Postagens

SOBRE VIVER NO BRASIL EM 2019

Somos um povo preconceituoso por natureza. Um povo afeito aos protocolos mais inúteis. Isso nada tem a ver com ideologia. Muito menos com a elegância da qual somos naturalmente despidos. Algumas vezes esquerda e direita se equivalem. Principalmente nos extremos. Leio críticas ao deputado que foi tomar posse com chapéu de cowboy e colocou a esposa no colo. Também leio pilhérias quanto ao decote de certa deputada. No entanto, o fato do chapéu e do colo, bem como dos seios da deputada, não representam nada diante dos motivos pelos quais se elegeram. O mesmo ocorre com Alexandre Frota. Fazer filmes pornô foi o auge da sua carreira de ator e homem medíocre. Não importa. Quem curte assiste. Quem não curte, não assiste. O que me preocupa neles é a política de extermínio que representam e defendem com fúria. O que me preocupa mais ainda é repentina simpatia por Mourão, por ser mais esperto que o pateta eleito. Parece que o Brasil anda atordoado. Um ministro nos chama de ladrões e ninguém bat…

O MinC jamais servirá ao fascismo.

                                                                                                      Por Lau Siqueira

O fechamento do Ministério da Cultura no governo Bolsonaro não surpreende.  No segundo governo Dilma o MinC já andava esmaecido. A posse de Juca Ferreira foi muito representativa. Praticamente todos os ministérios estavam lá. Todavia, as investidas golpistas buscando inviabilizar o governo foram imediatas e o MinC ficou praticamente paralisado. Não foi diferente com os demais ministérios. Juca Ferreira sentiu na pele a pancada da recessão e do golpe que derrubou Dilma. De 2015 até 2018 tivemos cinco ministros. Um retrato 3 x 4 do desmantelo. Após o impeachment a ideia de fechamento do Minc provocou protestos. As ocupações foram imediatas e vitoriosas. Temer voltou atrás. Mas, o ministério que emergiu do golpe foi uma instituição pífia comandada por oportunistas. Temer não extinguiu o MinC, mas subtraiu. Tratou de sufocar um ministério já sofrido. Bolsonaro apenas jogo…

Uma grande indústria chega ao Sertão

Calma, gente. Não teremos nenhuma agressão ao meio ambiente. Não se trata de um empreendimento invasivo que traga constrangimento ou agressão aos valores culturais do sertão. Muito pelo contrário. Se trata de uma movimentação da cultura tradicional da região em harmonia com outras manifestações das diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina. Uma ação muito bem articulada regionalmente pela Pisada do Sertão – uma instituição que cuida da proteção de crianças e jovens na cidade de Poço José de Moura. Uma ação estruturada na capacidade e na necessidade de constituir boas parcerias.
A Rota do Sol nasceu de uma grande vontade coletiva, como todas as outras rotas culturais que acontecem principalmente no Brejo. Numa viagem à Uiraúna em 2016 para discutir a Rota Cultural da Coluna Prestes, senti que um grupo ficou um tanto deslocado por estar fora daquele roteiro cultural e histórico. Afinal, a Coluna Prestes passou por vários municípios sertanejos, mas não por todos. Entrou e…

RIDÍCULO

Sim, já fiz algumas loucuras na vida. Muitas, aliás. Quero fazer mais, inclusive. Já me senti ridículo muitas vezes e quero mais. Não me envergonho dos meus defeitos pois são pura revelação e algumas vezes, rebeldia. Já senti na pele a dor alheia e vou ainda sentir muitas outras. Gosto de mirar no que sobra quando não sobra nada. Tem ausência que morfina o vento. Aprendi a silenciar quando a minha alma grita. Aprendi a suportar quando o coração explode. Já tentei muitas coisas. Desisti de outras tantas. Vou continuar tentando. A tentação me movimenta, me modifica. Viver é esse passo cada vez mais pro fundo, pra dentro do que se revela fora. Há um espelho resguardando meus segredos e a minha biografia escrevo todo dia. Tudo recomeça quando abro os olhos, respiro fundo, olho pra memória e digo: bom dia sua linda, vem comigo. No caminho eu explico.

ÁSPERO

Seguinte: mergulho é mergulho. Em qualquer profundidade. É o voo mais vivo e veloz. Até mesmo com medo. Morto de medo. Cagado de medo. O medo é sempre a possibilidade de enfrentá-lo. Mergulhar é sempre mais que uma necessidade. É inevitável. É imprescindível. Como o pássarto que experimenta as asas no topo do penhasco. Mergulhar sempre. Até mesmo no raso. Pois nada mais raso que a pele. Mas, nada mais produndo que a pele. Só não vale o mergulho no vazio. Porque no vazio nem o nada existe. O vazio não é um retrato do medo, mas a inversão da coragem.

MARGEM ALGUMA

Sim, já fiz algumas loucuras na vida. Muitas, aliás. Quero fazer mais, inclusive. Já me senti ridículo muitas vezes e quero mais. Não me envergonho dos meus defeitos pois são pura revelação e algumas vezes, rebeldia. Já senti na pele a dor alheia e vou ainda sentir muitas outras. Gosto de mirar no que sobra quando não sobra nada. Tem ausência que morfina o vento. Aprendi a silenciar quando a minha alma grita. Aprendi a suportar quando o coração explode. Já tentei muitas coisas. Desisti de outras tantas. Vou continuar tentando. A tentação me movimenta, me modifica. Viver é esse passo cada vez mais pro fundo, pra dentro do que se revela fora. Há um espelho resguardando meus segredos e a minha biografia escrevo todo dia. Tudo recomeça quando abro os olhos, respiro fundo, olho pra memória e digo: bom dia sua linda, vem comigo. No caminho eu explico.

COMO ERA DOCE SER RUDE

Lembro que no dia 3 de dezembro de 1977, em frente ao leito de morte do meu velho, abracei minha tia pensando que era a minha mãe. Elas eram muito parecidas. Minha mãe se chamava Maria Joanna. Assim mesmo, com letras repetidas. Minha tia se chamava Egídia. Mas os sobrinhos e sobrinhas, irmãos e as irmãs gostavam de chama-la de Tatá. Tatá era um doce. Uma abelhinha linda que passou pelo mundo. Tinha um filho que morava na Charqueada. Todavia, demonstrava um carinho enorme por mim. Aquele amor foi um aprendizado e eu não sabia. Viver entre aquelas pessoas era um porto seguro. Aprendi a ser carinhoso e respeitoso com meus tios e minhas tias. Fui educado para respeitar os mais velhos. Para me fazer respeitar, também. Era lei lá em casa. Ser acolhido por Tatá, era algo de uma doçura infinita. Uma experiência plena de ternura. Por isso sempre visito Jaguarão,cidade onde nasci e onde conheci minha gente. Tenho uma boa lembrança em cada esquina. Tenho dores, também. Mas a experiência de ser …