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Mostrando postagens de Julho, 2012

O desejo do impossível

por Lau Siqueira
A literatura contemporânea construiu elos através dos séculos e se fortalece com isso. A Poesia Visual que aparece como vanguarda no final do século XX, por exemplo, não era segredo para Simmias há dois mil anos, na Grécia. A Arte Literária é um desafio ao tempo. Através dos séculos promove releituras de cenários que evocam sua permanência. Assim, a leitura do excelente livro Microf(r)cções (Editora Multifoco-RJ, 2012) do escritor campinense Janailson Macedo Luiz, lembra naturalmente a releitura de Baudelaire em “Meu coração desnudado” (Mon coeur mis à nu) e “Rojões” (Fusées). Essas obras foram descobertas por um biógrafo de Baudelaire e se perderiam como anotações manuscritas e dispersas. Guardadas as proporções, fruto de processos semelhantes aos relatados por Janailson acerca do método de experimentação das suas micro-narrativas. Os textos deste “Microf(r)cções” alertam, também para as possibilidades e inquietações da chamada literatura digital. A maioria obedece ri…

A LEITURA FAZ A FEIRA

Por Lau Siqueira
Existem consensos que parecem inúteis. Não se configuram com maior amplitude, apesar do amplo reconhecimento. As ações de incentivo à literatura e leitura são o melhor exemplo. Não há quem discorde de algumas verdades: o hábito da leitura melhora a qualidade do ensino porque torna o alunado mais ágil no mergulho do conhecimento; o hábito da leitura eleva o nível da consciência cidadã, pois o leitor estabelece uma perspectiva mais nobre para a sua vida e desenvolve um inevitável senso crítico. Certamente estamos falando aqui, não de doutrinação, mas de libertação. O hábito da leitura e mais ainda, da boa literatura, independentemente de gênero ou estilo, oferece uma possibilidade concreta de elevação da qualidade de vida. Segundo Antônio Cândido, a literatura deveria ser considerada um dos direitos humanos.

Logicamente que não queremos mascarar a realidade da indústria editorial globalizada, onde a concentração de riquezas dita as regras, com o apoio incondicional da leg…

SILVINO OLAVO

por Lau Siqueira
As novas mídias provocam uma reflexão inadiável acerca do que pode ser consagrado pela eternidade. Nestes temposmodernos grande parte dos textos publicados nascem e se consolidam enquanto arquivo digital. É verdade que muita banalidade acabará dialogando com o futuro.Todavia é concreta também a possibilidade de apagarmos as linhas de esquecimento que tangem a poesia e a vida de autores importantes. Silvino Olavo entre eles. Um autor necessário às novas gerações. O poeta nasceu no município paraibano de Esperança em 1897 e faleceu em 1969 na “Rainha da Borborema”.

Dono de uma lírica que dialogava diretamente com o simbolismo de Mallarmé, Rimbaud, Verlaine, Eugênio de Castro, Cruz e Sousa, entre outros, Silvino Olavo foi um pré-modernista contemporâneo da Semana de Arte Moderna de 1922. Fez parte de uma geração que provocou a ruptura definitiva com o parnasianismo, mas não com o soneto. Carregava uma indisfarçável e grata influência do poeta belga Georges Rodenbach que e…