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Mostrando postagens de Dezembro, 2017
Água de buceta? Pois é, dizem que funciona. Ouvi tudo sobre isso de uma vez só e morri de medo. Depois relaxei. Dizem que a mulher, para ter a total fidelidade do homem, tem que dar para que ele beba, claro, sem que ele saiba, a tal da água de buceta. Sim, num copo. Numa jarra, para os casos mais graves. Mas, imagino que basta meio copo d’água de buceta para um homem de alta voltagem testosterônica ficar atordoado. Um apaixonado delirante. Os homens são presas fáceis. Idiotizados pelo machismo. A natureza animal faz com que nos iludamos com um poder que não possuímos. Parece que os homens precisam de algo que funcione como um antídoto contra o veneno das ventanias. Nunca bebi desta água. Mas, na vida e nas minhas leituras, nunca disse "desta água não beberei".
Definitivamente não gosto de generalizações, de esteriótipos. Cada pessoa que generaliza, na verdade, se expõe desnecessariamente. Gosto de gente que gosta de gente. Gosto de gente sem gaiolas no olhar. Não acho que somos um caminhão de melancias, com algumas podres.Não torço contra. Nem mesmo contra o Internacional. Não gosto de todo mundo. O pensamento, a sensibilidade e a inteligência podem me encantar. A ausência disso pode me desencantar. Penso que o saldo sempre pode ser positivo. Mesmo nas tragédias, extraídos os entulhos. Sei que com algumas pessoas o respeito é uma questão de distância. No mais, faço poemas para não morrer de boas intenções. Não gosto de dizer nada pela metade. Nenhum mal dito deve ficar na garganta. Quando calo o assunto já é outro.
Na vida creio que decepcionei muita gente. Acho que algumas pessoas esperavam de mim o fracasso. Afinal as comparações ficariam mais favoráveis. Consegui ser pior. Fui e sou o avesso. Sou dos que pensam que toda alegria deve ser repartida e que todo fracasso é coletivo. No mais nao me ocupo com a caminhada alheia. Estou sempre ocupado demais com meus próprios passos. Olhar o outro me faz perceber o quanto ainda precisa ser feito.
Juro que estou ouvindo uma conversa alheia sem querer num café da 24 de Outubro, em Porto Alegre. A digníssima senhora conta para a amiga que seu marido é oficial reformado e que ele tinha um carro pago pelo Exército a disposição. Com esse carro atravessavam a fronteira do Uruguay para comprar carne de primeira e outros gêneros. Realmente a carne é fraca.
Finalmente Anitta me despertou a curiosidade. Fui buscá-la no Youtube. Algumas coisas me impressionaram. Por exemplo, 25 milhões de acesso. Outra coisa: bundão da porra! Nem lembro do rosto. Daí lembrei que a celulite está para a bunda assim como o ácaro está para o livro. Dou valor. Senti ternura pela celulite da bunda de Anitta. Tão real. Não lembro da música, mas lembro da descida até o chão. Todo respeito pela moça. Todo repúdio à máquina que a produziu. Anitta e Safadão sao produto da indústria do jabá. Música oferecida para o povo. Lembrou 1984, de George Orwell. Lembrou Chico Science: "computadores fazem arte/ artistas fazem dinheiro". Diversão para o povo. Embalo das massas. Lembrei também Geraldo Vandré me dizendo profeticamente: "se a maioria tivesse razão, não estaria na miséria".
São incalculáveis os prejuízos de uma ditadura. Nem falo dos seus crimes, mas dos seus inexplicáveis silêncios.
Devemos separar cuidadosamente (para não segregar) a cultura do povo dessa cultura forjada para o povo. São coisas bem distintas. O que chamam de povo é sempre multidão. A noção de povo, no geral, é extremamente uniformizadora. É a negação do fator humano. A negação da diversidade humana. São milhões. Milhões de pessoas. Milhões de dólares. O gosto popular só existe quando a escolha é um direito. Não é o nosso caso.
Tem gente que engana um dia e é péssimo. Tem gente que engana muitos dias e isso é muito ruim. Mas, há os que enganam a vida inteira: esses são os insuportáveis.
Rede social parece um lugar de gente perfeita. Claro, só parece. Eu não queria estar na pele dos que nunca se enganam. Ser infalível deve ser algo de uma infelicidade enorme. Um peso infinito nos ombros. Além de ser chato, inodoro e incolor. Não quero essa obrigação de ser exato. O erro nos humaniza. Aprender é a maior expressão de dignidade. Reconhecer um engano é saudável. Tripudiar sobre os erros alheios é uma doença amarga. Só me reconheço pelos meus atropelos e meus poucos acertos, na verdade, são fruto de muitos erros. Viver é experimentar. A incerteza nos aguarda na primeira esquina. O mais grave é não nos reconhecermos como iguais. Mais grave ainda é supor superioridade onde ela não existe.

"ESTE SILÊNCIO TODO ME ATORDOA"

O ano de 2017 consolidou um cenário horroroso. Lembro agora dos que ironizaram o golpe. (Estão calados. Sumiram até mesmo das redes sociais) O mais trágico é que multidões acompanharam uma quadrilha que dizia "combater a corrupção". Aliás, "com o Supremo, com tudo". Além dos direitos sociais o que está indo para o buraco de forma espetacular é a soberania nacional. Que ironia, algo tão defendido pelos militares em outros tempos. Por exemplo: uma vez consumada a venda da Embraer para a Boing (estatal americana) e a MP que permite a venda de terras rurais a estrangeiros (inclusive de assentamento), estará consolidada a nossa condição de colônia. O ano de 2018 se mostra muito incerto. Parece que estamos fazendo de conta que basta eleger Lula para desfazer o mal feito. Outros acham que basta eleger um fascista, criminoso. Terminamos o ano sem reação. Esperando que tudo se resolva numa eleição. O crime organizado está mais poderoso que nunca. Está no poder e podendo mu…
Os cartesianos que me perdoem. Nada precisa ser exato. As coisas não precisam dar certo. O que é dar certo? As vezes a exatidão consolida uma algema. Quando nos entregamos com muito amor ao processo, o resultado já não importa. Jamais irá superar o aprendizado. Tem lugar que é só caminho. Não há ponto de chegada. A vida tem o tempo de uma ampulheta. O silêncio acolhe cada grão que passa e não volta mais.