SILVINO OLAVO

por Lau Siqueira
As novas mídias provocam uma reflexão inadiável acerca do que pode ser consagrado pela eternidade. Nestes tempos modernos grande parte dos textos publicados nascem e se consolidam enquanto arquivo digital. É verdade que muita banalidade acabará dialogando com o futuro. Todavia é concreta também a possibilidade de apagarmos as linhas de esquecimento que tangem a poesia e a vida de autores importantes. Silvino Olavo entre eles. Um autor necessário às novas gerações. O poeta nasceu no município paraibano de Esperança em 1897 e faleceu em 1969 na “Rainha da Borborema”.


Dono de uma lírica que dialogava diretamente com o simbolismo de Mallarmé, Rimbaud, Verlaine, Eugênio de Castro,  Cruz e Sousa, entre outros, Silvino Olavo foi  um pré-modernista contemporâneo da Semana de Arte Moderna de 1922. Fez parte de uma geração que provocou a ruptura definitiva com o parnasianismo, mas não com o soneto. Carregava uma indisfarçável e grata influência do poeta belga Georges Rodenbach que era, por assim dizer, seu autor predileto. Festejado pela crítica nacional da sua época, principalmente pela obra Cysnes, publicada em 1924 pela Brasil Editora e Sombra Iluminada, três anos depois,  tornou-se célebre também pela vida acadêmica. Sua tese, “Cordialidade - estudo literário, 1° série” foi transposta para o inglês e publicada em Nova Iorque no ano de 1927.

O poeta teve vida intelectual intensa, convivendo com personalidades importantes da sua época como Peryllo de Oliveira, Américo Falcão, Eudes Barros e Amaríllo de Oliveira. Promovia tertúlias em residências familiares, tendo sido um dos criadores  do conhecido “Grupo dos Novos”. A despeito de todos os dramas vividos, Silvino construiu uma obra que jamais será esquecida. Um dos motivos é o fato de representar o diálogo intelectual de uma geração que conviveu com uma intensa e turbulenta fração da história da Paraíba. O poeta era amigo de João Suassuna e trabalhou no governo de João Pessoa. Também foi colaborador do Jornal A União e da revista Nova Era. A trágica morte dos dois é apontada por alguns como uma das causas da enfermidade do poeta. Sua brilhante trajetória intelectual não  foi suficiente para poupá-lo dos sofrimentos aos quais estamos todos sempre muito vulneráveis. Silvino Olavo padeceu de transtornos psíquicos, tendo sido internado algumas vezes  no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. Mesmo gravemente enfermo, não deixou de produzir belos versos. Faleceu no hospital Dr. João Ribeiro, em Campina Grande aos 82 anos.

“Na minha via crucis de Amargura,/ entre os ciprestes lúgubres, silentes,/ no silêncio das horas mais algentes/ venho, às vezes, beijar-te a sepultura.” Com a primeira estrofe de “Ronda Lúgubre”, poema do seu primeiro e consagrado livro, Cysnes, não poderíamos deixar de registrar esta breve provocação acerca da obra de um dos mais instigantes poetas paraibanos de todos os tempos.

