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quinta-feira, 26 de junho de 2014

A REABERTURA DO ESPAÇO CULTURAL

Por Lau Siqueira

No próximo dia 4 de julho o Espaço Cultural da Paraíba estará reabrindo suas portas. O maior espaço cultural do país e o segundo maior do mundo retoma o caminho das suas possibilidades. Recebeu o grande e necessário investimento na sua história de 32 anos. Nunca havia passado por uma reforma tão substancial. Também não soube preservar-se da ação predatória do tempo. Já começava a oferecer perigos reais. O comprometimento da rede elétrica, por exemplo, já poderia ter provocado uma tragédia. Intervir no Espaço Cultural foi, portanto, um ato de necessária ousadia do Governador Ricardo Coutinho.  Mas, o fato é que  a grande e necessária reforma é conceitual e não física.

Com urgência, por exemplo, devemos resgatar algumas das suas memórias e sepultar outras. Sobretudo, lá deve ser o espaço de todas as artes, todas as linguagens, todas as tribos. Um esteio de plena representação da diversidade cultural paraibana. Um ponto de convergência dos que fazem arte e produzem cultura. Os que produzem e reproduzem conhecimento. Um lugar assim não haverá de abrir as portas para a banalidade, para a estupidez. Será objeto de reflexão permanente um espaço que assume a potencialidade de conjugar os interesses e a lógica da produção criativa. Claro, com todos os seus problemas, todas as suas mazelas. Todas as infestações abstratas da humanidade.

Porém estamos aqui apenas no campo das ideias. E sabemos que nenhuma ideia sobrevive sem que uma experimentação prática seja começada. Não há mais espaço para uma instituição de cultura que não esteja inserida na sociedade com o claro objetivo de desenvolvê-la econômica, social, estética e politicamente. Não haverá uma condução possível das atividades do Espaço, se não a partir da harmonia entre suas diversas ilhas de conhecimento.  Muito menos, sem que por lá as regiões paraibanas escrevam suas próprias histórias. Seja num Boi de Reis de Poço José de Moura, um aboio de São José dos Ramos ou a poesia de Manoel Monteiro.


A cultura contemporânea a e a cultura erudita precisam, finalmente, se mirar de frente. Buscar os diálogos da diversidade do hip-hop ao coco de roda, da literatura ao Sistema Estadual de Bibliotecas. Algo que poderá conduzir e semear  novos frutos. Todavia, o momento é de disputa. Por isso mesmo “é preciso estar atento e forte”. O pensamento precisa ter asas e ser claro para que possa ser visto nesta infinita noite da midiatização e da padronização dos costumes. Mas, com tantas leituras do mundo estaremos aptos a escrever uma nova história e permitir que essa história permaneça sendo escrita. No mais, para os bons entendedores basta a intensidade e a profundidade do silêncio.


Texto que será publicado no Jornal A União, edição de 27.06.14 - João Pessoa-PB.

Um comentário:

PEDRINHO RENZI disse...

é coisa de Poeta navegar na contramão....
é coisa de gente na cultura e na ação...
é coisa do povo preservar a arte de falar, o verso e o soneto...
e coisa do amor preservar e cultivar o ESPAÇO interior da CULTURA
casas,casarões,prédios e
principalmente a vida da
CULTURA com o POVO...