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Mostrando postagens de Março, 2008

Para onde vai o nosso carnaval?

Lau Siqueira

De que matéria é feito o carnaval nordestino? Para a grande e estreita mídia colonialista do sul/sudeste, a matéria do carnaval nordestino se divide entre o frevo das Casas Pernambucanas e o sambaxé das Casas Bahia. Ponto final. O Armazém Paraíba fica de fora. Mas, deverá também ficar de fora das nossas reflexões?
Desculpem, mas não poderia começar a refletir sobre um tema de tamanha relevância sem uma boa dose de ironia para com a esperta e ausente iniciativa privada. Um produto cultural rentável, como o carnaval nordestino, que somente este ano movimentou 283 milhões em Recife, precisa ser pensado em João Pessoa com suficiente objetividade para se oferecer como alternativa aos grandes pólos da folia nordestina e, conseqüentemente, beber das águas abundantes da sua lucratividade.
Não é possível mais observarmos as movimentações da máquina pública sem que se tenha lucidamente apontado o caminho das suas ações. Os carnavais nordestinos de sucesso se tornaram multiculturais (…

Como na Idade Média

A qualidade da produção literária paraibana não é novidade. Também não é novidade a boa relação que a maioria dos escritores mantêm entre si. Há uns três anos, encontrei alguns deles num Café do Shopping Sul. Pensei se tratar de um encontro casual de amigos no agradável bairro do Bancários. Comunidade conhecida, aliás, por abrigar boa parte dos artistas, escritores e produtores culturais da capital da Paraíba.
Ledo e Ivo engano. Tratava-se da segunda reunião do que viria a ser o Clube do Conto da Paraíba. Testemunhei, pois, o nascedouro do que hoje transborda nesta edição da coletânea “Histórias de Sábado”. Um pouco oficina literária, um pouco de mesa de debates, um pouco roda de amigos, um tanto de coisas feitas, idéias construídas... Convergência de criaturas cujo prazer maior naqueles momentos partilhados é a artesania, a alquimia e sobretudo, a discussão sobre as suas produções semanais.
Os integrantes do Clube do Conto da Paraíba, desde a sua criação até a edição deste volume reúne…

Gestão Cultural e o Trem (Expresso) da História

(Anotações para uma vivência cotidiana)


Lau Siqueira

Pensar e executar políticas públicas jamais foi tarefa exclusiva de qualquer instituição pública. Faz-se necessária a construção de parcerias com capacidade de esticar mais e mais os braços burocráticos e executivos das engrenagens administrativas do setor público. O programa dos Pontos de Cultura, do MinC, é um bom exemplo de institucionalização dessas parcerias. Por outro lado, jamais teremos a plenitude de uma política de turismo parceira da cultura, por exemplo, se não tivermos como âncora a participação efetiva do micro e médio empresariado que, via de regra, trata-se de um segmento que “vive a cidade” e sobrevive do seu vigor econômico. Também, jamais teremos uma política cultural verdadeiramente educativa e cidadã se os gestores públicos não aprenderem a escutar as comunidades, aprendendo sobre seus mitos e incorporando os seus aprendizados. Não quero dizer com isto que devamos mergulhar no tabuleiro das demandas, de um lado e …