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sábado, 29 de dezembro de 2012

Entre o virtual e o real – o papel das novas tecnologias da informação.


 Por Lau Siqueira

Rita Lee foi bastante exata quando postou em seu Twitter, recentemente, que preservar a tradição era manter a chama e não juntar as cinzas. Este, talvez seja o ponto de partida para um debate que evolui a cada dia, sobre a permanência das impressões em papel ou a sua gradual migração para os meios virtuais. Na verdade, apesar de já podermos observar algumas tendências, ainda é cedo para conclusões definitivas. Alguns fatos revelam uma tendência, mas ainda sem a repercussão esperada. Um dos mais conceituados e tradicionais veículos de comunicação como o Jornal do Brasil ter migrado totalmente para a internet não passa impune ao observador mais desatento. No entanto, ainda nos perguntamos se é uma tendência ou apenas uma opção de mercado. Afinal, estamos longe de afirmar o fim do livro em papel, mas o comércio de e-books já é uma realidade incontestável se é que qualquer realidade não possa ser contestada.

Quando me refiro  a necessidade de cautela nas afirmações acerca do processo migratório do papel para o virtual, seja para a literatura ou para o jornalismo, me baseio, entre outros exemplos, em uma reportagem publicada num dos jornais mais tradicionais e conhecidos do mundo, o New York Times, quando do surgimento da televisão. Na época o jornalista subestimou demasiadamente o novo invento, ressaltando suas qualidades, mas afirmando que se tratava de uma invenção sem qualquer valor comercial. O que a história nos mostra é exatamente o contrário. A televisão passou a determinar o desenvolvimento de amplos setores da economia. A televisão desenvolveu de forma significativa setores como a publicidade enquanto vetor de desenvolvimento econômico, político e social. A comunicação sofreu mais uma revolução. Talvez semelhante à revolução provocada pela invenção da tipografia. Da mesma forma, os neo-visionários preconizaram o fim do cinema e do rádio. Entretanto, foi exatamente após o surgimento da televisão que o cinema e o rádio tiveram suas evoluções mais agudas enquanto instrumentos de mídia.

Por tudo isso e por mais alguns parágrafos de argumentos que não irei expor neste momento, entendo que não haverá substituição alguma. Mais uma vez assistiremos uma evolução dos processos hoje desenvolvidos. Estamos vivendo a era das velocidades. O que hoje aparece como novidade tecnológica de última geração, na próxima semana tende a ser envelhecer devido às novas invenções ou mesmo adaptações. Mas, as tendências desde que o mundo é mundo nos dizem que com este tipo de evolução as portas estão abertas para o desenvolvimento humano. A partir da leitura enquanto direito social, podemos observar com muita tranquilidade que as novas tecnologias acabaram provocando um equilíbrio maior nas relações sociais, apesar de fornecer também grandes riscos. O equilíbrio se refere, podemos assim dizer, às ações contundentes de grupos políticos como os Chiapas. Sem que seja disparado um único tiro de fuzil, pelas redes sociais, eles colocam o governo do México contra a parede. Os riscos se referem a oportunidades que intelectuais do crime como Marcola (que cita Dante no original) passam a ter em relação ao acesso ás tecnologias de comunicação, a partir da corrupção nos presídios.

