CHEGA DE MI MI MI...

Por Lau Siqueira

Para desgosto de alguns o fato mais contundente da Operação Lava-Jato, até agora, foi a gravação de uma conversa entre Dilma e Lula que não contribuiu com absolutamente nada para a investigação. Uma barrigada jurídica usada posteriormente como instrumento de chantagem. Diante da possibilidade de perder o “selo” Lula para o STF, Moro expôs o que o ex-presidente pensa sobre o STF. Simples assim. O Excelentíssimo jogou no ventilador. Virou vale-tudo. São os tempos do BBB Jurídico. A exposição pública é feita sem escrúpulos. Estão usando irresponsavelmente uma prerrogativa da Justiça para fomentar o ódio que já inunda as ruas. Pior: ninguém é responsável por nada.

As gravações de Lula e Dilma podem até ser legais e justificáveis. Mas, a divulgação massificada para uso e abuso político foi infame demais. Uma vergonha. Não interessa a vida pessoal de ninguém. O jeito como falam, os palavrões que dizem reservadamente, como se vestem, por onde transitam, quem são seus amigos... Não queremos saber de pedalinhos. Aliás, esse papo de pedalinho é a cereja do bolo da banalização midiática à qual o País está submetido. Significa a consagração da mediocridade dominante. O povo brasileiro, realmente, quer o processo legal e não o mero julgamento editorial. O povo quer isonomia na divulgação da roubalheira. Por quê a lista da Odebrecht, rapidamente, virou sigilosa? (SQN).

O que fica cada vez mais evidente é o despeito e o ódio de uma tradição burguesa encastelada no poder desde as Capitanias Hereditárias. O que se vê é revolta de gente que “não é racista”, mas não suporta negros na universidade. Não suporta gays assumidos em locais públicos. Não suporta trabalhador rural viajando de avião. E, principalmente, a possibilidade do retorno de um certo ex-metalúrgico para a presidência da República. Morrem de medo. A Operação Lava-Jato é necessária, sim. (Ou já foi?) Só não pode ser conduzida de forma tão parcial por juristas que escancaram nas redes sociais suas preferências políticas. Da Justiça, apenas esperamos que seja justa e que seja sóbria.

No mais, a realidade é que em um momento tão delicado, um deputado que é réu por corrupção vai conduzir os destinos do País. Não seria mais lúcido começar já a limpeza pela cozinha do Congresso já que, até agora, com Lula e Dilma foi só mi mi mi? Ainda bem que as vozes da lucidez estão cada vez mais firmes, se posicionando em todos os níveis. Se querem mesmo combater a corrupção, que tal fazer a Reforma Política? Esta é urgente e fundamental para consolidar a democracia no Brasil. Sem Reforma Política e partidária “combate à corrupção” é conversa pra boi dormir.

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