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Mostrando postagens de Maio, 2014

São José dos Ramos e a força do Aboio.

Por Lau Siqueira
O que nos revela para o mundo está muito além do tempo que vivemos e do lugar que habitamos. A nossa ancestralidade atravessa milênios e continentes para universalizar nossa existência. No caso nordestino é fácil perceber. Seja na Cantoria, no Coco de Roda, Embolada, etc.. Mas, principalmente no Aboio. Uma expressão que é o idioma cotidiano do campesino em suas lidas. Algo que migrou de enormes distâncias para os sertões e aqui se fez couro e osso na resistência do povo.Sufocada pela modernidade esta cultura renasce na Paraíba com muita força. Saiu dos campos e das lidas com o gado, para os palcos do já tradicional Festival de Aboio de São José dos Ramos. Hoje este evento é um símbolo da Paraíba no mapa cultural do Brasil.
Experimentei o gosto amargo do que é oferecido para a juventude, recentemente, no “Abril para a Leitura”. Evento do Centro Cultural BNB, em Sousa, no Alto Sertão. Falando sobre leitura para jovens do ensino médio citei Sivuca. Esse mestre da cultura b…

O ESPERADO RETORNO DA SINFÔNICA

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Por Lau Siqueira

A Orquestra Sinfônica da Paraíba é um dos maiores patrimônios culturais do Nordeste. Nos últimos tempos passou por uma crise que balançou suas estruturas. Algo praticamente inevitável e que podemos atribuir a causas diversas. Então a bomba caiu nas mãos do Ministério Público. Havia um convênio absolutamente frágil mantido ano após ano, com a Universidade Federal da Paraíba. Todos sabiam: um dia a corda iria rebentar.  Foi exatamente o que aconteceu nesta gestão. As incompreensões e as tensões diante do inevitável foram muitas. A tentativa incendiária de politizar os fatos, por exemplo. Foram muitas as pequenas tragédias seqüenciais. O fato é que o inexplicável continuava inexplicável. Tudo coberto por uma cortina de mágoas passadas. Todavia, chegamos no momento do necessário recomeço. Afinal, a OSPB é maior que qualquer governo e que qualquer interesse particular ocultado pelos bastidores.
O primeiro Concurso Público realizado pela OSPB foi um ato de coragem do Governad…

ITABAIANA É O CANAL

por Lau Siqueira

Itabaiana é um reconhecido celeiro de grandes artistas. Terra natal de Sivuca, um dos grandes mestres da cultura brasileira. Músico conhecido e respeitado internacionalmente. Infelizmente um tanto esquecido no seu Estado. Aqui sua memória virou propriedade privada. Também é a terra que o poeta Jessier Quirino escolheu para inspirar suas invenções matutas. Fazem parte desta história, nomes emblemáticos como Artur Fumaça. É de Itabaiana um dos maiores ícones da Poesia Popular Brasileira, o grande poeta Zé da Luz. Na atual cena cultural paraibana, destacamos Adeildo Vieira, cantor e compositor dos mais talentosos. Também é de Itabaiana um dos grandes poetas contemporâneos deste País, André Ricardo Aguiar.  Não são poucos os artistas que transitam ou transitaram na cidade. Todavia, o motivo deste artigo é um pequeno e grandioso núcleo itabaianense de guerrilha cultural: o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar que abriga, por exemplo, a única biblioteca da cidade. Uma instituiç…

A GUERRILHA DA ÍRIS

por  Lau Siqueira


Num único dia é possível perceber contrastes abismais num mesmo estado, numa mesma cidade, num mesmo país. Recentemente estive em duas cidades diferentes no mesmo dia. Numa delas, conheci uma biblioteca com um bom acervo. Apesar dos poucos recursos financeiros, administrada com muita disposição e criatividade. Na segunda cidade, enquanto jovens realizavam leitura de poemas na praça central, observei que a biblioteca que ficava em frente havia se transformado em banheiro público. As duas cidades são praticamente do mesmo porte e estão localizadas no Sertão da Paraíba. Não vou citar a segunda cidade porque cidades que não incentivam a leitura não merecem ser lembradas. Mas, primeira se chama Nazarezinho. Uma terra de violeiros, cantadores, cordelistas, contadores de história  e mantém uma Biblioteca Pública Municipal atendendo mais de oitenta crianças diariamente.
Logicamente que a situação da Biblioteca de Nazarezinho não é fácil. Todavia é mantida de portas abertas par…

O LUGAR DE ZILA MAMEDE

Por Lau Siqueira


Já não se fala mais em poeta municipal, poeta estadual, poeta federal. A internet, pelo bem dos tempos e da história da boa literatura, apagou de vez uma demarcação que divertia os grandes poetas brasileiros como Carlos Drummond de Andrade. Agora nossa batalha é com o tempo. É a luta contra o esquecimento de boas referências, muitas vezes substituídas na memória neste tempo de mídia farta. Grandes nomes da literatura brasileira, muitas vezes, sequer são reconhecidos na própria cidade de origem. Vivemos um tempo de volubilidades consagradas. Aqui na Paraíba não são raros os nomes importantes nas artes e nas letras que acabam caindo no esquecimento, em razão de articulações da velha e barbada política literária.

O caso da poeta Zila Mamede, nascida em Nova Palmeira-PB,  em 1928 e falecida em Natal-RN, em 1985 é emblemático. É certo que sua vida intelectual e profissional desenvolveu-se quase que inteiramente na capital do RN, de onde saiu para cursar Biblioteconomia no Ri…