Desta forma, entendemos que o fator humano ainda é insuperável. O que se diz quanto às relações entre a arte e as novas mídias, faz parte de uma compreensão mais humana das novas tecnologias. Encontraremos na arte, provavelmente, os melhores indicadores desta tendência. O artista sempre se utilizou das linguagens existentes para expressar suas angústias sobre o mundo. Se os renascentistas, na verdade, se utilizaram da evolução tecnológica em sua época para afinar suas linguagens e expressar sua identidade estética, também é verdade o contrário. Em pleno século XXI o artista plástico e designer paraibano Francc Neto, se apropria dos elementos mais rudimentares, mais primitivos, como o fogo, a cera de abelha, o tempo e suas ferrugens, para expressar uma arte que, despreocupada com os conceitos de vanguarda, avança sobre o tempo como um grito futurista. Portanto, o que vemos nesta conjugação de elementos é outro tipo de preocupação. Talvez algo próximo ao que Proust escreveu sobre a sedução e os perigos da leitura enquanto instrumento de evolução da vida. Ou o que Augusto dos Anjos alerta quando diz que “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Em última análise e sem qualquer pretensão afirmativa, entendemos que não haverá, pelo menos num futuro próximo, uma substituição radical do que se mostra como físico, pelo virtual. Vou ousar aqui afirmar que o interesse comercial é que determinará a velocidade desta migração. Afinal, o mercado editorial é um dos raros setores da economia onde o neoliberalismo avançou de forma escandalosamente silenciosa. Editar livros, no Brasil, se tornou um negócio altamente lucrativo se observarmos como observamos em um artigo anterior que o Ministério da Educação é o terceiro maior comprador de livros do mundo. Cada vez mais o capital especulativo comanda a impresão das melhores e das piores páginas. A concentração de lucros é assustadora. Por outro lado, não devemos desligar o sinal de alerta sobre fatos já incontestáveis como a migração de um dos maiores jornais brasileiros para a WEB. Ou mesmo para um nicho altamente lucrativo do mercado editorial que se abre com a comercialização de e-books que chegam aos lares brasileiros com preços (em dólares americanos) semelhantes aos onerosos produtos impressos encontrados nas estantes das melhores livrarias. Mas, nem tudo está perdido. Se quisermos apontar o lado democrático desta migração vamos desaguar na acessibilidade. Livros e jornais virtuais, por exemplo, colocaram na rota da informação setores da sociedade silenciosamente excluídos pela história durante milênios, como os cegos. Programas de computador, atualmente, permitem ao cidadão portador de cegueira o acesso à obras literárias ou mesmo científicas. Também aos jornais e portais de notícias, através de programas específicos de tradução oral. Portanto, antes da condenação ou adesão afobada, as novas tecnologias nos proporcionam o direito de pensar o mundo em que vivemos de forma mais democrática, mais universal do ponto de vista social e intelectual e menos globalizada do ponto de vista econômico e político.

Artigo inédito para a minha coluna do portal RepórterPB (www.reporterpb.com.br)

NA SOMBRA DO TAMARINDEIRO

por Lau Siqueira

Quem já visitou a cidade de Sapé - berço das Ligas Camponesas e das lutas por Reforma Agrária – percebeu a representatividade do nome de Augusto dos Anjos. Natural daquele município, mais precisamente do Engenho Pau D’Arco, o poeta está presente na praça, no Centro Social Urbano, na cantoria dos violeiros e principalmente no indisfarçável orgulho do povo sapeense. Afinal, não é pouca coisa residir na terra natal de um dos ícones da Poesia de Língua Portuguesa. Todavia, alguma coisa ainda está fora da ordem. Por exemplo, não fosse a sensibilidade e o “interesse pessoal” de um grande intelectual paraibano chamado Odilon Ribeiro Coutinho, sequer o velho tamarindeiro existiria. Mesmo sendo   ancoradouro da infância e inspirador de alguns dos mais populares versos deste poeta que foi eleito o “Paraibano do Século XX”. Com aproximadamente 300 anos esta árvore já estava condenada, mas resiste por ter sido tratada a tempo.

Atualmente, para chegar ao famoso tamarindeiro é um transtorno. Procura-se uma chave não sei onde, atravessa-se um quintal de não sei quem - esquivando-se dos cães - para então usufruir da magia frondosa de uma das árvores mais famosas do mundo. Semelhante é o abandono do lago que banhou a infância e juventude do poeta. Hoje, apenas um refúgio assoreado de ressecadas lembranças. Afora isto, sobraram as ruínas da Usina Santa Helena e o Memorial Augusto dos Anjos. Este sim, um prédio restaurado e com algum acervo. Poucos mas, atentos e atenciosos funcionários. Um patrimônio restituindo à história, a antiga casa de Guilhermina - “mãe de leite do poeta”. Em frente à Usina Santa Helena, pouco conservada, temos a capela onde o poeta foi batizado. Um patrimônio considerável e que pede atenção. Há um grito no ar repercutido por alguns poucos sonhadores, como Carlos Aranha, Jairo Cezar e Chico Viana.

