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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Políticas para o mercado ou para a leitura?

Por Lau Siqueira

Uma pulga atrás da orelha me informa que o atual ministro da Cultura quer implantar bibliotecas comunitárias nos conjuntos financiados pelo programa Minha Casa Minha Vida. Diz a pulga fofoqueira que a notícia saiu um dia desses e nunca mais se tocou no assunto. Mas, fofoca de pulga não é coisa pra ser guardada atrás da orelha. A desconfiança do bichinho não vem apenas do fato de Caleiro ser ministro de um governo cuja legitimidade é questionada nacional e internacionalmente. Segundo a nossa fofoqueira mínima,  o  Excelentíssimo  deseja apontar soluções mágicas e simpáticas aos segmentos mais críticos da Cultura. Entretanto, sem conhecer muito bem o chão da sua pisada. Ele ainda não se “enturmou” com o segmento. Em cada declaração parece querer angariar simpatias, mas não gera confiança alguma. Compreensível, afinal, não deve ser fácil ser ministro da cultura de um governo golpista. O segmento, historicamente, não engole fácil esse tipo de circunstância. Caleiro pode at…

ENOCH É A DANÇA ALÉM DO CORPO.

Por Lau Siqueira

José Enoch é muito mais que um ícone da dança brasileira. O tempo teve a habilidade de transformá-lo numa espécie de representação da dança muito além do corpo. O ápice de um movimento absolutamente único que costura os instantes e as intensidades de uma vida inteira dedicada à arte. Uma imagem de delicadezas. Uma energia que acabou por transformá-lo, também, num grande mestre da vida.  Sua experiência extrapola os palcos. Abriga sensações e estranhamentos. Coisas que se experimenta quando a vida transcende os extremos. Enoch foi aos extremos. Ultrapassou os extremos e voltou ao centro. Cavalgou pela vida como um arqueiro destemido. Descobrindo ventos e desbravando tempestades.

Paraibano de Rio Tinto, percorreu o mundo com sua arte. Nova Iorque, Osaka, Sydney. Dançou na Broadway. Dançou nas principais salas de espetáculo do mundo. Conviveu com os mitos como Elvis Presley, Bibi Ferreira, Dercy Gonsalves, Virgínia Lane na boa fase do Teatro Rebolado. Soube traduzir tudo i…

Em Guarabira tem Café com Poeira – Cultura e Resistência no Brejo Paraibano

Por Lau Siqueira

Guarabira é uma das mais importantes cidades do interior do Nordeste. É conhecida como a “Rainha do Brejo”. Situada numa das regiões de solo mais fértil do país, é um polo regional relevante em todos os sentidos. Possui localização geográfica estratégica.  Fica à cem quilômetros de João Pessoa e pouco menos que isso, de Campina Grande. Cento e oitenta quilômetros de Natal e duzentos e cinquenta de Recife. Integra uma região populosa e com expressões artísticas e culturais reconhecidas nacional e internacionalmente. Possui teatro, museu e outros equipamentos culturais. Mas, vem sendo gerida com as mãos de ferro das oligarquias. Grupos familiares se revezam na prefeitura. Políticos que não dialogam e até desprezam a efervescência natural dos movimentos culturais da cidade.

Todavia, os artistas e produtores locais não se entregam. Nunca baixaram a cabeça diante da hegemonia conservadora. Se articulam, se movimentam, criam espaços, reinventam-se, reviram as tradições e dia…

OS SEGREDOS DE QUELLYNO

“Nada envelhece tão depressa, quanto a novidade.”
(José Paulo Paes)



Neste livro, o poeta Quelino Sousa – já conhecido nos meios literários da antiga Cidade das Acácias - ingressou num universo muito expressivo da história da poesia universal. Experimenta seus poemas, exclusivamente, em sonetos e haicais. Duas formas fixas do fazer poético. Entretanto ambas com variações infinitas. Entre os extremos, cabe tudo ou quase tudo. Aliás, hai = brincadeira, gracejo, kai = harmonia, realização. Na sua origem, talvez, uma quase fotografia. O haicai, na verdade,  é um denso objeto do olhar. Já o soneto, desde sua origem até esses tempos difusos,  já se estendeu até mesmo no tapete tatuado da Poesia Visual. Especialmente quando o poeta potiguar Avelino de Araújo criou o famoso Soneto do Apartheid. Uma disposição visual  com os quartetos e tercetos representados por pedaços de arames farpados. Dispostos, inventivamente, na forma do soneto e denunciando o regime racista da África do Sul nos anos 70.…