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Mostrando postagens de 2017

Ebulição no mundo editorial.

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Por Lau Siqueira


Não quero exagerar, mas parece que do início do século XX pra cá, vivenciamos alguns momentos de ebulição na literatura. Primeiro com a Semana de Arte Moderna de 1922. Claro, a Semana extrapolou. Trabalhou a literatura, mas também a música, a escultura, a pintura. As rupturas de 22 ainda hoje influenciam e determinam os passos da literatura e de outras artes ditas brasileiras. Podemos considerar, também, que a Poesia Concreta impactou por ser o único movimento de vanguarda genuinamente brasileiro. Também continua determinando os rumos a Poesia principalmente, mas também de outras artes no Brasil e em outros países.
Outubro de 2017 também deve entrar para o calendário das grandes transformações. O Mulherio das Letras, acontecido na Paraíba, trouxe para o debate as inquietações e as zonas de sombra do universo editorial. Sem aprofundar o debate estético (não era esse o objetivo), reverberou as diferenças e as potencialidades do universo feminino na literatura. O Mulherio …

A criminalização da arte e o silêncio dos inocentes.

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por Lau Siqueira


Recentemente duas polêmicas ocuparam as redes sociais no palco sombrio da intolerância e na aldeia das informações distorcidas. Falo, inicialmente, da exposição “Queermuseu”, no Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. As temáticas LGBT atiçaram o ódio de elementos do controverso MBL – Movimento Brasil Livre –, agrupamento de militantes políticos de extrema direita que tem se notabilizado pela insensatez e virulência. Mesmo liberado pelo Ministério Público Federal, o banco decidiu encerrar a exposição. Entendo que tanto o ato do MBL quanto o banco infringiram a lei, uma vez que a homofobia é crime. Foram dois atos inaceitavelmente homofóbicos. Ironicamente, o Santander possui um dos maiores acervos de artes plásticas do país. Certamente com as mais diversas temáticas. Esta foi só uma demonstração do obscurantismo e fanatismo que alguns setores tentam impor ao Brasil. Aliás, já com resultados lamentáveis. Por exemplo, a agressão covarde à mãe que abraçava a filha num…
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Morro de medo do senso comum. Corro das unanimidades. Penso que uma das coisas que mais assusta nos tempos atuais é a banalização coletiva da vida. O naco empoeirado de democracia que conquistamos, certamente, não foi bem aproveitado. Temos assistido cenas horrorosas e absolutamente abortadas da memória comum. Por exemplo, quando aqueles rapazes tatuaram na testa de um adolescente a frase “Eu sou ladrão e vacilão”, sinalizavam que boa parte das ditas ”pessoas de bem”, perderam o senso de justiça e de humanidade.

Não me refiro apenas aos rapazes que cometeram tamanha violação dos direitos humanos e devem pagar por isso. Mas, às pessoas entrincheiradas na própria covardia que passaram a manifestar apoio ao ato tresloucado dos tatuadores sobre um jovem infeliz. Alguém que deveria simplesmente ter sido entregue para uma delegacia especializada. Nada justifica tamanha crueldade, tamanha humilhação. Nada justifica a tentativa de inibição ao crime com atos e ações criminosas. Muito menos a…

“LÁ VEM O BRASIL DESCENDO A LADEIRA”

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Por Lau Siqueira

Nosso país está doente. Quase em estado terminal. Não apenas pelos escândalos que envolvem as instâncias de poder do Planalto Central e os grandes grupos empresariais brasileiros. Estamos vivendo um momento muito complexo em todos os sentidos. Parece que abriram a porta do inferno e o primeiro a sair correndo e gritando “Deus nos acuda”, foi o diabo. Já não sabemos mais quantos interesses estão envolvidos nos escândalos que abalam a nação. O certo é que dentro das estruturas de poder, abrigamos uma verdadeira máfia e mafiosos como o senador Aécio Neves. Alguém que fala direta e nitidamente da necessidade de fazer “queima de arquivo”, não deveria estar na vida pública. Deveria estar na cadeia. 

Por outro lado, um fato na delação dos estranhos personagens da JBS fugiu às análises. Esse fato é o preço da defesa de Aécio sustentada por um esquema de caixa 2. Dois milhões de reais. Certamente, não seria apenas para o advogado. Não é real discutir honorários advocatícios ness…

