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Feliz Ano Novo

É uma tristeza silenciosa que dá quando vemos algo precioso sumindo no esgar impreciso dos instantes. Todavia, entre as lembranças do que se perde resta sempre um riso pra fazer parte da melhor lembrança. Pra impulsionar a vida e pra justificar que tudo valeu a pena. Sobretudo, temos que nos descobrir frágeis e humanos. Nossos nervos devassos não sobrevivem ao primeiro amanhecer caso não sejamos capazes de acolher nossos erros. Levantar pelo braço as nossas fragilidades. Somos raros porque somos imperfeitos. Meu sentimento pela vida é de gratidão. Não pelas conquistas, mas pelos aprendizados...

É com o coração, com as emoções fervidas no cio das palavras que queremos edificar nosso pensamento para o ciclo que se inicia. O que virá será fruto destas compressões do peito que tantas vezes nos ampliam diante de um mundo que transborda sempre diante dos nossos olhos. Que não nos falte nunca uma tristeza capaz de nos fazer compreender a razão de um riso sincero. A vida é doce até pelas suas …

Papo de ex

Uma ex me falou certa vez que não acreditava em amizade entre homem e mulher. Isso, logicamente pra fundamentar seu ciúme. Não é só ela. Eu sei que muita gente pensa assim. Mas, confesso que acho esta uma posição bem atrasada e machista. Eu tenho amigas lindas que amo, mas sei e gosto de saber que jamais seriam além de amigas. Não troco minhas amigas por qualquer relação mal resolvida.

Mentiras sinceras

A confissão de cada poema não passa de uma mentira sincera. O poeta fala das suas dores sem mostrar o coração sangrando e sem revelar o tempo e o traçado. As escolhas, os critérios, os rigores... tudo isso é atributo de cada um. É tatuagem. O estilo é o DNA do espírito. Por isso o bom poema é uma mistura de rigor e acaso. O inesperado sempre dá a nota final. E o primeiro leitor que se surpreende é o próprio poeta. Um fingidor aloprado que sempre faz de conta que não é com ele. Mas, no fundo cada poeta é exatamente o que escreve porque escrever poemas é, sobretudo, um tipo de comportamento e o comportamento nos define muito mais que o silêncio.

Final Feliz

Gosto muito de visitar livrarias e sebos. Na verdade, pequenas livrarias. Não essas imensas que só se instalam em shoppings. Hoje, são raras as pequenas e preciosas livrarias. Acho o tal do shopping uma instituição insalubre. Em Porto Alegre está localizada uma das minhas preferidas, a Palavraria. Ontem estive lá, tomei uma taça de vinho e comprei alguns livros de poetas gaúchos. Vou levando pra casa Oliveira Silveira (saudoso), Armindo Trevisan, Ronald Augusto, e Celso Gutfreind. Comprei também um livro da poeta francesa Nathalie Quintane e mais alguns. Imagine, comprei até um livro meu! rsrs... Depois saí caminhando pela Vasco da Gama, atravessando ruas arborizadas... com cara de "final feliz".

pequenas crônicas

Aprendi a andar pela margem, mas sempre olhar para o centro das coisas... Para o miolo, para a medula, para o que muitas vezes se esconde pelo excesso de sombra ou pelo excesso de luz. Aprendi que cada passo é uma guerrilha e que somente uma caminhada inteira é a revolução. Por isso, às vezes, nem pergunto qual o caminho. Apenas sigo em frente. Pois cada caminho é uma fonte enorme de conhecimento, de novas paisagens e novos descobrimentos. Mesmo no caos a esperança é possível quando a nossa utopia não morre. Até mesmo a dor nos ensina que viver é sentir a diferença e a beleza do solo e da sinfonia. Por isso todos os caminhos me atraem. Afinal, cada caminho nos oferece o direito de escolha. "Você é o Senhor da sua mente", como me ensinou o budismo. Só se vive plenamente quando a razão de viver é repartir o que temos de melhor. E na verdade, essas pedras preciosas, sem preço, sem classificação, sem pódium, são as coisas que acumulamos infinitamente quanto mais repartimos.

pipoca BOKUS

Estava escorado num poste depois do almoço, lendo um livro em pleno centro de João Pessoa. Buzinas, pessoas, gritos de camelôs... Tudo era paisagem e passagem. Tudo era viagem. O que perturba o silêncio geral, de alguma forma, não me incomoda. Aprendi a conviver no caos urbano. Outras coisas me incomodam mais, muito mais. Enfim... Gosto de ler Umberto Eco em qualquer circunstância. Me faz bem ler um bom texto,reconhecer ideias claras e refletir sobre elas. Ele fala dos livros, da verdade, da memória, mas o que eu leio é a minha própria vida. Nesse tempo de turbilhões seletivos, encantamentos diluídos, amores estrangulados num posto de gasolina e as pipocas Bokus sorrindo no fiteiro. O que importa é termos uma síntese de tudo. A síntese da tempestade revela a intensidade do vento. Isso não irá garantir a brisa, mas permitirá ao navegante ratificar o rumo, manter o leme. Afinal, navegar é preciso. Aliás, navegar é pessoanamente preciso. Mas, viver, às vezes, é impreciso demais. Estamos …

Caminhando com Geraldo Vandré

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O poeta, jornalista e amigo Linaldo Guedes me entrevistou acerca do recital que Geraldo Vandré fez nos dias 22 e 23 de março na Sala de Concertos Maestro José Siqueira. A entrevista saiu no Correio das Artes, o mais antigo suplemento cultural do país ainda em circulação. Na entrevista converso um pouco sobre a convivência com esse grande artista brasileiro e o planejamento do concerto. 
SEGUE NA ÍNTEGRA A ENTREVISTA QUE LINALDO GUEDES FEZ COMIGO.

1 – O concerto será mesmo nos dias 22 e 23 de março? Que horas e local?
Por uma questão de conciliação de agendas o concerto foi remarcado para os dias 22 e 23 de março, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, às 20h. Esta Sala fica no Espaço Cultural José Lins do Rego. Por que na Sala José Siqueira? Nós queríamos fazer no Teatro Pedra do Reino, que rapidamente se tornou reconhecido como um dos maiores, mais modernos e imponentes teatros do Brasil. No entanto, a Sala José Siqueira foi uma escolha muito particular do artista e nós respeitamos…