Comentários

Rau Ferreira disse…
O CYSNE DE LEGENDA

Silvino Olavo possuia realmente uma inteligência multiforme. Político, poeta, jornalista, advogado... e uma incontável soma de atributos. Um homem de expressão como escrevera um dia. E um Cysne de Legenda que soubera compor.
Com o seu “Cysnes” conquistou o Rio de Janeiro, sendo bastante aplaudido em seu ensaio poético. Ao chegar à pequenina Paraíba – poeta consagrado – recebeu os auspícios de Promotor Público da Capital e Conselheiro Penitenciário, cargo que assaz lhe foi atribuído na carreira jurídica. Para depois assumir a chefia de gabinete do Governo João Pessoa.
Redator de “O Jornal” e colaborador de diversos periódicos como a Revista “Era Nova”, integrou o quarteto fantástico ao lado de Severino, Perillo e Orris – heróis de uma geração. Chegou a integrar com Samuel Duarte, José Américo de Almeida e Eudes Barros, o quadro da intelectualidade paraibana que publicava n'A União.
Foi o seu abraço afetuoso que o autor de “Macunaíma”, Mário de Andrade, registro em suas crônicas quando em visita a Paraíba no ano de 1929.
Não foi o bastante ser o fiel representante do simbolismo neste Estado. Era preciso ser inédito e assim surgiu sua “Sombra, Iluminada” pelas agruras que passara desde que intentou acompanhar o seu menestrel nas eleições de 30.
No cidade do Recife veio a sua primeira crise. A que sucederam tantas outras para findar solitário numa colônia de alienados.
Vinte anos mais tarde salvou-lhe o cunhado Waldemar, a quem viu uma luz. Em momentos de lucidez deixava todos atordoados com sua capacidade de compor. E até um cachorro virou amigo-cachorro porque muitos não o são.
Residindo na capital paraibana produzia e produzia, foram muitos os textos dentre os quais conseguimos copilar em nossas pesquisas: “Política e Democracia”, “Criadores e Criaturas”, “Glória in Excelsis Deo” e “Gritos do meu tempo”, de um total de 18 até agora.
Em Esperança, embora obscuro, transcrevia nas páginas em branca de alguns livros a sua musa “Badiva”. Enquanto isso, Pedro Calmon escrevia as “Memórias” do colega de faculdade a quem a maioria da turma incumbiu de proferir o discurso de formatura.
Silvino ainda hoje preocupa. Suas ideias liberais e sua força estética movem velhos moinhos. Olavo amedronta. Passeando pelas ruas desta Banabuyé no caminho da Beleza para o bar do primo Antônio, contrariava o cenário político e admoestava estudantes de direito que o julgava desconhecedor de seu tempo.

Rau Ferreira
Rau Ferreira disse…
O CYSNE DE LEGENDA

Silvino Olavo possuia realmente uma inteligência multiforme. Político, poeta, jornalista, advogado... e uma incontável soma de atributos. Um homem de expressão como escrevera um dia. E um Cysne de Legenda que soubera compor.
Com o seu “Cysnes” conquistou o Rio de Janeiro, sendo bastante aplaudido em seu ensaio poético. Ao chegar à pequenina Paraíba – poeta consagrado – recebeu os auspícios de Promotor Público da Capital e Conselheiro Penitenciário, cargo que assaz lhe foi atribuído na carreira jurídica. Para depois assumir a chefia de gabinete do Governo João Pessoa.
Redator de “O Jornal” e colaborador de diversos periódicos como a Revista “Era Nova”, integrou o quarteto fantástico ao lado de Severino, Perillo e Orris – heróis de uma geração. Chegou a integrar com Samuel Duarte, José Américo de Almeida e Eudes Barros, o quadro da intelectualidade paraibana que publicava n'A União.
Foi o seu abraço afetuoso que o autor de “Macunaíma”, Mário de Andrade, registro em suas crônicas quando em visita a Paraíba no ano de 1929.
Não foi o bastante ser o fiel representante do simbolismo neste Estado. Era preciso ser inédito e assim surgiu sua “Sombra, Iluminada” pelas agruras que passara desde que intentou acompanhar o seu menestrel nas eleições de 30.
No cidade do Recife veio a sua primeira crise. A que sucederam tantas outras para findar solitário numa colônia de alienados.
Vinte anos mais tarde salvou-lhe o cunhado Waldemar, a quem viu uma luz. Em momentos de lucidez deixava todos atordoados com sua capacidade de compor. E até um cachorro virou amigo-cachorro porque muitos não o são.
Residindo na capital paraibana produzia e produzia, foram muitos os textos dentre os quais conseguimos copilar em nossas pesquisas: “Política e Democracia”, “Criadores e Criaturas”, “Glória in Excelsis Deo” e “Gritos do meu tempo”, de um total de 18 até agora.
Em Esperança, embora obscuro, transcrevia nas páginas em branca de alguns livros a sua musa “Badiva”. Enquanto isso, Pedro Calmon escrevia as “Memórias” do colega de faculdade a quem a maioria da turma incumbiu de proferir o discurso de formatura.
Silvino ainda hoje preocupa. Suas ideias liberais e sua força estética movem velhos moinhos. Olavo amedronta. Passeando pelas ruas desta Banabuyé no caminho da Beleza para o bar do primo Antônio, contrariava o cenário político e admoestava estudantes de direito que o julgava desconhecedor de seu tempo.