Em torno da memória de Augusto dos Anjos, Sapé poderia estar desfrutando de uma fatia generosa da sua economia da cultura. Logicamente que seria necessário um olhar mais atento dos governos e da iniciativa privada. Algo que transcenda o simples aporte de recursos financeiros. São urgentes algumas ações criativas para a valorização dos produtos com a marca registrada do poeta. Sejam licores ou sucos de tamarindo. Seja na valorização do patrimônio artístico e do artesanato. Sapé é uma cidade de muitos artistas. Possui uma cultura forte, amparada nos versos pré-modernistas de Augusto. A cidade respira as lutas e a cultura do seu povo. Riquezas que jamais poderão ser negligenciadas pelos roteiros turísticos. Falta muito pouco para que este município descubra sua melhor vocação e transborde para o mundo. Não há nenhum segredo nisso.

 
Artigo que será publicado amanhã, último domingo de 2012, no Jornal da Paraíba (edição impressa e digital)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A FUNJOPE DE MAURÍCIO BURITY


Confesso que fiquei otimista com as primeiras declarações do futuro Diretor Executivo da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE. Maurício Burity teve uma passagem rápida pela Fundação Espaço Cultural – FUNESC, mas deixou uma imagem muito positiva. Sua convivência com o meio cultural foi tranquila. Sua indicação, portanto, deve ser vista com os olhos da esperança. Não contenho a alegria de vê-lo preocupado com a revitalização de um projeto importante para a cidade, como o Circuito Cultural das Praças. Um ancoradouro generoso para a política descentralizada, anunciada pelo novo executivo da Fundação. Mesmo na gestão do PSB, o Circuito andava carecendo de ajustes. O  que é natural em um projeto de tamanha complexidade e magnitude. Sua supressão foi um alerta sobre os rumos que a Fundação estaria tomando. Ainda bem que não passou de um susto.
O Circuito Cultural das Praças nasceu na gestão cultural do ex-prefeito Ricardo Coutinho e serviu para estabelecer uma relação importante com a cultura feita nos bairros. Um projeto que popularizou a FUNJOPE.  Encantava-nos, por exemplo, a Orquestra de Violões tocando Villa-Lobos na Praça do Coqueiral. Ou mesmo uma plateia atenta adiante um solo de tímpanos na Praça da Paz. Foram incontáveis os momentos sublimes vividos pelo Circuito, seja com lapinhas, bandas de rock, grupos de dança, circo, música popular, teatro de rua, teatro de bonecos, etc.. Começava ali  um processo de descentralização das ações culturais. A sinalização do novo gestor, portanto, dialoga com a história cultural da cidade. Afinal, o circuito Cultural das Praças é herdeiro de projetos não menos importantes como Fala Bairros e Araponga.
A supressão de ações culturais importantes como o Dia de Brincar, Circuito Cultural das Praças, Música do Mundo deixou a comunidade cultural de olho vivo. Inclusive até mesmo uma Virada Cultural (paulista da gema) estava anunciada. Por isso, as revelações do novo Diretor Executivo da Fundação precisam ser celebradas. Revelam, sobretudo, capacidade e disposição de diálogo com a cidade. Algo imprescindível, pois a FUNJOPE trabalha com arte erudita, mas também com a Capoeira, a cultura dos Mestres Pindoba, Carboreto e Mané Baixinho. Cirandeiros do Vale do Gramame, Ateliê Nai Gomes, Balaio Nordeste e Coletivo Mundo. Enfim, as cartas estão na mesa. O Movimento Cultural pessoense sabe o que quer. Gestão cultural não é fácil. Esperamos que um novo e produtivo ciclo esteja começando. Nossa saudação ao Maurício Burity. Sua credibilidade e capacidade empreendedora serão fundamentais para embalar os dias que estão por vir. Sangue novo, ideias novas, novos saberes. No mais, Boas Festas ao povo da cultura!

