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quinta-feira, 7 de maio de 2015

O BLÁ BLÁ BLÁ DE LOBÃO

Por Lau Siqueira

Quando li esta semana uma declaração de Lobão sobre o cancelamento de 80% dos seus shows em 2014 fiquei muito preocupado. Só que não. Foi uma preocupação de uns dois minutos e meio. Logo relaxei. Afinal, pensei sobre quem era Lobão na lambada do rock Brasil.  Nunca fui fã do seu trabalho. Muito menos do seu estilo rebelde de boutique. Essa coisa de colocar o comportamento do artista acima da sua arte sempre me pareceu muito medíocre. Quando surgiu na cena nacional, parecia muito mais preocupado em mostrar o estilo “ídolo drogado” que uma música inovadora. Mas, foi nessa pisada que ganhou fama. Não foi pela consistência da sua obra. Ainda que existam pessoas que, logicamente, gostam do que produz. Ultimamente parece ter descoberto que não é Raul Seixas nem Waldick Soreano. Ganhou mídia nacional apoiando passeatas que pediam a volta da ditadura e o impeachment de Dilma. Sua música mais uma vez ficou em segundo plano.

Antes disso, pagou de escritor para ver colava. Parece que também não deu certo. Sabe por que? Porque está entre os que dão à própria história uma importância maior do que realmente tem. Daí partiu para a política. Quis virar o herói do que lhe parecia um filão. Afinal a derrota de Dilma estava escrita nas estrelas. Instrumentos como a Veja, a Globo, a Folha e outros abandonaram de vez o jornalismo para “formar opinião”. Jogo pesado. A opinião pública estava no caldo e no osso. A eleição parecia uma papinha de tão fácil. Seria Lobão o ministro da cultura num possível governo Aécio Neves? Quem duvida? O fato é que seguiu apostando no que lhe parecia invencível. Chegou a declarar que se mudaria do Brasil se Dilma ganhasse. Depois das eleições veio o mico. Descobriu que perdeu mais uma oportunidade de ficar calado. Ridicularizou-se perante seu próprio público. Pousou de paspalho. Perdeu público à esquerda e parece que não ganhou ninguém à direita. Agora retorna com a pose da vítima descabelada. Diz em tom de denúncia que teve shows cancelados por sua posição política. Mais uma balela.

Lobão nos mostra o quanto as aparências enganam. Às vezes vamos ao Centro Histórico e vemos aquela garotada tatuada, com pose de “mudernagem”. Sabia que alguns deles batem na namorada? Sabia que mesmo aqui na Paraíba alguns roqueiros se declararam neo-nazistas? Foram rejeitados pelos próprios colegas que não queriam o rock associado ao nazismo. Portanto, Lobão não surpreende mais uma vez. Principalmente por conta do seu histórico de projeção artística induzida. Uma frágil casca de rebeldia escondendo um oportunista patológico. Se tivesse o azar de encontra-lo pelas ruas não perderia a oportunidade de dizer: -“Vai pra Cuba!”

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