem muita expressão e que foi assassinado em uma circunstância absolutamente passional.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-352968623102538891?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/352968623102538891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=352968623102538891' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/352968623102538891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/352968623102538891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2008/09/literatura-como-mtodo.html' title='A literatura como método'/><author><name>Lau Siqueira</name><uri>https://profiles.google.com/117352606030242756799</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-xDonehwet34/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/78L5GnOQECU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4682311408905527483.post-6767070816826321183</id><published>2008-07-05T17:16:00.001-03:00</published><updated>2008-07-05T17:16:57.840-03:00</updated><title type='text'>Yes, nós temos João!</title><content type='html'>(pequena crônica para uma crítica anunciada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lau Siqueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer que fiquei triste quando li na coluna do meu querido Jamarri Nogueira que a programação do São João da capital era “fraquinha”. Fiquei foi embasbacado. Naquele momento sequer tínhamos anunciado a tal programação. Comecei a entender, então, o porquê de alguns artistas reclamarem da ausência de repercussão (positiva ou negativa) dos seus shows, espetáculos, lançamentos e exposições.&lt;br /&gt;Mas, esse papo introdutório dá pano para outras mangas. Na verdade, o que impulsionou a reflexão deste momento foram as declarações de Biliu de Campina e Pinto do Acordeom em uma emissora de TV local. Eles ressaltavam as escolhas que foram feitas para a programação do São João de João Pessoa. Biliu chegou a brincar, dizendo que em muitas cidades havia um “Sem João” e que na capital era o verdadeiro “Tem João”.&lt;br /&gt;O que ocorre, no entanto, é que não podemos sucumbir diante do lugar comum. Não se pode conceber um evento dito cultural que se renda às multidões. Porque as multidões, de um modo geral, estão previamente habilitadas para as estratégias da indústria cultural. Não se pode conceber uma gestão cultural que não tenha um caráter educativo. Até porque administrar é, sobretudo,  um ato educativo. A realização de uma festa popular tão importante para o resgate da identidade cultural nordestina como os festejos juninos não poderia se dar de forma diferente. Por isso não podemos ficar calados diante das tentativas nada inocentes de jogar pérolas aos porcos.&lt;br /&gt;O que se estabeleceu de forma silenciosa, mas sólida na capital da Paraíba nos quatro últimos anos foi um novo conceito de evento público. Em primeiro lugar, devido às escolhas. Em segundo lugar, por um planejamento que nos permite comemorar um índice insignificante de violência nos shows realizados durante o ano inteiro. Os festejos juninos este ano, entretanto, bateram o recorde. De 21 a 29 de junho, não houve um único empurrão no Largo de São Pedro, Praça Antenor Navarro e Conventinho - os três pólos da nossa festa. Algo a ser comemorado num tempo em que algumas festas de rua acabam virando praças de guerra e até mesmo contabilizando mortes.&lt;br /&gt;O “João” da capital, entrementes, não se resumiu aos shows maravilhosos que aconteceram na praça Antenor Navarro. Como o do Quinteto Violado que nos mostrou ser possível colocar bailarinas no palco, sem vulgaridade. Foi assim com o balé popular de Recife! Também foi só plenitude Clã Brasil e Antônio Barros e Cecéu, que comprovam que as nossas grandes atrações podem sim morar na cidade. Da mesma forma o genial Pinto do Acordeom e os emergentes Cabra do Mateus, Maciel Salu, Mayra Barros e tantos outros. A presença de forrozeiros do primeiro time como Maciel Melo e Petrúcio Amorim selou o conceito de que podemos fazer um grande São João, sem concessões ao grotesco, ao mau gosto. Fechamos com chave de ouro, trazendo o excelente Santanna e a Poesia Popular Universal de Jessier Quirino.&lt;br /&gt;Estamos consolidando o São João de João Pessoa como um grande festival regional de folclore. Mais de setecentos brincantes passaram pelo Largo de São Pedro. Era mazurca, coco de roda, nau catarineta, ciranda, reizado, mamulengo, cavalo marinho e outras expressões do imenso patrimônio imaterial da cultura nordestina. Quem esteve no Largo para dançar com Aurinha do Coco, Dona Teca, Dona Selma, ou Mané Baixinho, sabe do que estou falando.&lt;br /&gt;Também foi esse o modelo que propiciou um novo debate acerca da vocação do Arraial do Varadouro. Um evento com capacidade própria de mobilização popular. É impossível negar fatos tão presentes na vida do Arraial. Existe um festival de quadrilhas já consolidado. No entanto, existem linhas de projeção folclórica, criadas a partir das quadrilhas e que não são mais quadrilhas. Alguns chamam pejorativamente de “estilizadas”. Na verdade são espetáculos belíssimos que também precisam de espaço próprio para cultivar suas linhagens contemporâneas, mesmo dentro de uma engrenagem de preservação da tradição e da identidade. Ao apresentar o grupo de carimbó, Moara, de Belém do Pará, o Arraial deu sinais de respirar o próprio futuro. Passaram por lá pessoas de Honduras, dos EUA, da Itália, da França e de outros lugares. E saíram maravilhados.&lt;br /&gt;Em última análise, precisamos estabelecer esse debate. Afinal precisamos sintonizar linhas de comprometimento com a recuperação das antigas (e a descoberta de novas) potencialidades de desenvolvimento de uma cidade que ainda tem chances de escapar da barbárie urbana dos grandes centros. O fato de termos “João” nos enche de esperança. Uma esperança como a que foi conceituada por David Cooper: “não há esperança. Há uma luta. Esta é a nossa esperança.”  E que venham as críticas, para que possamos pulsar melhor nossos argumentos. Nosso grande desafio está posto: conjugar tradição e contemporaneidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4682311408905527483-6767070816826321183?l=lau-siqueira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/feeds/6767070816826321183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4682311408905527483&amp;postID=6767070816826321183' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6767070816826321183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4682311408905527483/posts/default/6767070816826321183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lau-siqueira.blogspot.com/2008/07/yes-ns-temos-joo.html' title='Yes, nós temo