Uma crise bem mais profunda

Por Lau Siqueira


Estive em Fortaleza recentemente, na Bienal Internacional do Livro. Participei de uma mesa sobre livro e leitura com algumas pessoas da área. Nomes relevantes, aliás. Inclusive o grande José Castilho. Lembramos logo o nome de Castilho quando se fala em Plano Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Ele é um dos pilares dessa construção. Uma das pessoas dando a régua e o compasso por aí. Claro que outros também, como Fabiano Puiba e muitos que não vou citar. Ouvi do Castilho uma informação que me alarmou bastante. Ele disse que o resultado da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revelou 75% de analfabetos funcionais no país. É algo extremamente preocupante e que está diretamente relacionado com a pouca atenção que ainda se dá para a leitura enquanto direito social. 
Esse índice nos lembra o poeta gaúcho Mário Quintana que dizia que “o pior analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê”. O analfabetismo funcional é a incapacidade que a pessoa tem d…

UM PAÍS CHAMADO PRINCESA

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Por Lau Siqueira



“Nós somos pernambucanos”. Esta frase dita por um apaixonado pesquisador da cidade de Princesa Isabel, no Sertão da Paraíba, me impactou bastante. Inicialmente entendi como um choque necessário para se começar uma boa conversa sobre algo precioso e profundo. Eu estava certo. Mas, no breve convívio com o cidadão, compreendi o sentido do que foi dito. A rebeldia faz parte da história de Princesa. A relação com Pernambuco também é histórica. Naqueles tumultuados anos 30 os coronéis exportavam seus produtos pelo porto de Pernambuco. Aliás, causando enormes prejuízos à Paraíba. Se estivesse no território pernambucano, na mesma circunstância, certamente ele afirmaria ser paraibano. Portanto, não se trata de uma postura de repulsa, mas de contestação ao abandono. Parece que nunca mais Princesa desgrudou da pele a denominação de Território Livre. A história deixou uma tatuagem na memória da cidade. Nos dias de hoje, vejo reascender na alma princesense o espírito desafiador qu…

A Pedagogia do Afeto

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Escrever é um ato posterior à leitura. Portanto, afirma a importância de um aprendizado que começa na identificação dos códigos da leitura. Em cada processo de incentivo à escrita criativa a leitura se faz presente de forma acentuada. Especialmente a leitura literária. Temos consciência do que representa esta relação criativa no desenvolvimento geral da criança e do adolescente. Lacunas que não serão jamais preenchidas em outros momentos da vida. É o conhecido “aqui e agora” da Educação. Portanto, se trata de uma ação que transcende a sala de aula. Representa uma certa pedagogia do afeto. Um ato solidário do mestre para com seus alunos. Uma sedução para o conhecimento e para a expressão deste conhecimento. Um legado que um professor ou uma professora deixa para seus alunos. Uma marca em suas vidas. A Escola de Ensino Fundamental e Médio Arruda Câmara, em Pombal-PB,  desenvolve esse projeto com seus alunos e alunas através do professor e produtor cultural Luizinho Barbosa. Luizinho é …

Sobre pixo, grafite, arte e cidade

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A vida urbana é um livro que precisa ser lido com atenção. Aliás, um livro ilustrado. As coisas que acontecem pelas esquinas, pelos becos, geralmente passam em brancas nuvens. O cotidiano e a pressa de viver oculta muitas verdades. Recentemente, passando pelas Três Ruas, no bairro do Bancários, em João Pessoa, vi uma casa abandonada (quase em ruínas) com uma grafitagem bacana e uma frase muito significativa escrita no portão: “tanta casa sem gente, tanta gente sem casa.” Quem mora por aqui sabe que as casas originais do Bancários são bem estruturadas. Nenhum luxo, mas uma boa estrutura. O conjunto habitacional é de um tempo em que ser bancário era quase um passaporte para a classe média. No entanto, em um lugar considerado privilegiado de um bairro tão cheio de intelectuais, artistas e outros trabalhadores, o impacto de uma intervenção artística numa residência abandonada tem provocado, no máximo, muita indiferença. Entretanto, essa transgressão alerta para um debate necessário. A rua…

Entre o Lajedo e a Palavra - lá vem a VIII FLIBO

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Por Lau Siqueira




Boqueirão é uma cidade da Paraíba situada no Cariri. Uma cidade cheia de possibilidades, onde em breve a transposição do Rio São Francisco trará mais que água para a Cidade as Águas.  Terra das Crocheteiras e  das redes. Geografia generosa onde a beleza das pedras e a generosidade do povo são e sempre serão a matéria primordial para a maior e mais importante feira literária da Paraíba. Falo da FLIBO – Festa Literária de Boqueirão, comandada pela ABES – Associação Boqueirãoense de Escritores e que este ano deverá homenagear Chico Buarque. Evento literário que foi se atrevendo nas proposituras de uma política pública em torno do livro e da leitura. Ação pedagógica que nos lembra Roland Barthes, quando diz que a “literatura contém muitos saberes”.  Um marco na economia criativa da região. Seja pela ação contínua, seja na opção pela autonomia. Uma produção que nasce e se mantém na sociedade civil. Mesmo que precise das parcerias. Aliás, sempre necessárias com os governos m…