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Mostrando postagens de Maio, 2009

O carnaval de João Pessoa: acertos e equívocos entre a tradição e a “mudernagem”

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Lau Siqueira*

Algumas questões me ocorreram após participar de uma mesa de debates no Tributo ao maestro Vilô, esta semana, no SESC. Na mesma mesa, a pesquisadora Ignez Ayala e Pedro Júnior, representando a Federação Carnavalesca. Em pauta a identidade cultural do carnaval da capital da Paraíba e a sua relação com o poder público. Questões de importância fundamental foram colocadas. Espero, possam servir para subsidiar um debate mais qualificado e aprofundado acerca da consolidação das políticas públicas para a cultura na cidade. Muito especialmente para as tradições e as modernidades que cercam o espírito carnavalesco.

O debate gerado em torno das três palestras proferidas pode-se dizer, justificou plenamente a nossa participação em um evento que tratava exatamente da preservação da memória de um personagem que é determinante para o estabelecimento de uma identidade para o nosso carnaval. Falamos do maestro Vilô! Não foram poucos os depoimentos que, no debate, fizeram questão de teste…

A poesia das enxadas em Babilak Bah

Lau Siqueira


Negro. Paraibano. Artista. Um cara com uma carga ancestral imensa. Assim é Babilak Bah. O menino cuja inquietude, um dia, chamou a atenção de José Américo de Almeida. Num dos muitos começos dos anos oitenta, ele me disse: “Vou embora! Vou andar pelo mundo. Vou trabalhar com percussão e poesia!” E lá se foi meu amigo, com seu sorriso sempre tão imenso. Anos depois soube do seu reconhecido trabalho de percussão com enxadas. Uma radicalidade experimental erigindo sonoridades inventivas nos ruídos da capina cotidiana. Uma busca concreta para a feitura de signos musicais que, algumas vezes, transpunham-lhe os sentidos.

Babilak passou, então, a compreender o enigma dele próprio. Dos olhos fixos do menino, encantado com uma biblioteca imensa na casa de José Américo, nascia o diálogo do artista com o mundo. Ele sabia que, independentemente das suas vestes, seus sapatos seriam de palavras. Ainda que muitas vezes caminhasse pelo silêncio. Babilak Bah, com sua transgressão, criou para…