Esse texto será publicado na minha coluna, no Jornal da Paraíba do próximo domingo.

POLÍTICA CULTURAL DO BNB AMEAÇADA



Em 2008 estive em Sousa e Cajazeiras, a convite do Fórum de Cultura do Alto Sertão – FOCA, para apresentar a política cultural desenvolvida então pela Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE, instituição que dirigia naquele momento. Em Sousa, nosso bate-papo aconteceu no belíssimo auditório do Centro Cultural BNB. Um equipamento cultural que muito me impressionou pela qualidade da estrutura e pelo impacto positivo na vida cultural da cidade. Um instrumento a serviço da construção de um futuro promissor para o Alto Sertão da Paraíba. Fiquei impressionado com a biblioteca e com a intensa participação dos jovens. O Centro Cultural do BNB de Sousa-PB foi o terceiro grande equipamento cultural construído pelo Banco do Nordeste do Brasil. Os outros dois localizam-se em Juazeiro-CE e Fortaleza-CE. A unidade de Sousa me pareceu a mais impactante, pela localização estratégica. Exatamente no centro do Alto Sertão da Paraíba. Uma região cheia de possibilidades, mas ainda carente de muito investimento em todas as áreas. Muito especialmente na cultura.


A circulação de um e-mail do Fórum de Cultura do Alto Sertão deixou a comunidade cultural da Paraíba atônita. O FOCA denuncia a possibilidade real do desmonte de uma política cultural que já trouxe muitos benefícios, inclusive para o desenvolvimento de uma economia da cultura na região. Uma política cultural cujo impacto pode ser medido pelo alcance dos editais e pela qualidade desses três equipamentos culturais construídos. A diretoria do FOCA, preocupada com os acontecimentos, está convocando uma reunião para discutir o assunto. A reunião acontecerá no mini-auditório do Campus I da UFCG, no centro de Sousa-PB, no próximo dia 15 (sábado), às 15h. Na pauta, o desmonte da política de cultura do Banco do Nordeste do Brasil a partir do risco eminente de fechamento dos Centros Culturais. Também a suspensão do lançamento do edital 2013 de ocupação da programação diária do Centro Cultural, a demissão de funcionários e a impossibilidade de novas contratações; a suspensão da política de implantação de novos espaços e a abertura dos Centros Culturais de Teresina-PI e Vitória da Conquista-BA. Ainda, a suspensão do lançamento do edital do BNB de cultura 2012/2013 e corte nos gastos com a gestão cultural.

Ainda bem que existe um movimento social da cultura bastante atento no Alto Sertão. Todavia, devemos buscar uma reação coletiva mais ampla e tentar reverter o desmonte em que já está curso. Este é um compromisso que deve ser assumido por todo militante cultural, em qualquer parte do país ou mesmo no exterior. Afinal, o que tudo isso nos revela é que a redução dos espaços da cultura abre as portas também para a redução dos espaços democráticos da sociedade. A cidade de Sousa e o Alto Sertão da Paraíba reconhecem a importância deste equipamento e da política cultural do BNB. Esperamos que esta notícia circule o bastante para que os “homens do poder” possam buscar outras saídas e para que os avanços continuem. Não podemos abrir mão de qualquer ação pelo desenvolvimento de uma região historicamente esquecida pelos governos.

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NOTA: Reunião do FOCA

Local: Mini auditório do Campus I do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Cultural da UFCG – Sousa, No Centro de Sousa

Cidade: Sousa Horário: 15h



Texto publicado originalmente na minha coluna do portal Repórter-PB, www.reporterpb.com.br

 

O CORREDOR DA LEITURA EM SAPÉ


Algumas ações importantes, principalmente em cidades como Sapé, Boqueirão, Nova Palmeira, Conde, Campina Grande, Lucena e João Pessoa revelam que o incentivo à leitura é uma paixão. Mas, uma paixão que só se revela completamente quando compartilhada. Não falo de ações desenvolvidas em escolas, apenas. O seminário Leitura na Rede já chegou à terceira edição e é desenvolvido por ONGs. A dimensão do evento é reveladora de uma atividade cotidiana muito bem sucedida em instituições como Apoitchá, Beira da Linha, Piollin, Olho do Tempo, ARCA e Casa Pequeno Davi. Portanto há um campo fértil para que iniciativas semelhantes comecem a deslanchar, tanto no âmbito das instituições públicas (escolas, Creches, Programas sociais) quanto na sociedade civil (sindicatos, ONGs, associações de bairro, etc).