Rau Ferreira
Rau Ferreira disse…
O CYSNE DE LEGENDA

Silvino Olavo possuia realmente uma inteligência multiforme. Político, poeta, jornalista, advogado... e uma incontável soma de atributos. Um homem de expressão como escrevera um dia. E um Cysne de Legenda que soubera compor.
Com o seu “Cysnes” conquistou o Rio de Janeiro, sendo bastante aplaudido em seu ensaio poético. Ao chegar à pequenina Paraíba – poeta consagrado – recebeu os auspícios de Promotor Público da Capital e Conselheiro Penitenciário, cargo que assaz lhe foi atribuído na carreira jurídica. Para depois assumir a chefia de gabinete do Governo João Pessoa.
Redator de “O Jornal” e colaborador de diversos periódicos como a Revista “Era Nova”, integrou o quarteto fantástico ao lado de Severino, Perillo e Orris – heróis de uma geração. Chegou a integrar com Samuel Duarte, José Américo de Almeida e Eudes Barros, o quadro da intelectualidade paraibana que publicava n'A União.
Foi o seu abraço afetuoso que o autor de “Macunaíma”, Mário de Andrade, registro em suas crônicas quando em visita a Paraíba no ano de 1929.
Não foi o bastante ser o fiel representante do simbolismo neste Estado. Era preciso ser inédito e assim surgiu sua “Sombra, Iluminada” pelas agruras que passara desde que intentou acompanhar o seu menestrel nas eleições de 30.
No cidade do Recife veio a sua primeira crise. A que sucederam tantas outras para findar solitário numa colônia de alienados.
Vinte anos mais tarde salvou-lhe o cunhado Waldemar, a quem viu uma luz. Em momentos de lucidez deixava todos atordoados com sua capacidade de compor. E até um cachorro virou amigo-cachorro porque muitos não o são.
Residindo na capital paraibana produzia e produzia, foram muitos os textos dentre os quais conseguimos copilar em nossas pesquisas: “Política e Democracia”, “Criadores e Criaturas”, “Glória in Excelsis Deo” e “Gritos do meu tempo”, de um total de 18 até agora.
Em Esperança, embora obscuro, transcrevia nas páginas em branca de alguns livros a sua musa “Badiva”. Enquanto isso, Pedro Calmon escrevia as “Memórias” do colega de faculdade a quem a maioria da turma incumbiu de proferir o discurso de formatura.
Silvino ainda hoje preocupa. Suas ideias liberais e sua força estética movem velhos moinhos. Olavo amedronta. Passeando pelas ruas desta Banabuyé no caminho da Beleza para o bar do primo Antônio, contrariava o cenário político e admoestava estudantes de direito que o julgava desconhecedor de seu tempo.

Rau Ferreira
Rau Ferreira disse…
ORIENTAL

Sonho em silêncio, à luz da phantasia,
Para a minha volúpia sem pecado.
Um pagode de esmalte decorado
Com mil caprichos de Japonesia.

Um lago e além do lago um kiosque armado
Tudo de nácar, polychromia,
Aonde a musa de amor e da harmonia
Viesse trazer-me o seu sorriso armado.

Viesse espreitar na transparência dagua
A sombra azul do cysne da beleza
A silhueta irmã da minha magua!

É a noite com o luar sobre a paizagem,
Viesse me visitar, geisha-princeza,
Toda envolta num manto de plumagem.

Silvino Olavo

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