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Mostrando postagens de Maio, 2012

Não se protege criança com mentira.

por Lau SiqueiraA situação da infância e adolescência na Paraíba e no mundo é algo que exige bem mais que discurso afiado. No mínimo, exige decência e coerência. Recentemente, incrédulo, ouvi de uma representação dos movimentos sociais que a criança que vive em situação de rua não deve ter a mesma porta de entrada para abrigamento institucional que uma criança que sofre violação de direitos. Como assim? Diagnóstico não é segregação. A criança que vive “dormindo onde as pessoas cospem”, conforme ouvi certa vez de um educador social, já teve todos os direitos violados. Desistir dos casos mais complexos é covardia. Blefe para aparecer bem na fita é crime. Mais que formação técnica e discurso voraz é preciso visão de mundo, humanidade e capacidade de articulação coletiva. Dizem os acomodados que “o problema é do Município”. Certo, mas os problemas do Município são ou não da sociedade? O começo do debate deveria estar na proteção básica, no atendimento à vulnerabilidade da família. Mas, ma…

O grande ato subversivo de Geraldo Vandré

por Lau Siqueira

Já passaram duas décadas, penso eu, desde o dia em que recebi um inesperado telefonema: “Siqueira está? É Geraldo Vandré.” Infelizmente eu não estava. O motivo da ligação de Vandré foi uma carta que enviei sugerindo que relatasse de próprio punho suas memórias artísticas. Algo que passasse longe das especulações sobre o mito. A sugestão partiu da leitura atenta dos artigos que o autor de pérolas como “Pequeno Concerto que Virou Canção” escrevia naquela época para o Jornal O Norte. Vandré se interessou pela minha sugestão e por isso ligou. Ficou de me procurar novamente, mas nunca nos encontramos. Uma publicação com suas impressões sobre um período dos mais ricos da música brasileira, que vai da Bossa Nova aos grandes festivais, me parece, continuará em falta nas boas livrarias.

Acompanhei atentamente, como tantos da minha geração, os mistérios do desaparecimento de Vandré da cena musical brasileira. Nos anos 80, ainda morando em Porto Alegre, comprei um LP de um grupo m…

Arte e resistência em João Pessoa

A cidade de João Pessoa mudou bastante na última década. Abandonou um provincianismo servil para desvendar-se cosmopolita. E sem perder o charme! Os espaços conservadores reduziram ou mostraram seu tamanho real. Os políticos que alimentam o obscurantismo são figuras carimbadas. Nas últimas eleições a ofensiva contra obras de arte revelou que a disputa real é de mentalidade e visão de futuro. Por exemplo:maranhistas e ciceristas tentaram atribuir ao adversáriocomum, Ricardo Coutinho, a “culpa” pelas diversas obras de arte espalhadas pela capital. Deu tudo errado! Atestaram a própria ignorância e um criminoso preconceito estético, racial e religioso. Chegaram a responsabilizar Ricardo pelo “Porteiro do Inferno” do paraibano Jackson Ribeiro. Ainda que a obra seja dos anos 70 e o governador somente tenha começado sua vida pública nos anos 90.

Não foram poucas as manifestações públicas buscando demonizar uma obra que é referência da arte de vanguarda brasileira. O Porteiro do Inferno é uma…