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CENSURA NUNCA MAIS

Vivemos tempos estranhos. Chico Buarque disse que quando vai caminhar escuta coisas tipo, “vai pra Cuba”, “veado”... Não é pouca a quantidade de pessoas que vê o mundo pelas janelas da histeria achando que isso é ideológico. Vivemos uma penúria ética sem precedentes. Soube que o cantor e compositor paraibano Chico Limeira foi abordado de forma ameaçadora por uma pessoa bem conhecida do cenário cultural da Paraíba. Aliás, uma pessoa com certa idade e que deve ser respeitado por isso. Mas, inaceitável que se ache no direito de abordar um artista no seu local de trabalho (Chico iria tocar) com ameaças, com batidas de mão na mesa, para que ele retire uma palavra da sua canção. Aliás, desde que recebeu o prêmio Chico Limeira vem sendo covardemente atacado de forma explícita ou implícita. Este senhor, acompanhado de outros, disse que irá solicitar o “cancelamento da premiação”. Eterno bajulador dos poderosos citou os três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo para sustentar sua amea…

QUANDO ATÉ O RESUMO DA ÓPERA BUFA.

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Pobre Rio de Janeiro. Muita proteção ao seu povo. Muita, mesmo. Amigos e amigas, protejam-se. A intervenção alardeada é do tipo: "Bandidos, por favor, saiam do morro que nós estamos chegando." Portanto, não há intervenção. Há um acordo. Um clichê midiático. Coisa pra inglês ver e não acreditar. Tempos atrás aconteceu algo semelhante e Fernandinho Beira-mar veio morar na Paraíba. Até filho fez por aqui. Fez aliados na Polícia e adquiriu um patrimônio invejável. Não tenho dúvidas que as falanges que comandam os morros cariocas irão transferir seus lucrativos negócios para outros territórios e tudo continuará como antes no quartel de Abrantes. A bandidagem mais perigosa não mora nos morros, mas nos condomínios de luxo e nas coberturas suntuosas. Representam o Brasil no Congresso Nacional. Os que pedem intervenção militar para combater o tráfico esquecem que na ditadura um tal de Sergio Fleury, delegado do DOPS, assassino frio, era associado ao tráfico e até iates possuía. O Br…
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Vi pessoas acompanhando ansiosas o resultado do desfile no RJ por conta da Tuiuti (que eu nem conhecia). Emoções legítimas. Respeito profundamente, mas, por quê deveríamos esperar resultado? A Escola deu o recado. Fez um enredo expondo a triste realidade brasileira. A Tuiuti sambou na cara dos golpistas, dos patos de franja, dos canalhas que sempre usufruíram do que dizem condenar, Ponto final. A Beija- Flor venceu, mas não conquistou um quarto da visibilidade que a Tuiuti conseguiu fazendo uma crítica bastante ácida e certeira ao desmantelo brasileiro. Foi positivo dizer ao mundo que a alegria e a anarquia do carnaval nem sempre acaba em samba. Às vezes, como foi o caso, apenas começa. No mais, mesmo não vencendo o carnaval o desfile da Tuiuti lavou a alma de uma multidão silenciosa que deveria agora perceber que a vida não é só carnaval. O Ano Novo começou. Não precisamos de heróis ou de mitos, mas de democracia. Aliás, com a certeza da impunidade e dos privilégios dos que sempre tr…
Água de buceta? Pois é, dizem que funciona. Ouvi tudo sobre isso de uma vez só e morri de medo. Depois relaxei. Dizem que a mulher, para ter a total fidelidade do homem, tem que dar para que ele beba, claro, sem que ele saiba, a tal da água de buceta. Sim, num copo. Numa jarra, para os casos mais graves. Mas, imagino que basta meio copo d’água de buceta para um homem de alta voltagem testosterônica ficar atordoado. Um apaixonado delirante. Os homens são presas fáceis. Idiotizados pelo machismo. A natureza animal faz com que nos iludamos com um poder que não possuímos. Parece que os homens precisam de algo que funcione como um antídoto contra o veneno das ventanias. Nunca bebi desta água. Mas, na vida e nas minhas leituras, nunca disse "desta água não beberei".
Definitivamente não gosto de generalizações, de esteriótipos. Cada pessoa que generaliza, na verdade, se expõe desnecessariamente. Gosto de gente que gosta de gente. Gosto de gente sem gaiolas no olhar. Não acho que somos um caminhão de melancias, com algumas podres.Não torço contra. Nem mesmo contra o Internacional. Não gosto de todo mundo. O pensamento, a sensibilidade e a inteligência podem me encantar. A ausência disso pode me desencantar. Penso que o saldo sempre pode ser positivo. Mesmo nas tragédias, extraídos os entulhos. Sei que com algumas pessoas o respeito é uma questão de distância. No mais, faço poemas para não morrer de boas intenções. Não gosto de dizer nada pela metade. Nenhum mal dito deve ficar na garganta. Quando calo o assunto já é outro.
Na vida creio que decepcionei muita gente. Acho que algumas pessoas esperavam de mim o fracasso. Afinal as comparações ficariam mais favoráveis. Consegui ser pior. Fui e sou o avesso. Sou dos que pensam que toda alegria deve ser repartida e que todo fracasso é coletivo. No mais nao me ocupo com a caminhada alheia. Estou sempre ocupado demais com meus próprios passos. Olhar o outro me faz perceber o quanto ainda precisa ser feito.
Juro que estou ouvindo uma conversa alheia sem querer num café da 24 de Outubro, em Porto Alegre. A digníssima senhora conta para a amiga que seu marido é oficial reformado e que ele tinha um carro pago pelo Exército a disposição. Com esse carro atravessavam a fronteira do Uruguay para comprar carne de primeira e outros gêneros. Realmente a carne é fraca.