Sapé é uma cidade especialíssima para a revitalização do projeto Corredor da Leitura. Afinal é a terra do grande poeta brasileiro Augusto dos Anjos. Não bastasse esse bom motivo é a cidade onde uma geração de jovens educadores desenvolve um programa escolar de incentivo à leitura que merece atenção da sociedade de um modo geral, mas principalmente do Governo do Estado. Falamos do PILE – Programa de Incentivo à Leitura na Escola, desenvolvido na Escola Estadual Gentil Lins. Um fator de integração da comunidade escolar, com repercussões extremamente positivas no cotidiano da escola. Por exemplo, a erradicação da violência na escola.

O Corredor da Leitura não chega para competir, mas para somar. Trata-se de um programa muito simples. Ao cria-lo, partimos de alguns fatores. O Brasil está entre os dez maiores produtores de livros do mundo e o MEC é o terceiro maior comprador de livros do mundo. Portanto, não temos dúvidas quanto à existência de livros para projetos semelhantes. Os índices de analfabetismo funcional encontrados até mesmo nas universidades são preocupantes. Infelizmente, desde a ditadura, existe uma negligência quanto a qualidade da leitura. Isso se reflete diretamente na capacidade para a interpretação do texto e no  diálogo com a subjetividade do texto. Algo que é muito particular.  Pela análise das poucas experiências existentes, a alfabetização formal pode receber uma injeção de ânimo a partir da presença da leitura no PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola. A escola brasileira com melhor nota no IDEB está localizada em Itaú de Minas. A sustentação do seu planejamento pedagógico está  num programa de incentivo à leitura. Não é coincidência. As escolas que incentivam à leitura estão na frente e os maiores beneficiados são os filhos do povo. A experiência da Escola Estadual Gentil Lins é apenas mais um bom exemplo.

Em Sapé o Corredor da Leitura acontecerá da mesma forma que aconteceu no corredor principal da Secretaria de Desenvolvimento Social – SEDES, de João Pessoa. Uma estante doada. Livros doados. Pessoas atentas à importância da leitura, sempre por perto. Não há qualquer tipo de controle. Os livros são disponibilizados livremente para que os leitores possam acessá-los, trocá-los, fazer doações, realizar novas campanhas e lançar novas formas, outros modos de incentivo ao hábito da leitura solidária e da cidadania. Ou seja, não importa o projeto em si, mas o objetivo da ação que ele propõe. Não há propriedade nem se pretende uma patente. Qualquer pessoa pode conduzir algo semelhante numa associação de bairro, num sindicato, numa Igreja. Enfim, trata-se de uma ação cuja necessidade única de diálogo com as demais ações educativas é totalmente libertária.

A nova fase do Corredor da Leitura será lançada com um sarau específico. Leituras de poemas do grande poeta Augusto dos Anjos, no próximo dia 20, às 17:30h, no Centro Social Urbano de Sapé. Um equipamento da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado da Paraíba. Enfim, esta é apenas mais uma boa ideia para ser compartilhada. Será bom recomeço e uma lição aberta às tantas portas fechadas que vemos no setor público e fora dele. O Corredor da Leitura não é uma biblioteca, mas uma bisbilhoteca. A comunidade de Sapé sempre surpreende e, certamente, nos mostra que é possível ousar mais e ir mais longe. Iremos buscar esses caminhos. Afinal, como dizia Roland Barthes, a Literatura contém muitos saberes.


Texto escrito para minha coluna no portal Paraíba Já, www.paraibaja.com.br